
Refugiados na África do Sul
Epa
Mais de quatro mil moçambicanos estão a regressar ao país de origem para fugirem da onda violência xenófoba na África do Sul. Entretanto, as autoridades procederam a um reforço de policiamento na região de Joanesburgo.
Mais de quatro mil moçambicanos estão a regressar compulsivamente ao país de origem para fugirem dos ataques de violência xenófoba na África do Sul, em particular em Joanesburgo.
Jovens de ambos os sexos, incluindo crianças, viram-se forçados a abandonar a África do Sul, a maior potência económica do continente, devido às atitudes xenófobas protagonizadas por grupos de vigilantes contra os imigrantes, a quem acusam de prática de crimes e de contribuírem para o elevado índice de desemprego e do custo de vida.
Os dados oficiais do governo de Moçambique confirmam a morte de oito cidadãos moçambicanos.
O Presidente de Moçambique, Armando Guebuza, já apelou aos moçambicanos para não responderem aos ataques xenófobos contra os imigrantes na África do Sul e elogiou a atitude das autoridades sul-africanas em relação às vítimas.
O executivo de Maputo assegurou pagar as despesas de regresso de todos os moçambicanos afectados pela onda de violência xenófoba, garantindo também providenciar ajuda na transladação dos oito corpos de moçambicanos mortos nesse conflito.
Entretanto, procedeu-se a um reforço de policiamento na região de Joanesburgo, com o apoio do exército, para acabar com a onda de violência que já provocou 42 mortos.
Esta terça-feira, não foram registados ataques xenófobos pela polícia, onze dias depois de terem começado.
O Padre Carlos Gabriel contou à TSF que Joanesburgo está calma, porque o exército encontra-se nas «zonas perigosas» e «milhares de estrangeiros estão a voltar à sua terra».
O pároco adiantou que a comunidade portuguesa mantém-se a salvo, mas decidiu tomar algumas precauções, como encerrar as «lojas próximas de bairros de lata» mais cedo do que o habitual.
«Há menos clientes a passar pelas lojas», possivelmente porque muitos do que passavam estão «envolvidos na violência», acrescentou.