«É tempo do nosso diálogo ser acompanhado de uma mais efectiva cooperação entre todos, de um maior empenho em acções concretas que respondam aos nossos interesses partilhados e que dêem corpo aos nossos objectivos comuns», apelou o chefe de Estado, na sessão de abertura dos trabalhos Cimeira, que decorre até terça-feira em Cascais.
Cavaco Silva pediu que esse esforço seja «o mais inclusivo e abrangente possível».
«Queremos os nossos cidadãos mobilizados, contribuindo com a sua reflexão e as suas iniciativas para um projecto que só fará sentido se for entendido como património de todos», frisou.
Sublinhando que os chefes de estado e de governo representados na XIX Cimeira estão em Cascais «como iguais», Cavaco Silva lembrou que o esforço de se ouvirem e compreenderem uns aos outros é uma atitude que «nada tem de passiva, pelo contrário é exigente».
«Exigente porque implica vontade de ir além das palavras, vontade de agir», apelou.
Destacando o tema escolhido para esta cimeira, Inovação e Conhecimento, Cavaco Silva sublinhou que o sucesso desta aposta «muito depende da cooperação entre Estados e instituições».
«Será por isso muito importante que as conclusões da nossa Cimeira incluam medidas e iniciativas que favoreçam esta cooperação», disse.
O Presidente da República português salientou ainda que esta Cimeira decorreu «num momento em que o mundo enfrenta os efeitos de uma brutal crise financeira e económico e se confronta com os efeitos das alterações climáticas».
«Estes serão assuntos que teremos oportunidade para tratar no decurso dos nosso trabalhos», disse.
Tal como tinha referido no domingo, no acto inaugural da Cimeira, Cavaco Silva manifestou o propósito da reunião do Estoril contribuir para reforçar os laços que unem a comunidade ibero-americana.
«Nos tempos que vão correndo, nenhum de nós se pode permitir prescindir da mais-valia que constitui uma estrutura de diálogo e de coordenação de posições como é a nossa Comunidade», disse, saudando de forma especial o Presidente de El Salvador, o Presidente do Panamá e o primeiro-ministro de Andorra, que, tendo tomado posse este ano, participam pela primeira vez numa Cimeira Ibero-Americana.
No final do seu discurso, o Presidente da República sublinhou que, pela primeira vez na história das cimeiras ibero-americanas, foi reconhecido o estatuto de observador a alguns países - Itália e Bélgica - e organizações, como a FAO ou OCDE, entre outros.
«Ilustra o interesse crescente que a nossa actividade suscita a nível internacional», disse.