O meu nome é Rosete e sou porteira há 40 anos. Porque estou aqui? Porque os senhores da telefonia sem fios me convidaram para comentar. Agora em vez de uma, tenho duas profissões nobres: porteira e comentadora. Querem exemplos? O Cláudio Ramos. A Maya. Isto na parte das porteiras. Quanto a comentadores, temos, por exemplo, o Professor Marcelo, um colega que é a minha grande inspiração. Mas não tenham medo que eu não venho para aqui impingir-vos livros - credo! Comigo contem só com o comentário, que já não é pouco. Cá um beijinho muito grande.
Novembro 2008 - Posts

O Candidato Marcelo

Eu bem disse que o Professor Marcelo, mais cedo ou mais tarde, acabava por admitir candidatar-se? Disse ou não disse? Não? Bom, se calhar, só disse ao meu Gouveia, um domingo destes, quando estava a ouvir o Professor e a lavar a loiça do jantar. Mas, realmente, uma pessoa que sabe tanto como o Professor Marcelo, não pode passar a vida a fazer programas da noite na televisão. É que isso até o senhor Malato faz, quer dizer…


Eu por acaso, até acho bem esta hipótese de o Professor Marcelo Rebelo de Sousa se candidatar à presidência do PSD. Primeiro, porque gosto muito de o ouvir falar, coisa que não se pode dizer da sôdona Manuela Ferreira Leite, já que ela só fala uma ou duas vezes ao ano, e, se por acaso, calha num dia em que uma pessoa tem coisas para fazer e não a ouve, lá tem de esperar mais uns meses para a ouvir. Eu compreendo, ela faz isto para seu próprio bem, já que, ultimamente, quando fala, diz com cada coisa que consegue fazer com que até o presidente do Zimbabué – o Mugabe – pareça um grande democrata, benza-a Deus. É que, depois, quem ganha com isso é o senhor Sócrates, que mesmo tendo professores e alunos contra ele – e qualquer dia também os contínuos –, continua à frente nas intenções de voto. Mas, aqui também faço um aparte: se o senhor Sócrates continua a ser teimoso com os professores, qualquer dia quer acabar o curso e não há professor nenhum que lhe dê boa nota. E isso não vai ser legal, pois não? Voltando ao professor Marcelo, só achei feio ele ter dito que era mau sinal candidatar-se, quando havia pessoas mais novas que o podiam fazer. Isso não se diz, professor Marcelo! Olhem-me só se o Santana Lopes ouve o Professor dizer uma coisa dessas e se candidata?! Tudo bem que mesmo que se candidate, talvez não ganhe, mas, parecendo que não, aquilo ainda desgasta as pessoas, não é?! Agora o Professor Marcelo é que pode ganhar, se quiser. Tem é de falar um bocadinho mais devagar, para que as pessoas o percebam um bocadinho melhor. É que uma coisa é gostar de ouvir o Professor falar, outra coisa é perceber aquilo que o Professor diz. Eu até entendo que, agora que lhe cortaram o programa, tem de falar um bocadinho mais depressa. Mas, espero que não lhe cortem ainda mais o tempo, senão qualquer dia ainda lhe dá uma coisa, e aí é que o Cristo não desce à Terra e lá se vai o candidato em 2009. Quer dizer, há sempre o Santana Lopes… hihihi.
 

Publicado por Dona Rosete em 28.11.2008 às 10h6

O Caso Dias Loureiro

Não acham que eu dava uma boa conselheira de Estado? Eu dou conselhos tão bons. Por exemplo, ao nosso técnico, o Luísito, se não fosse eu, ainda usava bigode e casacos de ganga. E toda a gente sabe que isso já não se usa. Pelo menos, do Estádio da Luz para fora.


Eu hoje vim aqui dizer que se o senhor Presidente da República precisar de alguém para conselheiro de Estado, eu tenho algum tempo livre. Não muito, que o trabalho de uma mulher nunca acaba, mas para si e para as coisas do País, arranja-se sempre um bocadinho. Isto, claro, se o senhor Dias Loureiro lá entender que não tem mais condições para aconselhar o Estado, que, aqui para nós, deve ser uma coisa que dá muito trabalho. Se já o meu Gouveia às vezes me deixa a cabeça em água com as suas inseguranças, imagine-se o Estado, que é uma coisa tão grande, e com tanta gente. Uma pessoa deve chegar ao fim do dia com a cabeça em papa. Por isso mesmo é que o senhor Presidente da República não convida qualquer um. Tem de ser alguém que consiga dar conselhos ao Estado inteiro. Não é como, por exemplo, o Jorge Gabriel, que sabe dar conselhos, mas é só ao seu barbeiro – o Barbosa – e ao alfaiate, que não me lembra agora o nome. Eu, para dizer a verdade, acho que o senhor Dias Loureiro tem cara de saber dar bons conselhos, e ainda para mais já o ouvi falar e pareceu-me ser uma pessoa que sabe muito das coisas em geral. Claro que não sabe tanto de tudo como o Moita Flores, mas, pronto, isso também não é possível… Agora, uma coisa que o senhor Dias Loureiro não sabe mesmo, é dar conselhos sobre bancos e dinheiro. Basta ver o que aconteceu no BPN, que ia acabando mais pobrezinho do que o Estrela da Amadora. Tudo bem que não era da sua obrigação ficar de vigia ao cofre - até porque ele é um senhor com estudos e os vigilantes é tudo gente que para fazer o nono ano, upa-upa! -, mas mesmo assim, não foi legal pôr-se a assinar papéis que não leu como deve de ser. Devia ter lido. Mesmo que chegasse quinze minutos atrasado ao golfe. Bom, mas isso agora é lá com ele se quer continuar ou não a dar conselhos ao Estado. Caso não queira, o senhor Presidente Cavaco Silva pode contar comigo. Até porque por detrás de um grande Presidente há sempre uma grande mulher. Olhem, por exemplo, a sodona Maria José Ritta que quase fazia dois do senhor Jorge Sampaio…




 

Publicado por Dona Rosete em 27.11.2008 às 10h57

As Iluminações de Natal

É Natal, é Natal, está tudo iluminado
E até o Cristo Rei está patrocinado...
Ai, eu hoje estou imbuída do espírito natalício. Até estou com um gorro vermelho com luzinhas a piscar, que comprei a um indivíduo de raça indiana. E no que toca a compras de Natal, acho que me fico por aqui este ano, porque as economias que eu tinha para comprar as meias e os cachecóis estavam no BPN e agora olha, chapéu!


Por falar em bancos, este ano não temos a habitual árvore de Natal gigante feita por um banco. Pois claro que não, que banco é que se vai meter nisso? Da maneira como isto anda, muita sorte terão os lisboetas se um banco mandar pôr um cacto no Terreiro do Paço. E, e!...
Mas voltando ao meu gorro com luzinhas, isto é, no fundo, a minha contribuição para as iluminações na cidade. Se todo o português andar à noite com um garruço destes enfiado na cabeça, nem é preciso gastar dinheiro com mais lâmpadas, que isto também fica bonito.


