O meu nome é Rosete e sou porteira há 40 anos. Porque estou aqui? Porque os senhores da telefonia sem fios me convidaram para comentar. Agora em vez de uma, tenho duas profissões nobres: porteira e comentadora. Querem exemplos? O Cláudio Ramos. A Maya. Isto na parte das porteiras. Quanto a comentadores, temos, por exemplo, o Professor Marcelo, um colega que é a minha grande inspiração. Mas não tenham medo que eu não venho para aqui impingir-vos livros - credo! Comigo contem só com o comentário, que já não é pouco. Cá um beijinho muito grande.
Janeiro 2009 - Posts

Feliz Ano Judicial

É interessante como estamos já no fim de Janeiro e ainda assim ainda há anos novos a começar. Olha, o Ano Novo Chinês, que foi uma festa lindíssima que durou um dia inteiro; e o Ano Judicial, que à sua maneira é também uma festa, só que dura muito mais tempo. Aliás, tudo o que tem a ver com a justiça dura e dura e dura e dura. Não percebo do que se queixam as pessoas – a nossa justiça é, para a justiça mundial, como que aquele coelhinho das pilhas que bate pratinhos sem parar. E isso é bom, não é?
Já agora, o Ano Novo Chinês diz que é o Ano do Búfalo, mas isso eu já acho um disparate! Com a crise que para aí está instalada em todo o mundo. Os chineses não têm a noção das coisas, valha-me Deus. Eu cá acho que, na melhor das hipóteses, devia ser o Ano do Frango, que eu não sei quem tem dinheiro para Búfalo. O Ano da Perninha de Frango. E mesmo assim, muita sorte não ser O Ano da Pescada Congelada. E da posta da número 4!... 
No que diz respeito ao outro Ano Novo que agora arranca, o Ano Novo Judicial, esse cheira-me que vai ser o Ano da Doninha, a ver pelo fedor que está para ali instalado.
O mestre de cerimónias dos festejos do Ano Novo Judicial foi o bastonário da ordem dos advogados que, ainda não era meia-noite, e já estava a lançar um foguete aqui mesmo na TSF.
“As buscas com mandados em branco configuram uma situação de terrorismo de Estado.”
Pois, coitado, está uma camada de nervos, o senhor, furioso contra os mandados de busca em branco. Eu cá, tenho muita pena de contrariar o Dr. Marinho Pinto, mas sou a favor. É moderno. É já jogar pelo seguro, porque nunca se sabe quando acontece a chamada moscambilha – sabe-se apenas que vai acontecer. Aliás: eu acho que neste país, o mandado de busca em branco devia ser uma coisa que se tinha à mão para depois preencher quando acontecesse sarilho. Agora, eles se calhar não estão a ir aos sítios certos. Onde devia haver uma resma deles era em sítios como as Câmaras Municipais, os escritórios dos construtores civis... Quem mais?... Olha, os senhores que autorizam a construção de lojas em reservas naturais... Esse tipo de coisa. Era a Declaração Amigável de Corrupção. Querem coisa mais transparente?

 

Publicado por Dona Rosete em 30.01.2009 às 09h2

O Caso Freeport

Um, dois, três, recoplay, está a gravar! Eu hoje vim aqui dizer que não acho nada legal esta polémica toda que p’raí anda por causa do Autileti de Alcochete. E não acho legal, por uma razão muito simples: onde mais é que uma pessoa pode comprar roupa de marca àquele preço tão em conta? Em lado nenhum, pois não. E digo mais, se não fosse o Autileti, como é que eu podia ter um conjunto saia-casaco da Ver-Sarja, como o que usei quando fui mais o meu Gouveia almoçar aos Frangos da Guia para celebrar o aniversário de casamento? Humm? E que o senhor José Sócrates tenha ajudado a que construíssem o Autileti, qual é o mal? Todos sabem que ele é uma pessoa que gosta de andar sempre todo bem arranjado, e que até foi considerado um dos homens mais elegantes do Mundo. Se ajudou, fez ele muito bem. Mais: a nível político, isto só mostra que ele é uma pessoa com muita visão de futuro, pois já devia imaginar que Alcochete ia ter um aeroporto, e já se sabe como são os aeroportos… Aquilo é esperas tão grandes que uma pessoa, se tiver um Autileti ao pé, sempre vai fazer umas comprinhas, o que é legal para a Economia do País… Olhem, mais legal para a Economia do País que o senhor Manuel Pinho, por exemplo.


Pronto, tudo bem que aquela zona de Alcochete, ao que parece, é uma zona protegida, ou como eles chamam, uma “Zona de Protecção Especial”, e que o Autileti podia fazer muito mal e tudo e tudo e tudo. E eu pergunto: o que é que é pior em Alcochete, o Autileti ou o Paulo Bento? Tudo bem que o Autileti pode prejudicar as espécies animais, mas e o Paulo Bento, que dá cabo de algumas espécies humanas? As que vêm de Leste, por exemplo.


Adiante, outra coisa que me tem metido muita espécie é isto do tio do senhor Sócrates. Que mal tem ele ter dito ao senhor Charlis Smiti que o seu sobrinho era Ministro do Ambiente e que podia ajudar? É que naquela altura não era vergonha nenhuma dizer que se era da família do senhor Sócrates. Se fosse hoje, pronto, era diferente. Mas isto foi antes de ele ser Primeiro-Ministro… Ainda não havia muitas razões para ter vergonha.


Bom, e como se não bastasse, o Ministro Mário Lino ainda veio dizer que todas estas acusações têm fins políticos para atingir o senhor Sócrates em ano de eleições. Ora, se tem ou não, não sei. O que eu sei é que se é verdade, não valia a pena darem-se a tanto trabalho para danificar a imagem do senhor Primeiro-Ministro. É que parece que não bastaram estes últimos anos, quer dizer…

 

Publicado por Dona Rosete em 29.01.2009 às 09h2

Linha Saúde 24

 Eu sou uma pessoa que está apoquentada. Apoquentada com todo este sarilho que rebentou sobre a linha telefónica Saúde 24. E acho, sinceramente, que se está a fazer uma tempestade num copo de água. Eu não gosto de falar das coisas sem as conhecer a fundo. Vai daí, uma destas manhãs, em saindo do banho, abri duas portas lá de casa e a apanhar com a corrente de ar. Nessa mesma tarde estava com uma gripe, tudo em nome do dever de informar o ouvinte! E pronto, peguei no telefone e liguei para a Saúde 24.


E a verdade é que aquilo é extraordinário: é quase tão real como se estivéssemos no posto médico, só que sem sair de casa! Uma pessoa, num posto médico, tira uma senha e fica ali à espera, à espera, à espera e só a atendem lá para a tarde. Na Saúde 24, só não se tira uma senha; de resto – IGUAL! Igualzinho. Fizeram aquilo mesmo bem feito, não se nota a diferença.


