
Cemitério dos Prazeres, Lisboa
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As empresas funerárias não escapam aos efeitos das medidas de austeridade e estimam que em 2013 o panorama será ainda pior. O setor promove a partir de hoje um salão internacional, em Lisboa.
O presidente da Associação Nacional das Empresas Lutuosas (ANEL), Carlos Almeida, acredita que a procura vai cair no próximo ano ainda que preveja um aumento de mortes à conta da austeridade e do Orçamento do Estado para 2013.
«A manter-se este último corte, reduzir o subsídio de morte, reduzir ainda mais as prestações sociais, seguramente que o setor vai ter dificuldades. Se calhar, as pessoas que não têm dinheiro para pagar medicamentos, não têm dinheiro para alimentação adequada, irão morrer mais depressa, irá haver mais óbitos. Se houver mais óbitos, não é bom para o setor, ao contrário de outros, uma vez que não há capacidade para pagar os funerais», disse Carlos Almeida à TSF.
O presidente da ANEL afirma que o subsídio por morte, com a redução anunciada no Orçamento do Estado para 2013, vai ser insuficiente para realizar um funeral «habitual».
«Os 1.200 euros de que se fala não chegarão para a maioria das pessoas que quer fazer um funeral dito mais habitual», afirmou.
De acordo com a proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano, o Governo quer cortar para metade o subsídio por morte, que é atribuído aos familiares a cargo dos aposentados por morte destes, limitando o valor a 1.257,66 euros.
Carlos Almeida esclareceu ser impossível traçar uma média de preços de um funeral devido à disparidade de taxas cobradas, por exemplo, nos alugueres dos espaços das igrejas e pelas câmaras municipais.
Ainda assim, exemplificou: «Um funeral de alguém que tenha morrido na Amadora e que venha ser cremado a Lisboa, a taxa de cremação vai quase aos 400 euros, contra uma taxa de 120 euros que essa mesma câmara cobra a um residente. Se somarmos a esses 400 euros, 300 e algo da utilização da capela você tem logo de custos 700 e tal euros».
O presidente da ANEL salientou que todas as funerárias têm nas suas tabelas de preços um funeral denominado social, atualizado todos os anos, que neste momento se encontra perto dos 400 euros.
Carlos Almeida sublinhou que o Ambifuner, que decorre até sábado no Centro de Congressos de Lisboa, em parceria com a Associação Industrial Portuguesa e com a editora LuaAzul, conta com uma quase totalidade de expositores nacionais, vários com capacidade exportadora.