O que eu sei é que isto é coisa para agradar ao Dr. António Costa, que ficou tão contente por não ter gasto, este ano, nem um tusto com as iluminações!... Além disso, sendo o Dr. António Costa um bocadinho indiano também deve apreciar que se estimule o negócio da venda dos garruços com luz. Com luz e com musiquinha! Olhem: eu sou capaz de estar 24 horas a ouvir isto sem parar.


Agora, ninguém me tira da cabeça que são os chineses que estão por trás das iluminações, este ano. E a prova disso é o Cristo Rei: Cristo a brilhar daquela maneira, só vi um, outro dia, na loja chinesa da minha rua. Já não chega a vergonha que a Nossa Senhora tem de passar em algumas lojas, toda fluorescente, e agora põem o Nosso Senhor todo folclórico, também?


O Cristo-Rei é patrocinado por uma empresa de electrodomésticos. Tudo bem, mas acho mal que não se tenham chegado à frente enquanto ele era vivo. Quando ele teve de carregar a cruz às costas, a ver se alguma empresa se chegou à frente para o patrocinar? É o chegas! E nem era preciso terem feito muito: bastava terem instalado um tapete rolante no calvário, já ajudava!


Olhem, já que é uma empresa de electrodomésticos a patrocinar o Cristo-Rei, em vez de encherem aquilo de lâmpadas, mais valia usarem a tecnologia dos micro-ondas, que assim punham Nosso Senhor a andar à roda. E assim abençoava a região inteira! Isso sim, era legal!
 

Publicado por Dona Rosete em 26.11.2008 às 10h16

Teixeira dos Santos, o Pior

Eu hoje venho muito arreliada. Mas a culpa é minha. Para que é que eu me ponho a ler os jornais? Ontem de noite, estava a separar os jornais que o Gouveia para lá acumula, para mandar para o lixo, quando num deles vejo escrito que uns senhores de um jornal inglês consideraram o Teixeira dos Santos o pior de dezanove Ministros das Finanças da União Europeia? Aquilo deu-me cá uma revolta, que se eu fosse o Teixeira dos Santos ligava para esse jornal e descompunha-os a todos. É que já não basta o Festival da Canção para nos considerarem sempre os piores, agora também é na política, e logo o Ministro Teixeira dos Santos. É que darem má nota aos Da Vinci ou ao Rui Bandeira, tudo legal, entende-se. Agora ao Teixeira dos Santos? Será que os ingleses tiveram em consideração os conhecimentos informáticos dos ministros? É que se tiveram, acho muito mal. Lá por ele não saber trabalhar com uma peni, isso não quer dizer que seja mau ministro das Finanças. O papel de um Ministro das Finanças não é saber pôr penis nos computadores. Se não, qualquer dia, até tinha de ser o senhor Ministro das Finanças a formatar o disco dos Magalhães para eles parecerem novos quando os despachamos para a Venezuela. Não senhora. O trabalho de um Ministro das Finanças não é esse: é contar dinheiro. E a sua ferramenta de trabalho não é uma peni, é uma daquelas borrachinhas que se metem na pontinha do dedo para contar as notas sem ter de estar sempre a passar o dedo pela língua. Agora se me disserem que ele ficou em último por ser o Ministro que conta menos dinheiro, aí eu aceito, até porque os nossos bancos cada vez têm menos dinheiro. Olhem o BPN, que levaram de lá o dinheiro todo e o Vítor Constâncio não viu. Mas aí a culpa é deles. Pusessem lá um Securita, que é uma pessoa habituada a controlar. Não é um senhor que usa óculos mas que os deve ter sempre embaciados, pois não vê nada. Mas, sabem o que vos digo, aqui para nós que ninguém nos ouve: os ingleses gostam tanto de mandar abaixo os portugueses porque têm dor de cotovelo. Por o José Mourinho ser português e o Cristiano Ronaldo ter nascido numa ilha perto de Portugal. Essa é que é essa. Bom, agora deixem-me ir, pois quero passar por um quiosque para comprar mais jornais ingleses. É que se já puseram o Teixeira dos Santos em último, imagine-se só o que podem fazer ao Manuel Pinho. Ou será que têm pena? Bom, não sei. Pelo sim, pelo não, vou comprar os jornais.

Publicado por Dona Rosete em 25.11.2008 às 10h17

Os Professores

 Senhores, o que eu ando enervada com isto da avaliação dos professores! Tanta manifestação, tanta manifestação, está a dar-me conta da paciência, credo! E o que isto tem contribuído para o aumento da insegurança do nosso bairro? Pronto, a gente já sabe que, à noite, tem que ter mais cuidado, por causa dos filhos da Arminda que são da claque do Estrela do Charquinho e andam sempre com umas fisgas que aleijam que nem gente grande. Mas, agora, também durante o dia? Uma pessoa põe um pé fora de casa e já está a levar com um ovo cru no cocuruto?!


Para não falar no transtorno que é atravessar uma estrada. É que os professores quando se manifestam, é sempre aos 20 e 30 mil, primeiro que desimpeçam a rua para a gente passar! No outro dia, fui à mercearia comprar uns pêros para o meu Gouveia e, quando voltei, vim mais de duas horas atrás de um senhor de bigode com um cartaz, sem conseguir sair dali. Aqui na Junta de Freguesia até já estão a pensar substituir o horário dos autocarros pelo horário das manifestações dos professores. Passam com mais frequência, e sempre dá para apanhar boleia.


Mas, eu por acaso, tenho uma coisa a dizer aos senhores professores: ainda bem que não estão a ser avaliados pelas vossas palavras de ordem, porque senão só levavam um Suf menos. Está bem que “Maria de Lurdes Rodrigues” não é nome que dê para grandes rimas, mas chamar a ministra de Milú já se está a ver no que é que dá! Até parece que as manifestações são organizadas só por gente da matemática, e que se esqueceram de levar os professores de português. Bem, os de trabalhos manuais, sei que foram todos chamados, porque os cartazes estão ali que é um mimo. No outro dia, quase que posso jurar que vi um feito em macramé!
Mas, também, com as coisas que a senhora ministra da Educação anda a dizer, é natural que os professores continuem nestes propósitos. Agora, quer um Simplex para avaliação. Então, não lhe chega os professores passarem o dia na escola, a tomar conta dos garotos, ainda os quer enfiados nas filas da Loja do Cidadão?! Para quê? Para tirarem um BI de Suf Mais? O contribuinte de Bom Menos? E não venha dizer, como disse sobre o modelo de avaliação, que “isto não é um pronto-a-vestir”! Olhe, dá-me ideia que para a senhora ministra, é. Pelo menos a avaliar pela quantidade de vezes que tem de mudar de roupa por causa das saraivadas de ovo com tomate.


