O meu nome é Rosete e sou porteira há 40 anos. Porque estou aqui? Porque os senhores da telefonia sem fios me convidaram para comentar. Agora em vez de uma, tenho duas profissões nobres: porteira e comentadora. Querem exemplos? O Cláudio Ramos. A Maya. Isto na parte das porteiras. Quanto a comentadores, temos, por exemplo, o Professor Marcelo, um colega que é a minha grande inspiração. Mas não tenham medo que eu não venho para aqui impingir-vos livros - credo! Comigo contem só com o comentário, que já não é pouco. Cá um beijinho muito grande.
Março 2009 - Posts

Video do Freeport

Andava o Primeiro-ministro todo já muito descansado a assobiar para o ar, tanto que até já tinha engordado oito quilinhos, quando a raça dos jornalistas lá descobrem um vídeo a falar mal do senhor Sócrates. Bom, se fosse a dizer bem é que era uma grande novidade, agora assim já devia estar habituado. O senhor Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, veio logo a correr dizer que não vai comentar o vídeo e eu acho que ele faz muito bem. Faz muito bem porque comentar vídeos não é a especialidade dele. Querem alguém que comente bem o vídeo, peçam àquele rapazito da SIC, o Mário Augusto, que, esse, sim, tem muita experiência a comentar vídeos. Eu, por exemplo, também vi o vídeo e se me puser para aqui a comentar, sou capaz de dizer que aquele vídeo tem ainda menos acção do que os do Manoel de Oliveira. É só blá blá blá, blá blá blá, não se vê uma cena de pancadaria, nem um carro a explodir, um tiroteio, nada. A mim faz.me lembrar mais um programa de debate da TVI24 que outra coisa: é uma coisa escura com uns tipos a conversar, e mais nada. Pronto, já se sabe como são os homens quando se juntam. Falam de tudo, são piores que as mulheres. Conversa para aqui, conversa para ali, às tantas, o senhor Smith já estava a dizer que o Primeiro-ministro é corrupto e estúpido e tudo e tudo e tudo… Eu fiquei parva quando vi aquilo. Então essas coisas dizem-se com uma câmara a gravar, sabendo que hoje em dia uma pessoa grava um vídeo e uma hora depois ele já está a ser visto do outro lado do mundo, na Internet? Será que estes senhores não viram o que aconteceu aos vídeos que a Paris Hilta e a Pamela Anda Sandra gravaram em casa? Humm? E mesmo assim não tiveram cuidado?! Claro, agora já se sabe, o senhor Smith vem dizer que nunca disse aquilo… que é tudo mentira… que é uma perseguição… ou seja, discurso à Vale e Azevedo. Já o senhor Sócrates diz que vai pôr tudo e todos em tribunal e eu acho muito bem. Desde quando uma pessoa é estúpida por permitir que se construa um outlet, sabendo que lá se vende tudo mais barato, e que os próximos tempos são de crise?! Humm? Ele é mas é um visionário, é o que é. Bom, o senhor Smith também diz para lá no vídeo que os pagamentos corruptos eram feitos a um primo do senhor Sócrates. Mas a qual? Àquele que foi aprender artes marciais para a China? É que se isto é verdade, eu até entendo: o dinheiro era para comprar dvd’s do Bruce Lee, que têm de se mandar vir pela internet, que cá não há. Está explicado! Mas querem saber o que me espantou mais no meio disto? Foi dizerem que o senhor Sócrates aprovou a construção do Fripóri na última semana do seu mandato. Olhem que disparate tão grande. Mas alguém acredita que um político faça alguma coisa na última semana do mandato?! ‘Tá bem, ‘tá. Se já nas outras é o que é, quanto mais na última…


Publicado por Dona Rosete em 31.03.2009 às 09h5

Anúncios na Rádio

Antes de passar ao assunto da minha croniqueta, quero pedir um favor aos senhores que mandam na TSF: se não se importam, tapavam os ouvidos, porque eu vou ter que fazer propaganda a outra rádio e não quero que pensem que eu sou como os futebolistas, que andam sempre a falar de outros clubes, a ver se pega e alguém os convida. Se eu quisesse ir para outro lado, fazia tudo às claras! Como o Cristiano Ronaldo, que não se cansa de inventar maneiras de dar a entender que, está aqui, está no Real Madrid, sendo que a mais divertida de todas é... dizer que não. “Que não!” É um reinadio aquele garoto!

 

Se venho aqui falar de outras telefonias, é derivado a questões do foro político, como é o caso dos polémicos anúncios – faz favor de taparem os ouvidos – da Antena 1. Para quem não sabe, eu estou a falar de um anúncio que deu na TV, em que aparecia a dona Eduarda Maio a dar as notícias na rádio e a conversar com um automobilista, o senhor Rui, avisando-o para não ir por certa rua, porque havia lá uma manifestação. Vai daí, ele perguntava “contra o quê?”, e a dona Eduarda respondia: Contra quem quer chegar a horas!”. Ora, isto deixou a rapaziada dos sindicatos num tal estado de nervos, que foi por um triz que não vieram para a rua manifestar-se.

 

E eu dou-lhes razão, porque aquilo, realmente, é uma afronta! Mas desde quando é que os locutores conseguem falar com as pessoas que vão a conduzir? Eu posso estar aqui a locutar mas, para saber se é o Rui ou o António, só se me assomar à janela e passar um daqueles camiões com o nome do condutor no vidro da frente! Estão a enganar as pessoas com macacadas de ficção científica! O meu Gouveia, agora, passa-me os dias com a boca encostada ao aparelho a dizer “traz-me o desportivo quando vieres da rádio”, convencido de que eu oiço. E quem é que lhe diz que isto é fantasia?! Disto, os senhores dos sindicatos nem falaram, com certeza para não se arreliarem mais, e limitaram-se a dizer que o anúncio era um ataque ao direito à manifestação.

 

O Bloco de Esquerda, que se pela por estas coisas, arranjou logo maneira de se juntar à festa: fez um vídeo com as vozes trocadas, em que o coitado do senhor Rui acaba desempregado e se anuncia uma grande manifestação para o 1 de Maio. Ao que eu pensei: Rosete, está lançada à moda para os combates políticos das próximas eleições – responder uns aos outros através de anúncios da Antena 1! Até parece que já estou a ouvir a resposta do Governo. Vai o senhor Rui descansadinho no carro e aparece o senhor Sócrates a falar: “Comprem painéis solares que são muito bons, mesmo que tenham de estar ligados à corrente”. E, depois, vira-se para o senhor Rui e diz: “Ó senhor Rui, não vá por aí que há uma manifestação. - Contra o quê, senhor Sócrates? – Contra mim! Mas são só 7 ou 8, não têm importância nenhuma. Não quer um Magalhães?”

 

Já se fosse o anúncio do PSD, imagino que fosse uma coisa mais dentro deste género: vai o senhor Rui, como sempre, e aparece a doutora Manuela Ferreira Leite: “ Ó senhor Rui, não vá por essa rua que há uma manifestação. Está a ouvir? Senhor Rui, ó senhor Rui! Raça do homem que não me ouve! Senhooor Ruiiiii!”

Publicado por Dona Rosete em 30.03.2009 às 09h6

Paraísos Fiscais

Um, dois, três, som. Olá. Hoje venho aqui falar um bocadinho sobre aquilo que o Primeiro-Ministro José Sócrates defendeu há uns dias no Conselho Europeu de se acabar com os paraísos fiscais. Mas vamos por partes. Paraíso fiscal. O que é um paraíso fiscal pergunta o ouvinte? E pergunta muito bem, que eu também não sabia, mas cheguei lá. A ver: paraíso. Paraíso já se sabe: é palmeiras, água de coco, mar muito verdinho, muito sol, pouca roupa, por aí fora. Fiscal, tem a ver com dinheiro! Então, é só juntar um mais um e perceber que um paraíso fiscal é ir para ao paraíso sem gastar muito dinheiro. Ou seja, essas viagens baratuchas que p’raí andam a paraísos como Porto de Galinhas - e aquele muito bom onde foi a minha vizinha Adelaide no Carnaval, as Seis Chelas! 

