Cavaco Silva insiste no consenso político e num programa cautelar no pós-troika, lembrando que Portugal vai estar debaixo de supervisão, pelo menos até 2035.
Pelo menos até 2035, Portugal vai estar debaixo de vigilância internacional. Cavaco Silva deixa o aviso no prefácio do novo livro que reúne as intervenções do Presidente da República no último ano e que é hoje divulgado pelo jornal Expresso.
O chefe de Estado renova o apelo ao consenso entre os partidos, explicando porque é que um programa cautelar é preferivel a uma saída à irlandesa.
Cavaco Silva diz que «um país pode incorrer em custos de regressão elevados» se ficar inteiramente à mercê dos mercados e sobretudo, sublinha o chefe de Estado, se as principais forças políticas não se entenderem.
Neste prefácio divulgado pelo Expresso, Cavaco escreve que o risco atribuído à dívida pública vai ser influenciado por uma série de factores nos quais inclui a estabilidade política e o grau de consenso entre as forças partidárias do arco da governabilidade quanto às orientações fundamentais da política económica.
O Presidente volta assim a chamar os partidos à liça para entendimentos e faz questão de sublinhar que o que está em aberto é «demasiado importante e duradouro para que possa ser usado como arma de arremesso nas querelas político-partidárias».
O chefe de Estado frisa ainda que «é uma ilusão pensar que as exigências de rigor orçamental» vão desaparecer no fim do programa de ajustamento.
Cavaco lembra que «qualquer que seja o governo em funções» o escrutínio das finanças e da política económica vai manter-se «muito para lá» de maio, sendo que pelo menos até 2035 Portugal vai continuar sujeito a supervisão.
Os jornalistas também merecem um reparo do PR que pede «informação e esclarecimento da opinião pública» , um domínio em que, considera Cavaco, os meios de comunicação social deviam «exercer um papel de maior relevo».