Bom, por falar nisso, vou andando. A ver se apanho a manifestação que passa daqui a um quarto de hora à porta da TSF.



Publicado por Dona Rosete em 24.11.2008 às 10h19

As Claques

 É por estas e por outras, que quando o meu Fiordi me chegou a casa e disse “mãe, quero fazer parte de uma claque”, eu lhe disse “não, senhora. Se queres ser bandido, tiras um curso superior de Economia e vais para administrador de um Banco, que não tens corpo para andar à pancada todo o santo fim-de-semana nos estádios de futebol”. Fiz, bem ou não fiz? Bem, é justamente para falar sobre as claques de futebol que eu vim aqui hoje. Primeiro, quero dizer que achei um gesto muito bonito por parte dos senhores polícias prenderem a claque do Benfica no dia que eles jogavam com o Estrela da Amadora. É que é para isso mesmo que a Polícia existe: para defender os mais fraquinhos, neste caso, os jogadores do Estrela da Amadora, que, coitados, aqui para nós, para irem jogar ao Estádio da Luz, até devem ter dividido o dinheiro da gasolina entre todos. Por isso, quanto menos pessoas tivessem a assobiá-los e a chamar-lhes nomes – ou seja, pessoas da claque, que é isso que as claques fazem: chamar nomes e desalmariar a cabeça do adversário –, quanto menos pessoas melhor, que nervosos já eles andam.


Segundo. Estava na cara que estas pessoas que foram detidos pela polícia tinham todos alguma coisa a esconder, caso contrário, não eram os “No Name Boys”. Identificavam-se, como faz toda a gente, não escondiam o nome. Olha se agora as pessoas passassem todas a fazer o mesmo. Havia de ser bonito. Uma pessoa ligava, por exemplo, para a Companhia de Seguro, e o que é que dizia a menina? “Ok Teleseguro, bom dia, fala a no name girl”? As pessoas têm de dizer o seu nome, mesmo que não seja um nome assim todo pomposo, grandioso, como, sei lá, Tony Carreira…


Agora, eu ouvi dizer que alguns destes moços que foram andavam a vender drogas. E porque é que eles faziam isto? Com certeza, para terem dinheiro para ir ver os jogos. E de quem é a culpa? De quem põe os preços dos bilhetes para os jogos tão caros. E não só. A culpa também é dos dirigentes que vão buscar jogadores tão jeitosos, que uma pessoa até se põe a vender droga só para ter dinheiro para os ir ver jogar. Ou pensam, que, por exemplo, algum adepto do Trofense ou do Paços de Ferreira se põe a vender o que quer que seja para ir ver a equipa jogar? Ou os do Sporting, para irem ver losangos com pontas gorduchas? Humm? Se bem que, da maneira como o campeonato anda todo baralhado, com o Leixões à frente e tudo, dá ideia que anda tudo sobre a influência de substâncias ilícitas. Bom, agora deixem-me cá ir, que por falar em losangos, lembrei-me que tenho de ir ver de uns peúgos para o meu Gouveia.

Publicado por Dona Rosete em 21.11.2008 às 10h18

As Bocas da Manela

Eu sabia, Dra. Manuela Ferreira Leite. Eu sabia que estar tanto tempo calada - ali a meter para dentro -, isso um dia ia arrebentar. E pronto, rebentou logo durante um almoço, com aquela dos “seis meses sem democracia”. Olhe, senhora doutora. Eu sou sincera: a última vez que eu senti uma coisa parecida a ver televisão, foi quando caíram as torres lá na América. Puuuum! E depois da senhora ter dito isto, eu confesso que vi um bocadinho de fumo a sair atrás de si. Então o que é que lhe deu, minha senhora? Estava cansada? Tinha dormido pouco? A senhora tem de descansar, porque já não vamos para novas, é ou não é? E pronto, a senhora agora diz que estava a brincar. Mas a brincar, a brincar, o que é certo é que só nos últimos tempos já trouxe o Santana Lopes de volta à berlinda, e montou uns sarilhos no PSD que aquilo anda ali tudo à batatada.


Lembro-me de toda a gente a dizer “então ela não diz nada, ela não fala” e agora percebo porque é que a senhora doutora estava caladinha. Porque sabia que tinha aquele problema que um irmão do meu Gouveia também tem, o síndroma do Tourette. Pronto, o meu cunhado é mais de abrir a boca para chamar nomes e a senhora é mais de abrir a boca para dizer maluqueiras: “Ai o Santana Lopes é que é bom”, “ai que mau que é aumentar o salário mínimo”, “ai que bom que era um Salazar em cada esquina durante seis meses”. Nada que uns comprimidos não resolvam. Agora tem é de os tomar, está bem?


É que para fazer maluquice, o PSD já tinha o Alberto João Jardim. Que esse até é especialista em estar seis meses sem democracia. Quer dizer: é mais 20 anos. Mas pronto. O que eu quero dizer é que um dia destes a Dra. Manuela ainda aparece em público com uma saia de ráfia e um ananás na cabeça. E isso está legal? Não está legal.


E tudo isto porque se pôs a dizer que não acredita em reformas quando se está em democracia. Olhe eu acredito, minha senhora. Mas só acredito numa reforma – que é a sua... e deve estar para chegar, não tarda muito!


Ó senhora, se é para mandar vir o Pedro Passos Coelho mais cedo, diga já e escusa de estar a dar tiros no pé. Porque depois vem o Verão e quando quiser usar uma sandália, está o pé que é um horror. Quer dizer, este tiro que a senhora deu parece-me que não só lhe levou o pé como foi para aí até à coxa, valha-me Deus!
 

Publicado por Dona Rosete em 20.11.2008 às 10h26

Os Murais do JCP

Ai, juventude, onde vais parar? Então não é que a Juventude Comunista foi-se pôr a pintar um mural em Viseu? Que falta de civismo. Não admira, porque a disciplina em que deviam aprender isso, na escola, não é obrigatória. Falo, é claro, de Religião e Mural. Que é onde se aprende, penso eu, a pintar as paredes das igrejas, que há tantas tão velhinhas a precisar de obras. Vai lá algum jovem ajudar? É o ajudas. Preferem pintar politiquices nas paredes.


Ainda se fosse um “Sandra eu amo-te”, ou um “Bruno ama Cátia”, pronto, era bonito, era o chamado amor. Ou aqueles bonecos com aquele cabeludo de cor, o Bob Márlei, que há algumas muito bonitas. Eu só há pouco é que soube que ele era cantor, porque julgava que ele era florista. Aparece sempre agarrado a uma plantinha.


Está bem que antigamente, no tempo do PRÉQUI, era assim que os políticos comunicavam - “Abaixo o Soares”. “Viva o Eanes”. “Todos ao Marquês” - e mandavam recados uns aos outros– ainda não havia o blógui do Pacheco Pereira.