 

Agora digam-me, acham legal que o senhor Primeiro-Ministro queira acabar com isso? Eu não acho nada legal. Até porque a maioria das pessoas não tem o emprego que ele tem, nem ganha o que ele ganha. Se a ele não lhe custa pagar não sei quantos euros por umas férias, a muito boa gente custa. Olhem, a mim, por exemplo, que todos os dias é panfletos atrás de panfletos na minha caixa do correio a dizer: Punta Cana, 600 euros, tudo incluído; Varadero, 500 euros; Arraial da Ajuda, 400 euros – o que, aqui para nós, acho muito caro para ir a um arraial ali na Ajuda, mas pronto. Agora, pensam que eu não tinha vontade de ir? Mas, claro, já se sabe: vocês foram? Assim fui eu. Continuando com o senhor Sócrates, como se não bastasse querer cortar com os paraísos fiscais ainda se põe com ofichori para lá, ofichori para cá, ou seja, com palavreado de surfista. Sim, que eu conheço bem esses termos todos do ofichori e do onchori, que o meu Fiordi, aqui há uns anos, teve uma fase em que queria ser surfista. O que aquilo me custou, Jesus! Ter em casa um filho com o cabelo parecido ao do Pedro Granger. Mas, vá, aquilo passou-lhe.

 

O quê? Paraísos fiscais e ofichoris não é nada disto? Tem a ver com dinheiros em zonas onde quase não há impostos? Que disparate! O quê? Lavagem de quê? De dinheiro? Vocês têm com cada uma. Mas há alguém que se ponha a lavar o dinheiro, homem de Deus? Só na televisão, os senhores que querem vender aqueles líquidos milagrosos que lavam tudo, e que enfiam meia moeda dentro de um copo e ela sai de outra cor. Agora, mais ninguém lava dinheiro. “Ai não que não lava”?! Então agora o senhor Sócrates ia para Bruxelas falar de Finanças e de Bancos e de coisas assim? Isso não faz sentido, até porque já se sabe que ele de Bancos percebe muito pouco. Até porque, das duas uma: ou se percebe de Bancos ou se tem o Vítor Constâncio à frente do Banco de Portugal. As duas coisas é que não.

 

Bom, mas agora deixem-me ir. Falamos disto com mais calma outro dia.

Publicado por Dona Rosete em 27.03.2009 às 09h11

Sporting - Benfica

Eu tenho de desabafar uma coisa convosco, que é o seguinte: onde é que andam os homens? Humm? Não é que eu saia à rua para reparar em homens, que não saio, mas a verdade é que de há uns dias para cá, uma pessoa sai à rua e homens, que é deles? Das duas, uma: ou tem a ver com a Playboy portuguesa que saiu pela primeira vez num destes dias, ou então está tudo à porta da casa do senhor Lucílio Baptista. Sim, porque se há acontecimento que vai marcar este ano é a final da Taça da Liga. Mas também, vendo bem, o que é que há mais este ano? Há eleições europeias, eleições legislativas, mas nada que puxe assim muito pelo gosto das pessoas. Agora, em relação ao jogo em si, eu não sei por que é que as pessoas ficaram tão espantadas com o penalty que o senhor árbitro Lucílio Baptista assinalou. Então, mas já não se sabe que o homem trabalha num Banco? Então, se trabalha num Banco, logo, vê mal. Ou não têm estado com atenção àquilo que se tem passado nos Bancos, em que as pessoas que lá trabalham não vêm o dinheiro a desaparecer todo e quando dão por ela já o Banco está na falência? Está explicado o penalty. O senhor vê mal, pronto, acabou-se. E vê mal ao longe e ao perto, que também não viu o outro rapazito, o Pedro Silva, a dar-lhe um encostão com a peitaça. Ah, e por falar do Pedro Silva, eu quero dar uma sugestão aos senhores lá do Sporting: não têm por lá aquele rapazito do lançamento do peso, o Marco Fortes, que de manhã só gosta de estar na caminha? Então, quando houver uma prova de manhã, substituam-no pelo Pedro Silva, que eu reparei que ele é muito jeitoso no lançamento do peso. Neste caso, da medalha.

 

Adiante.

 

Com isto tudo há uma medida que os senhores do Sporting tomaram que eu achei bem legal, e que foi isso de deixarem a “liga” e tudo e tudo e tudo. E achei legal porquê? Porque isso da “liga” é uma coisa que já está ultrapassada, que se usava no meu tempo, mas que já não se usa, muito menos com o dinheiro que as pessoas têm para gastar. Mais a mais, da maneira que a rapaziada do Sporting estava arreliada, lá tinham disposição para rifar a “liga”. Isso é giro quando as festas estão a correr bem, o que não foi o caso.

 

Ah, antes que me esqueça também quero deixar uma palavrinha ao senhor, quer dizer, ao Doutor José Mourinho, que recebeu o Título Honoris Causa da Universidade de Motricidade Humana. Eu fiquei muito contente, porque se há alguém com motricidade é ele, que não pára quieto um bocadinho. Ora está em Portugal, ora em Inglaterra, depois em Itália. Se não fosse treinador, havia de ser Primeiro-Ministro, tal não é o gosto por viajar de um lado para o outro. Agora, não acho nada legal que ele não queira ser tratado por Doutor. Não quer porquê? Olhe, que o Honoris Causa não é da Universidade Independente, Doutor Mourinho!

Publicado por Dona Rosete em 26.03.2009 às 09h5

Redução nas Prestações

Eu hoje queria falar de uma ideia que o Governo teve para ajudar os desempregados a pagar as prestações do crédito da casa, e que me fez lembrar aqueles anúncios da teleshop a pomadas para emagrecer: também prometem reduzir metade da banha mas, vai-se a ver, e aquilo só funciona se uma pessoa deixar de comer. Quando ouvi o engenheiro Sócrates a anunciar que as pessoas que ficaram desempregadas derivado da crise só vão ter de pagar 50 por cento da prestação da casa, pensei: “olha, que medida tão jeitosa!”. Pensei eu, e uma data de ex-administradores de bancos falidos, que devem ter ido a correr tirar a placa de “vende-se” da vivenda da Quinta da Marinha.


Como eu já ando nisto há algum tempo, e sou uma pessoa que nem na mercearia do senhor Antunes, que está sempre a roubar no peso da fruta, me deixo enganar, pus-me a analisar esta medida. Portanto, é assim: o Governo paga agora metade das prestações ao banco, que sim senhor, e não se fala mais nisso. E depois, daqui a um ano e tal, o Governo aparece lá em casa outra vez, a pedir o dinheiro de volta e mais uns jurozitos, coisa pouca. Uma medida que em Economia é conhecida como: “eu convido-te para jantar, sim senhora, mas depois lavas-me a loiça e arrumas-me a cozinha, e se não for abusar muito, ainda me passas a roupa a ferro, ok?”.


