Com Luís Freitas Lobo e João Rosado, sob a arbitragem de Mário Fernando

Às segundas, depois das 19h, com repetição depois da meia-noite.

Luís Freitas Lobo

Nasci em 1967. Em 1970, portanto, já estava presente para testemunhar as maravilhas de Pele, Jairzinho, Tostão e companhia no Mundial do México. Ainda não conseguia, no entanto, ver os jogos sob uma perspectiva táctica. Agora, como os tenho todos gravados na minha colecção particular de vídeos, vejo-os religiosamente. Como se viajasse no tempo e visse Puskas da mesma forma que hoje vejo Kaká. Para mim, mais do que cinco continentes e sete mares, o mundo é um infinito conjunto de campos de futebol com muitas casas á volta e desde 1998 que tenho procurado, em vários meios de comunicação, passar essa emoção. Porque, como gosto de dizer 'Quando um homem tem uma paixão, seja ela qual for, o melhor que tem a fazer é ir tratar dela!'
Da Revista Mundial e Publico, até ao Expresso e à sagrada A Bola, a Bíblia com que em menino aprendi a escrever lendo Mestres como Vítor Santos. Na rádio da Antena 1 à TSF, na televisão, da SIC Noticias até à RTP, onde hoje estou. Todos os dias penso em futebol. Por isso, em qualquer local, falo ou escrevo sobre futebol, partindo sempre da única forma que o entendo ser possível conceber: com emoção.

João Rosado

João Rosado nasceu em Évora, em 1970. É licenciado em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Entre 1988 e 1992 foi colunista no jornal «A Capital». Foi redactor no jornal «Record» entre 1992-1995 e 2003-2004. Entre 1995 e 2002, foi redactor e editor no jornal «O Jogo». Desde 2007 é colunista no jornal «Diário de Notícias. Foi comentador de futebol na «Antena 1» entre 1999 e 2000, na «Rádio Renascença» entre 2001 e 2004, na Sport TV entre 2001 e 2007. É comentador de futebol na SIC, desde 2007, e na antena da TSF desde 2004.

Mário Fernando

Jornalista há 27 anos passou a maior parte da vida profissional na rádio. Comercial, Renascença, RFM, Correio da Manhã e XFM até aterrar na TSF. Foi em 1995 e, três anos depois, passou a editor de Desporto. Até hoje. É um fanático por futebol, por isso, não tem paciência para a forma como os dirigentes tratam a coisa, ou seja, quando resolvem que os clubes deles é que contam e o resto é paisagem. Não é, mas isso eles jamais vão entender. No meio de tudo isto houve três reportagens que o marcaram: a primeira visita de Nelson Mandela a Londres depois da libertação e duas edições dos Jogos Olímpicos, Sidney2000 e Pequim2008. Curiosamente, nenhuma delas tem a ver com futebol.

Setembro 2011 - Posts

Saber resistir

Colocado por mario.fernando em 30-09-2011 às 00h42

1 - Definindo prioridades. O Sporting queria manter a série de vitórias e reforçar a liderança do grupo na Liga Europa. Conseguiu ambos os objectivos. O Sporting também queria manter-se no nível exibicional da recente partida com o V.Setúbal , para provar que "aquilo" não fora obra do acaso , mas sim reflexo de um trabalho em crescendo. E conseguiu meio-objectivo. Na primeira parte foi mesmo assim. Na segunda já não foi possível , por razões muito concretas. Mas , paradoxalmente , ainda bem. Viu-se que a coesão de grupo está lá e que esta equipa não desiste. A resistência compensa.

Com um meio-campo impecável (a troca obrigatória de Elias por Matias não abanou a estrutura) , tendo Rinaudo e Schaars no melhor momento da temporada , e com uma frente de ataque móvel e empenhada , o Sporting encostou a Lazio "às cordas" e o mínimo que pode dizer-se é que o golo magistral de Wolfswinkel foi o prémio justo para tanta vocação ofensiva. Passado o falhanço que permitiu o golo a Klose (o eixo central da defesa dos leões é mesmo o calcanhar de Aquiles) , coube a Insúa recorrer ao torpedo da noite para repôr a realidade no terreno.