Mas hoje em dia, pintalgar muros a anunciar um congresso? Eu cá só anunciava um congresso num muro se ele acontecesse lá para o ano 2050. Carregar as tintas e pintar uma parede, e ainda por cima encontrar alguém que faça um serviço bem feito, quando aquilo estivesse acabado, já ia o congresso a meio, valha-me Deus!


Resultado: foram apanhados em flagrante e agora têm de pagar multa. O que vale aos jovens comunistas é que têm lá uma senhora que a mãe deles todos, e que, quando há sarilho, lá vai a pobre da senhora, livrá-los dos apuros: a Dra. Odete Santos, que lá foi recorrer da sentença e dizer das boas à juíza. Agora se a juíza percebeu o que ela disse, isso já são outros quinhentos. Que ela deve ter-se posto no tribunal a dizer: “Ó dotoôôra juíízaaaaaa, istoooo ééé anti-democrááááticoooooooo...” E a juíza já nem estava a ouvir, já só devia estar a pensar, “bem, deixa-me cá desviar antes que leve com um dente na cara”.
Estava aqui a pensar que o Dr. António Costa, já que está com a mão na massa a distribuir kits de limpeza de gráfites no Bairro Alto, devia mas era deixar uns nas sedes da JCP.


E já agora deixe uns quantos também na nossa colectividade, que já não há espaço nas paredes daquelas casas-de-banho para meter mais números de telefone! É que é só badalhoquices, valha-me Deus. O que passa pela cabeça das pessoas quando estão a fazer o xixi, em vez de se concentrarem para não fazer por fora... Ai...

 

Publicado por Dona Rosete em 19.11.2008 às 10h51

O Saco de Fátima

 Eu tenho de dizer uma coisa: sou feminista. E até já queimei soutiens e tudo. Pronto, é verdade que foi sem querer, que foi porque pousei o ferro de engomar quente em cima deles. Mas não interessa: o que interessa é que aquilo eram soutiens e ficaram todos queimados.


Sou feminista, e uma coisa que aprecio imenso é ler biografias de grandes mulheres da História, a ver se tenho alguma coisa em comum com elas. Pessoas como Cleópatra. Joana de Arcas. Rainha Vitória. Golda Meir. Indira Grandi. Fátima Felgueiras.


E eu sei o que vocês estão a pensar. Estão a pensar: “O quê, Dona Rosete? A Rainha Vitória?”. E eu respondo: sim, eu sei que a senhora era feia como um boi, mas foi uma mulher de fibra. Mas não é dela que quero falar hoje, mas sim da nossa representante nesta galeria de ilustres mulheres de grandes talentos: Fátima Felgueiras.


Para já, a sodôna Fátima Felgueiras é uma figura histórica com a qual eu tenho uma coisa em comum. Quer-se dizer: tive. Que era o cabelo. Depois ela foi para o Brasil e veio de lá com aquilo tudo modernaço, que até parecia o cantor, o Bon Joví. Mas antes era uma mulher que sabia armar o seu cabelo, e eu respeito isso.
Agora, esta grande mulher consegue mais uma proeza histórica: depois de anos de facturas falsas, entregas de dinheiro ao FCP, contratos simulados e financiamentos suspeitos ao PS, conseguiu sair do tribunal sem ser castigada. Sodôna Fátima, por favor, peço-lhe, com o coração nas mãos: ensine-me como se faz! É que repare, minha querida senhora: por eu me ter esquecido de pagar uma conta há dois meses no multibanco, foram-me lá a casa esta manhã uns galifões cortar-me a água sem dó nem piedade e obrigar-me ainda a pagar para cima de vinte notas de conto das antigas. Já a senhora fartou-se de fazer tropelias, sua marota, sai do tribunal sem castigo e ainda tem uma multidão cá fora e não é para lhe aviar uns bananos, é para lhe fazer uma festa! Assim vale a pena.

Considere, pelo menos, sodôna Fátima, fazer umas – como é que se diz agora? – workachopas, a explicar como é que uma pessoa consegue isso. Mas atenção: venha mesmo dar as workachopas, não pegue no dinheiro das inscrições e fuja, está bem? Vá lá. Só por uma vez, minha querida senhora. Cá um beijinho.



Publicado por Dona Rosete em 18.11.2008 às 10h47

Vitor Constâncio

Então diz que o Dr. Vítor Constâncio não regula bem? Não sei qual é o espanto: se fosse eu, também não regulava, valha-me Deus. Trabalhar num banco, como ele trabalha, é um grande stress. E muita sorte tem o Dr. Constâncio de não estar ao balcão, como a minha prima Celeste, senão é que ia ver! Mas ainda assim não deve ser fácil, trabalhar no Banco de Portugal. Imaginem o que não será, quando é preciso actualizar a caderneta do país? A máquina, ali, trrrátátátátá, trrrátátátá... Aquilo deve pôr a cabeça em água.


O que se passa é que os partidos da oposição vêm dizer que o Dr. Constâncio esteve-se nas tintas para as moscambilhas todas que aconteciam no BPN e que deram no que deram. O Dr. Constâncio diz que as moscambilhas não eram graves. Que aquilo estava tudo muito bem entregue e tudo e tudo e tudo. E que não tinha nada de se meter na vida dos bancos, que isso era lá com eles. Ora o que é que sucede, e que escapou aqui ao Dr. Vítor? Sucede que a profissão de Governador do Banco de Portugal não é assim tão diferente da profissão de porteira. Eu também digo que não tenho nada a ver com a vida das pessoas mas, aqui para nós, eu sei tudo o que se passa naqueles andares todos. Por isso não tinha feito mal nenhum ao Dr. Vítor Constâncio vestir a bata e como quem vai despejar o lixo, espreitar lá para dentro e ficar a par. Aprenda comigo que eu não duro sempre, senhor! Mas não. “Ai, é porteira, não sabe o que diz”. O senhor é governador do Banco de Portugal e também não me parece que saiba muito, valha-me Deus.


Agora o Paulo Portas, que é um rapaz sempre atento a maroscas do dinheiro, quase tanto como à última moda em camisas e blasers, foi pedir ao Dr. Constâncio para ele se demitir. E o que é o que o outro respondeu? Respondeu, e passo a citar, “não colho a sugestão de me demitir”. Pois com certeza que não colhe! Se ele já não quis saber quando lhe diziam que os accionistas do BPN estavam à rasca, vai agora colher esta sugestão!


Olhem, o que eu sei é que me parece mal que a oposição ande a dizer “ai que ele é incompetente e não regula” e depois façam o que fizeram outro dia, que obrigaram o senhor a estar ali a responder a perguntas até às duas da manhã. Depois como é que querem que o homem esteja em condições de manhã, para governar o Banco? Fizessem isso à sexta-feira que assim não só podiam ter estado a entalar o senhor até às duas, como depois ainda podiam ter ido tomar um copito com ele, para o acalmar. Que já se sabe que aquilo são coisas que enervam...
 
