Dois terços dos produtos agrícolas portugueses que podem ser viáveis sem ajudas comunitárias são produzidos em apenas 20 por cento do país, revela um estudo realizado pela universidade de Évora.
A equipa, coordenada por Teresa Pinto Correia, revela que a área com mais Agricultura competitiva fica «à volta de Lisboa e Vale do Tejo, à volta do Grande Porto, do vale do Douro, do Ribatejo e alguns concelhos do Algarve, o que a nível do país representa uma área muito reduzida», salienta.
Também Trás-os-Montes se apresenta como um área competitiva, pois «nesta região, a agricultura pode ter uma vocação para serviços rurais».
«Ainda há muita gente ligada à agricultura. Por enquanto ainda não há uma produção competitiva a nível internacional mas que pode ser promovida a esse nível», explicou.
Desta análise resultou uma divisão do país de onde ressaltam as áreas que reúnem condições para conseguirem independência face aos subsídios europeus, portanto viáveis depois de 2013.
São as regiões da hortifruticultura, do vinho, das estufas, dos porcos ou das aves, entre outros, sobretudo no Ribatejo e no Oeste, Douro e partes do Minho e do Algarve.
No restante território - a esmagadora maioria - a dependência dos subsídios vai garantindo o rendimento dos produtores. Mas o futuro não termina em 2013. Portanto, há que avaliar as diferentes potencialidades destas áreas.
Governo está preparado
Os resultados deste estudo não surpreendem o ministro da Agricultura, Jaime Silva, que revelou que o «Governo tem em preparação e vai apresentar nos proximos seis meses um plano de desenvolvimento rural composto por cinco eixos».
«Um dos eixos é baseado nesses dois terços de produtos nacionais que são competitivos e podem continuar a ser produzidos de uma maneira sustentável», explica.
«Depois a ideia e criar nichos de produtividade nos outros 80 por cento do território, mas com outras funções para além da agricultura que passam pela preservação da biodiversividade, pela gestão da floresta, promoção do bom uso dos solos, e mesmo através do turismo rural e do artesanato», concluiu.
CAP diz que é preciso proteger agricultores
O presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses também não fica surpreendido com este estudo e salienta que este problema não é exclusivo de Portugal.
«O congresso que fizemos no ano passado apontava precisamente para esta realidade que não é apenas portuguesa mas sim europeia. Os mercados liberalizaram-se, o preço dos produtos agrícolas estão cada vez mais baixos e por isso tem de haver uma protecção e uma compensação», avisou Luís Mira.
«Não há outra solução porque com as exigências europeias a nível de higiene alimentar e a nível de outros aspectos não é possível competir com países como o Brasil e a Argentina que não tem essas exigências», explica o presidente da CAP.