Vestígios de um fundo marinho/praia jurássica foram descobertos numa antiga exploração de pedra desativada há vários anos, na freguesia de S. Bento, no concelho de Porto de Mós.
A descoberta foi revelada, na última reunião de Assembleia Municipal de Porto de Mós, por António José Teixeira, geólogo/arqueólogo e deputado do PS.
Segundo o investigador, que está a estudar os vestígios encontrados no âmbito de uma tese de doutoramento, os fósseis encontrados são do período "Jurássico médio 170-166 milhões de anos", explicou António José Teixeira à Agência Lusa.
«De acordo com o reconhecimento paleontológico realizado até agora, foram identificados cerca de 60 exemplares, entre moldes e restos fossilizados de três grupos de equinodermes: Equinoides (ouriços-do-mar), asteroides (estrelas-do-mar), Crinoides (lírios-do-mar) e ondas do mar fossilizadas, (Ripple marks)», revelou o investigador.
António José Teixeira explicou que a paisagem deste lugar - que é hoje a Serra de Aire e Candeeiros - era «uma planura litoral, pejada de zonas inundadas por lençóis de água, com um a dois metros de espessura».
Nessa altura, «a Europa ainda se encontrava ligada ao continente norte-americano e, entre a Ibéria e a Terra Nova, no Canadá, penetrava um mar pouco profundo de águas tépidas e límpidas, propícias à formação de recifes de coral», acrescentou, ao salientar que o «clima era quente e húmido e a vegetação exuberante».
Considerando que a descoberta «reveste-se de uma importância científica extrema», o geólogo esclareceu que «este testemunho geológico/paleontológico» evidencia «cerca de dois mil metros quadrados de um antigo fundo marinho/praia, com inúmeras espécies de estrelas-do-mar, ouriços-do-mar, lírios do Mar, sulcos feitos por animais marinhos, intraclastos e as próprias ondas do mar estão fossilizadas».
O geólogo defende a importância desde sítio geológico «pela sua dimensão, raridade, beleza e, acima de tudo, pela sua geodiversidade».
A descoberta já despertou o interesse de universidades. António José Teixeira referiu que os investigadores irão «centrar-se no potencial fossilífero que a jazida tem, bem como em aspetos sedimentológicos relevantes para o estudo não só deste fundo marinho/praia do Jurássico médio», como também «para uma nova contribuição para o conhecimento da geologia e paleontologia regional, nacional e até internacional».