 

Publicado por Dona Rosete em 17.11.2008 às 10h28

O Caso Bruno Paixão

 Ora eu hoje venho aqui dizer que acho muito mal aquilo que se tem dito do árbitro Bruno Paixão. É que, para mim, um rapaz que se oferece para fazer de árbitro num jogo de futebol, das duas uma: ou tem pés chatos ou um coração muito grande, pois não há rapaz nenhum que, podendo, não prefira estar a dar os chutos na bola em vez de andar a correr atrás dos outros de apito na boca. É que se ele tivesse prazer em ter um apito na boca ia orientar o trânsito ou treinar cães, como fazem as outras pessoas que também não seguiram os estudos e tudo e tudo e tudo.


Pronto, tudo bem que o Bruno Paixão às vezes pode ver mal algumas coisas do jogo, mas e então? Isso não faz dele um incompetente ou faz? O Camões, por exemplo, também só via de uma vista e era muito competente, lá a fazer as rimas dele. Por isso, e como eu costumo dizer: mesmo que ele veja mal, isso não é razão para deixar de fazer o seu trabalho. Olhem o Vítor Constâncio, por exemplo, que também não vê quase nada e quer continuar a trabalhar no Banco de Portugal.


Agora, eu tenho de reconhecer que também não acho legal o Bruno Paixão dar tantos cartões. Mas pergunto: é só ele? Não, não é só ele. Olhem, por exemplo, os accionistas do BPN, que era só puxar o cartão do bolso da camisa – o multibanco, o Visa, o cartão de descontos do supermercado - e gastar o dinheiro todo. Alguém lhes disse alguma coisa? Não. Mas com o coitado do árbitro já sabem refilar. É que os árbitros podem dar cabo do resultado de um jogo, mas não levam nenhum clube à bancarrota. Isso são os donos do árbitros, os dirigentes de futebol.
 

Publicado por Dona Rosete em 14.11.2008 às 10h41

Violência PJ

 Hoje venho falar sobre violência. Eu sei que não é um tema bonito, mas é actual: a violência está em todo o lado – basta ver “O Momento da Verdade”. E não, não estou a falar dos senhores que vão lá dizer que arreiam nas esposas – estou a falar mesmo do programa em si. Outro dia o meu Gouveia quis que eu visse um episódio inteiro e aquilo, realmente, só não foi violência doméstica porque não o vimos em casa e sim no café.


Agora, a violência de que se fala é a da PJ, porque anda aí meio mundo a dizer que aquele senhor que escreve livros deu tareia numa sujeita que é suspeita de um crime. Eu sei que hoje em dia dizer “senhor que escreve livros” é complicado, porque tanto pode ser o José Rodrigues dos Santos, o Cláudio Ramos ou o Miguel Sousa Tavares. Não, este senhor que escreve livros é o Gonçalo Amaral que não tarda nada está a fazer séries históricas, que é o que acontece geralmente aos polícias que, de repente, desatam a escrever.


Dizem que ele torturou a sujeita e que é por isso que ela aparece toda negra naquela fotografia que está todos os dias no “24 Horas”. Eu quando a vejo, penso sempre que é a Dra. Maria José Morgado a dormir em pé – depois é que percebo que aquele azulão dos olhos não é maquilháge.
Os advogados da sujeita dizem que ela foi torturada pelo Gonçalo Amaral com, e passo a citar, “um objecto plano”. Queres ver que foi com o livro dele? É que para a torturar não precisava de atirá-lo à mulher, bastava lê-lo em voz alta!


O que se dizia é que a sujeita suspeita tinha caído nas escadas. Se não é verdade, fico triste uma vez mais pelas escadas, que são sempre o bode espinhatório quando alguém leva pancada e não se pode saber que levou. “O teu marido bateu-te?” “Não, caí nas escadas”. “Foste assaltado e levaste um murro no olho?”. “Não, caí nas escadas”.


Mas se desconfiam assim tanto da polícia e da história das escadas, o que eu propunha era que realmente, por lei, as esquadras fossem obrigadas a ter um só piso es se tivessem escadas, que fossem de encher, como os castelos das festas de anos da petizada. Quando fosse inaugurada mais uma, lá ia o Ministro da Administração Interna soprar no pipo ou dar à bomba com o pé. Senhores do Governo, tomem lá esta ideia e não digam que vão daqui. A sério, não digam mesmo, senão ainda me atiram por umas escadas e eu tenho as costas que não posso.

Publicado por Dona Rosete em 13.11.2008 às 10h27

Professores zangandos

Eu hoje estou muito agastada porque o mundo está todo ao contrário e parece que eu sou a única que dá conta disso: ele são os bancos cheios de dívidas às pessoas, em vez de serem as pessoas a ter dívidas aos bancos; ele são os deputados que são proibidos de entrar nos parlamentos, quando o que é habitual é ter de inventar leis para os obrigar a ficar lá dentro; ele é o meu Gouveia que deitou fora os discos todos de kizomba porque diz que o Obama já lá está há uma semana, e as infiltrações no nosso prédio, resolveste tu? Assim resolveu ele!


E, depois, há toda esta questão, agora, com os professores. Onde é que isto já se viu, tanto professor na rua? Quer dizer, da maneira como estão as listas de colocação nas escolas, o que os professores mais estão habituados é a ficar na rua. Mas, isto está tudo às avessas, senhores! Eu sou do tempo em que quem me passava à porta a fazer arruaças, a gritar “Carneiro é boi” e “Não pagamos, não pagamos”, eram os estudantes, não os professores. Que esses sim, têm muito tempo livre para ir para fazer manifestações, porque hoje em dia os trabalhos de casa são todos feitos por computador, e é tudo mais depressa.


Onde é que já se viu, os estudantes, sossegadinhos em casa, a trabalhar nos Magalhães, e os professores no meio da rua, a cantar o hino e a chamar nomes desagradáveis à ministra? Qualquer dia, vão para aulas arrancar à força os telemóveis aos alunos, não?


Bom, isto tudo é porque os professores não querem ser avaliados. Pois, com certeza que não querem ser avaliados! Então, já não lhes chega estarem o dia inteiro a dar aulas, ainda têm que chegar a casa e ficar a estudar até às tantas para o teste? E quem é que lhes dá a matéria? A quem é que eles vão pedir os apontamentos? Em que papelaria é que se compra a Sebenta do ser professor? É por isso é que eles estão danados! Porque, a bem dizer, é como se o professor deles tivesse faltado durante todo o 3º período e, agora, justamente o que sai na prova a é matéria que eles não deram. E para isto não há cábulas!