Outra coisa muito realista: a pessoa chega lá e queixa-se, pronto, de furúnculo nas costas. Eles ficam ali a fazer perguntas, perguntas, perguntas e no fim indicam-lhe um tratamento para uma gastroentrite. Aquilo é mesmo real.
Às vezes uma pessoa liga para lá e dá impedido, que é como na vida real, quando vamos a um posto médico. Pronto, não está impedido mas está fechado – já não existe! Muito realista. Parece mesmo que é feito pelas pessoas que fazem os jogos de computador, é tipo realidade virtual. Porque também na Saúde 24 é virtualmente impossível, às vezes, uma pessoa ser atendida.
Eu agora é que percebi porque é que a linha se chama “Saúde 24”? Porque 24 é precisamente o número de pessoas que, desde que aquilo começou a funcionar, foram atendidas com sucesso. É natural que aos poucos vá aumentando, ou não se tratasse aquilo de uma ideia vencedora.
Até porque há coisas que chegam a ser melhores na Saúde 24: por exemplo, não termos de falar espanhol ou ucraniano para nos entenderem. Mas de resto, é igual. Igual! Até arrepia. E sempre que eu ligo para lá, abro sempre uma garrafinha de acetona, que é para a experiência ser ainda mais realista, ao nível do cheiro.
Agora, realmente, o que sucede é que, em nome da informação, eu continuo com a minha gripe. Por isso estou muito contente com aquela medida que foi tomada na cimeira luso-espanhola entre o Sócrates e aquele senhor Sapateiro. Uma medida que diz que os portugueses, desde que não estejam muito longe, podem recorrer aos serviços de saúde espanhóis. É positivo, porque uma pessoa meter-se numa camineta da carreira, oito horas daqui até Madrid, é capaz de ser ainda assim mais rápido e eficaz do que recorrer aos serviços de saúde portugueses... Além de que se vêem umas vistas e ainda se podem comprar uns caramielos!

Publicado por Dona Rosete em 28.01.2009 às 09h7

Uma Semana de Obama

E pronto, lá se passou uma semana desde que o simpático e bem apessoado senhor cabo-verdiano, o Sr. Barata Obama, sentou o rabiosque na cadeira que o outro senhor, o tontinho, aqueceu para ele. Agora vejam bem o medo que aquelas pessoas têm que o Sr. Barata leve com um atentado em cima, que ainda ele não tinha descansado convenientemente de todas aquelas festas – coitados, ficaram estafados com tanto baile - , e já lhe estavam a pespegar documentos à frente, para ele assinar. E ali esteve o homem, a assinar decisões e mais decisões e mais decisões. Credo! Parecia um Presidente da Câmara, em vésperas de acabar o mandato, a assinar autorizações de construção em reservas ecológicas para os amigos.


O que é certo, é que começou logo por congelar os salários daquela gente toda da equipa dele. O que parece uma grande coisa, mas se pensarmos no frio que lá está em Uoshintóne, deve-lhe ter bastado abrir uma janela e aquilo congelou logo! Ah ah ah! Não, isto sou eu a ser reinadia.


Agora muito a sério: esta ideia de congelar os salários de quem manda, eu não sei se não é muito polémico. Porque não é isto que se costuma fazer. Pelo menos cá em Portugal. Que eu bem os tenho visto: para combater a crise, o que é que fazem? Despedem-se os empregados e aumentam-se os salários dos senhores que mandam! Eu sempre julguei que era isto que vinha nos livros de economia. Agora põe-se o Sr. Barata a fazer o contrário. Temo pelas finanças mundiais.
Outra coisa polémica do Sr. Barata é a ideia de fechar aquela prisão com nome de cantiga, a Guantanamera. Diz que até há a possibilidade de Portugal receber aqueles indivíduos todos que lá estão. Não percebo: querem acabar com o sofrimento daqueles desgraçados e mandam-nos para aqui? Portugal? Estão eles em Cuba, com umas praias tão lindas, e depois de tudo o que eles passaram, ala para Portugal? Com aqueles fatos cor-de-laranja ainda os metem a arranjar as estradas. É isto direitos humanos, Sr. Barata?


Depois o que é que vão fazer lá às instalações da Guantanamera? Olha, mais valia então fazer o chamado intercâmbio, assim uma espécie de Erasmus para as pessoas que se portam mal. Sim, porque a ver pela idade de algumas das pessoas que lá estavam na Guantanamera, aquilo é mais gente para Erasmus e interrail do que para o INATEL.


Eu proponho que se pegue nas pessoas que estão nos calabouços da PJ e vai tudo lá para a prisão de Cuba. A maioria deles também já está habituada a desviar dinheiro para destinos paradisíacos, os offshores, de maneira que fica em casa! Além disso, tal como os senhores que estão em Guantanamera, alguns dos nossos também são acusados de rebentar com coisas... bancos, por exemplo! Era ou não era uma coisa bem vista?
 

Publicado por Dona Rosete em 27.01.2009 às 09h6

E Viva Portuespanha

 Portuspanha! Portuspanha! Esportugal! Esportugal! Ai, Jesus, que isto vai ser uma complicação, este campeonato do Mundo a meias. É de mais para a minha cabeça. Mas será que ninguém mete um bocadinho de juízo na cabeça do senhor Gilberto Madaíl? Humm? Ninguém? Tudo bem que ele, na cabeça, prefere que lhe metam tinta para o cabelo, mas um bocadinho de juízo também não lhe fazia mal nenhum. Ou será que cabe na cabeça de alguém ir pedir ajuda aos espanhóis para concorrer ao que quer que seja? E eles, espertos, aceitam. Pois não. Com tanto estádio novo sem uso que temos, escusam de estar eles a gastar e a estragar os deles. Agora eu pergunto: onde é que eles estavam, os espanhóis, quando foi preciso pôr os estádios novos de pé? Pois, para trabalhar, ‘tá quieto. “Ai não posso, tenho coisas para fazer aqui em Espanha”. Não podiam durante a semana, davam cá um pulinho ao fim-de-semana. Assim é que não. Não é uns serem os galegos para trabalhar, e outros serem os galegos… porque moram na Galiza. Não é legal.


Eu, na verdade, até entendo a vontade do senhor Madaíl em organizar um Campeonato do Mundo. É que com o Carlos Queirós a treinar a Selecção, a única maneira de podermos estarmos presentes num Mundial é sermos nós a organizá-lo. Quem ficou muito contente com isto da candidatura conjunta de portugueses e espanhóis foi o Cristiano Ronaldo, que, assim, com sorte, em 2018, já pode jogar em Espanha, sem ser criticado. Sim, porque de certeza que os jogos grandes são lá. Ou pensam que os espanhóis são burros? Eles aceitaram concorrer com Portugal, porque não sabiam onde haviam de enfiar as selecções africanas e as de Leste. “Ai, Chico, donde pongo Camarões? Ulha, pongué en Faro, que gente que gusta de mariscó”.


Mas adiante, o senhor Ministro das Finanças, Teixeira do Santos, já veio dizer que isto do Mundial não é uma iniciativa que, neste momento, deva estar no topo das suas preocupações. E eu compreendo que não, senhor Teixeira dos Santos. Em ano de eleições, há coisas bem mais importantes em que pensar, não é verdade? Mais a mais, aqui para nós, uma iniciativa muito mais importante para o senhor ministro era tirar um curso de informática, daqueles “na óptica do utilizador”. Pronto, só para saber como se fazem orçamentos naquilo do Excel. Olhe que até o meu Gouveia que não sabia mexer num computador há uns anos, agora até Hi5 tem. Passa a vida naquilo. Não tanto como o Pacheco Pereira, mas quem o quer ver é em frente à maquineta. E, por falar nisso, o melhor é eu ir andando para casa, pois eu fiquei com a pulga atrás da orelha que ele fala com outras mulheres na Internet. Mesmo depois de ele jurar que a “Gata Assanhada Minas Gerais” com quem ele fala e envia fotos é o Antunes da papelaria.

