Ora, meus queridos ouvintes, eu hoje venho muito bem disposta, e não é só por ter passado, ontem, o serão todo a ver os programas de apanhados que o meu Gouveia me gravou – Ai, quando eles põem aquele de pregar um cocó ao chão, e as pessoas vão com o saquinho na mão, como se faz com o cocózito dos cães, mas não o conseguem tirar... ai, pela minha saúde, fico ali a rir, a rir, a rir, que o meu Gouveia quando chega a casa, diz logo: “Pronto, Rosete! Estiveste a tarde toda a ver o Canal Parlamento, não foi?” E, depois, em geral tem de que ir a correr à farmácia comprar-me um remédio para os soluços porque aquilo, realmente, é demais.
Mas não. Não é por isso que eu estou tão bem disposta. É porque hoje, ao contrário do que é costume, não venho dar nenhum ralhete aos senhores da política. Eu hoje, por acaso, até venho dar um “parabenete”. E aqui vai ele: Bravo! Bravo, senhores do Governo, bravo senhor engenheiro Sócrates! Bravo por, finalmente, considerarem o direito ao casamento homossexual. Realmente, já era tempo dessa moção sair do armário onde os senhores a tinham escondida.
E não fui só eu. Outras senhoras já vieram dizer que estão muito contentes com esta proposta de moção, como é o caso da Dona Ilda. Eu, por acaso, não sei quem é essa Dona Ilda mas cheira-me que também deve ser porteira, como eu, porque estão sempre a chamá-la para comentar coisas nos jornais. Deve ter um filho ou um netinho que, pronto, é mais amigo de ouvir os ABBA do que os outros, por isso é que a chamam para falar nestes assuntos. Olhe, dona Ilda, eu é um sobrinho. Um amor de pessoa, Deus o abençoe, que é ele que me chuleia a bainha das saias, sempre que eu preciso de uma nova, assim, por uma ocasião especial.
Como toda a gente sabe, eu sempre defendi nas minhas crónicas o casamento homossexual. Até porque se há pessoa que percebe de casamentos é o chamado gái. Quem é que sabe decorar um salão em condições, hum? Quem é que sabe que a cascata de gambas não pode ficar ao pé da lampreia, hum? É um heterossexual? Não, é! É o homossexual, pois está claro! Eles podem até nem viver felizes para o resto da vida, mas lá que a boda vai ser um sucesso, isso é certinho. Por isso, eu digo: Viva o casamento gái, viva!
Eu só queria, realmente, pedir ao senhor engenheiro Sócrates uma coisa: agora que vai discutir o casamento entre homossexuais, será que não podia abordar também a questão do casamento entre pessoas de sexos diferentes? Não, não estou a falar dos heterossexuais. Estou a falar de casais como a Elsa Raposo e João Kléber que, por muito que apareçam nas revistas aos beijinhos, está na cara que, no que toca ao sexo, têm gostos completamente diferentes. Pense neles também, senhor primeiro-ministro. Tenha dó, coitadinhos.