Em boa verdade , caso nada de substancial se alterasse , era previsível que o segundo tempo fosse uma repetição do primeiro. Só que a expulsão de Insúa (que mereceu o "puxão de orelhas" de Domingos no fim da partida) , obrigou a uma viragem que atirou o Sporting para uma noite de sofrimento. É certo que a Lazio podia ter chegado ao empate (teve três oportunidades flagrantes) , mas não é menos verdade que o colectivo leonino revelou um espírito de entreajuda relevante. E , se me permitem , acima de tudo , teve em Domingos um treinador que soube gerir muito bem os danos. Não quero fazer comparações com ninguém , mas o facto é que o técnico não inventou e fez as alterações correctas nos momentos certos. Evaldo ocupou o lugar de Insúa ; André Santos substituiu Matias quando este esgotou ; e Carriço foi reforçar a estrutura defensiva quando a Lazio já tinha cinco jogadores na cabeça da área sportinguista.

O Sporting ainda está a caminhar para a consolidação , mas parece estar a fazê-lo bem. A maior recompensa é estar destacadíssimo no primeiro lugar do grupo e apenas com duas jornadas realizadas.

2 - Com alguma surpresa , o Braga perdeu. É sempre duro estar a vencer e deixar-se ultrapassar , ainda por cima num jogo em casa , perante um concorrente directo. Os minhotos desperdiçaram várias hipóteses para "acabar" com o jogo e esta é uma das tais falhas que , na Europa , costuma ser fatal. Sim , o golo do empate do Brugge nasce de um lance irregular , mas uma equipa como o Braga - com o estatuto de finalista da época passada - não pode acusar tanto uma coisa destas.

Nada está comprometido , até porque a equipa de Leonardo Jardim ainda pode reabilitar-se com dois triunfos sobre o Maribor. E é conveniente que o faça para evitar dissabores.

PS : Se o árbitro de Braga errou , o de Alvalade foi um desastre (e não por causa de Insúa , porque aqui a culpa é só do jogador). Aquele "apitador" tomou decisões técnicas e disciplinares ao nível do que de pior se vê nos jogos em Portugal. Quer dizer , nós por cá não andamos assim tão desalinhados do que se passa por essa Europa fora. Lamentavelmente.    


Que se passa?

Colocado por mario.fernando em 28-09-2011 às 22h16

Não vou entrar na discusão sobre se há crise no FC Porto. Digamos que prefiro pôr as coisas desta forma : há um ano e meio que os dragões não estavam três jogos seguidos sem ganhar. A partir daqui que cada um faça a sua interpretação. A derrota em S.Petersburgo , clara e inequívoca , pode ser explicada de várias maneiras , apesar da expulsão de Fucille ser o motivo mais visível. Correndo o risco de ir contra a corrente dominante , entendo que a irresponsabilidade do lateral portista foi o princípio - e não o fim - de um afundanço penalizador. Ou seja , há mais para reflectir.

É importante sublinhar que o FC Porto até começou bem e , se fosse possível separar os 25 minutos iniciais do resto do jogo , até se poderia concluir que os dragões estavam a cumprir o seu papel. É verdade que , durante este período , o Zenit utilizou sobretudo Fayzulin para criar embaraços - e com consequências - , mas a situação parecia estabilizada , tendo , inclusive , Álvaro Pereira uma óptima hipótese de fazer o segundo golo. Não deu e o FC Porto entrou em declínio precisamente depois disto.

