O estudo realizado no âmbito do projecto «Bactérias na praia» concluíu que dez praias da frente marítima do Porto são uma «tragédia». As «piores» são a de Matosinhos e das Pastoras que apresentam valores de coliformes fecais «muito acima do admissível».
Os resultados do estudo à qualidade da água de dez praias da frente marítima do Porto são uma «tragédia», mas as «piores» são a de Matosinhos e das Pastoras (Porto) que apresentam valores de coliformes fecais «muito acima do admissível».
«Os resultados são uma tragédia mas no dia em que recolhemos as amostras (sábado) as praias estavam pejadas de gente», referiu à Lusa o professor Bordalo e Sá, que liderou o estudo realizado no âmbito do projecto «Bactérias na praia», que hoje termina nas praias da Foz do Douro.
As praias das Pastoras, Ingleses e Molhe, no Porto, e Matosinhos (Circunvalação) apresentam-se impróprias e as restantes (Ourigo, Bar Ourigo, Leme, Gondarém, Luz e Aquário) estão razoáveis, mas com «valores próximos do limite».
A praia de Matosinhos apresentava (às 9:00) um valor médio de 19200 colónias de coliformes fecais por 100 mililitros e a das Pastoras tinha 30700 colónias por 100 mililitros.
O valor máximo admissível pela lei portuguesa é de duas mil colónias de coliformes fecais (bactérias indicadoras de contaminação da água por fezes). A partir deste valor, os banhistas correm risco de doença.
«Não significa que as pessoas saiam da água directamente para a urgência do hospital, mas há o risco», disse Bordalo e Sá, salientando que, «como não há estudos epidemiológicos, não é possível, por exemplo, associar a causa/efeito duma hepatite que se manifesta daqui a um mês».
À falta de qualidade microbiológica da água acrescenta-se a falta de qualidade visual, que na maioria dos casos também não cumpre os requisitos.
O biólogo que se encontra desde 1 de Agosto a trabalhar no laboratório de campo instalado junto às praias do Ourigo e das Pastoras constatou que é possível ver naquelas águas «uma quantidade muito grande de pensos higiénicos e preservativos a boiar».
A análise às dez praias da frente marítima do Porto realizou-se entre as 9:20 e as 11:08 de sábado pela equipa do projecto «Bactérias na Praia», uma actividade proposta pela Agência Ciência Viva no âmbito da acção «Biologia no Verão».
O objectivo do projecto é divulgar entre os utentes das praias da Foz do Douro, o mundo bacteriano existente no mar, o tratamento de amostras destinadas a análises microbiológicas, assim como a publicação dos resultados de indicadores bacterianos da qualidade da água do mar.