Publicado por Dona Rosete em 26.01.2009 às 09h2

Portas e o Congresso

 Não consigo! Eu não consigo! Não consigo aguentar mais este segredo que trago aqui dentro de mim. É ele a querer vir para cima e eu a empurrá-lo para baixo. Olhem, é o contrário do que aquelas raparigas que andam nas passarelas fazem com a comida: ela a querer ir para baixo e as meninas a puxarem-na para cima. Ai, que está a subir outra vez. Ai que eu não aguento. Vai-me sair o segredo da boca. Vai sair. Ai que me está a sair… ai… ai… cá vai ele: “O MEU GOUVEIA LEVOU-ME ÀS CALDAS DA RAINHA NO FIM-DE-SEMANA PASSADO, VENDOU-ME OS OLHOS E OFERECEU-ME UMA COISA INDECENTE!” Já saiu. Já saiu. Uff. Ai que já estou mais aliviada. Ai… Que sorriso malandro é esse, senhores ouvintes? Humm? Acham que se o Gouveia me tivesse oferecido um… um… um exemplar do artesanato da região – chamemos-lhe assim – eu estava com esta vergonha toda? Eu só estava a guardar segredo porque o que ele me deu foi uma entrada para o Congresso do CDS-PP. Digo-vos uma coisa: não ganhei para o susto quando lá entrei, porque, como me tinha esquecido dos óculos, só via um clarão muito branco ao fundo. E eu disse para o Gouveia: “chegou a minha hora, Gouveia. E não quero partir sem que saibas que na nossa noite de núpcias eu sonhei com o Júlio Iglesias”. Mas, afinal, ele tinha os meus óculos e o clarão branco vinha da dentadura do Paulo Portas, que não parava de gritar: “vamos pedir mais CDS porque isto, vamos pedir mais CDS porque aquilo”. E faz sentido que o grite. A crise é para todos. E mais vale pedir do que roubar. Agora, eu não estou a ver as pessoas daquele partido a pedir. Só se for beijinhos às senhoras de idade. Mas só um porque aquilo é tudo gente de bem, com nomes muito finos e tudo e tudo e tudo. Bom, mas mais à frente, o senhor Paulo Portas disse que o CDS-PP quer os votos das pessoas que estão desiludidas com o PS, ou seja, quer ter maioria absoluta, o que eu acho um bocadinho precipitado. É que não nos podemos esquecer que estamos a falar de um Partido que ainda há pouco tempo era liderado pelo senhor Ribeiro e Castro… Portanto, há que ter calma, senhor Paulo Portas… E por falar em não ter calma, não posso deixar de dar um ralhete ao menino Pedro Passos Coelho. Sim, porque na minha terra, os cabelos brancos são para ser respeitadas, mesmo que sejam penteados de maneiras esquisitas. Por isso, Pedro Passos Coelho, respeite um bocadito mais a sôdona Manela Ferreira Leite e pare de querer aparecer tanto nos jornais e nas revistas. Deixe isso para a Dona Dolores e o Cristiano Ronaldo. E, pronto, antes de me ir embora só quero dizer que, mesmo sendo a pessoa com as roupas e o apelido mais corriqueiros daquela sala, até que passei um bocadinho agradável no congresso do CDS-PP.

Publicado por Dona Rosete em 23.01.2009 às 09h2

O Casamento Homosexual

Ora, meus queridos ouvintes, eu hoje venho muito bem disposta, e não é só por ter passado, ontem, o serão todo a ver os programas de apanhados que o meu Gouveia me gravou – Ai, quando eles põem aquele de pregar um cocó ao chão, e as pessoas vão com o saquinho na mão, como se faz com o cocózito dos cães, mas não o conseguem tirar... ai, pela minha saúde, fico ali a rir, a rir, a rir, que o meu Gouveia quando chega a casa, diz logo: “Pronto, Rosete! Estiveste a tarde toda a ver o Canal Parlamento, não foi?” E, depois, em geral tem de que ir a correr à farmácia comprar-me um remédio para os soluços porque aquilo, realmente, é demais.
Mas não. Não é por isso que eu estou tão bem disposta. É porque hoje, ao contrário do que é costume, não venho dar nenhum ralhete aos senhores da política. Eu hoje, por acaso, até venho dar um “parabenete”. E aqui vai ele: Bravo! Bravo, senhores do Governo, bravo senhor engenheiro Sócrates! Bravo por, finalmente, considerarem o direito ao casamento homossexual. Realmente, já era tempo dessa moção sair do armário onde os senhores a tinham escondida.
E não fui só eu. Outras senhoras já vieram dizer que estão muito contentes com esta proposta de moção, como é o caso da Dona Ilda. Eu, por acaso, não sei quem é essa Dona Ilda mas cheira-me que também deve ser porteira, como eu, porque estão sempre a chamá-la para comentar coisas nos jornais. Deve ter um filho ou um netinho que, pronto, é mais amigo de ouvir os ABBA do que os outros, por isso é que a chamam para falar nestes assuntos. Olhe, dona Ilda, eu é um sobrinho. Um amor de pessoa, Deus o abençoe, que é ele que me chuleia a bainha das saias, sempre que eu preciso de uma nova, assim, por uma ocasião especial.
Como toda a gente sabe, eu sempre defendi nas minhas crónicas o casamento homossexual. Até porque se há pessoa que percebe de casamentos é o chamado gái. Quem é que sabe decorar um salão em condições, hum? Quem é que sabe que a cascata de gambas não pode ficar ao pé da lampreia, hum? É um heterossexual? Não, é! É o homossexual, pois está claro! Eles podem até nem viver felizes para o resto da vida, mas lá que a boda vai ser um sucesso, isso é certinho. Por isso, eu digo: Viva o casamento gái, viva!
Eu só queria, realmente, pedir ao senhor engenheiro Sócrates uma coisa: agora que vai discutir o casamento entre homossexuais, será que não podia abordar também a questão do casamento entre pessoas de sexos diferentes? Não, não estou a falar dos heterossexuais. Estou a falar de casais como a Elsa Raposo e João Kléber que, por muito que apareçam nas revistas aos beijinhos, está na cara que, no que toca ao sexo, têm gostos completamente diferentes. Pense neles também, senhor primeiro-ministro. Tenha dó, coitadinhos.  
 

Publicado por Dona Rosete em 22.01.2009 às 10h0

Tomada de Obama (em directo de Washington)

Muito bom dia! Aqui Rosete, falando em directo da América! Mas precisamente de Uoshintóne, e de uma cabine telefónica aqui mesmo em frente à Casa Branca. Não, não é a Casa Branca normal; é um restaurante português que se chama “A Casa Branca” porque o dono é alentejano. Mas pronto, era a cabine que estava livre.


Mas é verdade: a TSF pagou-me a viagem e vim aqui ver o espectáculo. Foi bonito, sim senhor. Pelo menos acho que foi, que estava tanta gente que só consegui lugar tão cá para trás que tenho a sensação que o meu calcanhar direito já estava noutro estado americano. Mas é verdade que o Sr. Barata, o presidente, bem disse que as coisas vão correr bem mas que vão levar tempo. E isso viu-se logo ali: eu acho que quando o princípio do discurso do Sr. Barata Osama chegou a mim, já o Sr. Barata Osama se tinha ido embora.


