No total, são 14 doenças, raramente investigadas, que matam menos do que a sida, tuberculose ou malária, mas causam «um sofrimento e incapacidade para o trabalho muito significativos», disse o especialista em Medicina Tropical, Jorge Seixas, em declarações à agência Lusa.
«É preciso acordar para a existência destas doenças que são negligenciadas», alertou o investigador do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT).
Para debater este tema, a Fundação Calouste Gulbenkian promove, no quadro da iniciativa Fundações Europeias para as Doenças Tropicais Negligenciadas, a conferência «Doenças tropicais negligenciadas: sucessos escondidos, oportunidades emergentes», que reunirá entre segunda e quarta feira vários especialistas em Lisboa, entre os quais altos responsáveis da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Entre estas doenças encontram-se a lepra, a leismaniose, a doença de chagas, a filariase linfática, as febres hemorrágicas, incluindo o dengue, a dracunculíase, mais conhecida pelo verme da Guiné, e a doença do sono, provocada pela mosca tsé-tsé.
As crianças são as “primeiras vítimas” destas doenças, que podem levar à «estigmatização e à discriminação», uma vez que algumas, como a lepra e a leismaniose, deformam as pessoas, sublinhou o investigador.