Se calhar, isto tudo até está muito bem mas, uma coisa eu tenho de dizer ao senhor engenheiro Sócrates: se quer fazer coisas destas, faça. Mas não as venha anunciar assim, porque quando o senhor fala a gente não consegue ver a letra miudinha, que é onde costuma estar a marosca dos contratos. Se quer fazer as coisas como deve de ser, faça como aqueles anúncios para comprar automóveis, em que no final aparece um senhor a falar muito depressa e a explicar quanto é que a pessoa fica realmente a pagar. Uma coisa, mais ou menos assim: O senhor primeiro-ministro subia ao palanque e dizia: “O governo vai pagar metade das prestações ao banco.”. E, depois, por cima do ombro, aparecia um homenzito a dizer: “mas não joguem no Euromilhões todas as semanas, não, que daqui a um ano e meio quando tiverem de pagar tudo o que devem e ainda continuarem desempregados é que vão ver como elas mordem!”
 

Publicado por Dona Rosete em 25.03.2009 às 09h5

OS Debates no Twitter

Bom, antes de passar ao assunto do dia, queria fazer o chamado parêntesis e falar de uma questão que muito me tem apoquentado e que tem que ver com aquela terra com nome de filme de desenhos animados, Madagáscar. Parece que houve um golpe de estado, que afinal não é, e que anda para lá tudo a zaragata. E eu queria pedir aos senhores ouvintes que me ajudassem a fazer uma petição para acabar com aquela salganhada. Não só por causa do povo de Madagáscar, que está a sofrer, mas sobretudo por causa dos nossos jornalistas, que desde que aquilo começou andam cheios de cãibras na língua a tentar dizer os nomes de lá. Nenhum – nenhum! – jornalista deveria ser obrigado a dizer mais do que duas vezes ao dia coisas como: Antananarivo, Rajoelina e Ravalomanana! Olha se a seguir têm de dar uma notícia sobre políticos do CDS-PP, hum? Vão de Ravalomanana para Narana nananana?! Isto está legal? Não está legal! Senhores dos países estrangeiros, se querem fazer revoluções, façam. Mas certifiquem-se primeiro de que têm nomes que os jornalistas conseguem dizer sem se magoar! Entendidos?


Bom, e uma vez que estamos no domínio dos nomes esquisitos, vamos então ao assunto de hoje: o debate quinzenal na Assembleia e a bronca que houve nessa coisa nova que há agora na Net, o Tuita. Eu, até agora, estava convencida de que o Tuita era um serviço tipo TelePizza, para a pessoa ligar a pedir comida, e que até a Alberta Marques Fernandes usa muito quando lhe apetece hambúrgueres. Mas, não. Ora, como eu sou uma pessoa que até tem um blogui, fui ver o que é isso do Tuita. E fiquei muito contente por perceber que Tuita, já eu faço há muito, e até sou uma grande especialista. Porque aquilo não é mais do que uma pessoa estar à porta de casa e, quando passa uma vizinha, diz-se: “Então, o que é anda a fazer?”. “Olhe, agora vou ali à mercearia.” E depois, passa outra vizinha: “Bom dia, então e a senhora?” “Olhe, eu venho da peixaria. Diz que a dona Aurora está muito mal, com uma salada russa que comeu ontem”. E depois, vai chegando mais gente, e fica-se ali uma manhã inteira, a pôr em dia o que é que o bairro todo anda a fazer, até se ter de ir para dentro porque o almoço já está a queimar no lume.


Ora, o Bloco de Esquerda ficou muito ofendido porque o Tuita do Plano Tecnológico, que é do governo, passou o debate da Assembleia a dizer coisas muito boas sobre a actuação de engenheiro Sócrates, e que isso é propaganda desleal. Ao principio, não percebi porque é que estavam tão danados. Se era coisa do Plano Tecnológico, havia de ser, com certeza, outro defeito do Magalhães. Só depois é que entendi a revolta. É que no Tuita só dá para escrever até 140 caracteres. Ora, 140 caracteres chegam perfeitamente para dizer coisas boas sobre o Sócrates, mas para dizer mal, nem 5 mil! E assim o Bloco não consegue dizer nada. Compreende-se! Pronto, e por hoje é tudo. Deixa-me cá, então, avisar no Tuita que já está: “Acabei a crónica. Vou apanhar o autocarro. Está um dia muito bonito e não deve chover. Daqui a bocado vou ter fome. Lol lol lol.”
 

Publicado por Dona Rosete em 24.03.2009 às 09h7

Ciganos no Contentor

 A petizada metida num contentor / Adeus ó meus amores / Que vocês são / De outro mundo...
Ai já aí estavam? Desculpem lá, mas é que eu sou muito reinadia e gosto muito de cantar! Ora eu hoje venho falar de discriminação. Mas atenção, não é uma discriminação qualquer: é aquele tipo gostoso de discriminação – a discriminação positiva! Porque ela existe, senhoras e senhores, e acho que pode ser um bom caminho a seguir para certos portugueses, que andam por aí todos irritados a dizer que os estrangeiros andam a roubar o trabalho aos nossos e que nunca deixariam que as suas filhas casassem com indivíduos de outras cores. Com a discriminação positiva, uma pessoa pode continuar a ser racista, sim senhor, mas sem aquela carga de maus fígados que vem com isso. Ou seja, uma pessoa pode ser racista de uma forma amiguinha.


Ora veja-se o que sucede em Barcelos. Numa escola lá do sítio, uma turma de dezassete meninos, todos eles de raça cigana, foi separada do resto dos alunos. À partida isto parece uma coisa má, mas a parte positiva é que, senhoras e senhores, esses 17 petizes... TÊM UM CONTENTOR TODINHO SÓ PARA ELES!
É caso para dizer: viva o luxo! O que é que sucede? Sucede que há muita gente a revoltar-se contra esta situação e a dizer que aquilo não é maneira de tratar os jovens. Eu acho que percebo a lógica daquilo. Eles pensaram: ora bem, temos aqui pessoas de uma etnia que está habituada a viajar por todo o lado. Ora onde é que eles se podem sentir realmente bem? Dentro de uma coisa que costuma viajar por todo o lado. E eles pensaram: então metemos a rapaziada dentro de uma mala de viagem? Não, que é capaz de ser pequena demais. Então o que é que também viaja por todo o lado mas tem mais espaço? Um contentor! Portanto, que não se venha dizer que isto não foi pensado, porque há aqui coisas que mostram que houve raciocínio.


A directora regional de educação do Norte diz que isto é um exemplo de integração social – parece que aquela petizada tinha abandonado a escola e andava por aí, e que agora, graças ao contentor, voltaram todos para a escola. Querem ver que é este o segredo para interessar a juventude na escola? O pior é que nem todas as escolas devem ter o dinheiro desta para investir num caixote de latão todo pipi. Às escolas menos endinheiradas, o meu conselho é: há uns sacos pretos de plástico muito bons, nos supermercados, que se vendem assim num rolo, e alguns são mesmo muito grandes. Com jeitinho, aquilo ainda é coisa para caberem lá dentro três ou quatro moços dentro de cada. Uns seis ou sete sacos dá para meterem lá dentro uma turma inteira e aquilo não deixa entrar chuva, que eu uma vez usei um desses enfiado na cabeça para ir do mini-mercado até casa e cheguei a casa sequinha. Pensem nisso, está bem? Se é para discriminar, vamos lá discriminar em termos!

