Investigadores portugueses defendem que os últimos homens de Neandertal viveram em Portugal, há 30 mil anos, e estiveram em contacto com o homem Moderno durante 10 mil anos.
Luís Raposo e Eugénia Cunha são os dois antropólogos portugueses que defendem a tese de que o homem de Neandertal viveu no território que é actualmente Portugal continental e o Sul de Espanha.
A teoria foi apresentada esta sexta-feira em Ponta Delgada, Açores, durante as III Jornadas de Antropologia Biológica.
Vestígios de há 30 mil anos
Os dois investigadores fundamentam o seu estudo com base em achados arqueológicos em regiões dos países ibéricos, correspondentes a indivíduos que viveram há 30 mil anos.
Em Portugal foram achados dentes e fragmentos de ossos da mão, ao passo que em Espanha foi encontrado um esqueleto praticamente completo. Todos os vestígios datam de há 30 mil anos, e são cinco anos mais novos que os outros vestígios do homem de Neandertal encontrados em várias zonas da Europa.
Coexistência pacífica
Segundo o director do Museu Nacional de Arqueologia e a professora na Universidade de Coimbra, a fixação mais prolongada na Península Ibérica tem a ver com o facto de o clima ser mais ameno em relação ao resto da Europa, que há cerca de 30 mil anos, começou a sofrer um arrefecimento muito acentuado.
Os autores da tese adiantam que o homem de Neandertal chegou a coexistir na Península Ibérica com o homem Moderno. E dizem que não terá sido o «novo homem» o responsável pela extinção do primeiro.
Esta opinião assenta no facto de não existirem provas de confrontos entre eles, tanto que «não havia pressão territorial», porque a população de neandertais e homens modernos era «reduzida».
Assim, durante 10 mil anos, dos dois podem ter coabitado em Portugal e Espanha.
O desaparecimento terá, na opinião dos antropólogos, sido provocado razões ecológicas, como por exemplo a extinção de determinados animais que eram base da sua alimentação, e a eventuais doenças infecciosas transmitidas pelo homem Moderno.