Assim que anunciaram que o senhor já era o presidente americano, fiquei à espera que as coisas começassem a mudar, mas não: por exemplo, continuo com um calo no dedo grande do pé esquerdo que me faz umas dores horríveis. Por isso, não o vou esconder: estou um bocadinho desiludida. Mas vou dar um desconto porque está por estas bandas um frio que não se pode.


Aliás: sim senhor, América, América; grande país e mais não sei quê, mas o que é certo é que corri tudo quanto era estabelecimento e não encontrei uma escalfeta à venda em lado nenhum. Outra coisa para o Sr. Barata Osama tomar nota. Escalfetas, senhor. SCALFETTS, ÓRRAITE?
O discurso do novo presidente foi bem bonito. Parecia daqueles dos filmes, em que os presidentes americanos são todos espectaculares. O discurso parecia tanto de um filme, que fiquei cheia de medo que me caísse um cometa ou um disco voador em cima. Felizmente não: a única coisa que me caiu em cima foi um cocó de pombo; do mal o menos.


Diz que os discursos do Sr. Barata Osama são escritos por um rapaz novo: parece que tem 27 anitos. Bem que o Moniz o podia comprar, para ele substituir o Rui Vilhena, que nos últimos tempos, com o “Equador”, a coisa que ele mais escreve deve ser: “Eles vão e truca-truca”. Ora assim também eu.


Também gostei das cantorias. Sobretudo de ver a Cesária Évora a cantar, com aquele laçarote na cabeça, todo trolaró. Pelo menos parecia-me a Cesária Évora. Não dava para lhe ver os pés. Mas seja como for, de certeza que estava nem que fosse com uns peúgos daqueles anti-derrapantes, tal era o frio...
Em suma: viva o senhor doutor Barata Osama, e parabéns à Sra. Barata Osama pelo bom gosto: é que o raça do cabo-verdiano é realmente muito bem apessoado!


Publicado por Dona Rosete em 21.01.2009 às 10h6

O Debate na Assembleia

…é que não há maneira deste frio passar, que uma pessoa mais parece que está dentro do cofre do BPP ou do BPN, que por estarem tão vazios deve fazer um frio lá dentro que faxavor. Mas o pior deste frio é o meu Gouveia, e nem é por insistir em usar as calças do pijama debaixo das de bombazina. É a gripe que não o larga. Nem sei mais o que fazer. Já experimentei de tudo, inclusive até, uma destas tardes, me pus em frente à televisão a ver o debate quinzenal na Assembleia da República. É que quando o senhor Primeiro-Ministro disse que o debate era sobre Saúde eu pensei: “tu queres ver que ele vai dar alguns conselhos de saúde, para curar a gripe e assim”. Sim, porque ele deve apanhar muitas, sempre de calçãozito muito curto a correr. E, pelo aspecto das pernitas, ele não deve ter lá muitas defesas, coitadito. Bom, mas adiante, pus-me eu a ver aquilo tanto tempo para nada. Falavam uns, falavam outros, mas coisas práticas de Saúde, chapéu! Nem vê-las. E eu pergunto: isso é legal? É claro que não é legal. É que para a próxima que quiser ouvir discutir Saúde a sério, vou para o Centro de Saúde aqui da minha zona logo de manhã. Não só fico a saber o estado de saúde de toda a gente da minha Freguesia, como ainda fico a saber quem namora com quem na Televisão. Agora, tanta gente numa Assembleia e ninguém usa da palavra para dizer coisas importantes para a comunidade em geral. Coisas como, por exemplo: que a laranja é muito boa para a constipação; que a cenoura faz muito bem aos olhos. Coisas assim… Era bem melhor do que virem dizer que se vai gastar cerca de seis milhões em 8200 camas para a rede de cuidados continuados. É que tudo bem que é bonito e tudo e tudo e tudo, mas eu pus-me a fazer as contas e isso dá mais de setecentos euros cada cama. Ora, e qu’é da crise, senhor Primeiro-Ministro? Querem pôr mais camas, tudo bem, mas podem ir comprá-las ao IKEA ou à Moviflor como fazem as outras pessoas, ou não? Mais a mais, uma pessoa doente não liga se a madeira da cama é de pinho ou de carvalho.


Outra coisa que me espantou foi a ideia de criar um banco público de células do cordão umbilical. É que se era para criar um banco público com uma parte do corpo, escolhessem uma mais bonita. Agora o cordão umbilical… É que já me agoniou um bocadito ver um quando foi do meu Fiordi, quanto mais um banco cheio deles. Deus me livre se lá ponho os pés. É mais uma daquelas coisas que fecha passados uns meses, vão ver…


No meio disto tudo, a única boa notícia, e que apanhei assim por alto, é que parece que vamos ter mais 250 médicos de família, e eu acho muito bem. Acho muito bem, porque eu gosto muito de ver o senhor Fernando Luís trabalhar, e o “Médico de Família” fazia muita falta na televisão. Muito bem. Agora, vá, deixem-me ir que já se faz tarde… Cá beijinho muito grande.

 

Publicado por Dona Rosete em 20.01.2009 às 10h2

O Patriarca e os Muçulmanos

Eu hoje quero lançar um apelo a todas as revistas tipo Maria, Mariana, Mulher Moderna e também ao programa da sodôna Fátima Lopes: por amor de Deus, contratem o mais inovador dos conselheiros amorosos. Ele iniciou há dias uma nova rubrica de conselhos para as moçoilas casadoiras e eu fiquei encantada com a sensibilidade deste homem. Vamos lembrar as suas sábias palavras.“Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam.”
Sim, meus amigos e minhas amigas – é José Policarpo, o Dr. Amor!


Ora bom, vamos lá a ver: eu acho isto muito bonito, o cardeal patriarca dar conselhos às raparigas, mas a verdade é que se nota alguma inexperiência, derivado, se calhar de... Hãã... ser padre! E de, portanto, não estar experimentado na ciência do amor.


Eu por acaso, há dias em que penso – olha que jeito que me tinha dado se, em vésperas de casar com o Gouveia, eu tivesse passado à porta de uma mesquita e um imã virar-se para dizer: “Cautela com o amor! Pensa duas vezes antes de casares com um católico, pensa muito seriamente, é meteres-te num monte de sarilhos que nem Deus Nosso Senhor sabe onde acabam!” E era capaz de ter razão, que o meu Gouveia, que é um homem temente a Deus, ainda a semana passada me pôs a cabeça em água de tanto se queixar que eu tinha posto pimenta a mais na sopa. Ora tivesse eu casado com um muçulmano e ele não se tinha queixado, que aquilo é gente que aprecia a comida picante.


Será que isto é assim com todas as religiões? Será que há um líder dos Jeovás a dizer ao seu rebanho: “Cautela com os amores, pensem duas vezes antes de casarem com um budista, que fica a roupa toda a cheirar a incenso e só se comem algas e tofu”? Ou um líder xiita a dizer aos seus fieis: “Cautela com os amores, pensem duas vezes antes de casarem com um cientologista, que eles são um bocadinho malucos”.