O primeiro registo preocupante foi a lesão de Kléber. Os dragões não têm alternativa. Ou melhor : no campeonato , ainda podem "recuperar" Walter , mas na Champions só têm...Hulk. Portanto , Vitor Pereira lá colocou Varela em campo e o brasileiro no meio. Coincidência ou não é por esta altura que o Zenit cresce , agora já com Danny a assumir também uma relevância que ainda não tivera. Junte-se igualmente o facto do meio-campo portista já ter dificuldade em responder , talvez porque o "coordenador" João Moutinho também não estar nos seus dias. Acontece.

Vem então o ponto dois da ordem de trabalhos : a expulsão de Fucille. Poupo os comentários ao assunto e salto de imediato para o ponto três. É aqui que se clama pela capacidade decisória de Vitor Pereira. Confesso que estava absolutamente convencido que entraria Maicon para o eixo da defesa com a óbvia passagem de Otamendi para a direita. E mais : que seria Varela a sair , apesar de ter entrado um quarto-de-hora antes. Em situações de emergência não se pode entrar nestes preciosismos.

Afinal , o técnico dos dragões optou por colocar Fernando na lateral-direita , Souza à frente da defesa e retirou o criativo James do ataque. O FC Porto que , como referi atrás , já estava a acusar problemas , desarticulou-se totalmente. A defesa não funcionou (só se baralhou) , o meio-campo não controlava ninguém e , na frente , Hulk - em menor condição física - ficou entregue a ele próprio. Como todos percebemos pouco faltou para dar em goleada. Curioso que Défour só tenha substituído Belluschi quando o jogo estava arrumado.

É difícil prever o que se seguirá a esta sequência negativa de resultados. Do ponto de vista da Liga dos Campeões (o que está em questão neste contexto) nada está comprometido , ainda por cima porque o outro jogo do dia terminou empatado. Mas é simples verificar que os próximos dois desafios com o Apoel são fundamentais , ainda que , em caso de triunfos , possam nada resolver face à forma como a classificação do grupo está alinhada. Já no plano interno aguarda-se com particular interesse o próximo desafio em Coimbra.

PS : Howard Webb é considerado um dos melhores árbitros do mundo. Mesmo assim , a sua equipa cometeu dois erros graves. Se isto tivesse acontecido num jogo entre dois grandes no campeonato português , tinhamos terramoto garantido.  


Cumprir o guião

Colocado por mario.fernando em 28-09-2011 às 00h54

Ganhar a um inconsequente Otelul Galati não é um feito , é uma obrigação. Até em Bucareste. É assim como seguir um guião previamente definido. Em plena Champions (por mais estranho que pareça este Otelul está lá) , o Benfica cumpriu aquilo a que estava obrigado. Venceu por um golo , ficou a dever mais um ou dois a si próprio , correu riscos desnecessários nos derradeiros minutos , mas somou três pontos que lhe dão a liderança repartida com um parceiro inesperado. O clube da Luz está na frente com o Basileia. O Manchester de Ferguson escorregou outra vez.

A equipa encarnada dominou o jogo todo perante uma formação romena que nem soube atacar , registando o insólito score de dois (!) remates à baliza adversária durante um desafio inteiro (aos 60 e aos 89 minutos). É verdade que o último deles , não fosse mais uma boa reacção de Artur , poderia ter provocado danos sérios , mas convenhamos que uma equipa que alinha na Liga dos Campeões não pode ser assim tão vazia de ideias e ambição. Principalmente quando está a perder , em casa , desde os 40 minutos. Dito isto , passemos ao que interessa.

Quando referi que o Benfica cumpriu o objectivo é mesmo para ser levado à letra. Jorge Jesus apostou numa equipa com Bruno César e Saviola , em detrimento de Nolito e Aimar , mas cedo se percebeu que as despesas teriam de ficar a cargo dos alas , pois a circulação (e posse) de bola no meio-campo era total - e no meio-terreno dos romenos - só que a articulação que se esperava que Saviola fizesse (com Cardozo) tardava em notar-se. Gaitan e Bruno César (trocando de posições várias vezes) acabaram por gerar o lance crucial que , finalmente , materializou uma superioridade a que se pedia bastante mais.

