Um dia após o veredicto do julgamento do caso de pedofilia na Casa Pia, em conferência de imprensa, em Lisboa, o médico Ferreira Diniz afirmou que «ao fim de seis anos foram alterados factos da acusação e o tribunal não permitiu que me defendesse. Defendi-me durante seis anos de uma coisa pela qual não fui condenado».
Ferreira Diniz enfatizou que «as condenações [de que foi alvo] não são as que estavam» na acusação e na pronúncia do processo Casa Pia, assinalando que «a pronúncia foi modificada pelo tribunal poucos meses antes da sentença», não lhe sendo dada oportunidade para se defender desses factos.
Por tudo isto, anunciou que vai requerer a nulidade do acórdão do colectivo.
Ferreira Diniz pretende «recorrer até ao fim do mundo» e anunciou que vai começar pelo Tribunal da Relação de Lisboa, onde «tem esperança que os juízes desembargadores analisem o processo de uma forma isenta», mas apontou também o Tribunal Constitucional e o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem como hipóteses para recorrer.
O arguido diz não recear uma decisão da Ordem dos Médicos relativamente ao exercício da sua profissão de médico na sequência deste acórdão já que «o processo ficou em aberto a aguardar trânsito em julgado» da sentença.