O projecto do novo terminal fluvial da Transtejo é hoje apresentado no Cais do Seixalinho, Montijo. Um grupo de cidadãos locais não concorda com a obra, alegando custos económico-ambientais e «interesses urbanísticos».
O projecto do novo terminal fluvial da Transtejo é hoje apresentado no Cais do Seixalinho, Montijo, perante a contestação de um grupo de cidadãos.
O grupo, designado por «Plataforma Cívica de Defesa do Cais dos Vapores», discorda da transferência, que ocorrerá em Novembro, do terminal fluvial da Transtejo do Cais dos Vapores para este novo cais, alegando custos económicos e ambientais e «interesses urbanísticos».
Uma posição que será hoje mesmo transmitida ao ministro do Equipamento, Jorge Coelho, na cerimónia de apresentação do novo terminal e de assinatura do protocolo para a construção da Circular Externa do Montijo.
A Plataforma, que se diz «apartidária», considera que o novo terminal rodo-fluvial do Seixalinho penaliza os utentes, que se vêem obrigados a gastar mais dinheiro por terem que utilizar um segundo transporte para chegar à estação, explicou à Lusa Filipe Carrera, um elemento do grupo.
Ao contrário da actual estação de embarque da Transtejo do Cais dos Vapores, o novo terminal ficará localizado fora do centro da cidade do Montijo, pelo que «as pessoas serão forçadas a deslocar-se ao local em autocarro ou automóvel», sustentou a mesma fonte.
Argumentos «falaciosos»
«O argumento de que o tempo de viagem do Montijo para Lisboa será reduzido de 30 para 20 minutos com o novo terminal é falacioso», sublinhou Filipe Carrera.
«As pessoas acabam por levar mais tempo porque estão paradas no trânsito se forem de automóvel para a estação (uma vez que a projectada Circular Externa ao centro da cidade do Montijo não está ainda feita)», disse.
Além disso, «não estão ainda garantidas carreiras de autocarros até ao terminal», acrescentou.
Contudo, o presidente do conselho de administração da Transtejo, Armindo Bento, afirmara anteriormente à Lusa que estão asseguradas carreiras de autocarros entre os concelhos de Montijo, Palmela, Alcochete e o novo terminal do Seixalinho, bem como títulos de transporte combinados mais baratos.
Quanto à Circular Externa, a presidente da Câmara do Montijo, Maria Amélia Antunes, referira que o projecto do primeiro troço estava concluído, apesar de não ter adiantado quaisquer prazos para o arranque das obras.
A Plataforma Cívica sustenta ainda que a mudança do sítio de acostagem dos barcos da Transtejo do Cais dos Vapores para o Cais do Seixalinho vai "retirar vida ao centro da cidade", prejudicando o negócio dos comerciantes.
Por outro lado, segundo o grupo de cidadãos, a desactivação da actual estação fluvial acarretará impactos ambientais negativos na zona ribeirinha, já que o rio deixará de ser dragado pela Administração do Porto de Lisboa, entre o Cais dos Vapores e o Cais do Seixalinho.
Câmara do Montijo favorável
Favorável ao novo terminal, o executivo camarário do Montijo (PS) pretende, ao abrigo do III Quadro Comunitário de Apoio (2000-2006), instalar na área do Cais dos Vapores um porto de recreio, restaurantes e espaços de lazer.
Para o mesmo responsável da Plataforma, o processo de transferência do terminal fluvial para o Cais do Seixalinho foi conduzido «sem transparência» e «à margem da vontade expressa por 4 mil subscritores de um abaixo-assinado a favor da manutenção da estação no Cais dos Vapores».
O presidente da Transtejo afirma, todavia, que a maioria dos utentes da carreira fluvial do Montijo mostrou-se favorável à mudança do terminal num inquérito elaborado em 1998 pela Direcção-Geral de Transportes Terrestres.