
Televisão
Direitos Reservados
Por causa do fim iminente da televisão analógica, alguns habitantes de uma aldeia de Mirandela foram induzidos a comprar um serviço de cabo, que afinal não necessitavam.
Meia centena de habitantes da aldeia transmontana de Rego de Vide foi enganada por agentes comerciais da Meo, que lhes disseram ser absolutamente necessário comprar este serviço porque senão iriam ficar sem televisão a partir de Janeiro.
«Se não puser este aparelho, o senhor não vai ver televisão e depois não há televisão por aqui. E nós, com medo de não vermos televisão, caímos», contou um dos habitantes desta aldeia do concelho de Mirandela.
Outro habitante referiu também que os vendedores deste serviço de televisão por cabo «não falaram que havia outro aparelho», numa referência ao descodificador de TDT que seria suficiente para os habitantes deste aldeia vissem televisão sem pagar uma prestação mensal.
«Dei conhecimento ao meu pai de que haveria outro aparelho e disseram ao meu pai que era mentira. 'A sua filha não está bem da cabeça'. E eles levaram a que ele assinasse», disse uma outra habitante.
Agora que sabem que estão a pagar um serviço, todos os meses, que poderia ter sido evitado por um pagamento único na compra de um descodificador, querem terminar os contratos de fidelização de dois anos que assinaram.
Contudo, há quem já tenha tentado pedir informações neste sentido, no entanto, a resposta foi clara. «Se quiser desligar e desistir fica sem televisão. Durante dois anos tem de aguentar», foi a resposta recebida.
Nesta aldeia de Mirandela, as pessoas têm conhecimento de casos semelhantes em localidades vizinhas numa região onde o apagão da televisão analógica só vai acontecer a 12 de Abril.
Ouvido pela TSF, o jurista Tito Rodrigues, da DECO, disse que é possível avançar com uma acção inibitória em tribunal se forem reunidas mais queixas.
«A revolta destes consumidores, agora que a questão tem sido mais espremida e portanto a informação começa a ser absorvida por parte dos consumidores, dá legitimidade a que se possa considerar que houve uma prática comercial que não foi leal por parte destes vendedores», adiantou.
Em resposta a estas queixas, a ANACOM informa que para actuar «precisa de dados concretos», apelando «às populações, bem como às entidades locais, para que lhe façam chegar todas as ituações que considerem irregulares».
A entidade reguladora lembra ainda que « a TDT não envolve a necessidade de celebrar contratos nem de pagar mensalidades», acrescentando que «quer o sinal seja recebido por via terrestre ou através de satélite, o acesso aos quatro canais é gratuito».