Os sócios do Benfica vão tomar hoje (sexta-feira) uma das mais importantes decisões na história do clube: sim ou não ao projecto da direcção liderada por Manuel Vilarinho de construir um novo estádio da Luz.
Os sócios do Benfica decidem hoje se o clube avança para a construção de um novo estádio, numa Assembleia Geral que promete ser acesa e realizada numa altura em que os «encarnados» têm todos os seus bens penhorados.
A reunião magna tem como ponto único a deliberação sobre a proposta da Direcção, presidida por Manuel Vilarinho, de avançar para a construção de um novo estádio com vista ao Europeu de 2004, devendo ser conhecido finalmente o complexo projecto de financiamento da obra.
Mas o factor que poderá determinar o decurso das intervenções será a acção de penhora interposta pelo ex-presidente João Vale e Azevedo, que reclama uma verba superior a um milhão de contos, numa altura em que se encontra em prisão preventiva por alegadamente se ter apoderado de dinheiros do clube.
Se os sócios aprovaram a construção do estádio, o novo recinto dos «encarnados» terá capacidade para 65 mil pessoas e irá custar cerca de 25 milhões de contos.
Em declarações à TSF, Paulo Olavo Cunha, presidente da mesa da Assembleia Geral, diz que não teme qualquer acto de impugnação da AG, mesmo reconhecendo que o parecer do Conselho Fiscal é desfavorável à construção do novo estádio.
«Temos um parecer desfavorável, mas julgo que esta situação não vai contra os estatutos do clube. No entanto, impugnar todos podem impugnar».
Vale e Azevedo queria ir à AG
João Vale e Azevedo tentou obter uma autorização do tribunal para participar na AG desta noite, mas o pedido não deverá ser aceite.
O antigo presidente do clube queria repetir os argumentos que deixou numa carta enviada a Paulo Olavo Cunha, onde reafirma que o Benfica lhe deve dinheiro, mas diz que está disposto a esperar pelo pagamento em virtude das dificuldades financeiras que o clube atravessa.
Vale e Azevedo acusa ainda a actual Direcção de ter deixado chegar o caso das dívidas aos tribunais e de nada ter feito para evitar a penhora dos bens do clube.