Os deputados que assistiram à final da Taça UEFA consideram ter estado presentes em Sevilha em «trabalho político». No Parlamento discute-se se as faltas dos deputados serão justificadas, mas Mota Amaral deverá entender que não há lugar à justificação.
À espera de uma decisão final do presidente da Assembleia da República, nos corredores parlamentares multiplicam-se as várias opiniões sobre o caso. O PCP defendeu em conferência de líderes que não há lugar para qualquer justificação às faltas dadas pelos deputados, mas poucas são as vozes que seguem a mesma opinião.
O vice-presidente da bancada do PSD, Jorge Neto, um dos presentes no jogo que deu a Taça UEFA ao FC Porto, confessa que «em consciência» não pediu a justificação às faltas dadas. «Não justifiquei a falta porque em consciência entendo que não tem enquadramento legal para ser justificada. Todas as pessoas foram porque simpatizam com o clube», disse.
No entanto, Guilherme Silva, líder parlamentar social-democrata, considera que Mota Amaral não deixará de ter em conta a relevância do acontecimento a nível institucional, o que fez com que Durão Barroso e Jorge Sampaio também se deslocassem a Sevilha. No entanto, o deputado reconhece que o Parlamento não delegou uma representação formal nos 30 deputados presentes em Sevilha
«É evidente que não houve uma representação formal. Tratou-se de um acontecimento importante para o país, tanto que lá estiveram o Presidente da República e o primeiro-ministro», disse.
Deputados têm capacidade de intervenção própria
Já no PS, José Lello afirma mesmo que foi «trabalho político. Acho importante que os políticos estejam presentes num momento tão importante para a afirmação de Portugal como foi a final da Taça UEFA».
Lello acrescenta ainda que «o presidente da Assembleia da República não é um órgão e não lhe compete decidir o que é ou não trabalho político de um deputado que tem a sua própria capacidade de intervenção», referiu.