Bem, quer dizer – isto por acaso é verdade. Basta olhar para aquele rapazito, o Tom Cruze, mais a esposa, a Katie Cruze. Aquilo é gente muito esquisita.
Eu acho que um bom conselho do Cardeal-Patriarca teria sido para a Elsa Raposo: “Cautela com os amores, pensa duas vezes antes de casares com um apresentador de televisão que faz mais plásticas do que tu e usa a roupa mais justinha do que tu, que ele é capaz de não ser lá muito... católico.” Bom, e é melhor não dizer mais nada senão sou eu que me meto num monte de sarilhos.
 

Publicado por Dona Rosete em 19.01.2009 às 10h2

A Promoção de Vara

Eu hoje não posso ficar aqui muito tempo. Tenho de me despachar, e já vos explico porquê, meus queridos ouvintes: é que a minha sobrinha Maria Odete fazia limpezas nas casas-de-banho da Caixa Geral de Depósitos, mais precisamente ali no balcão do Colombo, e faz agora uma semana saiu de lá e agora limpa as casas-de-banho do BCP ali dos Olivais. E ela provavelmente não sabe disto, mas apesar de já não fazer limpezas na Caixa Geral de Depósitos, eu tenho a sensação de que lhe devem uma promoção. Ah, pois. Uma promoção para aí de senhora da limpeza das casas-de-banho, para senhora da limpeza do balcão propriamente dito. E isso é bom, sobretudo na Caixa Geral de Depósitos, porque aquilo às vezes, pronto, cheira mal.
De maneiras que eu tenho de avisar já a minha sobrinha Maria Odete, porque provavelmente ela não sabe disto. Olhem, o pobre do Dr. Armando Vara diz que não sabia que tinha sido promovido depois de se demitir da Caixa. E a verdade é que daqui a uns aninhos, quando ele chegasse à reforma, o senhor ainda era capaz de ir ao Multibanco levantar dinheiro para o jornal e para a bica e, de repente, ver na conta uma quantidade imensa de dinheiro. E pronto, na sua boa fé, por não saber, o Dr. Vara ainda ia devolvê-lo, coitadito dele.


É sempre bonito quando o nosso país se sai assim de repente com maneiras, pronto, imaginativas de combater a crise. É verdade que não é de combater a crise do país todo, mas, vá, a crise de uma ou de outra pessoa. Porque tem de se começar por algum lado, não é? E calhou ao Dr. Vara ser uma espécie de ratito branco desta experiência inovadora, que é uma empresa promover uma pessoa depois dela já não trabalhar lá.


Eu aprovo, sim senhor. Acho é que a Caixa Geral de Depósitos devia rever mais algumas coisas depois de dar um passo de gigante como este no sentido de trazer coisas novas à economia nacional. Uma coisa que eu acho que eles deviam mudar já era a frase deles, da publicidade. “Banco é Caixa” não é mau, mas se esta experiência é para continuar, eu achava que a coisa agora devia passar a ser: “Caixa Geral de Depósitos – Todas as semanas a criar excêntricos”!
Ora deixa cá ver... Está? Maria Odete? Estás boazinha? Ah, coitada, estás com um braço enfiado numa sanita. Olha, filha, é mesmo sobre isso que te quero falar. Acho que tenho muito boas notícias para ti...

 

Publicado por Dona Rosete em 16.01.2009 às 10h2

Os Foguetes da D. Dolores

Viva! Viva o melhor do mundo! Viva! Desculpem-me todo este regabofe, senhores ouvintes, mas eu hoje tenho que festejar. Está bem que não tenho foguetes, como a rapaziada lá da Madeira, mas também tenho uma data de tralha que me sobrou do Ano Novo e que não sei o que fazer com ela, de maneira que todas as razões são boas para fazer festa. Viva! Viva! Viva! Bom, de facto, não podia deixar de celebrar nestas minhas crónicas essa grande vitória de todos nós. De todos nós, as mães portuguesas, que foi para isso que, realmente, serviu aquela cerimónia da FIFA: para dar o prémio de Melhor do Mundo, sim senhor, mas à mãe de Cristiano Ronaldo, a Dona Dolores.


E diz o estimado ouvinte: “Ó Dona Rosete, olhe que não, olhe que aquilo era só para jogadores de futebol...” Ora, mais me ajudam. Porque é que acham que a Dona Dolores estava vestida daquela maneira, à futebolista?! Porque também se estava a candidatar ao prémio! Onde é que uma pessoa, no seu perfeito juízo, ainda para mais daquela idade, se mete num fato de treino cor-de-rosa e atarraxa na cabeça um bonézão daqueles, se não estiver a concorrer a prémios do futebol? Até podia ser que fosse só passar a tarde com a Luciana Abreu, que para isso a indumentária também era muito apropriada. Mas, sendo assim, não era preciso encomendar tanto fogo de artifício, porque só a Lucy a cantar já faz um estardalhaço suficiente.


Eu devo dizer que, só agora, que vi bem o tamanhozão daqueles bonés da marca CR7 é que percebi de onde é que veio a inspiração para os fazer. Aquilo foi do tempo em que eles passaram todos férias com a Nereida, lá na Sardenha. Realmente, a Dona Dolores tirou-lhe bem as medidas e, depois, deixou-a apanhar bonés. Ah-ah!
Bom, mas eu, realmente, fiquei muito emocionada ao ver o nosso Cristiano Ronaldo, tão bem comportado, ali a receber o prémio para a mãe Dolores. E diz outra vez o amigo ouvinte: “Olhe que não, Dona Rosete, o prémio era mesmo para ele.”. Quer dizer, a estatueta, realmente, fica para o rapaz, mas o que ela vale, aquilo tudo traduzido em euros e enfiado numa conta bancária muito grande, para onde é que pensam que vai? Para a mãe, pois está claro. Dolores! Dolores! Dolores!

 

Publicado por Dona Rosete em 15.01.2009 às 10h1

Gonçalo Amaral em Olhão

 Bem, eu hoje não estou para modas e vou já directa ao assunto, porque se eu deixo certas coisas ficarem-me a remoer na paciência, começo com enxaquecas, e depois não tenho cabeça para assistir aos telejornais da TVI. Aquilo, realmente, é muita informação. Mas no sentido em que é muita luz, muita cor, muita gente a falar alto, muita pistola, muita mulher de bata... credo! Bom, vamos cá então ao que interessa: o que é que se passa com o PSD e os candidatos às câmaras municipais? Hum? O que é que se passa, expliquem-me lá?! Quer dizer, já não chegava o Santana Lopes para Lisboa e todos os problemas que foram arranjar à dona Manuela Ferreira Leite com isso, agora vão-me buscar o Gonçalo Amaral para Olhão?! O Gonçalo Amaral, o senhor que era da Judiciária, o da pequena Maddie!? Para Olhão? Olhem, se ele tivesse tido “olhão” tinha descoberto a menina e não tinha arranjado aqueles sarilhos todos com a imprensa inglesa, que o apanhou em certas e determinadas almoçaradas em preparos muitos mais próprios de um dirigente desportivo do que de um polícia! Pronto, está bem, escreveu um livro. Mas isso também o Miguel Sousa Tavares e eu ainda não vi ninguém a convidá-lo para a Câmara da Fuzeta!