Eu se fosse à senhora ministra, se quisesse assim tanto avaliar os professores, arranjava um sistema mais agradável. Olha, fazia um concurso com o Malato, que sabe tanto de Cultura Geral. Assim, ficava-se a saber o que os professores sabem e eles ainda iam para casa com um microondas muito bom.      


 

Publicado por Dona Rosete em 12.11.2008 às 10h36

A Bandeira Nazi

Bom, vamos lá a isto que eu, em despachando isto, ainda quero ir ver de umas pantufas quentinhas para o meu Gouveia, que me chega à cama com os pés que mais parecem dois gelados Magnuns. E daqueles com amêndoa, pois o coitado tem calos nos pés. Bom, mas adiante. Eu quero dizer aqui hoje que achei muito mal aquilo do deputado José Manuel Coelho, do Partido da Nova Democracia, ter levado uma bandeira nazi e chamado fascistas aos parlamentares do PSD/Madeira. Sim, porque se as coisas continuam assim agitadas na Madeira, os senhores que mandam no Futebol vão acabar por dar o Prémio de Melhor Jogador do Mundo a um argentino, ou a um brasileiro, e não ao nosso Cristiano Ronaldo, que, coitado, não tem de pagar pelo que os senhores do Parlamento madeirense lá fazem. É que se querem levar uma bandeira para o Parlamento, levem uma do Manchester United, e não uma dos alemães antigos... se bem que os alemães, ultimamente, nos ganham sempre. Ou então, se querem realmente fazer alguma coisa pela Madeira, abanem uma bandeira do Marítimo, ou mesmo do Nacional. Agora, uma do Partido Nazi é que não é lêgal.

Depois, se me perguntarem se o senhor deputado que fez isso merece ser castigado, eu digo: merece, sim senhor. Mas não é ao barrarem-lhe a entrada no Parlamento que o estão a castigar. Querem castigá-lo, obriguem-no a ficar filiado no PND mais uns anos, que é um Partido que já nem o Manuel Monteiro quer. Isso, sim, é um castigo. É que desde quando proibir um deputado de entrar no Parlamento é um castigo? Antes pelo contrário. Castigo é obrigarem-no a estar lá, que eu bem vejo o que se passa na Assembleia, onde os deputados têm mais faltas do que um aluno, filho de pais separados, numa escola pública da Amadora.
Agora, em primeiro lugar tem de estar a Democracia.

E desde quando na Democracia se pode proibir alguém de entrar onde quer que seja? Claro que se uma pessoa quiser entrar de sapatilhas numa dessas discotecas onde vão aquelas senhoras desempregadas – como é que lhes chamam?… Isso, as socialites! Aí, pronto, é natural que a Democracia seja posta um bocadinho de lado. Agora, no local de trabalho não é lêgal. No local de trabalho, todos têm de poder entrar. É porque senão, os trabalhadores chateiam-se. E quando os trabalhadores chateiam-se, o que é que fazem? Tentam bater no Miguel Sousa Tavares, claro.

Publicado por Dona Rosete em 11.11.2008 às 10h35

Sócrates Brasileiro

Ora hoje vou falar de uma das maiores vedetas de Portugal, que à semelhança de um Nelson Évora, à semelhança de uma Vanessa Fernandes, leva o bom nome de Portugal às altas esferas mundiais do desporto. E de que desporto estamos a falar? Do jóguingue.


Sim, senhoras e senhores, José Sócrates foi recentemente representar o nosso desporto matinal para o país irmão. Lá estava ele a correr, coitadito. Engenheiro Sócrates, tenho olhado para as suas pernitas, e deixe-me que lhe diga uma coisa: E a pele do franguinho assado, não se come? É nela que está a proteína que encorpa. Que o senhor engenheiro está com as pernas muito estrelicadinhas e toda a gente sabe que a pele do frango engrossa a chicha.


Desta vez a desculpa foi que tinha de ir discutir com o Lula da Silva as questões da língua. Olhem, eu discuto já uma questão da língua: os nomes dos brasileiros. Lula da Silva? Então mas isso faz algum sentido? Cavaco e Silva, isso sim, é um nome como deve de ser. Agora, Lula? Está legal? Não está legal. É o mesmo que haver um presidente chamado Choco da Fonseca. Ou Calamar Miranda.


Outra questão que eu gostava de ver resolvida é a seguinte e eu aproveito para falar agora em brasileiro para os ouvintes dessa nacionalidade.
(com sotaque abrasileirado mal feito)
Orá, com o acordó órtógráfico, à genti pássá a escrévêri ás coisás comó voicês e prontó, issó tudó bem. Mas vocês prómetam qui param di dizer “oi” quando não percebeim u qui nóiz istámos a dizêri, tá beim? Digam “não istó pércébendo”. Digam “pór favór répitá”. Mas não digam “oi”, pórqui “oi” é “olá”. Que eu beim veijo nas nóvelás, tá bom? Puxá vidá.


Questões da língua, questões da língua. O que o Sócrates anda a fazer no Brasil e noutros países, sei eu bem o que é. É o que ele anda a fazer sempre, de há uns meses para cá: anda com aquelas malas carregadinhas de Magalhães para tentar vender a presidentes como o coitado do Lula, é o que é. Bem, antes Magalhães do que séries da TVI, que parece que é o que andam agora a exportar para lá. Como se não bastasse aos brasileiros terem levado com a Teresa Guilherme, coitaditos.


Olhem: saravá!
 

Publicado por Dona Rosete em 10.11.2008 às 10h26

Manuela Ferreira Leite

ROSETE
Então, não é que aconteceu uma daquelas coisas que uma pessoa não está mesmo à espera? Vou eu ao cabeleireiro num destes sábados, que é quando está lá a Jamila, que é muito boa a fazer a mise, e quem é que eu encontro lá? A Dra. Manuela Ferreira Leite. E digo eu: “Então por aqui?”, e diz ela, “sim, porque tenho uma entrevista na rádio, na TSF, e quis vir armar o cabelo”. E digo eu: “Então mas se era na rádio, a senhora doutora até podia ir de roupão e com as pernas por depilar, que não se vê”. E diz ela: “Vê-se, que aquilo agora passa tudo em vídeo na Internet e uma pessoa tem de ir arranjada”.
Ora como a conversa estava animada, e depois não acreditavam que eu tinha estado com a senhora, liguei o gravador com que eu ando sempre, desde que estou na TSF. E então fiz umas perguntas à minha grande amiga Dra. Manuela Ferreira Leite. Sim, grande amiga. Que quando duas pessoas partilham o salão de cabeleireiro e o mesmo penteado armado, gera-se naturalmente a chamada amizade. Vamos então à transcrição da gravação.

