Soou a auto-retrato a constatação de Arménio Carlos de que, embora, na CGTP, haja "camaradas mais mediatizáveis", a Intersindical "não seria o que é" se não tivesse o trabalho de "formiguinha dos que "nunca aparecem mas estão lá todos os dias". O "todos os dias" veio gritado lá do íntimo do homem que, como a "minuciosa formiga" de O'Neill, levou a sua palhinha, asinha, asinha, ao longo das últimas décadas dentro do PCP e da CGTP.
A metonímia da formiga remete, desde logo, para o colectivo obreiro tão caro à cartilha comunista.
Mas, latente, está também implícita uma crítica às cigarras eventualmente mais "mediatizáveis".
As correntes internas minoritárias (PS, BE, Independentes e Católicos) começam a marcar posição nesta era pós-Carvalho da Silva.Os 28 votos brancos (em 141 votantes do Conselho Nacional) mostraram que o consenso precisa de ser conquistado.
Carlos Trindade já tinha dito, à TSF, que "unanimidade só a teve" Carvalho da Silva.
Ulisses Garrido (independente) lembrou, durante o congresso, que no início, quando assumiu a liderança da CGTP, Carvalho da Silva "até gaguejava" e era presença assídua nas reuniões do comité central (apesar de ser apenas um militante de base).
A posterior “autonomia” foi construída, centímetro a centímetro, ao longo de 25 anos.
Pelas actuais regras, Arménio Santos só terá 8 anos de mandato para, nas próprias palavras "tentar provar o contrário" a quem receia um projecto de maioria comunista dentro da CGTP.