A CGTP quer saber como é possível ter sido atribuída uma reforma de 18 mil euros ao antigo presidente da Comissão Executiva da CGD. A União dos Sindicatos Independentes vai exigir num anúncio de jornal reformas iguais às de Mira Amaral.
A CGTP quer ser esclarecida acerca de como foi calculada a pensão de Mira Amaral, que saiu do cargo de presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos na terça-feira.
«O regime do estatuto da aposentação é uma lei do Estado e nenhum despacho de nenhum ministro ou regulamentos de organizações podem-se sobrepor à lei. Sabemos que este não é um caso único, mas sabemos que nenhum dos casos anteriores atingiu um volume semelhante a este», afirmou Carvalho da Silva.
O responsável da central sindical considerou ainda «espantosa» a pensão de 18 mil euros mensais dada ao ex-ministro da Energia, especialmente se se considerar que Mira Amaral esteve apenas um ano e nove meses no cargo.
Em declarações à Lusa, Carvalho da Silva assinalou ainda que foi importante que o ministro das Finanças tenha reconhecido na entrevista que deu na quinta-feira à RTP que o valor da pensão atribuída a Mira Amaral era «injusta» e «obscena».
Bagão Félix disse que a atribuição da pensão resultava de um regulamento interno da própria Caixa Geral de Depósito, mas mesmo assim Carvalho da Silva afirma que o ministro das Finanças tem de ajudar a esclarecer a situação.
Por seu lado, a União de Sindicatos Independentes indicou que vai colocar um anúncio nos jornais de domingo a reclamar reformas para os quadros e técnicos bancários iguais às de Mira Amaral.
«Vamos manifestar a nossa indignação quanto à forma como, unilateralmente, a administração da CGD decide atribuir chorudas reformas», afirmou Afonso Diz à agência Lusa, que não compreende como o Governo desconhece situações semelhantes.
Bagão confirma ordem de revisão de regulamento de pensões
O ministro das Finanças confirmou entretanto à agência Lusa que «já deu indicação para o regulamento de pensões da CGD seja revisto».
Bagão Félix reiterou ainda desconhecer a celeridade em que o processo de reforma de Mira Amaral foi deferido, uma vez que se trata de «assunto interno da Caixa Geral de Depósitos» e negou alguma vez ter visto algum documento relacionado com o assunto «que não fosse a sua carta de renúncia».