João Salgueiro não aparenta ter os 78 anos que estão no BI. Nem na aparência nem na agilidade de pensamento. Defende, num discurso sólido, enérgico, fluído, e, sobretudo, experiente, um plano de emergência para o desemprego. Um plano temporário que pode implicar ver doutores e engenheiros na «construção de rotundas». Chocante? «Depois da Segunda Guerra Mundial as pessoas fizeram isso. Trabalharam com as mãos». Um plano para pôr em prática enquanto o investimento, que tem de ser atraído, não cria novos postos de trabalho.
O economista é membro do Conselho Económico e Social e professor convidado da Universidade Nova de Lisboa. Foi ministro das Finanças (no governo de Pinto Balsemão, no início dos anos 80, antes da segunda intervenção do FMI no país), vice-governador do Banco de Portugal, e presidente da Caixa Geral de Depósitos e da Associação Portuguesa de Bancos.
A entrevista na TSF e Dinheiro Vivo começou pelo tema do corte permanente de 4 mil milhões de euros na despesa do Estado. Mas rapidamente foi parar ao desemprego. A erosão do número de postos de trabalho tem de ser combatido, diz o antigo ministro das finanças, em duas vertentes. Uma passa pela atração de investimento produtivo que «pague salários altos em funções qualificadas». Mas isto demora: «isto não vai absorver a mão-de-obra toda de repente» e, por isso, o governo deve avançar já com «um plano de emergência para as pessoas estarem ocupadas. Isso é o Keynesianismo. O Keynes dizia até - essa frase ficou célebre - "ponham metade dos desempregados a abrir buracos e a outra metade a tapá-los". O que interessa é que estejam ocupados».
«Há muito trabalho a ser feito»
O plano de emergência defendido por João Salgueiro assenta na ideia que há há falta de pessoal em muitas áreas: «Há falta de pessoas para cuidar dos idosos. Há todos os anos incêndios porque as matas não estão tratadas. É assim tão complicado pôr as pessoas a tratar das matas?».