A marquesa de Alorna, que literariamente assinava como Alcipe, sempre fascinou Maria João Lopo de Carvalho que decidiu escrever a sua história, num romance que traz a lume algumas cartas inéditas da poetisa.
"Marquesa de Alorna. Do cativeiro em Chelas à corte de Viena" é o título do primeiro romance histórico de Maria João Lopo de Carvalho, autora de cerca de 50 títulos, entre romances, livros infanto-juvenis e contos, que em declarações à Lusa afirmou que o objectivo foi «fazer um trabalho sério».
A obra, editada pela Oficina do Livro, tem cerca de 700 páginas. «É um trabalho de peso», comentou a autora, que desde menina se sente fascinada pela figura de D. Leonor de Almeida Portugal, até pelo facto de viver numa das quintas que pertenceu à marquesa.
O projecto levou precisamente um ano a redigir, depois de uma «investigação de anos» que a escritora fez para se colocar ao corrente do quotidiano de transição do século XVIII para o XIX, o período que a marquesa viveu, e também para ler parte da sua correspondência.
A autora escolheu as cartas que «dizem mais respeito ao quotidiano» da marquesa e «à vida familiar», e optou por as editar «para melhor perceberem aquela linguagem muito marcante do século XVIII», justificou.
«Do que há na Torre Tombo, um espólio de mais de 170 pastas, eu li cerca de 10 por cento, há ainda muito para descobrir. Aproveitei para editar cartas que estavam inéditas. Ao fim de algum tempo, depois das dificuldades iniciais, já conhecia a caligrafia da marquesa onde quer que a encontrasse», disse.
D. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre (1750-1839) foi a quarta marquesa de Alorna, sucedendo ao irmão, e a mulher que Napoleão considerou a sua «pior inimiga».