É verdade que a segunda parte não foi muito diferente , mas , ainda assim , Jesus ensaiou mais uma alternativas que , contudo , nada mais deram do ponto de vista da concretização. Com a entrada de Nolito experimentou Gaitan "nas costas" de Cardozo ; com a entrada de Rodrigo tentou criar outra aceleração na frente de ataque ; com a entrada de Ruben Amorim quis proteger o lado direito e o eixo com Maxi. A questão é que quando a inspiração não é muita , dificilmente se chega mais longe. Por exemplo , Cardozo conseguiu - em dois lances praticamente consecutivos - "ignorar" que Saviola (primeiro) e Gaitan (depois) estavam sozinhos do lado direito , sem qualquer marcação , e em vez de lhes passar a bola optou por atirar...para a bancada.

Em resumo , o Benfica ganhou sem margem para qualquer dúvida , porque a diferença (de tudo) entre as duas equipas não aceitaria outro desfecho. Mas - e Jorge Jesus é o primeiro a sabê-lo - a equipa da Luz vai ter de lidar de outra forma com o Basileia , o problema que se segue. E digo problema , não só pelo inesperado empate que os suiços conseguiram em Old Trafford (e estiveram à beira do triunfo) , mas também porque os próximos dois embates na Champions podem constituir a chave da qualificação do Benfica.

Partindo do princípio de que o Otelul se arrisca a nem sequer obter um ponto neste apuramento e de que o Manchester United vai refrear esta "gestão" de jogadores na Liga dos Campeões , é fácil de concluir que os dois desafios do Benfica com o Basileia são nucleares neste grupo. O Benfica deve apontar a um mínimo de 11 pontos , pelo que precisa de sete (quatro com o Basileia e mais três com o Otelul). Agora , é fazer por isto.    


Jogo a quatro

Colocado por mario.fernando em 26-09-2011 às 20h11

O clássico ficou para trás , pelo que importa pegar no que ele deu para olharmos o que aí vem. FC Porto e Benfica regressam agora à Champions com disposições semelhantes ou distintas? Este foi um dos temas do Jogo Jogado desta semana , na TSF.

Mas também era inevitável que se falasse do Sporting , que assinou , pela primeira vez , uma exibição de grande nível no actual campeonato. Terá sido o ponto de partida de uma equipa já definida? De caminho , um olhar sobre o Braga que , passo a passo , na sequência de um processo de reconstrução , está instalado no grupo dos líderes.


Entrar à leão

Colocado por mario.fernando em 25-09-2011 às 00h52

Há entradas de leão e entradas à leão. É parecido , mas não é o mesmo. O Sporting teve uma entrada de leão perante o Rio Ave , mas isso não lhe serviu de muito , pois acabou por conseguir um triunfo suado e atrapalhado. Agora , em Alvalade , o Sporting teve uma entrada à leão e em 15 minutos arrasou um V.Setúbal que nunca mais se encontrou. Depois de três ameaços fora de portas (Paços de Ferreira , Zurique e Vila do Conde), eis que a equipa leonina vence de forma categórica , dá espectáculo , põe as bancadas em delírio e deixa uma promessa de nova vida. A única coisa que faltou foi um resultado condizente com a produção de jogo. Bater os sadinos por 3-0 não reflecte sequer metade da superioridade demonstrada.

Em boa verdade , o desafio resume a sua verdadeira essência ao primeiro quarto-de-hora. Remate de Schaars ao alvo , um golo , uma precipitação de Patrício , uma enorme defesa de Patrício , remate de Wolfswinkel ao alvo , outro golo , Pitbull atira à barra , outro remate de Wolfswinkel ao alvo , terceiro golo. Assim , numa cadência alucinante , ficou traçado o destino da partida. Mérito total para um Sporting que não se via a jogar desta maneira há (mesmo) muito tempo.