Publicado por Dona Rosete em 23.03.2009 às 09h4

O Papa em África

 Isto, hoje em dia, uma pessoa já não pode fazer nada que vem logo uma data de gente copiar. Foi preciso o senhor engenheiro Sócrates lembrar-se de ir visitar Cabo Verde para agora estar tudo a querer fazer mesmo. É que até o Papa! É o que eu digo, não podem ver nada! Só que o Papa, pronto, já que tem de fazer uma deslocação tão grande, sempre vai aproveitar para visitar a África toda. Já o engenheiro Sócrates, prefere que a África toda visite Portugal... Que visite Portugal, se instale, compre bancos e tome conta dos negócios, que da maneira como as coisas estão, eles são capazes de ter muito mais jeito do que nós.
Uma coisa de que eu me apercebi, neste périplo papal pelo continente africano, é que o Bento XVI não é nada parvo. Vejam lá se ele não começou logo a viagem como uma patuscada? “Como assim, patuscada?”, pergunta o amigo ouvinte e com razão. E eu respondo. Patuscada, sim senhor, que eu bem vi nas notícias: “Papa começa pelos Camarões”. O espertalhão! Como a viagem é grande, vai já aconchegado com uma bucha, que aquilo lá para a frente é como as prateleiras do LIDL em dia de promoção nos enlatados: fica só o sangacho e mesmo assim é preciso andar à porrada com dois russos e uma senhora de idade para o conseguir levar para casa. De qualquer maneira, eu acho que faz todo o sentido começar a viagem desta maneira. O papa Bento XVI não é alemão? Alemanha não é a terra da cerveja? Ora, o que é que vai bem com a cerveja, especialmente, onde está calor? Camarões, pois está claro! Deve ter sido isso que ele pensou, com certeza.
Eu por acaso, gostei muito de ver as imagens da chegada do Santo Papa a terras africanas. E tenho a certeza que os africanos, quando o viram chegar também ficaram muito mais descansados. Como eram tantos, ao menos se se perdessem dos amigos, já tinham um ponto de referência: era só marcar encontro ao pé daquela coisa branca. Ahahah!
O que eu já não gostei tanto foi de ouvir o santo Papa dizer que os problemas da Sida não se resolvem com a distribuição de preservativos mas sim com a abstinência sexual. Com todo o respeito, senhor Papa... Abstinência Sexual? Isso está muito bem para a sua eminência, que é lá do Norte, onde faz muito frio e as pessoas ficam sossegadinhas em casa a ver televisão e a fazer crochet alemão. Agora, em África? Com aquele calor todo, senhores? Então, para isso, um bom remédio, não é acabar com os preservativos, é acabar com as festas de Kizomba. Porque aquilo, realmente, é uma música que... quem é que aguenta, valha-me Deus? Bem, deixa-me cá ir que até já me está a faltar o ar... ui, isto sim é uma onda de calor!

Publicado por Dona Rosete em 20.03.2009 às 09h8

Manuela e Rania

... de maneira que quando cheguei finalmente à casa da Arlete já a senhora da Tupperware se tinha ido embora. E o conjunto de 3 caixas com tampa de vidro, para pôr a mortadela e o flamengo, e que eu ando há tanto tempo a namorar, olha, conseguiste-o tu? Assim consegui eu! Ai, fiquei tão danada... Bem, eu nem sei se alguém me está a ler. Será que está?
Bom, e nem de propósito, eu hoje quero falar das recentes declarações da doutora Manuela Ferreira Leite que, coitadita, se foi queixar aos colegas do partido de que ninguém a ouve.
“Eu não digo que tenha gritado, nem falado muito alto, porque os meus tons nunca são de uns decibéis muito elevados mas, em todo o caso, estamos fartos e cansados de chamar a atenção para estas questões. E eu direi que quase ninguém nos ouve.”
Isto foi o que a Doutora Manuela Ferreira Leite disse. O resto, confesso que não sei, porque entretanto me deu um ratito no estômago e eu tive de ir à cozinha e já não lhe prestei atenção.
Mas, realmente, fiquei sensibilizada, e já que mais ninguém o fez, e até porque eu e esta senhora estamos unidas pela mesma convicção – a de que o cabelo ripado nunca sai de moda -, achei que era meu dever explicar à doutora Manuela Ferreira Leite porque é que ninguém a ouve.
Primeiro, vamos cá ver uma coisa: onde é que a doutora estava quando proferiu estas declarações? Num jantar. E o que é que costuma acontecer quando a doutora Ferreira Leite se apanha no meio de gente que está sentada a comer? Começa a suspender a democracia por seis meses e a meter o pezinho na poça. Ora, é natural que as pessoas à sua volta tapem os ouvidos, como os garotos, e se ponham a assobiar, tal é o medo de que venha para aí outra ideia peregrina, tipo: vamos desenterrar o Salazar, tirar-lhe fotocópias, e pôr uma em cada esquina, só para ver o que acontece.
Mas a principal razão, eu vou já dizer qual é: com tantas oportunidades que teve ultimamente, a doutora Ferreira Leite, escolhe exactamente a visita da Rainha Ranha para mandar a sua boca?! Como é que queria que alguém ouvisse alguma coisa, se a homenzarrada estava toda ocupada a apanhar a baba que escorria do queixo? Hum? Aquilo não havia uma enchente tão grande na Assembleia da República desde o dia em que o médico foi lá passar justificações para faltas e serviram cozido à portuguesa na cantina. Se a doutora Manuela Ferreira Leite queria ser ouvida, escolhia a visita de um chefe de estado baixinho e barrigudo, que viesse cá falar de salsichas e cabos de aço. Agora, assim, com a Rainha Ranha... ó senhora, até o Pacheco Pereira deve ter desligado o blogue e ficado a ver a transmissão na TV! Olha, agora, ouvir a doutora Manuela...
Eu por acaso, admiro a Rainha Ranha. É uma espécie de Catarina Furtado da política, só que não nos maça com programas de televisão.
 

Publicado por Dona Rosete em 19.03.2009 às 09h4

Georgia Desclassificada

Então não é que a cantiga que ia representar a Geórgia no Festival Eurovisão da Canção foi desclassificada? Ao que isto chegou, realmente! Diz que tinha boquinhas de carácter político contra o primeiro-ministro da Rússia, o Vladimir Putin, e por isso as pessoas que mandam no Festival da Eurovisão lá enviaram um comunicado para a Geórgia a dizer, “temos pena”. Os senhores da Geórgia, se queriam gozar com alguém, deviam aprender com as nossas canções do Festival. Que gozam discretamente. Olha, por exemplo, “A Tourada”. Era a gozar com o governo. E as que temos levado à Eurovisão nos últimos anos. Eram a gozar com os telespectadores.


A verdade é que o agrupamento que ganhou o nosso Festival RTP, este ano, os Flor-de-Lis, também não gramam o nosso governo e a cantiga deles é a insultá-lo. Ora vejam.
 “SE SOU TINTA, TU ÉS TELA”.
Que é como quem diz: “Tem vergonha, ó governo, nós, o povo, votámos em ti; pusemos a cruz, com a tinta, no quadradinho em branco – que é a tela.”
“SE SOU CHUVA, ÉS AGUARELA”.
Que é como quem diz: “E agora estamos tão desiludidos que choramos e só nos apetece borrar-te a pintura.”
 “SE SOU SAL, ÉS BRANCA AREIA”.
Que é como quem diz, “lá por teres poder não és melhor que o povo. O povo é o tempero, tu és um sedimento sem utilidade nenhuma.”
 “SE SOU MAR, ÉS MARÉ CHEIA”.
Que é como quem diz: “Nós os eleitores somos o mar, estamos aqui. Já tu, tem cuidadinho, porque tanto estás aqui hoje como amanhã já não estás... com as marés. E estás cheio, pois claro que estás – com o nosso dinheirinho!”
 “SE SOU CÉU, ÉS NUVEM NELE”.
Que é como quem diz: “Uma nuvem e das mais negras!”
 “SE SOU ESTRELA, ÉS DE ENCANTAR”.
Que é como quem diz: “Bem me enganaste com o teu feitiço, mas não me apanhas noutra!”
 “SE SOU NOITE, ÉS LUZ PARA ELA / SE SOU DIA ÉS O LUAR”.
Que é como quem diz: “Assim que chegam ao poleiro fazem tudo ao contrário do que o povo estava à espera!”
Danados, estes Flor-de-Lis. E estão logo a cometer duas infracções: uma, mandarem boquinhas contra o Governo numa canção do Festival; a outra, ganharem o Festival com uma canção que não fala do mar! Eu cá, penalizava-os!
“SE SOU MAR, ÉS MARÉ CHEIA”.
Aaaah, pronto, não tinha reparado. Pois, é que tem de ser. Eu acho que até veio no “Diário da República” e tudo e tudo e tudo: canções portuguesas na Eurovisão, só as que falam do mar. Que é para terem chances de ganhar... Não é?


