Há pessoas que não apreciam cães pequenos, mas eu confesso que até lhes acho uma certa graça. Deram agora a uma prima minha um chihuahua, que é aquele bicharoco arraçado de cão e de rato, e ela não sabia o que havia de lhe chamar, e eu disse: “Ó filha, chama-lhe MMS.” E diz ela: “Então mas isso não é uma coisa dos telemóveis?” E digo eu: “Não, MMS é o partido pequenino que quer suspender as eleições.”
Ela nunca tinha ouvido falar, e ninguém a pode censurar. Começa a haver quase tantos pequenos partidos como lojas chinesas. Tem tudo a ver: são partidos, como os outros, só que baratuchos e a estragarem-se com mais facilidade – precisamente como um estupor de um guarda-chuva que comprei o Inverno passado no Dragão Roxo, que é uma loja chinesa lá para os meus lados.
Bom, mas o que se passa é que o MMS, também conhecido como Movimento Mérito e Sociedade – que parece o nome de um daqueles prémios de carreira que os Globos de Ouro da SIC dão no fim da Gala, quando já está tudo a cabecear com o sono – o MMS diz que a Comunicação Social não trata o MMS como os outros partidos. Vai daí, aqueles moços – que ainda devem ser para cima de três - entregaram uma providência cautelar no Supremo Tribunal Administrativo, a ver se conseguem suspender as eleições. Não deve ter sido fácil, coitados. Parece que estou a ver as pessoas do Supremo Tribunal, a dizerem: “Publicidade aqui, não! Já temos a Dica desta semana!”, até finalmente perceberem que aquilo era um partido político a tentar suspender as eleições.
Eu quero sempre ser imparcial nestas minhas croniquetas, mas quero aqui dizer que estou com eles. Eu apoio o MMS e o seu pedido de suspensão das eleições. E sabem por que é que apoio? Porque, realmente, não me dá muito jeito votar no dia 27, derivado a ter uns anos de uma tia do meu Gouveia que quer fazer uma almoçarada em Torres Vedras, que fica fora de mão, e depois é tudo à lufa-lufa.
Até fui ao sítio deles na interné e tudo, para ver onde se assinava. Só fiquei maçada com uma coisa: o MMS tem um cartaz a defender que o Sócrates, a Manela, o Portas, o Jerónimo e o Louçã têm de ir para a Conchichina. Ora, se eu fosse a Conchichina, apresentava no Supremo Tribunal Administrativo uma queixa para suspender o MMS. Então isso é coisa que se deseje a alguém, senhores do MMS? Estão lá os conchichineses tão sossegaditos, valha-me Deus...
Bem. Deixa-me ir mas é ao momento...
FA-FARA-RA-FA-FA-FAAAAAN!... “ROSETE REFLECTE”!
Diz-se que é na época do Natal que as pessoas ficam com o coraçãozito assim mais bondoso… e esquecem as quezílias e agruras da vida… mas não é: é na época das Eleições. É o Manuel Alegre a dar sinais de apoio ao Sócrates; é o Ribeiro e Castro a passear na rua com o Paulo Portas. Isto até faz lembrar aquele programa que havia há uns anos – era o meu Fiordi um rapazinho – que se chamava “Perdoa-me”. É igualzinho. Em tudo. Até nos vestidos que a Fátima Lopes usava na altura e que a sôdona Manuela Ferreira Leite usa agora. Igualzinho. Bom, agora deixem-me ir, que isto o trabalho de uma mulher nunca acaba. Cá beijinho muito grande.