Eu sei que estamos em tempos de recessão – sim, que agora já se pode dizer “recessão”, que o engenheiro Sócrates já deixa -, e que quando há crise, uma pessoa não se pode dar a certos luxos. Pronto, é assim como que, vá, em vez de se ir ao El Corte Inglès comprar cogumelos com nomes chiques, passa-se a ir ao Lidl comprar champignon de lata que também é bom e fica bem na sopa. Mas para se fazer isto é preciso ter ciência. Se não sabem fazer compras na rebajas, deixam-se estar quietinhos, não se põem a encher a despensa com restos de colecção. Ai!...


Mas o que mais me encanita no PSD e neste problema de escolher candidatos, é esta fixação que eles têm em escolher polícias especialistas em crimes. Primeiro foi o Moita Flores, para Santarém, agora é o Gonçalo Amaral, em Olhão... Já só falta irem para os municípios do Norte. Se bem que para aí, em alguns deles, um só polícia,  mesmo que especialista em desaparecimentos, como o Gonçalo Amaral, não chega. Tem de ser uns seis ou sete por cada Câmara, só para perceber para onde é que se evaporou o dinheiro todo.


De qualquer modo, apoquenta-me tudo isto. E apoquenta-me sobretudo o futuro dos olhanenses. Porque isto de ter “ex-polícias especialistas em crimes que escrevem livros” à frente das edilidades já se sabe no que é que dá: muita crónica no jornal, muito comentário na TV, e trabalhinho lá no gabinete da câmara, viste-lo! Chapéu!

Publicado por Dona Rosete em 14.01.2009 às 10h10

Borda D'Àgua

 Todos os anos, em chegando a esta altura, eu perco o amor a um euro e meio e compro o Borda d’Água. Porquê? Porque o único ano em que não comprei o Borda d’Água, foi justamente o ano em que o Durão Barroso se pisgou e o Santana Lopes foi primeiro-ministro. E eu pensei: “Ora diacho: tivesse eu o Borda d’Água e não só teria a couve-flor e a ervilha de cheiro no mês certo, como não me acontecia essa grande maçada que foi sair-me um nabo.
O Borda d’Água fez agora 80 anos. E eu pergunto: como fazia o Manoel de Oliveira para viver, quando ainda não havia Borda d’Água? Não admira que ele tenha desistido das corridas de carros e tenha começado a dedicar-se ao cinema precisamente quando o Borda d’Água começou a sair. Ele deve ter lido lá: “Quem ao cinema se dedicar e os automóveis largar aos cem anos vai chegar”. O Borda d’Água não falha!


Agora, o que me chocou muito é saber que andam aí uns valdevinos a fazer falsificações do Borda d’Água. Ora isto é coisa que não se admite. Para coisas falsas no mundo das revistas já bem basta as raparigas que aparecem na capa da FHMéne e na Giu-Giu. Aquilo também é tudo falso. Diz-me o meu sobrinho que aquilo vem quase tudo de uma tal Fotoshópe. Pelo nome eu julgava que era uma loja de fotografia, mas a ver pelas capas das revistas, deve ser uma clínica de cirurgia plástica. Não sei. Modernices. O que é certo é que no dia em que aquilo sai, o meu Gouveia fica tão bem disposto que até assobia.
Mas é verdade: andam a fazer Bordas d’Água piratas. Em anos de crise, vale tudo, credo! Mas também me pergunto: como será um Borda d’Água falso? Trará mais feriados? Vai dizer que é para plantar as begónias em Março, quando toda a gente sabe que tem de ser em Janeiro?
E outra coisa que me maça: então e ainda por cima, se é falso, porque raio é que custa o mesmo preço? Se eu vou à Feira de Carcavelos comprar uma mala Chónel em vez de ir à loja comprar uma Chanel é para poupar umas coroas valentes!
Ora eu comprei o Borda d’Água hoje – o verdadeiro! – e vou desde já ler as previsões do almanaque para este ano de 2009. Diz assim: “Haverá abundância de trigo e de outros alimentos; a carne e o peixe não vão faltar”. Ah! Pronto! Saiu-me um falso. Um euro e meio deitado ao lixo! Coitada de mim...
E coitados do Vítor Constâncio e do Teixeira dos Santos, que cheira-me que já no ano passado andaram a consultar um Borda d’Água falso...



Publicado por Dona Rosete em 13.01.2009 às 10h7

O Orçamento Suplementar

Tirem-me aqui uma dúvida: quando uma pessoa se engana numa coisa e depois arranja uma forma de remediar, diz-se que essa pessoa rectificou o erro ou que o suplementou? Humm? Digam-me lá: rectificou ou suplementou? Pois, era o que eu pensava. Agora diz-me por que é que o ministro Teixeira dos Santos insiste em chamar orçamento suplementar ao orçamento rectificativo que vai apresentar? Humm? Será por vergonha de se ter enganado? É que se foi, não é legal, senhor ministro. Se não tinha coragem de dizer em público que se enganou, só havia uma coisa a fazer: pedir ao ministro Mário Lino para lá ir dizer por si, porque ele é uma pessoa com muita experiência a enganar-se. Ou então, para a próxima, pede ao ministro Manuel Pinho para ser ele a apresentar as contas do Orçamento. Vai ver: como ninguém liga assim muito ao que ele diz, depois também ninguém repara nos erros. Escusa, mais tarde, o senhor ministro de andar a matar a cabeça a inventar nomes novos para dar às coisas.


Claro que ainda tem outra hipótese, para a próxima vez que se puser a fazer um Orçamento, que é pedir uma mãozinha ao senhor Cavaco Silva, que, para além de perceber muito de números e contas e tudo e tudo e tudo, também é uma pessoa que só muito raramente se engana.


Pensando bem, eu até entendo por que é que o senhor Teixeira dos Santos fez um Orçamento tão pequenino, que precisa agora de um suplemento. É que quando ele o apresentou, se bem se lembram, deu para ver que ele não percebia nada de peni’s de computador, portanto quando estava a fazer o Orçamento deve ter pensado: é melhor fazer uma coisa com poucos números, senão não cabe dentro desta coisa tão pequena – a peni. Foi ou não foi, sr. Teixeira dos Santos? Pois claro que foi. Coitadito, também é natural que não saiba trabalhar bem com computadores: não teve um Magalhães quando era pequeno.
Mas, para falar a verdade, eu também não o censuro por se ter enganado a fazer o Orçamento, porque lá em casa também sou eu que lido com as contas, e quantas vezes digo para mim “Rosete, o gel-de-banho com aloé vera e o feijão verde que compraste a dois euros e meio o quilo já te deram cabo do orçamento deste mês. Se não tens tino nos próximos dias, vais acabar como as pessoas que tinham as poupanças no BPP: tesa que nem um carapau”. É verdade. E se é assim lá em casa que somos três, imagino gerir um Orçamento para tantas pessoas, dez milhões. Deus me livre. Olhe, coragem, senhor ministro Teixeira dos Santos. Ah, e da próxima vez que for à televisão, ponha os olhos no Primeiro-Ministro. Não, não é a falar, que disparate. É a escolher gravatas. Aliás, é por isso que ele é conhecido lá fora.
 