O resto da partida não tem propriamente grande história e , paradoxalmente , este é o melhor elogio que se pode fazer à equipa de Domingos Paciência. Rinaudo , Elias e Schaars destroçaram o "pesado" meio-campo sadino , Carrillo e Capel construiram as suas próprias "autoestradas" , que João Pereira e Insúa também exploraram até à exaustão , e assim se fabricou uma série infindável de oportunidades que podiam ter transformado o resultado numa goleada daquelas que já não se usa.

E isto só não sucedeu , porque havia um fantástico Diego na baliza do Vitória e porque a espantosa eficácia registada nos 15 minutos iniciais do encontro pareceu ter entrado de férias mais cedo do que devia. Wolfswinkel e Carrillo, por exemplo , podiam ter duplicado o número de golos. Aliás , este foi - e com razão - o único lamento do treinador no final do jogo. Quando o trabalho no capítulo da concretização estiver apurado , o Sporting tem hipótese de dar bastante mais.

Pode dizer-se que este V.Setúbal não tem dimensão para se opõr com algum sucesso ao Sporting , o que , embora seja real , não impede uma outra conclusão : ao contrário das insuficiências demonstradas perante adversários do nível dos setubalenses em ocasiões anteriores , desta vez , a equipa leonina vincou claramente a sua enorme diferença de potencial.

No entanto , convirá que os jogadores não se deixem deslumbrar por uma exibição de luxo e pela reconciliação com os adeptos. Vão ser as próximas duas partidas (Lazio e V.Guimarães) , que ditarão se este Sporting está a crescer verdadeiramente como parece. Com dois triunfos mais a juntar à colecção poder-se-á começar , finalmente , a contar com o regresso do leão.

PS : Com seis jornadas , temos o trio FC Porto-Benfica-Braga no topo da classificação e o Sporting apenas a três pontos. Se esta tendência se mantiver , talvez venhamos a ter algo impensável no contexto dos últimos dez anos : um campeonato discutido a quatro. Para já , é um simples desejo.    


As meias vitórias

Colocado por mario.fernando em 24-09-2011 às 00h31

O FC Porto ganhou bem a primeira parte. O Benfica ganhou bem a segunda. Contas feitas , deu empate. O resultado é agradável para as águias e decepcionante para os dragões. Como a teoria do copo meio cheio ou meio vazio. Do ponto de vista do campeonato , o que realmente interessa , nada se alterou. Ambos mantêm a candidatura em aberto.Mas há pistas lançadas na partida do Dragão que convém seguir com atenção nas próximas jornadas. O título pode esperar.

Como aqui tinha referido , o FC Porto precisava de vencer por várias razões que iam além da simples facturação dos três pontos. Se nos centrarmos exclusivamente na primeira parte , o mínimo que deve dizer-se é que os dragões desempenharam o seu papel como mandam as regras. Hulk e Varela puseram a cabeça em água aos laterais encarnados , o meio-campo portista pressionou de tal forma que , em certos momentos , provocou um sufoco ao adversário com o qual foi muito dífícil lidar , tendo Fernando e Guarin uma intervenção determinante na recuperação de bolas.

Do lado contrário , havia um Benfica pouco lúcido , visivelmente receoso , sem argumentos para inverter uma tendência única de jogo. Daí que , com naturalidade , Artur tivesse brilhado (ele é um dos grandes reforços desta época) , mas já não conseguisse evitar o golo de Kléber , um jovem que adquiriu um moral adicional com a chamada de Mano Menezes. Sem surpresa , e com justiça , o dragão chegou ao intervalo em vantagem. Nem outro resultado faria sentido.