ROSETE
Estas revistas aqui do salão já têm para mais de um mês, credo! Mas olhe, doutora, esta tem o George Clooney na capa... Ai, muito eu gosto do George Clooney.
MANUELA FERREIRA LEITE
Eu entrava na casa dele sem precisar de ser convidada.
ROSETE
Aaaah! Sua marota! Não fala, não fala, mas quando é para catrapiscar um rapaz, solta a língua, hein? Este Clooney é todo apessoado, tem o cabelo grisalho... Faz lembrar um bocadinho o Sócrates.
MANUELA FERREIRA LEITE
Chame-se-lhe qualquer outra coisa. Arranje-se um outro nome.
ROSETE
Pronto, chamo-lhe Zezito, nesse caso. Ou Socrinhas. Já percebi: não quer arranjar problemas. Mas nota-se, no fundo, que a doutora tem um fraquinho pelo Sócrates! Confesse lá, só para mim, que ninguém nos ouve! Tem, não tem?
MANUELA FERREIRA LEITE
Mas quando isso se descobrir já vai ser tarde.
ROSETE
Aaah! Querem ver que ainda vamos ter aqui um Romeu e Julieta? Um Ueste Saide Stóri, entre o PS e o PSD?
MANUELA FERREIRA LEITE
Se depender de mim, não.
ROSETE
Hummmm... Sempre à espera que seja o homem a dar o primeiro passo? Isso assim não pode ser. Mas pronto, é o estilo calado. Depois admira-se que estão sempre a criticá-la, e que a vão incomodar, renhónhó, renhónhó...
MANUELA FERREIRA LEITE
Não tenho de ficar incomodada, que as pessoas são livres todas de falar e portanto nessas circunstancias de forma nenhuma critico alguém que possa falar.
ROSETE
Pois, mas quando é o Marcelo Rebelo de Sousa ou o Pacheco Pereira a criticar, eu bem sei que torce o nariz e não é pouco!... Uma coisa que eu tenho curiosidade: se pudesse, o que é que fazia para não ter de aturar esses dois?
MANUELA FERREIRA LEITE
Eu só lhes telefonava três vezes por ano: nos anos de cada um, e no Natal.
ROSETE
Bem feita! E assim ao menos podia ir ter com o Dr. Santana Lopes à vontade e convidá-lo para a câmara que quisesse.
MANUELA FERREIRA LEITE
Nunca fui lá a casa sem ser convidada.
ROSETE
‘tá bem, abelha! Bom, deixa-me ir, que a Jamila está-me a chamar, que ela hoje vai-me pôr o Plix. Então, adeus, senhora doutora. Muito gosto. Olhe, tinha aqui uma moeda para pôr na bata da manicure, mas vou pôr na sua, derivado à crise. E porque temos o cabelo igual. Muito bom dia!


Publicado por Dona Rosete em 07.11.2008 às 10h50

Nacionalizações na Banca

Olhem, eu queria aqui dizer que sou uma nostálgica. Tenho notado, ultimamente, que há uma onda de revivalismo neste país que me tem aquecido muito o coração. Ele é o “Conta-me Como Foi”; ele é o programa da Catarina Furtado; ele é as nacionalizações da banca... E eu pergunto: para quando a nova reforma agrária? Hein?


É que eu esta segunda-feira acordei e parecia que estava a ouvir a rádio dos tempos do PREC! E quando eu vi aqueles ministros todos reunidos de emergência, eu achei que só lhes faltava as patilhas, os bigodes e as calças à boca de sino, para aquilo parecer mais antigo. Quer dizer, a bem dizer, eles também não precisam muito das patilhas e dos bigodes para parecerem antigos. Basta abrirem a boca para falar!


Nesta reunião de emergência esteve presente muita gente, mas o Ministro da Economia nem vê-lo. E porquê? Porque justamente, ia-se discutir Economia, e nesse tipo de reuniões tem mesmo de estar só quem percebe realmente do assunto. Por isso é que disseram ao ministro, “ouça lá, você não quer ir ao Algarve inaugurar um autódromo?”, e ele, “tudo bem”. E lá se deu a reunião.


Mas é verdade, meus queridos ouvintes – o que sucede é que o Governo resolveu adquirir um banco. E eu acho isso muito bem: com a crise e é preciso ir buscar dinheiro, onde é que existe dinheiro? Num banco, pois com certeza. Abarbatam-se a um banco. Agora o que me parece é que se queriam arranjar um banco, que fosse um banco suíço! Em vez disso foram-me comprar o BPN! Ora se isto tem alguma razão de ser, valha-me Deus. Um banco suíço é que era. E se não apreciam a neve e as alturas, olhem, iam para um daqueles bancos das Ilhas Caimão, que diz que lá faz sol e calor. Agora o BPN? Se nenhum privado quis pegar naquilo, por alguma razão foi, senhores. Uma casa cheia de dívidas, transacções clandestinas e negócios obscuros. Se era para isso, tinham antes comprado um clube de futebol, que já vinha com tudo isto e sempre era mais animado.


Eu no meio desta crise toda, descobri que o meu banco preferido não é nem o BPN, nem o BPI, nem o BCP – é o CDR. Não sabem qual é o CDR? É o Colchão da Rosete. Está depositado lá por baixo, o dinheirinho, e eu só espero é que o Governo não se lembre de um dia destes me ir nacionalizar a cama, sobretudo porque ela já não vai para nova e uma nacionalização cheira-me que é coisa para me rebentar com o que resta das molas.
 

Publicado por Dona Rosete em 06.11.2008 às 10h53

Vitória do Obama

 E não é que eu hoje estou em directo da América. Nem mais! Se está toda a gente está a aproveitar para vir passar uma temporada aos States com a desculpa das eleições, eu não sou menos que os outros. Mais a mais, como tenho cá uma prima e a viagem, hoje em dia, é um pulinho, deixei uma jardineira no frigorífico ao meu Gouveia, meti-me num avião daqueles low cost e vim acompanhar as eleições em directo.


Tive a oportunidade de ver como decorreu a votação e de ver toda aquela gente nas filas, mesmo com chuva e vento. Ainda pensei: tu queres ver que o Sócrates já anda aqui a dar os “Magalhães”. Mas não, era mesmo só para votar. Confesso que fiquei muito impressionada com o tamanho dos boletins. Ainda pensei que tivesse alguma coisa a ver com o “Ensaio sobre a cegueira” do Saramago, que toda a gente agora fala, mas não. Desta vez, para não haver desculpas que se enganavam a votar, fizeram aquilo daquele tamanhão, não fosse o Bush ganhar outra vez.


E não me admira que tanta gente tenha votado no senhor Barata Osama: é que com a trabalheira que dá preencher aqueles boletins de voto tão grandes, os americanos preferiram votar em alguém com idade para chegar ao fim do mandato de certeza.


Pelo que pude ver, nestas eleições a afluência foi histórica. E foi. Foi tal e qual como quando há referendos em Portugal, que também há afluências históricas... mas à praia. Aliás, como se viu no comício do Obama, aquilo parecia uma Caparica em dia de referendar uma coisa qualquer importante.