 

Publicado por Dona Rosete em 18.03.2009 às 09h10

Portugal e as Áfricas

Olá. Eu hoje venho aqui a este meu espacito radiofónico dizer uma ou duas coisas sobre todas estas recentes relações de Portugal com Angola e de Portugal com Cabo Verde e de Portugal com tudo e tudo e tudo. Primeiro, tenho a dizer que acho muito estranho que o senhor Sócrates, que é uma pessoa que aprecia muito vestir um calçonete curtinho e ir correr, não se tivesse também lembrado de fazer um acordo qualquer com o Quénia. Tipo… mandava qualquer coisa para lá e eles deixavam-no ganhar uma maratona ou outra. Mas, bom, ele é que sabe. Agora quero dizer umas coisitas sobre a visita do Presidente de Angola a Portugal e aquela iniciativa maluca de criarem um Banco. Sim, iniciativa maluca! Criar um banco hoje em dia é muito perigoso. Primeiro, porque corre sempre um risco muito grande de ser assaltado por pessoas de fora. E, segundo, porque corre um risco ainda maior de ser assaltado por pessoas de dentro. Ou já não se lembram do que se tem passado em alguns bancos, em Portugal, nos últimos tempos. É que com tanto negócio para fazerem juntos, vão logo fazer um banco… Investissem num restaurante africano de take-away, que é uma coisa que dá muito jeito aos casais novos que não gostam de fazer comida, ou até mesmo numa discoteca, que os angolanos é tudo gente que gosta muito de dançar até às tantas da noite. Mas, não. Um banco! O que faz isto é os angolanos terem muito dinheiro e estarem a entrar em força na Banca portuguesa. A meter o pilim. É que, coitados, estão lá longe, não ouvem falar do senhor Vítor Constâncio e do senhor Oliveira e Costa e tudo e tudo e tudo, e investem o seu dinheiro na Banca portuguesa, benza-os Deus. E por falar em estar lá longe, o senhor Sócrates foi há uns dias a Cabo Verde e muito se falou de ele levar consigo nove ministros. Eu não sei qual é o espanto disto, sinceramente. O que é de espantar é o senhor Sócrates ter ido no mesmo avião que o senhor Manuel Pinho e não terem desatado a fumar. Isso, sim, é de espantar.


Agora, acho muito bem os nossos Ministros irem lá para fora aprender com países mais desenvolvidos do que o nosso, como é o caso de Cabo Verde. Aquilo não é à terra do senhor Barata Osama, o presidente dos Estados Unidos? Então, só pode ser um País muito desenvolvido. Hã? Não é o quê? O senhor Barata Osama não é de Cabo Verde? Mas não é o quê? Tenho uma senhora minha amiga que morou lá muitos anos e que me disse que a mãe do senhor Barata era quem lhe passava a roupa, olha agora não é. Oh! Bom, agora vou andando que isto uma pessoa já nota no trânsito que o senhor Sócrates voltou lá de fora com a sua comitiva toda.
 

Publicado por Dona Rosete em 17.03.2009 às 09h9

O Futebol Português

Amigos ouvintes, estimado auditório, gostava de começar o meu rol semanal de crónicas, com um assunto que muito me tem pesado no coração e que foi, sem dúvida, a grande notícia da semana passada. Falo-vos, é claro, da tragédia que sucedeu na Alemanha, em que um rapaz acabou com os sonhos de 15 jovens. O rapaz, se não me engano, chamava-se Podolski. Ou então, Schhweinsteiger, ou Muller... não me recordo. E os 15 rapazes eram os onze jogadores do Sporting, mais os suplentes e aquele senhor de risco ao meio que diz que os treina. Que tragédia, senhores, que tragédia. Toda a gente sabe que, em matéria de futebol, não sou grande especialista, e no que toca ao torcer e fazer figas só tenho um clube: o FêCêRê – “Futebol Clube Ronaldo”, que, por acaso, até ganhou a um outro clube que eu também aprecio e que é o SMB – “Sou Muito Bom”, também conhecido por José Mourinho. Mas esta desgraça que se abateu sobre o Sporting tocou-me, o que é querem? Quando o meu Gouveia estava a ver o jogo, eu estava na cozinha a fazer uns croquetes com os restos da carne assada do almoço, e pelo som que vinha do aparelho até cheguei a pensar que a Páscoa tinha vindo mais cedo e já estavam a passar aqueles filmes da Bíblia que costumam dar nesta época. É que aquilo era uma autêntica crucificação. Ouve ali uns momentos em que tive mesmo a certeza que estavam a transmitir a Via Sacra - sabem, aquela cerimónia em que vai o senhor santo Papa com uma cruz às costas e há um individuo que diz “Jesus cai pela terceira vez”? Pronto, essa. Só que depois percebi que não era, porque a frase que se ouvia era “Polga faz asneira pela terceira vez”. Embora, no início tivesse dúvidas, porque cruz para carregar, por acaso havia. Não era de madeira, como manda a lei, e tinha a cara chapada do Miguel Veloso, mas lá que era pesada, era!


Olhem, fiquei tão agastada com tudo aquilo que fui logo buscar ao porta-moedas uma nota de cinco euros para o caso de ser preciso fazer uma colecta para ajudar aqueles pobres coitados. Porque, pensei eu, haviam de estar todos no olho da rua no dia seguinte, que eu bem vejo nos canais internacionais que é assim que eles fazem lá fora. Mas não. Não aconteceu nada. O que só prova que a crise na banca nacional também já chegou aos clubes portugueses. Pelo menos, eles estão a usar a mesma estratégia que os nossos banqueiros: mesmo quando já toda a gente percebeu que se está na bancarrota, ainda está o Vítor Constâncio a perguntar “crise, qual crise?”. É ou não é, senhores do Sporting?


Ai, ai... bom, vou mas é ver como ficou o resultado do meu clube, o FêCêRê, que esse não me dá desgostos. Muito menos agora, que descobri porque é que ele assina sempre com o número 7 – são os sete altinhos que fazem aqueles abdominais que ele tem, malvadão! Borracho, um borracho!
 