Publicado por Dona Rosete em 12.01.2009 às 10h6

Entrevista do Sócrates

Ora, estava eu uma noite destas toda repimpada no sofá, pés metidos na minha escalfeta, à espera da primeira telenovela que aparecesse, quando começa o tempo de antena. E penso eu: “Já? Já estão a dar tempos de antena? Credo, que ainda nem sequer tiraram as iluminações de Natal e já estão a fazer campanha aos partidos?”. Mas pronto: como vêm para aí três eleições, julguei que fossem eles a não querer perder tempo e vamos a isto.
Começa, e começa logo com o Engenheiro José Sócrates, muito bem, muito compostinho, um homem que não só está empenhado em manter o lugar como Primeiro-Ministro mas também em garantir boas posições nos concursos de beleza de todo o mundo. Senhor Manuel Alegre, não vá a um spa não, fazer uns tratamentos de chocoterapia e lamas quentes, a ver se vai longe na política!


Mas então, aparece o engenheiro Sócrates, estava para ali porlópópó, porlópópó, tudo muito certinho, e eu começo a pensar: “Isto para tempo de antena está muito comprido. E nem tem o relojinho ao canto nem nada!” Mas não liguei. Aquilo acabou e eu fiquei à espera do que a oposição tinha para dizer a seguir. Olha, apareceste tu? Assim apareceu outro tempo de antena. Nada. Mas também, no estado em que a oposição está, se não tem nada para dizer mais vale estarem caladinhos e fazerem o que têm estado a fazer: andarem à batatada dentro dos próprios partidos, e depois quando vierem as eleições, logo se vê. Olhem, rezem!
Isto passou-se. Foi então que pensei: “Tu queres ver que isto afinal não foi um tempo de antena?” E não foi. Mas parecia. Porque os tempos de antena são um bocado como os filmes de – como é que se chama – fricção científrica. Fantasias. E realmente, o engenheiro disse que as exportações cresceram, a economia cresceu, o ensino profissional aumentou, porlópópó, porlópópó, enfim – só faltava começarem a passar naves espaciais e rebôs lá atrás. O engenheiro Sócrates lembra-me aquele da Guerra das Estrelas. Não é o piqueno, o que parece a Maria Vieira; não, é o outro, o alto, o doirado. Deve ser influências do Magalhães, com certeza.


A dada altura, sucede uma coisa que me deu quase tanta vontade de rir como aqueles programas de apanhados que há agora a passar na televisão: que foi quando o engenheiro fez a previsão: “Tudo aponta para um cenário cada vez mais provável de recessão”. Então mas só agora é que reparou? Como o senhor diz, estava tudo a apontar – só o senhor é que não estava a olhar para lá! É no que dá estar sempre tão preocupado com a toilette!


E eu a pensar que era um tempo de antena... Enganaram-me bem enganada. Agora, os apanhados... Ai, o que eu me rio com aquilo. Pronto, rio-me.
 

Publicado por Dona Rosete em 09.01.2009 às 10h1

O Frio da Rússia

 Credo, senhores, hoje estou que não posso. E não tem nada a ver com as notícias dos jornais, nem com a lata com que o senhor Vítor Constâncio veio dizer que este ano vai haver para cima de 90 mil desempregados. Ora, vindo de quem vem – uma pessoa com um olhinho para as contas que faz favor -, não me admirava nada que para a semana, se ficasse a saber que “ai, afinal não, os 90 mil são mas é as pessoas com emprego. E desculpem lá qualquer coisinha”...
Bom, eu estou que não posso mas é por causa deste frio que se pôs. Até tive de mandar a Carla Isabel para o colégio com o pijama por debaixo das calças, que a rapariga não parava de tiritar com o frio. Ou era isso, ou era medo, porque a pobrezita hoje tinha uma ficha de avaliação a Português e, já se sabe, quando se fala em avaliações numa escola, há com cada arraial, que até a mim me assusta.


Mas voltando à vaca fria - que é como as pobres das criaturas devem estar todos hoje -, ainda no outro dia estava aqui a falar da crise do gás entre a Rússia e a Ucrânia, a achar que aquilo era um problema com a distribuição das bilhas lá deles, e agora... isto! O que é uma coisa tem a ver com a outra? Tudo e tudo e tudo, pois com certeza! Então, a Rússia não mandou cortar o gás que vinha para a Europa? Ora, se não há gás como é que se acendem os esquentadores? Como é que se ligam os aquecimentos? Como é que se põe a chaleira ao lume para encher o saco de água quente? É por isso é que está este frio todo, senhores! Porque eles desligaram-nos o gás! Ainda, por cima, foi à socapa, para não termos hipóteses de ir à escada fazer uma falinha mansa ao senhor que vem com a chave inglesa bloquear a torneira!


Mais uma vez, sou obrigada a dizer: senhores da Rússia, cuidado com o que andam a fazer! Se os ucranianos não pagaram a conta, então, faz favor de ir cortar a energia só ao prédio deles. Está bem que os portugueses – e o senhor Sócrates – gostavam que ficassemos mais parecido com os países nórdicos... mas era em termos económicos, não era isto, por Deus!


Bom, ao menos, enquanto durar esta vaga de frio, sabemos que, pelo menos, há um tipo de empresas que não vai entrar em recessão: as que fabricam irradiadores a óleo. E agora que penso melhor... será que isto foi tudo uma manobra do engenheiro José Sócrates? Como ele disse que ia ajudar todas as empresas que pudesse, querem ver que foi ele que telefonou ao russos?
Bom, se foi, espero que tenha pedido também incentivos para as os comerciantes de escalfetas, porque é o que eu preciso agora, que tenho os pés feitos em gelo. Credo! Só tenho uma coisa a dizer: onde está o aquecimento global quando precisamos dele! Ó-ó!

Publicado por Dona Rosete em 08.01.2009 às 10h10

Mudar de Nome

 Alguma vez pensaram em mudar de nome? Porquê? Olha, porquê. Porque todos os anos, cerca de 650 pessoas em Portugal mudam de nome! Pelo menos é o que vinha no jornal. De há uns dias para cá, tenho andado a pensar – que, pronto, como sou comentadora, não é verdade – a pensar em mudar de nome. Ora diz-me lá se fica bem: Dona Rosete Rebelo de Sousa? Ou Dona Rosete Rogeiro? Não gostas? Também pensei em Dona Rosete Marante – como a Margarida Marante – mas é que o nome Marante tem o mal de também servir para cantor popular, por isso não sei… Tenho de pensar mais um bocadito. Mas, digo, isto de se poder trocar o nome pode dar muito jeito a algumas pessoas. Olha, ao Santana Lopes, por exemplo, que como passa a vida a concorrer a tudo e tudo e tudo, se mudar o nome de vez em quando, as pessoas, na volta, ainda acabam por votar nele. Pensam: “ai que senhor tão simpático e tão bem falante, que eu nunca tinha ouvido falar nele na minha vida.” E, tumba, põem a cruzinha ao lado da foto dele, mas que não é ele, porque tem outro nome. Logo, é outro…


Mas isto dos políticos mudarem de nome, não deve ser novidade nenhuma. Sim, porque desde que soube que é fácil mudar o nome, ninguém me tira da cabeça que o nome do nosso Primeiro-Ministro não é José Sócrates. Aquilo foi mas é um nome que ele pôs para ficar mais pomposo. De certeza! Onde já se viu uma pessoa da Covilhã com o nome de Sócrates? Isso foi mas é nome que ele arranjou para parecer uma pessoa assim mais inteligente, como o filósofo da Grécia. E isso é legal? Não é legal, porque para escolher um nome de alguém estrangeiro, não escolhia o de um grego, que nos estragaram a festa no campeonato de futebol aqui há uns anos. Eu nem me quero lembrar disso… ali com um quilo de miolo de camarão e uma garrafa de Gatão para festejar com o meu Gouveia… e chapéu!
Por isso, senhor José Sócrates, ou lá como se chama na verdade, que, aqui para nós, deve ser qualquer coisa como José Serrano ou… não, já sei… José Magalhães. Isso! Magalhães! Está explicado! Que outro motivo tinha o Primeiro-Ministro para estar sempre a falar do Magalhães, se aquilo não fosse uma coisa pessoal, um nome que lhe dissesse muito. Humm? Bom, e agora, deixa-me ir… que tenho de passar pelo Registo com o meu Gouveia. Convenci-o a mudar o nome para Clooney, que… ai… só de falar, até fico com calores.

