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Caso Moderna

Portas quis Jaguar «very british»

José Braga Gonçalves disse hoje em Tribunal que as despesas da viagem de Paulo Portas ao congresso do PP de 1998 foram pagas pela Dinensino e garantiu que a aquisição do famoso Jaguar foi uma exigência do actual ministro da Defesa.

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O principal arguido do «Caso Moderna», José Braga Gonçalves, prestou depoimento no retomar do processo, depois das férias judiciais, e revelou que as despesas da viagem de Portas ao congresso do PP em Braga foram pagas pela Dinensino.

O dinheiro da cooperativa que gere a universidade que Braga Gonçalves pensava ser para os gastos normais do centro de sondagens da Moderna terá servido para cobrir as despesas pessoais de Paulo Portas, não enquanto responsável da universidade, mas como dirigente partidário.

Segundo José Braga Gonçalves, foi a empresa Amostra que pagou o hotel de Paulo Portas em Braga, no congresso de Março de 1998, que acabou por elegê-lo como presidente popular.

O arguido afirmou ainda que foi o próprio Paulo Portas a pedir-lhe segurança pessoal porque o congresso «não ia ser fácil», «não sabia o que ia acontecer» e o melhor era «levar segurança desde Lisboa».

O pedido feito directamente por Paulo Portas terá levado José Braga Gonçalves a contactar a empresa privada «Sharon», com a factura a ser paga pela Dinensino.

O arguido reconheceu ter-se deslocado ao congresso, por mera «curiosidade», já que diz não ser militante ou simpatizante do PP e que não quer ter nada que ver com a política.

À medida que Braga Gonçalves depôs foram aumentando as contradições entre o depoimento de Paulo Portas e o do arguido, incluindo sobre a aquisição do famoso carro Jaguar adquirido pela Amostra.

O presidente do CDS/PP tinha alegado que a aquisição da viatura foi uma sugestão da cooperativa Dinensino, mas José Braga afirmou hoje que foi Portas a falar no carro, a escolhê-lo e a «meter na cabeça» que queria aquele carro, por ser «very british». José Braga Gonçalves diz ter-se limitado a autorizar a insistência de Paulo Portas.

O julgamento do caso Moderna iniciou-se em Abril de 2002 e conheceu uma nova dinâmica quando o principal arguido do processo assumiu uma nova estratégia na sua defesa e aceitou revelar a sua versão dos factos. José Braga Gonçalves é agora representado por dois novos advogados e tem referido várias vezes o nome do actual ministro da Defesa nos seus depoimentos.

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