O presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol reconheceu à Lusa que «não há um único jogo perfeito», mas frisou que o setor é dirigido «de dentro para fora, sem intromissões».
Questionado sobre as críticas do Benfica em relação à arbitragem de Carlos Xistra, no domingo, na visita à Académica (2-2), o presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol adiantou que todas as conversas com dirigentes de clubes ficam no «foro privado», mas todas as informações que chegam ao órgão que dirige são «tidas em conta».
«Não há um único jogo que seja perfeito. Se um árbitro toma mais de 200 decisões por jogo. Se dessas, cinco por cento forem erradas, estamos numa percentagem elevada. Depois dessas erradas, se houver algumas que tiverem influência no resultado, é naturalmente lamentável», afirmou Vítor Pereira.
O antigo árbitro internacional questionou «quantas vezes acontece, a todos, mesmo após vários visionamentos na televisão, não se conseguir ter, em consciência, uma opinião final e definitiva, quanto mais o árbitro em milésimos de segundo, com a pressão de 30 mil espetadores, com barulho, relvado molhado, chuva, vento?».
Frisando não comentar jogos ou árbitros em particular, Vítor Pereira esclareceu ter «total autonomia por parte do presidente da FPF», garantindo que «a arbitragem assume a sua responsabilidade, gere de dentro para fora, sem aceitar intromissões», destacando que «há um responsável para o bem e para o mal».
«Todas as conversas que temos com dirigentes [de clubes] ficam absolutamente no foro privado, no foro em que são tidas», adiantou, referindo-se às palavras do dirigente do Benfica, Rui Gomes da Silva, que tinha sugerido que os "encarnados" e o próprio presidente do Conselho de Arbitragem da FPF tinham tido conhecimento de potenciais «coisas estranhas» no jogo do fim de semana.
Vítor Pereira esclareceu ainda que «todas as informações (...) são tidas e levadas em boa conta», como «em várias circunstâncias que levaram mais tarde a decisões judiciais», mas com «o silêncio» do organismo que dirige, visando «credibilizar a arbitragem e o futebol».
O dirigente reiterou a sua «preocupação» relativamente às dificuldades dos juízes nos atuais moldes, sobretudo com o aumento do número de jogos nas competições profissionais, o qual acarreta «um risco de decréscimo de eficácia nos desempenhos», defendendo, novamente, a profissionalização da atividade, «um novo paradigma para a arbitragem de topo em Portugal».