E por falar no comício, fiquei muito impressionada com a quantidade de gente que foi assistir ao discurso da vitória. Só tinha sentido o mesmo quando estive no concerto da Madonna, com a minha Carla Isabel. Só se via gente, gente, gente e, depois, lá ao fundo, a esposa do senhor Barata Osama, que em termos de tamanho é uma autêntica Maria José Ritta, dos States. Mas, vá, assim em Setembro, depois de fazer um mês de praia. O Osama é que já se percebeu que não é nenhum Sampaio, pois aguentou-se ali sem verter uma única lágrima. Mas também, é natural: esses senhores africanos já passaram por tanto na vida, que, por vezes, já se lhes secam as lágrimas. Gostei do discurso, pois gostei. Parecia um bocado um anúncio a uma firma de mudanças, mas pronto, tinha coisas tão lindas. Como aquela parte em que o senhor Osama disse às filhas que tinham acabado de ganhar um cão para viver também com eles na Casa Branca. O que vale é que os empregados lá da Casa Branca já estão habituados a ter lá animais. E por falar nos Republicanos, eu confesso que tive muita pena do senhor McCain. Sai um homem daquela idade de casa para depois dar naquilo. Não está lêgal. Fez-me lembrar o senhor Mário Soares. Mas, agora, pronto, agora dedique-se a uma fundação. Ou a dar entrevistas à Maria Elisa lá do sítio e a fazer prefácios de livros.

Publicado por Dona Rosete em 05.11.2008 às 12h6

Eleições Americanas

E pronto, diz que é hoje as eleições. Depois de uma campanha de meses, cheia de polémicas e até de ameaços de atentado, eis que chegou o grande dia. E já todos sabemos quem vai ganhar, não é? É evidente que é o Sr. Antunes o novo presidente da Sociedade Recreativa Os Unidos da Charneca. Eu esta noite vou lá votar!...


Depois o que é que há mais?... Ah, sim, parece que também há as eleições na coisa, na América. E para essas, deixo já aqui a minha previsão, porque também fiz aquilo a que se chama a sondagem à boca da urna. E pergunta o leitor: “Ó Dona Rosete, mas foi à América?”. Não. Fui ao Cemitério dos Prazeres. A minha sondagem foi à boca da urna... da minha falecida Tia Maria Adelaide. Eu perguntei às pessoas que lá andavam a deixar flores, “então você votava em quem, no velhinho ou no indivíduo de cor?”, e ganhou o velhinho. O McCain. A bem dizer, eu acho que houve marosca, porque uma das senhoras que eu entrevistei votou por ela e pelo marido, que estava ali ao pé dela... só que dentro de um jazigo há pelo menos dez anos. Cheira-me que foi assim que o Bush ganhou as eleições da outra vez.


A pergunta que todos os analistas meus colegas fazem agora é: o que vai acontecer à América, caso o Barata Osama? Olhem, vai haver cachupa e kizomba pela madrugada fora. Isso de certezinha.


O que é que vai mudar? Olha, para já, vai haver muito mais conspirações para matar o Presidente. E não é por ele ser um indivíduo de cor – é porque se ganhasse o McCain , não era preciso haver atentados, que ele é tão velhinho que mais mês menos mês a natureza há-de tratar dele.
Quanto à crise melhorar, isso não me parece, porque mais do que nunca, se o senhor Barata ganha as eleições será caso para dizer que... a coisa está preta! Ah ah ah ah!


Também parece que acaba a Guerra no Iraque. Mas há lá mais alguma coisa para acabar? Aquilo já não deve estar muita coisa de pé naquele país. Pronto, um ou outro poço de petróleo, mas isso agora é os soldados encherem uns jerricans e trazerem o que houver, que isto não tarda nada é mais barato comprar um banco do que atestar o depósito para ir de passeio a Badajoz.


Pronto, é bom acabar esta história das eleições, que isto já não se podia mais. Assim temos descanso... até daqui a dois ou três meses, que é quando arrancam as nossas. E são logo três de seguida. Eu por mim... Sr. Antunes! Que tem feito um trabalho formidável pelo desenvolvimento da Charneca e que o faria certamente pelo desenvolvimento do país. Tenho dito. E não sei também se não me candidato. Se não tiver muito que fazer aqui no prédio, se calhar... A ver.
 

Publicado por Dona Rosete em 04.11.2008 às 10h36

Veto dos Açores

Olhem, eu sou sincera: eu não estou nada espantada que o nosso Presidente, o Cavaco, tenha dito que não ao novo estatuto dos Açores. Ó senhores, um Presidente da República já tem tão pouca coisa para fazer, ainda lhe querem tirar poderes para dizer que sim ou que não às coisas das ilhas? Porque é que ele não há de dizer coisas sobre os Açores? É só uma opinião, também não há-de fazer mal, credo.


Agora, também não tenho a certeza se é mesmo aquilo que o Cavaco quer, o veto. O que pode ter acontecido é ele ter estado a falar com as pessoas de lá e não ter percebido nada do que elas disseram. Que eles falam aquela espécie de francês, pepepe, e o Presidente deve ter pensado: “Olha, que se lixe, vou responder que não a isto, porque já não posso estar aqui a ouvir esta gente a falar e eu a dizer “hã-hã e pois-pois”.


Por isso é que ele fez duplo veto. Disse uma vez que não e depois disse outra. Porque da mesma maneira que ele não percebeu os açorianos, eles também não o devem ter percebido à primeira. “Já disse que não!” E se insistem, ele ainda faz triplo veto. Bem, antes um triplo veto que um triplo mortal, que as costas do Professor Cavaco, isso já não devem aguentar.


Mas pronto, por outro lado, é natural que ele diga tantas vezes que não ao PS, já que no PSD, não há ninguém que o faça, e o homem sente-se na obrigação. Pronto, começou por dizer que não ao PS dos Açores, que é piquenino, mas tem de se começar por algum lado. Começa pelas ilhas e vem pelo continente adentro. Um dia destes, vai-se a ver já está a discutir com o PS da Espanha.


Sempre é mais fácil discutir com o PS espanhol do que com o Sócrates, que anda sempre a vadiar pelo mundo fora e a fazer as viagens que antes era o Presidente da República que fazia. Eu já parei de contar há uns tempos, mas eu ou muito me engano ou o Engenheiro Sócrates por esta altura já bateu o recorde de viagens do Papa antigo.


Mas agora pergunto: ó professor Cavaco, que problema tem se eles nos Açores ficarem mais autónomos? O que é que eles podem fazer ali no meio do mar? Ver o Pauleta a rebolar queijos pela encosta abaixo? Eles vão sempre precisar do continente, e geralmente é o continente amaricano, por isso não vão chatear muito. Olha para a Nelly Furtado!


Como uma força, como uma força que ninguém pode parar...


Publicado por Dona Rosete em 03.11.2008 às 10h35



as coisas que eu disse na telefonia

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e isto, está lêgali?

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