Feito de espuma, a imitação do Tridente percorreu as ruas da Baixa lisboeta, entre o Rossio e o Chiado, enquanto através de um microfone surgia o convite: «Venham conhecer o submarino que o Governo acaba de comprar com os nossos impostos. Foi uma pechincha, só custou mil milhões de euros», dizia um elemento do Bloco de Esquerda.
A acção do BE ocorreu no mesmo dia em que o Estado português recebeu oficialmente o Tridente, o primeiro de dois submarinos comprados à empresa alemã Ferrostaal, numa cerimónia no Alfeite, com a presença do ministro da Defesa, do secretário de Estado do setor e do chefe do Estado Maior da Armada (CEMA).
A compra dos dois equipamentos é, para os bloquistas, «uma opção errada, sobretudo no actual momento que vive a sociedade portuguesa».
«Esta aquisição dos submarinos vai onerar o Orçamento do Estado com uma quantia extraordinariamente grande, numa altura em que evidentemente as prioridades que deveríamos ter para a sociedade portuguesa só podiam ser outras», disse o líder parlamentar do Bloco, José Manuel Pureza, considerando que «se alguma vez se justificasse», este negócio «não se justificaria neste momento da vida social e económica» do país.
Por outro lado, a compra dos submarinos está «associada a um dossiê dos mais obscuros» de sempre na vida pública em Portugal, disse Pureza, referindo-se ao «dossiê das contrapartidas para a aquisição de equipamentos militares».