O futebol tem destas coisas. Quando parece que tudo está caminhando num determinado sentido , assiste-se a uma guinada. Ou seja, nada pode ser dado por adquirido. Logo na abertura da segunda metade , Cardozo empata no primeiro remate digno desse nome à baliza de Helton. Foi o sinal vincado de que o Benfica não estava disposto a sair derrotado do Dragão. Provavelmente embalado ainda pelo andamento dos 45 minutos iniciais , ou porque percebeu que era imperioso reassumir rapidamente o comando das operações , o FC Porto respondeu com o segundo golo. E é aqui , ao quinto minuto da segunda parte , que arranca o novo guião da partida.

A equipa de Vitor Pereira entra num processo de decréscimo que se foi acentuando à medida que o tempo avançava. O crescendo do Benfica acompanhou aquele processo , de tal maneira que os papéis se inverteram. O jogo acelerou e , quando se fala de transições rápidas , dificilmente alguém se adapta melhor do que a equipa de Jorge Jesus. Andar tu-cá , tu-lá é uma espécie de navegação ideal para o Benfica. Incapaz de pausar e garantir a circulação de bola , o FC Porto foi-se perdendo e sendo engolido. Nolito e Gaitan , em dois lances quase consecutivos , lançaram os avisos finais.

Percebendo no que o jogo se tinha tornado , Jorge Jesus tenta a estocada decisiva , pois percebeu que tinha todas as condições para não perder o encontro. Saviola e Bruno César foram as contribuições de que o técnico necessitava , para juntar a Gaitan e Cardozo (aliás , o segundo golo é o reflexo disto mesmo , começando em Saviola e acabando em Gaitan).

Ora , é nos bancos que se escreve o resto da história. A resposta de Vitor Pereira às alterações de Jesus é trocar Guarin por Belluschi. Mas seria mesmo a solução mais aconselhável para quem pretendia recuperar consistência no centro do terreno? De seguida , sai Kléber (problemas físicos , supõe-se) para entrar Rodriguez , colocando Hulk ao meio. Curioso que só depois do 2-2 o técnico portista lá chamou Walter para tentar fazer nos últimos cinco minutos aquilo que Vitor Pereira tinha entendido que ele não faria em dez. O facto é que o Benfica não baixou a guarda nem o rendimento. E saiu mesmo do Dragão sem perder , com a relevância de ter recuperado de duas desvantagens no marcador.

Agora , é esperar para ver os efeitos deste resultado. Para o Benfica é fácil de perceber que passar incólume por um obstáculo deste nível é moralizador. Para o FC Porto , somar o segundo empate consecutivo e , ainda por cima, perante o grande rival , deixa mais reservas do que certezas. Uma coisa é certa : Vitor Pereira começa a necessitar de algo mais entusiasmante.

PS : Não gostei de ouvir Jorge Jesus dizer que "eu tive de inverter as coisas" ou "eu sabia que podia empatar o jogo". Quando lhe corre bem o técnico esquece-se com alguma facilidade da palavra "nós". Não gostei de ouvir Vitor Pereira sacudir a água do capote para cima de Jorge Sousa. O técnico sabe muito bem por que razões não ganhou o jogo.   


Só três pontos?

Colocado por mario.fernando em 22-09-2011 às 22h47

Numa coisa estamos todos de acordo : o FC Porto - Benfica não vai decidir o título. No entanto , ao contrário do que ambos os treinadores deram a entender , um de maneira mais explícita do que outro , não são apenas os três pontos que estão em causa no desafio do Dragão. É que ganhar esta partida pode implicar outro tipo de consequências. Não definitivas , obviamente , mas com repercussões no curto e médio prazo.

Pondo de lado a avaliação táctica , para não repetir o que já foi dissecado na última edição do Jogo Jogado , centremos a questão noutro plano. O contexto deste desafio é completamente distinto daquele que se realizou na época passada. As duas equipas estão em igualdade pontual , ainda vamos na sexta jornada , pelo que um triunfo só terá como efeito prático o vencedor isolar-se na liderança. Mas há condicionantes psicológicas e de afirmação que daqui derivam.