Publicado por Dona Rosete em 16.03.2009 às 09h7

Tiroteios

Bem, vamos cá dar início a isto, que o Director aqui da rádio sem fios já virou a ampulheta ao contrário. Ora bem, eu hoje venho aqui falar de um tema que me tem preocupado muito nestes últimos dias, e que ao contrário de muitos portugueses, não é o fim do namoro entre a Rita Pereira e o Angélico. Eu ando preocupada é com todas estas cenas de tiroteio que têm acontecido nos últimos dias, em Lisboa. Sim, porque isto são coisas muito chatas que não podem acontecer. É que uma coisa são os assaltos, que uma pessoa, mal ou bem, já se vai habituando. No trânsito, por exemplo. Aqui há uns anos uma pessoa só era roubada no trânsito quando andava de táxi. Agora, não. Há isso do carjequi, que com um nome tão pouco português bem que podia ser o nome de um disco do David Fonseca. Bom, mas como dizia, em relação aos assaltos, eu própria, que tinha o hábito de fazer a cama à hora de almoço – para os lençóis arejarem toda a manhã – hoje em dia, faço a cama logo de manhãzinha. Claro, porque isto hoje uma pessoa nunca sabe quando é que a sua casa vai ser assaltada e eu não quero que os gatunos fiquem a pensar que eu sou uma desmazelada que nem a cama faz. É que estas coisas depois vão passando de boca em boca e uma pessoa fica mal falada. Mas, lá está, uma coisa é os assaltos, que já é normal, outra coisa são os tiroteios. Pronto, eu sei que muitas vezes é difícil conviver com outras culturas e tudo e tudo e tudo, mas desatar aos tiros não é solução. É que se fosse, como é que era, por exemplo, no balneário do Benfica, que aquilo é cada um de sua raça? Havia de ser bonito… Por isso, eu digo que é preciso ter um bocadito de calma, até porque vamos a ver uma coisa: há pessoas nesses bairros problemáticos que estão em casa, sossegaditos, a querer ouvir a novela, e não estão para estar sempre a levantar o som da televisão por causa da porcaria do barulho dos tiros. Ou sujeitos a uma tiro entrar pela janela a dentro e fazer um buraco num cortinado… É ou não é, senhores pistoleiros? Resolvam lá as coisas de outra maneira, mais civilizada: à porrada, ou isso…


Mas vá, o ministro da Administração Interna, o senhor Rui Pereira, já veio dizer que disponibilizou os meios necessários para controlar esta situação. Isto é, três ou quatro polícias. Mesmo assim, com tanto polícia, isto não me parece que resolva o problema, até porque na noite em que se deu aquela confusão toda lá nas Olaias, o que é que os polícias fizeram? Prenderam um homem em Carnaxide que tinha um “magnum” no bolso. Ora, eu não percebo muito de crimes, mas acho que uma pessoa lá por trazer um gelado consigo no Inverno não é razão para ser presa. Querem prender, prendam os bandidos. Tudo bem que um magnum gelado, atirado à cabeça de uma pessoa, deve doer, mas mesmo assim… E com isto a ampulheta já despejou a areia toda. Até amanhã.
 

Publicado por Dona Rosete em 13.03.2009 às 09h8

Erros do Magalhães

As pessoas, também, quando é para maçar, não deslargam um indivíduo. Estava o engenheiro Sócrates a pensar que mais nada lhe podia acontecer, e lá se puseram a implicar outra vez com o Governo, agora porque o Magalhães, o computador, dá erros de português. E eu pergunto: ó senhores, mas errar não é humano? Então se é humano, isso só prova como o Magalhães é um computador ultra-avançado! A sério – olhando para estes erros que agora foram divulgados, parece-me que o Magalhães está mesmo a um passinho de fazer coisas nunca vistas num computador como... escarrar no chão, por exemplo!
“Erros, erros”... Ó senhores, não percebem que o facto do Magalhães falar mal é para o aproximar da petizada, que cada vez fala e escreve pior? Aquilo faz tudo parte de um plano. Se as coisas estivessem bem escritas, como é que a rapaziada percebia o que é que a maquineta queria? O Magalhães é o primeiro computador que fala a língua da juventude, estão a compreender? Por isso é que em vez de “jogaste”, tudo junto, ele diz “jogas”, tracinho, “te”. E em vez de “gostaste”, ele diz “gostas”, tracinho, “te”.


Diz que o Magalhães diz lá, a certa altura, “neste processador, podes escrever a texto que quiseres”. Isto de falar de uma coisa masculina como se fosse feminina – “a texto” – é uma coisa que eu, até agora, só tinha ouvido na boca de uma pessoa: a mulher-a-dias ucraniana dos senhores do terceiro direito, lá do meu prédio. O que mostra como o Magalhães não só fala a língua da juventude, mas também a dos imigrantes que escolheram o nosso país como a terra das oportunidades. E é! Olha, uma coisa em que eles podem trabalhar agora cá, é a fazer correctores ortográficos para o Magalhães! Tenho a sensação que se abriu aí um nicho de emprego, com esta linguagem, vamos chamar-lhe, universal que o nosso Magalhães fala agora.


O computador ainda diz, por exemplo, e a respeito ainda dos textos, que se o petiz que o estiver a usar, estiver a escrever um texto, pode “gravar-lo e continuar-lo mais tarde”. Eu acho que isto não é erro; isto soa-me é a português antigo. O que faz sentido – o computador tem o nome de um navegador dos Descobrimentos e fala como ele!


O Ministério da Educação, perante tanto dedo espetado na direcção dele, lá emitiu um pedido de desculpas. Aliás, eu trouxe-o aqui, posso lê-lo. Diz assim: “Como houveram protestos, o Munistério pede desculpas ao pessoal a quem isto trusse sarilhos. Deve de ter sido munto prujudicial. Obrigadinhas.”
 

Publicado por Dona Rosete em 12.03.2009 às 09h4

Naturalizações na Selecção

…pois não sei, Luízito. Por um lado, é lêgal pensar que podia haver alguém que fizesse golos na Selecção. Por outro lado, qualquer dia uma pessoa quer cantar o hino antes dos jogos e não sabe. Eu, por exemplo, a única música brasileira que sei de cor é aquela do Roberto Carlos, do “calhambeque”, (começa a cantar) “o calhambeque bi-bi, quero buzinar o calhambeque, bi bidu bidu bidu bidu”. (pára) Já está o quê? A gravar? Ai meu Deus. Bom, eu hoje, como já devem ter percebido, venho aqui à rádio sem fios falar-vos um bocadito desta questão toda de naturalizações na Selecção Nacional. E como estava aqui a dizer ao Luízito – que é o rapaz que mexe aqui nestes botões todos – eu estou um bocadito dividida em relação a este assunto. O que é que querem? Estou dividida, pronto! O meu Gouveia, lá em casa, é que me costuma dizer: “ó minha Bo Derek de cabelos pretos, como é que tu podes estar dividida, mulher? Tu já pensaste que se não aceitassem naturalizados na Selecção, o Carlos Queirós, que é moçambicano, não podia treiná-la?” E eu admito, que visto por esse lado, a coisa até parece fácil de uma pessoa se decidir, mas depois pensamos no Hugo Almeida e no Nuno Gomes e lá ficamos nós com dúvidas outra vez. Porque, sejamos honestos, o Liedson dava muito jeito na equipa portuguesa, e por duas razões: primeiro, porque marca golos; segundo, porque se no próximo Mundial forem novamente os adeptos portugueses a empurrarem o autocarro da Selecção – como mostrava o anúncio – o Liedson vem mesmo a calhar porque é levezinho. Agora, com o que eu não posso concordar é que os jogadores estrangeiros só queiram jogar por Portugal porque não conseguem jogar pelas selecções dos seus países. Isso não é lêgal. Tudo bem que a Selecção de Portugal hoje em dia é treinada por um senhor que ainda anda a aprender, que ainda era treinador-adjunto há uns meses, e tudo e tudo e tudo, mas mesmo assim há que ter orgulho em vestir a camisola de Portugal. É que, parecendo que não, a Selecção Nacional já fez muito por muitas pessoas. Não por aqueles campeões de Riade que acabaram a trabalhar nas obras, mas, olhem, pelo Cristiano Ronaldo, por exemplo, que hoje é o melhor jogador do Mundo, e que quando começou a jogar pela Selecção, nem os dentes todos da frente tinha. Vejam-no hoje, ali com uma placa dentária que faxavôr. Até brilha.
Por isso, se é só para virem por interesse próprio, mais vale que não venham. É que, para isso, acho bem mais importante e urgente naturalizarmos uns quantos brasileiros para animar o nosso Carnaval, que ainda consegue ser mais triste do que as tácticas do Carlos Queirós, ou o cabelo do Agostinho Oliveira, valha-nos Deus. Ai ai…

