
O boneco Joca criado em S. Paulo, no Brasil, há oito anos, chegou ao Cartaxo em Setembro, pela mão do padre Fernando Giuli e todos os sábados ajuda o padre a evangelizar os mais novos, numa missa dedicada especialmente às crianças.
«Eu gostava de ventriloquia e achámos que podíamos introduzir algumas técnicas para evangelizar, já que há tantos meios e a igreja pede e o próprio Papa Francisco vem pedindo a nova evangelização», afirmou o padre à Agência Lusa.
A prática trazida do Brasil «tem produzido muitos frutos», sublinhou o padre que conta com cada vez mais crianças na missa, onde o boneco Joca conta também já com a solidariedade da comunidade local.
«Ele chegou aqui com roupa de verão mas constipou-se, estava a espirrar e alguém, na semana seguinte, apareceu com um casaquinho à medida dele e um outro miúdo apareceu com um cachecol e ofereceram a roupa de inverno ao Joca», contou o padre.
Gestos solidários bem merecidos pelo boneco que durante a missa entra em ação depois da leitura dos evangelhos para se certificar se os mais novos estiveram com a devida atenção ao sermão.
No terceiro sábado do advento Joca quis saber de quem descendia Jesus, que nome recebeu na profecia de Isaías e a quem se dirigia S. Paulo na leitura feita durante a missa.
Aos três atentos fiéis de palmo e meio que mais rapidamente correram até ao altar com as respostas certeiras Joca ofereceu, como faz todas as semanas, um chocolate.
Mas em vésperas de Natal, o boneco reservou à audiência a surpresa de um sorteio extra que valeu ao escuteiro Marco um caixa de bombons, oferecidos «por um paroquiano» que se havia encontrado com o Joca no supermercado e, lembrou o padre, «resolveu fazer a oferta».
«As crianças vêm com mais interesse, ficam muito entusiasmadas e faltam menos à missa» corroborou Maria de Jesus Tomásia, uma catequista convicta das vantagens da presença do boneco na igreja ainda que «algumas pessoas de mais idade estranhem».
As primeiras aparições do Joca na missa foram «assustadoras», sustentou o padre lembrando que, apesar disso, e das diferenças culturais entre Portugal e o Brasil, ao fim de algumas semanas o boneco «já tinha feito amizades».
Entre elas o próprio Bispo de Santarém que o padre Giuli assegura ser «o primeiro a gostar muito do boneco» e um incentivador da sua continuidade nas missas, apesar de haver «algumas pessoas do contra».