O FC Porto apresenta-se com um novo treinador que ainda está na fase em que precisa de demonstrar que é capaz. Não estão em causa as óbvias qualidades que já se percebeu que tem , mas terminar com as reservas , por mais ténues que sejam , consegue-se precisamente nestes jogos. Sobretudo , porque a arrasadora temporada de Vilas-Boas iniciou-se , formalmente , com os 5-0 no Dragão (uma espécie de confirmação "oficial" do que acontecera na Supertaça).

Claro que ninguém imagina a repetição de semelhante resultado , mas o grau de exigência a Vitor Pereira foca-se justamente na "obrigatoriedade" de ganhar. Além do mais , o técnico dispõe de praticamente todos os trunfos de que precisa , com a excepção de James. É importante , sem dúvida , mas Hulk , Moutinho e Álvaro Pereira são bastante mais , e estes estão lá. Por outro lado , convém não esquecer que o FC Porto vem de um resultado negativo , pelo que , novo desfecho indesejável (e um empate já não seria bom para os dragões) poderia fazer aumentar as tais reservas e colocar Vitor Pereira numa posição incómoda. Entenda-se : numa posição que o obrigaria a não voltar a falhar , sob pena de comprometer o andamento do campeonato. Ora , o técnico portista , por todos os motivos e mais este , quer marcar uma posição inequívoca.

Jorge Jesus também tem várias cambiantes em jogo. Para começar , o técnico do Benfica , embora pretenda ganhar , tem no empate uma boa alternativa. Isto é , para a equipa da Luz , o simples facto de não perder no Dragão teria sempre uma carga psicológica importante. Por contraponto ao que sucedeu na época transacta , representaria um avanço significativo e que , certamente  , o Benfica trataria de capitalizar. Como é evidente , caso triunfe (e não tenho dúvidas de que é essa a ambição de Jesus) , este encontro do Dragão levaria a uma inversão na liderança da prova com as consequências óbvias nesta fase da competição.

Mas Jesus sabe que não é fácil travar o FC Porto , especialmente quando joga no seu próprio estádio. E um FC Porto que quer voltar a ficar sozinho no topo da tabela. Uma derrota é sempre negativa , com certeza , mas o barco pode abanar sem se afundar. Para o Benfica um eventual desaire não será comprometedor , desde que a expressão da derrota não atinja valores como os do ano passado. E a probabilidade disto acontecer é de um para cem.

No fundo , este é mesmo um daqueles jogos de desfecho imprevisível. De resto , e ao contrário do que sucedeu da outra vez , nenhuma das equipas se apresenta como "favorita". O factor casa conta , mas serve principalmente para atribuir ao FC Porto , não maior favoritismo , mas sim maior responsabilidade. Esperemos é que deixem os artistas brilhar. Era um enorme favor que faziam ao futebol.         


Desabafos

Colocado por mario.fernando em 21-09-2011 às 00h20

1 - Estamos naquela fase em que já não adianta falar de mais nada. O clássico de sexta-feira hegemoniza tudo. Hoje foi a confirmação de que Hulk está operacional e que James foi punido com um jogo de suspensão. Segue-se a nomeação do árbitro para aquecer a discussão. Logo depois vêm as antevisões de Vitor Pereira e as de Jorge Jesus. Um em cada dia para alimentar mais a controvérsia. Entretanto , desdobram-se as análises e os palpites de ex-jogadores , ex-treinadores , comentadores de azul e comentadores de vermelho , todos tentando descodificar o que vai na cabeça dos protagonistas.

Esta é a parte do ritual que mais me agrada. É melhor aproveitar agora porque , depois do jogo , saltamos para o lado negro da história. Ganhe quem ganhar. O futebol português já não sabe viver de outra forma.

2 - Chamam-lhe a "festa do futebol". A Taça de Portugal , a tal que leva o futebol dos "grandes" onde ele normalmente não iria , foi a sorteio. Pêro Pinheiro , Portimonense e Famalicão foram os felizes contemplados com o jackpot. Tudo bem. Mas continuo a pensar que esta prova precisa de uma reformulação. Do princípio ao fim.  

