A propósito da divulgação, ou não, das actas em que Cavaco Silva teria defendido o fim dos apoios à guerrilha timorense, Jorge Sampaio quer avaliar os pareceres de quatro constitucionalistas e para isso convocou o Conselho de Estado para o dia 10 de Julho.
A propósito da recente polémica sobre a divulgação das actas em que Cavaco Silva teria defendido o fim do apoio português à guerrilha timorense, Jorge Sampaio convocou uma reunião com os Conselheiros de Estado para o próximo dia 10 de Julho.
O objectivo da reunião será o de avaliar e conhecer os pareceres pedidos a quatro Constitucionalistas sobre a divulgação das actas do Conselho de Estado.
A acta do Conselho de Estado a que Álvaro Cunhal se referiu para acusar Cavaco Silva de ter defendido o fim do apoio de Portugal à guerrilha timorense, foi publicada no dia 2 de Maio, com a autorização do Presidente da República, na edição online de «O Independente». E não havia referências a declarações do então primeiro-ministro naquele sentido.
Comparando o texto que Álvaro Cunhal publicou na última edição de «O Independente» com a acta da reunião do Conselho de Estado, há desde logo uma imprecisão que pode funcionar a favor do antigo primeiro-ministro: a frase-chave que Cunhal atribui a Cavaco Silva.
O ex-secretário geral do PCP afirma que o então primeiro-ministro proferiu, textualmente, a seguinte declaração: «Muito embora nos seduza o princípio da autodeterminação, o tempo vai esbatendo a força dos princípios». Na acta divulgada, essa mesma frase existe, mas proferida por Fernando Monteiro do Amaral, então presidente da Assembleia da República.