 

Publicado por Dona Rosete em 11.03.2009 às 09h9

Idosos com HIV

Uma pessoa não pode dizer que já viu de tudo neste Mundo. É que mesmo já depois de ter visto um africano na Casa Branca, o Santana Lopes a Primeiro-Ministro e a Manuela Moura Guedes a fazer de Tina Turner, não é que no outro dia li uma notícia que diz que está a aumentar o número de idosos com o vírus da SIDA. Idosos, vejam-me bem! Olhem, o Mundo está de tal forma maluco que já nem os velhotes escapam. É certo que há muitos velhotes que passam o dia na cama, mas nunca pensei que uma coisa tivesse a ver com a outra.
Bem, posto isto, acho que é meu dever – não só como comentadora e pessoa que já não vai para nova, mas, porque sou uma pessoa que gosta de ajudar o próximo – de dar uns conselhos aos mais idosos para ver se não apanham esse vírus da SIDA, que isso não é nada lêgal, nem dá saúde a ninguém. Eu não sei se viram aquele filme do “Filadélfia”, mas eu vi e posso-vos dizer que o actor – que até era todo jeitoso no início do filme – ficou com um aspecto no fim do filme, que mais parecia que tinha sido interrogado na Policia Judiciária: todo ele era nódoas negras. Por isso, aqui vão uns conselhos da Dona Rosete para os mais velhotes não apanharem a dita SIDA. Primeiro: quando vão para o jardim jogar às cartas, ponham sempre um paninho debaixo do rabiosque, pois não sabem quem é que esteve sentado no mesmo lugar, e eu já ouvi muitas vezes dizer que é por essa zona do corpo que muitas vezes entra o vírus; Segundo: nada de jogar à bisca lambida. A saliva é muito, muito perigosa, para além de esse hábito de lamber os dedos antes de jogar a bater a carta na mesa ser muito badalhoco. Querem molhar os dedos antes de jogar cada cartada, ponham um balde de água ao lado do assento e vão molhando a mão. Não custa nada; Outro conselho: evitar os fritos. Sim, porque tudo o que é frito faz muito mal ao coração, e já se sabe que uma pessoa quando anda com o coração num trapo, faz muitas vezes coisas que não deve. Olhem a menina Elsa Raposo; Outro conselho: usar sempre o “capacete”, sempre. Já se sabe que grande parte dos idosos anda muito de motorizada, e se tem o azar de cair, aquilo pode fazer sangue, e o sangue é das coisas que mais provoca a SIDA. Excepto o da cabidela, que só provoca um bocadinho de azia se abusarmos no vinagre. Por isso, já sabem: usem sempre capacete; Também antes que me esqueça: nos bailaricos, faxavôr de usar um lencinho na palma da mão, quando forem dançar com o par, pois com o suor não se brinca; Agora, por último: nada de dar comidinha aos pombos, senhores velhotes! Não que se apanhe o HIV ao fazê-lo, mas é que depois os pombos ficam com o estômago cheio e já não é a primeira nem a segunda vez que descarregam em cima da roupa que tenho na corda, e não é lêgal. Vá, agora deixem-me ir, que não quero apanhar a hora de ponta no autocarro, que aquilo com os encostos também nunca se sabe se o vírus passa ou não passa. Cá beijinho muito grande.
 

Publicado por Dona Rosete em 10.03.2009 às 09h3

Tribunal de Gaia

Há pessoas que, sinceramente, são más línguas. Parece impossível dizerem que a justiça em Portugal é lenta. Pronto, talvez seja lenta dentro dos tribunais; agora, fora dos tribunais, mais precisamente à porta, até me parece que é capaz de ser um bocadinho rápida demais.
Breve som do momento em que CAROLINA SALGADO é insultada e agredida à porta do Tribunal de Gaia.
ROSETE
Pois é! Numa cena que, apesar de ter durado poucos segundos, conseguiu ter mais drama, espectacularidade e interesse do que o filme “Corrupção” inteiro de uma ponta à outra, Carolina Salgado foi insultada a torto e a direito à saída do tribunal. Não sei se viram as imagens na televisão, mas à porta do tribunal estavam senhoras de idade que mostraram a sua indignação contra Carolina, gritando aquilo que se espera que qualquer senhora de idade defensora da moral e da boa conduta grite...
Excerto do som onde se ouvem as senhoras gritar palavrões (pode colocar-se um apito).
ROSETE
Assim, sim! Carolina Salgado é uma badalhoca, mas o que vale é que há pessoas, ao contrário dela bem educadas, capazes de lhe dar um raspanete.
Mas a coisa não ficou pela gritaria. Tanto assim que Carolina teve de ir para o hospital, alegando que uma moça que lá estava lhe afinfou um bofetão que lhe provocou um traumatismo parietal. A moça diz que o ataque não teve a ver com futebol, mas sim com o facto da Carolina ter andado enrolada com o homem dela. Diacho, se agora toda a gente que alega isso fosse para a porta do Tribunal de Gaia, mais valia à nossa Carolina comprar um Papamóvel para sair do tribunal. Não era preciso ser daqueles à prova de bala – bastava que fosse à prova de chapada, que é natural que seja mais barato.
Eu, sinceramente, acho que este ataque acaba por ter a ver com futebol, sim senhor – tanto assim que eu dei por mim a ver a repetição do bofetão, para ver se houve mesmo falta. Até pus o vídeo na câmara lenta. Foi pena o árbitro, o Augusto Duarte, não ter podido ir a esta primeira sessão do julgamento, não só porque é réu, mas também porque neste caso podia logo sacar do apito e do cartão vermelho. Ou então não. Não sei se ele agora, por causa disto, está em saldos.
Soube também pelas notícias que toda a gente apanhou um grande susto quando um senhor de idade que assistia à audiência e que caiu para o lado a dormir, nunca mais acordava, nem com toda a gente a abaná-lo. Afinal estava vivo. É no que dá os idosos terem muito tempo livre: vêem tudo o que dá na televisão e depois aprendem coisas. Eu sei, porque vi o mesmo documentário que ele, no Nacional Geógráfique. Aquele em que ensinavam que perante alguns animais selvagens, o melhor ainda é uma pessoa fazer-se de morta!
 

Publicado por Dona Rosete em 09.03.2009 às 09h10

Hackers Freeport

Outro dia passei ali pelo Fripóre, em Alcochete, e achei interessante e até moderno que eles tenham lá já uma exposição sobre o processo. Ainda não viram? Está lá anunciado, num cartaz muito grande: “Mitos e Monstros”. Pelo menos eu acho que é sobre isso, não é? Os monstros são os que empocharam uns milhões à conta da marosca e o grande mito há-de ser saber quem são eles! Vão ver que isso vai ser uma coisa tão real como aquele bicho com corpo de homem e cornos de boi – e não, não me refiro ao senhor Amílcar, o meu vizinho do sétimo esquerdo. Seja como for, cá um beijinho, senhor Amílcar, tudo se há de compor, ela não era mulher para si.
Uma das últimas notícias do caso Fripóre, soube-a pela menina Lurdes, a porteira do 39. Diz-me ela: “Ó menina Rosete, então já soube? Parece que o computador de um procurador do caso Fripóre foi atacado por ácaros?” E eu não estranhei. É que anda tanto processo acumulado, nas instituições da justiça portuguesa, que aquela quantidade toda de papel, evidentemente que começa a criar bicheza que depois se mete em todo o lado.
Só depois é que me explicaram que não, que não foram ácaros; foram hackers, que é a palavra estrangeira que define indivíduos que, portanto, não fazem amor, e que percebem imenso de computadores. Tanto que conseguem entrar nos computadores alheios e roubar coisas – neste caso umas quantas palavras de código para ter acesso a coisas. Enfim, roubalheira por roubalheira, isto já não devia espantar ninguém. Eu só acho é que o computador de um magistrado não será o melhor para um indivíduo que percebe de computadores e não faz amor roubar o que quer que seja; um indivíduo que percebe de computadores e não faz amor é capaz de ter mais sorte se roubar o computador de OUTRO indivíduo que percebe de computadores e não faz amor, porque tem mais hipóteses de encontrar palavras de código – nomeadamente, para ver fotografias de mulherio despido.
Como é tradicional em Portugal, agora começa a dança do “quem tem culpa”. A Procuradoria diz que a culpa de não haver segurança nos computadores é do Ministério da Justiça; o Ministério da Justiça diz que a culpa é da Procuradoria. Não sei de quem foi o desleixo; sei é que, se ensinaram os professores a trabalhar com o Magalhães com aquelas reuniões com cantilenas, bem podiam ter feito o mesmo com o pessoal do Departamento Central de Investigação e Acção Penal! Vai, todos, eu ajudo...
(cantando ao som de “Ó Rosa arredonda a saia”)
Instalem um anti-vírus
E liguem a faiére uóli
Instalem um anti-vírus
Não lixem o caso fripóri!
 

