Augusto Pinochet lavou mais de 15 milhões de dólares em bancos norte-americanos, nomeadamente no Riggs e no Citygroup, disse o Senado daquele país. Uma das contas usadas estava numa subsidiária do Espírito Santo da Florida. O BES nãa comenta.
O antigo ditador chileno Augusto Pinochet utilizou pelo menos 125 contas nos EUA, incluindo uma conta numa subsidiária do Banco Espírito Santo na Florida, para lavar mais de 15 milhões de dólares.
A informação foi dada pelo Subcomissão Permanente de Investigações do Senado norte-americano que chegou à conclusão que o ex-homem forte do Chile usou mais que um banco para a lavagem do seu dinheiro.
Sobre as contas no banco português, o relatório da subcomissão do Senado indica que Pinochet recebeu transferências de 3,91 milhões de dólares, entre 1991 e 2000, nas contas que mantinha no Espírito Santo Bank.
Contactado pela TSF, o BES diz que tem conhecimento do relatório mas não vai comentar as suas conclusões.
Citigroup também envolvido
Para além da conta que usou no Espírito Santo Bank, com sede em Miami, Pinochet usou essencialmente contas no Citigroup, onde foram descobertas 63 contas associados ao ex-ditador.
«Alguns bancos ajudaram-no activamente a esconder fundos, outros não cumpriram com os regulamentos dos EUA que indicam que os bancos têm de conhecer os seus clientes», adiantou o senador democrata do Michigan Carl Levin.
De acordo com o Senado, o Citigroup foi um dos grupos que ajudou o antigo ditador, agora com 89 anos de idade, e os seus familiares a abrirem contas.
Das 63 abertas neste grupo entre 1981 e 2004, 15 foram abertas pelo próprio Pinochet, ao passo que 19 estão no nome de familiares do ex-ditador.
Pinochet detinha ainda contas no Banco do Chile, bem como numa subsidiária do Banco Riggs em Londres, conta que foi aberta em 1996 graças a um passaporte diplomático que tinha.
Numa primeira análise, o Senado norte-americano tinha indicado que Pinochet tinha apenas utilizado nove contas no Banco Riggs, ao longo de oito anos.
Contudo, o mesmo Senado diz agora que o envolvimento com este banco foi afinal de 25 anos, incluindo 28 contas num valor aproximado de oito milhões de dólares.
Este instituição tinha já admitido o seu envolvimento com Pinochet, tendo já 16 milhões de dólares de multa, verba que também envolveu contas suspeitas relativas ao petróleo na Guiné Equatorial.
O Riggs tinha também concordado colaborar, em Fevereiro, com oito milhões de dólares para o fundo das vítimas do ex-ditador.
Durante o regime de Pinochet, pelo menos três mil pessoas perderam a vida na sequência da violência política desse período, enquanto que centenas de milhares foram torturadas, presas ou exiladas.