O candidato do PSD às legislativas antecipadas pretende privatizar a RTP, a RDP e a Caixa Geral de Depósitos, caso seja eleito. Durão Barroso quer também transformar Portugal no país mais competitivo da Europa em termos fiscais.
O futuro candidato do PSD a primeiro-ministro, Durão Barroso, afirma que se for eleito pretende adoptar uma política liberal em relação às empresas do Estado, defendendo as privatizações da RTP, RDP e da Caixa Geral de Depósitos (CGD), embora esta última seja ainda um assunto em análise.
«A questão da CGD está em "policy review" do nosso partido. (...) A CGD é privatizável mas não quer dizer que venha a ser privatizada», esclareceu Durão Barroso numa entrevista à agência Reuters.
Relativamente à RTP e RDP a ideia do PSD é que o actual modelo tem que acabar, mas resta saber como será possível assegurar o serviço público prestado por ambas as empresas.
«Existem várias hipóteses e uma delas é o serviço público ser feito através dos canais privados, com a privatização total da RTP, ou a separação de um dos canais, privatizando apenas parte», revelou Durão Barroso.
O líder laranja defendeu ainda, na mesma entrevista, que o Governo demissionário «já não está no pleno uso das suas competências» e, por isso, não deve avançar com os processos de privatizações programados e que envolviam a TAP, a Portucel e a Galpenergia.
PSD vai pedir maioria absoluta
O PSD vai pedir uma maioria absoluta nas eleições legislativas antecipadas para poder formar um Governo com apoio maioritário no Parlamento, disse Durão Barroso. Se isso não acontecer, o líder do PSD admite outros cenários para atingir a maioria parlamentar.
«Eu vou pedir um Governo de maioria porque entendo, não por questões partidárias, que o País precisa de um Governo de maioria», frisou.
Durão acredita «que é possível chegar a um Governo de maioria, seja directamente das eleições, seja subsequentemente, analisando as soluções em função dos resultados eleitorais», acrescentou o líder do PSD sem precisar cenários.
Apesar da vitória nas autárquicas, Durão Barroso está consciente que o PSD precisa de mais votos para atingir os seus objectivos de conseguir um Governo de maioria: «São necessários mais votos mas penso que a situação é muito melhor agora do que era há um tempo atrás».
Durão Barroso foi critico em relação às sondagens, afirmando que são manipulada «porque são feitas por pessoas ligadas ao PS» e falham sempre. «Nós próprios ficámos surpreendidos com os resultados (das últimas eleições)», disse.
Coligação com CDS/PP continua em segredo
Sobre o CDS/PP e Paulo Portas nem uma palavra porque isso «poderia ser visto como uma forma de condicionar o PP e como o PP vai realizar um congresso que decida livremente qual o caminho que quer tomar».
Na última terça-feira, a deputada do PSD, Manuela Ferreira Leite, respondendo ao deputado popular Basílio Horta, no Parlamento, relativamente a uma possível aliança eleitoral, disse que para o PSD «o problema não era o PP mas sim o seu líder».
O PSD acusa o PP de ter posto em causa uma vitória em Lisboa por um capricho do seu líder Paulo Portas que acabou por impedir a coligação CDS/PSD.
Portugal o mais competitivo da Europa
No plano fiscal, Durão afirma que Portugal vai ser «o país mais competitivo da Europa» se couber ao Partido Social Democrata (PSD) a missão de formar o próximo Governo.
Durão Barroso, caso ganhe as eleições, quer fazer uma auditoria completa às contas públicas, porque acredita que o défice chega aos «cinco por cento em 2001, contra os 2,2 por cento do PIB avançados pelo Governo» e quer revogar a actual legislação que penaliza as empresas e os investimentos em Bolsa.
Barroso assegura que não vai fazer despedimentos na Função Pública, mas sim conter novas entradas e quer uma liberalização total do preços dos combustíveis.
Durão Barroso referiu que uma das primeiras medidas do próximo Governo passa pela revogação da tributação das mais valias e das holdings, que está apenas suspensa porque contou com os votos do PSD no Parlamento».
Relativamente ao IRC, Durão Barroso tem como intenção um desagravamento progressivo, mas não se quis comprometer com níveis porque isso vai depender da 'saúde' das finanças públicas e dos outros países.