
Emily Whitehead
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Uma criança norte-americana de sete anos, Emily Whitehead, conseguiu combater uma leucemia com um método experimental que utiliza uma forma alterada do vírus da Sida.
No ano passado Emily Whitehead, então com seis anos, tinha poucas esperanças de sobreviver. Há dois anos que recebia quimioterapia e tinha tido algumas recaídas.
Mas no início deste ano, os médicos do hospital infantil de Filadélfia decidiram então colocar a menina num programa experimental, que passa por utilizar uma forma modificada do vírus da Sida e reprogramar o sistema imunitário.
Os médicos retiraram milhões de células do sistema imunitário de Emily. O VIH modificado foi depois utilizado para transportar um novo gene que deu força às células ajudando-as a detetar e atacar as células cancerígenas, que no corpo de Emily tinham escapado aos radares.
Por fim, as células imunitárias foram de novo colocadas no corpo da menina, criando uma espécie de misseis que se fixam no corpo e matam as células responsáveis pela leucemia.
Em maio, durante o tratamento, a menina adoeceu gravemente, tinha tremores e febre. Emily foi colocada nos cuidados intensivos, onde esteve medicada durante uma semana mas acabou por recuperar completamente.
Os sintomas permitiram aos médicos perceber os riscos do processo. O oncologista pediátrico responsável pelo tratamento explicou hoje que Emily nunca esteve em perigo de contrair Sida porque o VIH utilizado só retém a capacidade de introduzir novos genes nas células e garantiu que o novo escudo imunitário vai continuar a funcionar.
Nesta altura, com todos os testes que fizeram a Emily, é possível dizer que já não existe leucemia no corpo da menina.
O oncologista diz no entanto, que vai ser preciso esperar dois anos para afirmar a 100% que Emily está mesmo curada.
Ainda assim, diz acreditar que esta terapia celular pode vir a substituir os transplantes de medula óssea, que são mais caros e dolorosos.