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Sousa Lara

Portas implicado no Caso Moderna

Sousa Lara acusou hoje Paulo Portas de estar implicado no Caso Moderna. O arguido afirmou em tribunal que o PP beneficiou de apoio formal e institucional da cooperativa e que o Governo PS tinha «elementos altamente comprometedores» sobre Portas.

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O ex-vice-reitor da Universidade Moderna, Sousa Lara, afirmou, esta quarta-feira, em tribunal, que o CDS/PP recebeu apoio directo da cooperativa e que Paulo Portas está implicado no Caso Moderna, o que terá levado à dissolução da Alternativa Democrática (AD).

O ex-vice-reitor da Moderna contou ao colectivo de juízes que, em Fevereiro de 1999 (altura em que «rebentou» o Caso Moderna), o assessor do PP Nuno Gonçalves entrou no seu gabinete «sem bater à porta» e lhe disse que o Governo do PS tinha «elementos altamente comprometedores» sobre Paulo Portas, que iam obrigar o antigo director do «Independente» a aceitar o lugar no Parlamento Europeu por causa da «imunidade parlamentar».

Sousa Lara afirmou que ficou «chocado» com as declarações do assessor do PP e que tentou falar com Paulo Portas, tendo acabado por fazê-lo só mais tarde. O arguido disse ainda que falou com Pedro Santana Lopes e com Horta e Costa, o secretário-geral do PSD na altura, que, por sua vez, terá falado com Marcelo Rebelo de Sousa e dias depois terminou a AD.

O colectivo de juízes perguntou ao arguido o que é que esse assunto tinha a ver com o Caso Moderna e Sousa Lara respondeu que entendeu que «havia matéria com implicações a nível penal».

O juiz Jorge Raposo questionou Lara sobre a referida matéria, mas o ex-vice-reitor foi muito hesitante na resposta e disse tratar-se de assuntos ligados a viagens que envolviam Portas. Em seguida, o arguido pediu desculpas ao colectivo e absteve-se de relatar até ao fim o episódio, porque a parte final da história já não resultava do conhecimento pessoal e directo dos acontecimentos.

O dossier confidencial que alegadamente o Governo de António Guterres podia usar contra Paulo Portas prendia-se com o factos de que Sousa Lara diz ter tomado conhecimento, mais tarde, por fontes que não pode citar em tribunal.

No início da sessão, Sousa Lara disse que existem sinais concretos que testemunham o apoio formal e institucional da cooperativa de ensino ao CDS/PP, e que a Moderna deu apoio ao congresso do CDS/PP de Braga, em que Paulo Portas foi eleito. Os acontecimentos remontam a Março de 1999, seis meses depois de o actual ministro da Defesa ter assumido a gerência da Amostra, a empresa de sondagens que funcionava na universidade.

Sousa Lara disse que havia uma «intenção mais do que benévola» perante o Partido Popular e que houve um esforço dirigido de apoio ao CDS que ultrapassou os limites do «razoável».

O arguido esclareceu, no entanto, que não se tratavam de ajudas com dinheiro directo mas que eram financiamentos no sentido de suporte, o que na sua opinião «também envolve dinheiro».

Sousa Lara explicou ainda que houve uma grande e efectiva mobilização de meios da universidade para apoiar, supostamente, a eleição de Rui Albuquerque, o então administrador da cooperativa, a um cargo directivo no PP do distrito do Porto.

Foi uma mobilização «institucional» que Lara considerou completamente «inconveniente», mas que terá valido um comentário de José Braga Gonçalves, que terá dito «já temos o PP Porto nas mãos».

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