 

Publicado por Dona Rosete em 06.03.2009 às 09h10

Congresso do PS

Já de há uns dias para cá que estou para vos falar do Congresso do Partido Socialista. Viram? Ah, eu cá vi. Lá ia perder a oportunidade de ouvir falar o senhor Sócrates, coisa que ultimamente tem sido rara.
Quem não apareceu por lá foi o senhor Manuel Alegre, mas isto com poetas já se sabe. Ficam até às tantas acordados ali de volta das rimas e de manhã é um caso sério para se levantarem da cama. Mas fez muito mal, o senhor Alegre, porque aquilo são sempre festas muito bonitas, que até já vem gente da Venezuela e tudo para ver. Pena foi na noite de sábado ter-se dado aquilo do apagão quando o senhor Almeida Santos estava a falar, que teve de deixar o resto da conversa para o dia seguinte. E fez muito bem, porque se já de luz acesa uma pessoa vê-se aflita para não adormecer quando o senhor Almeida Santos está a falar, imagine-se de luz apagada. Para os militantes do PS, é que isto do apagão não foi novidade nenhuma. É que já que estão muito familiarizados com a cabeça do Ministro Mário Lino, coitado…
Voltando ao senhor Sócrates, eu gostei muito de o ouvir falar. Todo muito à vontade e decidido e cheio de “parlapier”. Assim e que é. Aliás, é com este paleio todo que ele deve conseguir descontos tão grandes nas casas que compra. Aquilo deve estar ali “rebéu béu béu, rebéu béu béu” com os vendedores, e eles lá vão baixando o preço. Sobre o Congresso, eu gostei muito da parte em que ele prometeu bolsas de estudo para jovens dos 15 aos 18 anos. Eu acho muito lêgal. Uma bolsa dá muito jeito para levar os cadernos e tudo e tudo e tudo. Acho também que devia ser dada uma aos rapazitos mais novos, para levarem o Magalhães para a escola. Por falar em Magalhães, viram aquele militante que lá estava com um Magalhães ao colo, a trabalhar enquanto ouvia os discursos? Aquilo é que é amor à camisola. Sim, senhor. Se bem que eu comparo isto do Magalhães ao Programa da Lucy. Porquê? Porque é feito para as crianças, mas os pais é que tiveram proveito dele. Eu bem via o meu Gouveia a mandar o olho às pernas da rapariga. Ainda para mais, nem disfarçava, via o programa todo sem som. Adiante: o senhor Sócrates também aproveitou para dizer que Vital Moreira é o candidato do PS às próximas eleições europeias. O Professor Marcelo, como já se sabe, veio logo “pa pa pa, pa pa pa”, que a escolha é muito à Esquerda, e que o PSD podia apresentar às eleições, por exemplo, o Marques Mendes. E eu pergunto: o Marques Mendes? Então e a outra metade? Apresentam só o Marques Mendes? Bem, eles lá hão-se saber. Para acabar, José Sócrates também se fartou de repetir alto e a bom som, que “Portugal sabe que pode contar com o PS”. Pois sabe, senhor Sócrates. Sabe Portugal, sabe o senhor Hugo Chávez, sabe o seu tio … o seu primo… sabem todos.
 

Publicado por Dona Rosete em 05.03.2009 às 09h3

A Nova Ponte sobre o Tejo

Ai senhores, que hoje é que eu estava a ver que não chegava a horas. Até tive de chamar um carro de praça, para conseguir estar aqui quando o locutor chamasse por mim. É que isto desde que a TVI 24 estreou é muito difícil uma pessoa despegar da televisão. Aquelas luzinhas todas, aquela bonecada toda a aparecer lá em fundo, aquele óvni branco que eles lá têm que faz os jornalistas parecerem tão pequeninos, e ainda mais aquelas notícias do arco da velha, até parece que uma pessoa está a assistir a uma série de ficção científica! Eu pelo menos estou sempre à espera que desçam os extraterrestres. Conclusão: chego sempre atrasada aos sítios. Bom, mas também é da maneira que ando mais informada. E ainda me entretenho a jogar a uma coisa nova, a que pessoalmente chamei: “’xa cá ver se a Sic Notícias também está a dar esta?”.


Olhem, e estava eu, justamente, nesta brincadeira quando fiquei a saber desta grande polémica que há agora à conta da nova travessia do Tejo. O governo diz que vai lançar o concurso para a obra ainda este mês e já há muita gente que se pôs contra, e eu percebo muito bem porquê. Porque, já se sabe, se vai haver uma nova ponte, o que é que vai haver também? Muito terreno baldio que só presta para a passarada fazer ninho e pôr ovitos que passa a valer muito dinheiro. E se esses terrenos donde a passarada está valorizam o que é que acontece? Vem logo um tio ou um primo qualquer que os quer vender e, pronto, lá temos mais um Outlet na Margem Sul! E isso está legal, pois está claro que não está legal, que toda a gente sabe que a Zara não tem assim tanta roupa que consiga vender em desconto! E, depois, quer dizer, até as pessoas da Margem Sul – mesmo sendo um deserto muito grande, como nos ensinou o ministro Mário Lino - têm de fazer a sua vida normal. Com tanto Outlet para ir, como é que eles conseguem, coitados. Vão os filhos para a escola, todos os dias, com umas calças novas com defeito a 50 por cento de desconto da Nike? Vai o jantar todos os dias para a mesa com um serviço desirmanado em promoção da Vista Alegre? Não pode ser, valha-me Deus!


Isto para já não falar dos problemas que esta nova ponte vai trazer a um grupo de pessoas, tantas vezes ostracizada. Não, não estou a falar dos ambientalistas. Estou a falar da rapaziada do tuning. Com tanta ponte para fazer corridas malucas a alta velocidade, como é que eles vão saber onde se encontrar? Que aquilo é gente que gasta o dinheiro todo num tubo de escape e, depois, fica sem conseguir carregar o telemóvel. Conclusão: desencontram-se, ficam sem amigos e perdem o gosto no atravessar a ponte em contramão a 200 à hora! E, depois, o que é que a TVI 24 noticia? Ah, pois é! Por falar nisso, o que é que estará a dar agora? Algum caso de carjacking na fila para a ponte. Olha, andassem de cacilheiro que isso já não acontecia!
 

Publicado por Dona Rosete em 04.03.2009 às 09h4



as coisas que eu disse na telefonia

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e isto, está lêgali?

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