Confrontado pela ironia comunista sobre as suas qualificações académicas (adquiridas no Canadá), Álvaro reagiu mal. Rebentou-lhe da boca uma fúria: “O senhor não está a respeitar os emigrantes portugueses”. Álvaro foi, portanto, piegas. E à pieguice de Álvaro respondeu o PCP vermelho de raiva: “Não diga asneiras, p-o-r-r-a!”.
Ora, “p-o-r-r-a” não pertence ao léxico parlamentar, o que é de lamentar, e disso foi imediatamente avisado o deputado.
Ora, “piegas” também não pertence ao léxico dum estadista, e só por isso foi violentamente criticado o primeiro-ministro.
Por muita razão que tenha, Passos Coelho é chefe de Governo. Não pode dizer tudo o que lhe vem à cabeça. Pode dizer aos filhos para não serem piegas, pode dizê-lo até a Álvaro, mas não pode dizê-lo ao país que dirige. Pode aconselhar os filhos a emigrarem, pode até aconselhar Álvaro, mas não pode aconselhar o mesmo aos cidadãos do país que dirige.
Um primeiro-ministro tem que perceber que há uma diferença entre falar em público e falar em privado e que um ai em vez dum ui pode ter custos políticos. Nem que esteja coberto de razão, p-o-r-r-a!