Publicado por Dona Rosete em 07.01.2009 às 10h14

O Gás da Russia

 Hoje estou muito agastada. Eu sei que digo isto quase todos os dias, até porque costumo vir de autocarro aqui para os estúdios da TSF, e com a quantidade de buracos que se apanha pelo caminho, quando aqui chego já tenho a meia-de-leite e o queque a dar-me voltas no estômago. Isto está cada vez pior, senhores. Então lá em baixo, junto ao rio, ali ao passar o Terreiro do Paço, há com cada buraco! Até o autocarro se enfia todo pela estrada a dentro e a gente já nem consegue ver o Cais das Colunas destapado. Pelo menos, eu acho que é dos buracos, porque os senhores da Câmara não iam estar a gastar uma pipa de massa para pôr as pedritas no lugar, todas bonitas, e depois gastar outro balúrdio para as tapar, duas semanas depois. É de certeza, dos buracos! Bom, mas já me estou aqui a desviar do assunto. Até pareço a dona Manuela Ferreira Leite quando é obrigada a defender a candidatura do Santana Lopes. Dizia eu, então, que estou muito agastada. E agastada é a palavra mais certa porque, justamente, hoje venho aqui falar de Gás. Senhores, o que eu ando apoquentada com esta guerra do gás entre a Rússia e Ucrânia! Até já tive de comprar mais uma caixa de pastilhas Rennie!... (embaraçada) lá, está, para aliviar o estômago... por causa... do gás. (voltando ao tom indignado) Bom, para mim esta história está muito mal contada. Os russos dizem que os ucranianos andam a roubar à socapa o gás que se destina à Europa, para seu proveito próprio. E eu digo que isso é tudo uma grande mentira! Está bem que os ucranianos são umas pessoas despachadas, que eu bem os vejo, lá na obra ao pé de mim, a levantar paredes e mais paredes, no mesmo tempo em que os portugueses que lá andam compram paletes de minis. Mas, se eles andassem a roubar gás aos russos, acham que não se via? Para roubar gás para um país inteiro, a quantidade de camionetas carregadas de bilhas que não são precisas, senhores! Então, não se havia de ver, as camionetas todas, ali em filinha, a passar a fronteira? Se o senhor Fernando do mini-mercado já faz o estardalhaço que faz quando anda a distribuir as bilhas na minha rua, imagino um comboio de furgonetas a descer a Rússia! E mesmo que as carregassem às costas para não dar nas vistas, porque agora há umas mais levezinhas, que desculpa é que eles iam dar se fossem apanhados? “Ah, estávamos todos a tomar banho e acabou-se o gás”. Ou então: “Ah, temos um soufflé de bacalhau no forno e se não nos despachamos aquilo baixa”... Um país inteiro!!! Tenham juízo, senhores da Rússia! Se querem acusar os ucranianos de alguma coisa, olhem, acusem-nos de encher o mercado com moças giras para atazanar a vida do Cristiano Ronaldo, como aquela, que até era casada. Elas sim, é que andam a roubar o gás todo! Ou com o que é que pensam que se enchem as mamocas delas? Aquilo não é tipo balões?... Bom, já me estou a enervar sem precisão. Até amanhã, meus amigos!

Publicado por Dona Rosete em 06.01.2009 às 10h13

Reveillon 2008/2009

ROSETE
Feliz Ano Novo! Feliz Ano Novo, amigo ouvinte. Mesmo que seja administrador de um banco e tenha de passar 2009 a triturar papelada naquela maquineta que põe documentos comprometedores às tirinhas para se livrar de o passar inteirinho no xadrez, Feliz Ano Novo! Desculpem se eu venho para esta primeira crónica de 2009 ainda imbuída do espírito do Reveillon, mas é que eu, desta vez, decidi mandar a crise às urtigas e cometer uma loucura. Pensei cá para mim: “Rosete, vêm aí um ano muito mau, ainda há dois ou três bancos que não faliram, sabes lá o que vai acontecer ao teu dinheiro, portanto, toca a aproveitar!” Vai daí, peguei no meu Gouveia e fui passar o ano ao Casino! Ó-ó! Tirei da arca o casaco de pele de coelho que o meu Gouveia me ofereceu quando casámos, e lá fomos os dois, tão aperaltados que, quem nos visse, havia de dizer que estávamos a tentar roubar o 6º lugar de elegância ao primeiro-ministro José Sócrates. 


E perguntará o amigo ouvinte: “Ao Casino, Dona Rosete, que é tão caro!?” E digo eu: “Ao Casino, sim, senhora.” Primeiro, porque o meu Gouveia gosta de fumar o seu charuto à meia-noite, e o Casino é o dos poucos sítios onde isso ainda se pode fazer e, depois, porque da maneira como as coisas estão, é mais seguro apostar na roleta do que abrir uma conta poupança, nem que seja só com cinco euros. Talvez, por isso, é que estivessem lá tantos banqueiros à roda da mesa, a apostar no preto e no vermelho. Mas com o jeito que eles têm para gerir dinheiro, até o raio da roleta conseguiram levar à falência, raça dos homens! E desta vez, não estava lá nenhum ministro para lhes emprestar umas fichas para continuarem a jogar. Alguns deles, reconhecendo-me como comentadora política, ainda se viraram para mim e perguntaram: “Ó Dona Rosete, já que sabe tudo e tudo e tudo, o que é que prevê para 2009?” E eu, aproveitei aqueles brilhantes que as bailarinas dos casinos usam nos bikinis para fazer bola de cristal, concentrei-me e lá fui: “Prevejo que, em Janeiro, Vítor Constâncio diga que não há recessão!... E prevejo que em Fevereiro, Vítor Constâncio diga que afinal há. E que em Março diga... hum, talvez. Logo se vê. Prevejo também que o Estado vai continuar a ajudar todos os bancos privados que precisem de cuidados, excepção feita ao Banco Alimentar, pois aquilo, vê-se logo, é gente que não precisa”. E como estava levada da breca, já ia por ali fora a prever coisas: “Prevejo que em 2009, Santana Lopes regresse em força. E que o mesmo acontecerá em 2013, 2016, 2027, 2052...” Depois, felizmente, começaram a tocar músicas de Ano Novo e o meu Gouveia foi buscar-me para entrar no comboiozinho. Ó meu amigo Charlie / Ó meu amigo Charlie, Charlie Brown. Feliz Ano Novo!
 

Publicado por Dona Rosete em 05.01.2009 às 10h1



as coisas que eu disse na telefonia

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e isto, está lêgali?

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