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Ricardo Araújo Pereira
Ricardo Araújo Pereira nasceu em Lisboa, em 1974. Em 2003, juntamente com Miguel Góis, Tiago Dores e José Diogo Quintela, formou o grupo humorístico Gato Fedorento. Escreve crónicas na revista Visão e no jornal A Bola. É o sócio nº 17.411 do Sport Lisboa e Benfica.
Pedro Mexia
Pedro Mexia nasceu em Lisboa, em 1972. Licenciado em Direito pela Universidade Católica. Entre 1998 e 2007 fez crítica literária no Diário de Notícias. É desde 2007 crítico no jornal Público, onde também assina uma crónica semanal. Exerce actualmente as funções de Director interino da Cinemateca Portuguesa. Publicou seis livros de poemas (o mais recente é «Senhor Fantasma», 2007) e quatro de prosa (o último foi «Estado Civil - Diário de uma Crise», 2009).
João Miguel Tavares
João Miguel Tavares nasceu em Portalegre em 1973. Após uma passagem fracassada pela Engenharia Química, licenciou-se em Ciências de Comunicação. Iniciou a sua carreira profissional no Diário de Notícias, onde se manteve até 2007, altura em que saiu para fundar a revista Time Out Lisboa. É colunista do Correio da Manhã. Vive com a mulher e os três filhos em Lisboa.
Lido nos blogues .1
Colocado por governosombra em 07-11-2008 às 23h40

Governo sombra

in Ouriquense, por Eremita da Planície

Em Ourique temos sempre tempo para a rádio. Na sexta ouvi o programa sombra, na TSF. Trata-se de mais um produto daquilo que Pacheco Pereira designa por engraçadismo. Como definir o engraçadismo sem recorrer ao sentido de humor, que é variável e, por isso,  pouco útil a uma definição? Podemos entender o engraçadismo como o registo que legitima a ausência de preparação dos autores. O engraçadista está nos antípodas de Rui Tavares, para quem cada aparição pública é uma espécie de oral perante a nação. Tavares deixa-nos angustiados, porque vemos ali trabalho. Ao invés, o engraçadista é o coleguinha que animava a turma com as suas piadas, um tipo que nos reconforta.

A causa próxima para o engraçadismo no programa Governo Sombra é o humor espontâneo de RAP, que força  os seus colegas a produzir piadas, mesmo que não sejam humoristas profissionais. A causa última é o engraçadismo propriamente dito, o movimento que Pacheco Pereira tanto contesta. Curiosamente, o programa serviu para confirmar que o grande intelectual público dos nossos dias, o homem que substituiu Eduardo Prado Coelho, é o nosso Jorge de Burgos, isto é, o José da Marmeleira, Pacheco Pereira himself - que contou com duas referências (uma de RAP e outra de João Miguel Tavares).

A profusão de debates dominados pelo engraçadismo faz com que os media portugueses se pareçam hoje aos canais de TV franceses de há dez anos. No que me toca, gosto deste efeito, porque confunde os meus tempos e cria um anacronismo basal que é quase uma forma de intemporalidade. Se isto é bom para Portugal? Perguntem ao Rui Tavares.

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