Rui Moreira: «Cavaco Silva tem tido dificuldade em interpretar as inquietações dos portugueses»

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É a análise feita pelo presidente da Câmara do Porto no Fórum TSF: «Creio que o Presidente da República tem feito o seu melhor», considera Rui Moreira, acrescentando, no entanto, uma constatação sobre os níveis de desempenho de Belém nas sondagens. «Cavaco Silva tem tido dificuldade em interpretar as inquietações dos portugueses», avalia.
No fórum TSF, o autarca do Porto sublinhou que «a presidência da República era sempre muito respeitada pelos portugueses, tinha sempre um nível de avaliação muito elevado», mas, frisa Moreira, «hoje até esse órgão de soberania é questionado pelos portugueses». O presidente da Câmara do Porto considera por isso que esta circunstância «obriga a uma reflexão: daqui a dois anos temos que pensar muito bem qual o papel da presidência da República no futuro».
Mas a reflexão de Rui Moreira sobre a política nacional vai mais longe. «Os eleitores já não são atraídos por promessas vagas», diz, lançando uma crítica aos partidos: «A democracia representativa não pode ser vista como um cheque em branco por parte dos partidos e muitas vezes tem sido assim. Os eleitores vão votar, passam-lhes um cheque em branco eles nesse noite choram e dizem que foi pena ter havido tanta abstenção. Depois, nos anos seguintes, esquecem por que razão houve tanta abstenção e esquecem-se dos compromissos que foram assumidos. Este distanciamento entre eleitos e eleitores vai contribuindo para a decadência da democracia e para que haja cada vez mais pessoas entristecidas com a democracia».
Eleito como independente para a Câmara do Porto, Rui Moreira garante que é no Porto que vai ficar. «Eu não sairei daqui para outro cargo qualquer, não terei nenhum papel na política nacional a nível partidário ou a nível de Governo».
E se as relações com Lisboa têm sido boas, Moreira diz que não está preocupado com a saída de António Costa. Isso «não vai dificultar o diálogo entre Lisboa e Porto», acredita, sublinhando que conhece bem Fernando Medina, que também é do Porto, e que está convencido de que o diálogo com ele vai ser «produtivo».