O meu nome é Rosete e sou porteira há 40 anos. Porque estou aqui? Porque os senhores da telefonia sem fios me convidaram para comentar. Agora em vez de uma, tenho duas profissões nobres: porteira e comentadora. Querem exemplos? O Cláudio Ramos. A Maya. Isto na parte das porteiras. Quanto a comentadores, temos, por exemplo, o Professor Marcelo, um colega que é a minha grande inspiração. Mas não tenham medo que eu não venho para aqui impingir-vos livros - credo! Comigo contem só com o comentário, que já não é pouco. Cá um beijinho muito grande.

Escutas

Para mim, as eleições são como o Natal. É uma época bonita em que há festas, luzes, cantorias, há uma noite em que toda a gente se junta, uns meninos recebem mais prendas do que outros e no dia seguinte é só papéis espalhados em todo o lado. E tal como no Natal, agasta-me sempre que há qualquer coisa a estragar uma época tão bonita: no Natal, por exemplo, uma guerra ou, vá lá, uma intoxicação alimentar com filhoses; nas eleições, esta historieta toda das escutas.
Isto deixa-me agastada, porque se o Governo quer escutar quem quer que seja, em vez de gastar tanto dinheiro seja em espiões como o tal senhor que foi para a Madeira, seja em microfones ou em ligações, podia estar era a dar emprego a uma porteira, que ganha tão mal. Saía mais barato e era tão ou mais eficaz, já que uma porteira consegue ser não só a espiona, como também o equipamento, ela própria. Nós não precisamos de microfones nem fios: ponham-nos lá, a gente ouve e depois contamos tudo.
E quem diz o Governo, diz a Presidência da República. Porque o Fernando Lima, sim senhor que sabe espalhar um segredo, o que já é meio caminho andado, mas de certeza que não sabe lavar uma escada e isso não é ser profissional como deve ser. Por isso, não vai ser fácil para ele encontrar novo emprego.
E quem diz o Governo e a Presidência da República, diz os jornais. Por exemplo: o Público recrutava a D. Adosinda do 26; o Diário de Notícias, a D. Celeste do 32. Se o problema é a questão do escrever, tanto a D. Adosinda como a D. Celeste têm a 4ª classe. E parece-me que isso chega para o leitor compreender a notícia, porque a notícia também não se quer muito complicada. E o que interessa não é se tem um errozito de português ou não; o que interessa é se tem o chamado molhinho – e isso, uma boa porteira consegue garantir. Faz parte da nossa profissão. Por isso, não nos roubem o trabalho, senhores da política e da comunicação social. Se é para isto, contactem-nos, que muitas de nós têm famílias para alimentar e o ordenado não estica. Está lêgal?
E agora, para terminar, senhoras e senhores... FA-FARA-RA-FA-FA-FAAAAN!... “ROSETE REFLECTE”!
O Dr. Paulo Portas diz que em 2010, as famílias portuguesas deviam ter um desconto fiscal por cada filho. Bem visto, e a provar como o CDS é um partido católico. Porque ser católico significa que sempre que se faz amor, é para fazer filhos, não é? E por cada filho, zunga, tem-se desconto. Depois é uma espécie de “Multi Ópticas”! Olhem, lá se ia a desculpa das senhoras que lhes dói a cabeça. Os maridos agora têm uma desculpa melhor: “vá lá, querida, é pelo desconto!”

Publicado por Dona Rosete em 24.09.2009 às 09h10

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as coisas que eu disse na telefonia

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e isto, está lêgali?

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