
Moas/Darrin Zammit Lupi
A missão começou em agosto e termina agora com o balanço dos números. 60 dias, 3 mil vidas salvas, milhões de euros gastos. Um casal norte-americano não olhou a gastos para retirar do mar imigrantes desesperados por uma vida melhor.
Tudo começou no verão do ano passado e a BBC acompanhou o projeto desde o início.
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Regina Catrambone e marido estavam de férias num cruzeiro no Mediterrâneo. Mas os idílicos dias de descanso foram "interrompidos" por algo que avistaram no mar.
«Eu e o meu marido estávamos no convés quando vimos uma casaco de inverno a flutuar na água, como um fantasma», contou Regina. Perceberam, então, que era provavelmente um dos milhares de imigrantes que tentam atravessar o Mediterrâneo rumo à Europa.
O momento foi recordado mais tarde, quando viram o Papa Francisco na televisão a apelar à ajuda dos empresários para estas pessoas «Olhamos um para o outro, eu e o meu marido, a ele disse: Temos de fazer algo. Nesse momento tivemos a ideia de comprar um barco e fazer alguma coisa no Mediterrâneo, onde todos os dias morrem pessoas». Em outubro de 2013, o casal comprou, com dinheiro próprio, um navio altamente sofisticado, o Phoenix, com sede em Malta, onde eles agora vivem. A operação de resgate foi batizada de "Migrant Offshore Aid Station" (MOAS).
Como funcionou este apoio, que começou em agosto?
Quando avistavam um barco com imigrantes a bordo em águas internacionais, a tripulação do navio entrava de imediato em contacto com as autoridades mais próximas. «Nós comunicávamos a localização do barco às autoridades e depois aguardávamos instruções sobre o que fazer».
Até as autoridades chegarem, o casal distribuía comida, água, medicamentos e coletes salva-vidas aos imigrantes. «Contudo, se o barco estivesse a meter água, ou se estivesse sobrelotado, nós comunicávamos às autoridades e fazíamos o que podíamos para ajudar. Se fosse necessário trazíamos pessoas para o nosso barco até as autoridades de Malta ou Itália virem buscá-los para os levar até terra». A missão chegou ao fim.
«Ajudamos a salvar cerca de 3 mil pessoas. Homens, mulheres e crianças que tinham tudo para parecer». As palavras são do milionário norte-americano, Christopher Catrambone. «Fiquei chocado com o número de imigrantes que vinha em cada barco. Alguns são puxadas para a parte de baixo da embarcação, onde estão mais susceptíveis a afogamento ou sufocamento», acrescentou.
«Lembro-me de um palestiniano idoso que vendeu todos os seus bens por uns míseros 15 mil dólares para financiar sua viagem. Recordo, também. um casal de avós sírios que no fim das suas vidas tiveram que deixar sua cidade amada, Aleppo», recordou à BBC.
«É difícil compreender o desespero que os levou a colocar a família numa viagem tão perigosa. Mas, de certa forma, são uns sortudos. Eles são os únicos que têm dinheiro financiar a viagem. Muitos deles eram profissionais como professores, engenheiros e advogados».
Para ajudar estes imigrantes, Christopher criou a MOAS, uma organização que presta apoio a estes imigrantes e conseguiu transferir alguns para navios da Marinha italiana ou embarcações de carga. Os restantes foram transportados no seu próprio navio, o "Phoenix", e foram levados para Itália. Para Regina, a maior recordação desta experiência são as crianças. «Recebemos alguns brinquedos doados que oferecemos. Os sorrisos na cara deles quando os desembrulharam não tem preço».
«As crianças não entendem o que está ali em causa, durante aquela viagem. Por isso, é muito bom ver uma menina de 3 anos a rir e a dançar rodeada por tantos adultos que têm outra consciência da vida».