3 - Fernando Gomes , como se calculava , confirmou que é candidato à presidência da FPF. Não faria grande sentido manter-se na Liga quando o centro do poder vai mudar de sede. Soares Franco e António Sequeira são os outros candidatos e é cada vez mais improvável que surja mais algum. Olhando para o cenário actual , Gomes não ganhar seria uma enorme surpresa. Até porque o futebol fora do relvado é bastante mais previsível.


Duas caras

Colocado por mario.fernando em 20-09-2011 às 01h41

Por vezes , esquecemo-nos que nos pode acontecer o mesmo que sucedeu aos outros. Os leões entraram a "varrer" em Vila do Conde. Estar a ganhar por 2-0 aos três (!) minutos é daquelas coisas que nem nos melhores sonhos aparecem. Simplesmente , não passou pela cabeça da equipa de Alvalade que o Rio Ave tivesse o atrevimento de tentar fazer ao Sporting aquilo que o Sporting fizera ao Paços de Ferreira. Mas teve. Por mérito próprio , mas também por excesso de convencimento da equipa leonina. Fica a terceira vitória consecutiva , é verdade , mas arrancada a ferros e com vários sustos pelo caminho. Outra vez. A pergunta é : para quando um triunfo sem sobressaltos?

A ilusão de facilidade costuma pagar-se cara. Nos primeiros cinco minutos do jogo , o Sporting fez dois remates , marcou dois golos e viu o ponta de lança vilacondense , João Tomás , sair lesionado. Tudo somado , foi um choque violento para o Rio Ave que demorou meia-hora a entender o que lhe tinha acontecido. A equipa de Domingos Paciência dava espectáculo , não apenas pelo controlo do jogo , mas pela forma como o concretizava. Rinaudo em grande , Schaars a um nível como (porventura) ainda não estivera em partidas do campeonato , Elias dono e senhor do seu raio de acção , tudo num apoio perfeito a Wolfswinkel. Mais um golo e o jogo "acabava" , era o que tudo indicava.

No entanto , um simples lance colocou ponto final em tanto deslumbramento. Ao minuto 36 , Patrício sai em falso a um cruzamento e Tarantini cabeceia para muito perto do ferro. Acabou o estado de graça dos leões. O fecho da primeira metade foi o prenúncio do arranque da segunda. Um Sporting desligado da realidade , sobranceiro , frente a um Rio Ave que , não só reduz (e Patricio fica mal na fotografia , mais uma vez) , como indicia poder ir mais longe. E foi , sem que os leões pudessem evitá-lo. Regressada à estaca zero , lá teve a equipa leonina de apelar às suas forças - e espírito de sacrifício , reconheça-se - para chegar ao triunfo. Não sem que Patrício (que noite...) quase comprometesse tudo com um inexplicável pontapé "na atmosfera" , que só não resultou no terceiro do Rio Ave porque...não calhou. 

Ganhar é bom e , supostamente , motiva. Mas Domingos continua a ter de lidar com um Sporting de duas caras , nunca se sabendo qual delas vai prevalecer. E quando. Mas enquanto não há consistência , há pontos. O que já é alguma coisa. E conta muito. 


Jogo de líderes

Colocado por mario.fernando em 19-09-2011 às 19h57

À hora a que foi para o ar o Jogo Jogado desta semana , na TSF , ainda não terminara a jornada 5 , mas nesta altura já toda a gente está a pensar na jornada 6. Vem aí o clássico do Dragão , com FC Porto e Benfica empatados no topo da classificação.

Que opções podem - ou devem - ter Vitor Pereira e Jorge Jesus? Que jogadores se apresentam como potenciais trunfos em ambos os lados? As eventuais ausências pesam mais em que prato da balança? Um mundo de interrogações sobre uma partida de resultado imprevisível. 



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