O meu nome é Rosete e sou porteira há 40 anos. Porque estou aqui? Porque os senhores da telefonia sem fios me convidaram para comentar. Agora em vez de uma, tenho duas profissões nobres: porteira e comentadora. Querem exemplos? O Cláudio Ramos. A Maya. Isto na parte das porteiras. Quanto a comentadores, temos, por exemplo, o Professor Marcelo, um colega que é a minha grande inspiração. Mas não tenham medo que eu não venho para aqui impingir-vos livros - credo! Comigo contem só com o comentário, que já não é pouco. Cá um beijinho muito grande.

Campanha à Pancada

Que a política, às vezes, é uma coisa viril, já todos sabíamos. Basta ver o major Valentim Loureiro a arrancar o microfone das mãos de alguém para discursar, depois de ganhar umas eleições. Agora, aquilo que se passou no sábado de manhãzinha, em Oeiras, entre apoiantes do senhor Isaltino e do senhor Perestrello, é que não está legal. Para quem não viu, aquilo foi parecido a um Sporting-Benfica: as claques foram para a rua, uns de verde e outros de cor-de-rosa – que era a cor do Benfica há uns anos – e quando se viram uns aos outros, toca de dizer das boas e aviar calduço. Agora digam-me lá: acham isto legal? É que se a porradaria tivesse sido uns minutos mais tarde, quando José Sócrates chegou, pronto, ainda se entendia, mas não. Foi antes. Eu digo-vos, qualquer dia, uma mãe tem de dizer para o seu filho: “Fiordi Maria, estás proibido de ir para as campanhas eleitorais. Queres-te divertir em segurança, vai para uma feira dizer piropos a uma rapariga cigana”.
Por falar em futebol, a candidata do PS à Câmara do Porto, a sôdona Elisa Ferreira, acha que está na hora do Futebol Clube do Porto e a Câmara Municipal voltarem a ter boas relações. Eu também acho que sim, pois não está bem a equipa ganhar um campeonato e não poder ir para a varanda da Câmara comemorar. Não está bem. Não está bem, porque é a tradição. Era a mesma coisa que eu dar-me na cabeça e no próximo final de ano não deixar o Gouveia ir bater os tachos para a varanda. Isto cabe na cabeça de alguém? Puxavida! Mas sabem o que eu digo: caso o Rui Rio ganhe as eleições e não deixe os jogadores do Porto irem para a varanda festejar, eles que venham para a varanda da Câmara de Lisboa e festejem à vontade. Nem precisam de pedir autorização a ninguém. Fazem como os três rapazes que penduraram a bandeira do Partido Monárquico. Sobem por ali a cima, bebem uma garrafita ou duas de Asti Gancia, gritam um bocadinho e depois vão-se embora. Agora, eu aconselho-vos é a apanharem o lixo que fizerem, pois já se sabe, pode na manhã seguinte o Santana Lopes ir fazer solário numa espreguiçadeira na varanda da Câmara e estar aquilo cheio de copos e tudo e tudo e tudo. Agora… TCHAN, TCHAN, TCHAN, TCHAN… “DONA ROSETE NÃO DÁ UM, MAS DOIS RALHETES”
Primeiro ralhete: Santana Lopes. Tem alguma coisa que rabujar por o senhor António Costa ter prometido aumentos aos funcionários da Câmara? Eu acho muito bem que o tenha feito, porque se ele ganhar as eleições, os funcionários vão precisar de dinheiro para comprar uma bicicleta e um fato de licra para ir para o trabalho. O carro, acabou-se. Ir para o trabalho, é de bicla. E nem toda a gente tem uma, por isso o aumento calha bem. Muito bem, senhor Costa.
Segundo ralhete: António Costa. Foi muito feio dizer que o senhor Santana Lopes gastou muito dinheiro mal gasto no Parque Mayer. É que cada um tem os seus gostos, senhor Costa. Tudo bem que a Revista à Portuguesa já não é o que era, e a Marina Mota já não tem as pernas que tinha, mas se o homem gosta de se distrair, qual é o mal? “O dinheiro era da Câmara!”. E então? É porque se calhar eles lá não aceitam Multibanco, e o senhor Santana já ia em cima da hora e não tinha tempo de ir levantar a uma caixa. Nunca lhe aconteceu, senhor Costa? Olhem que isto…

Publicado por Dona Rosete em 06.10.2009 às 09h11

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as coisas que eu disse na telefonia

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e isto, está lêgali?

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