Com Luís Freitas Lobo e João Rosado, sob a arbitragem de Mário Fernando

Às segundas, depois das 19h, com repetição depois da meia-noite.

Luís Freitas Lobo

Nasci em 1967. Em 1970, portanto, já estava presente para testemunhar as maravilhas de Pele, Jairzinho, Tostão e companhia no Mundial do México. Ainda não conseguia, no entanto, ver os jogos sob uma perspectiva táctica. Agora, como os tenho todos gravados na minha colecção particular de vídeos, vejo-os religiosamente. Como se viajasse no tempo e visse Puskas da mesma forma que hoje vejo Kaká. Para mim, mais do que cinco continentes e sete mares, o mundo é um infinito conjunto de campos de futebol com muitas casas á volta e desde 1998 que tenho procurado, em vários meios de comunicação, passar essa emoção. Porque, como gosto de dizer 'Quando um homem tem uma paixão, seja ela qual for, o melhor que tem a fazer é ir tratar dela!'
Da Revista Mundial e Publico, até ao Expresso e à sagrada A Bola, a Bíblia com que em menino aprendi a escrever lendo Mestres como Vítor Santos. Na rádio da Antena 1 à TSF, na televisão, da SIC Noticias até à RTP, onde hoje estou. Todos os dias penso em futebol. Por isso, em qualquer local, falo ou escrevo sobre futebol, partindo sempre da única forma que o entendo ser possível conceber: com emoção.

João Rosado

João Rosado nasceu em Évora, em 1970. É licenciado em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Entre 1988 e 1992 foi colunista no jornal «A Capital». Foi redactor no jornal «Record» entre 1992-1995 e 2003-2004. Entre 1995 e 2002, foi redactor e editor no jornal «O Jogo». Desde 2007 é colunista no jornal «Diário de Notícias. Foi comentador de futebol na «Antena 1» entre 1999 e 2000, na «Rádio Renascença» entre 2001 e 2004, na Sport TV entre 2001 e 2007. É comentador de futebol na SIC, desde 2007, e na antena da TSF desde 2004.

Mário Fernando

Jornalista há 27 anos passou a maior parte da vida profissional na rádio. Comercial, Renascença, RFM, Correio da Manhã e XFM até aterrar na TSF. Foi em 1995 e, três anos depois, passou a editor de Desporto. Até hoje. É um fanático por futebol, por isso, não tem paciência para a forma como os dirigentes tratam a coisa, ou seja, quando resolvem que os clubes deles é que contam e o resto é paisagem. Não é, mas isso eles jamais vão entender. No meio de tudo isto houve três reportagens que o marcaram: a primeira visita de Nelson Mandela a Londres depois da libertação e duas edições dos Jogos Olímpicos, Sidney2000 e Pequim2008. Curiosamente, nenhuma delas tem a ver com futebol.

Janeiro 2012 - Posts

Jogo de mercado

Colocado por mario.fernando em 30-01-2012 às 20h18

Contagem acelerada para o fecho do mercado intercalar. Tema central no Jogo Jogado desta semana, na TSF, com destaque para o regresso de Lucho Gonzalez ao Dragão. Que contará também com Janko, mas que fica sem Belluschi. Como interpretar estas movimentações? Isto para lá de Yanick Djaló estar na mira do Benfica e de Ruben Amorim ter Braga no horizonte.

Também em análise o colapso portista em Barcelos, que deixa os dragões a cinco pontos do líder. E que reflexos internos (e externos) pode ter este cenário inesperado. 


A regra dos contrastes

Colocado por mario.fernando em 30-01-2012 às 00h11

1 - Os dragões somaram a primeira derrota , provavelmente onde menos esperavam e em circunstâncias que, com toda a certeza, não lhes tinham passado pela cabeça. Vitor Pereira hierarquizou as razões: antes de elogiar a atitude competitiva do Gil Vicente e de arrasar o árbitro , reconheceu que o FC Porto não se comportou como um campeão que quer revalidar o título. Por muito que custe a alguns setores, a primeira causa do desaire em Barcelos está aqui.

Tinha aqui referido antes que não esperava grandes exibições de Benfica e FC Porto na contagem decrescente para o próximo jogo da Luz, pois a preocupação maior das duas equipas estaria em ganhar e não em brilhar. O Benfica foi por esta via frente ao Feirense. Esteve a perder e reagiu à procura de virar o resultado, empenhando-se seriamente na conquista dos três pontos, ou seja, teve a atitude correta de quem quer ser campeão e sabe que é preciso penar para lá chegar. Numa frase: fez pela vida. Num contraste visível , o FC Porto apresentou-se em Barcelos sem fulgor, sem ideias, mas , pior que tudo, sem vontade. O que fica da primeira parte do jogo é praticamente um deserto. Depois de sofrer um golo aos 15 minutos (em que toda a defesa, Helton incluído, fica muito mal na fotografia), o FC Porto pouco mais fez do que algumas vagas ameaças. O Gil Vicente foi muito melhor, porque soube ser mais equipa. 

Na segunda parte, já com 2-0 e ainda sem tempo para testar as entradas de Danilo e Belluschi, sofreu um terceiro golo num lance de execução perfeita de André Cunha. Ficou a impressão de que os portistas se tinham esquecido do que a equipa de Paulo Alves fizera na Luz, quando discutiu o jogo com o Benfica sem quaisquer complexos. A sentença na partida estava dada, apesar de Belluschi ter injetado algum ânimo no meio-campo e de Danilo, muito subido no terreno (os dragões passaram a jogar com três defesas), terem tentado fazer o que já não era possível. De resto, Vitor Pereira começa a ter alguma dificuldade em comprovar que Maicon é preferível a Danilo, que Belluschi é descartável ou que Kléber ainda pode resolver alguma coisa. Para quem não podia ter Fernando e Hulk em campo era, no mínimo, exigível que as escolhas fossem mais assertivas.

Depois há Bruno Paixão. Como não quero repetir-me sobre ele pela milésima vez, digo apenas que aquela atuação não tem nada de surpreendente. Compreendo que é difícil escolher sempre os melhores árbitros para os desafios relevantes em cada jornada, até porque não temos mais de quatro ou cinco no quadro da arbitragem, mas já seria um bom princípio não nomear os mais incapazes. O chefe dos árbitros também tem a obrigação de salvaguardar o espetáculo.

O FC Porto está, agora, a cinco pontos do líder. O caminho começa a estreitar e, do modo como a equipa se comportou em Barcelos, torna-se imprevisível saber como sairá da situação em que mergulhou. Uma coisa foi notória: a atitude de águias e dragões perante a adversidade não foi idêntica.

2 - O principal registo do jogo de Alvalade foi o regresso do Sporting às vitórias. Positivo, se nos lembrarmos que os leões não venciam desde o ano passado. Há ainda muito caminho a percorrer, até porque a segunda parte frente ao Beira Mar foi um exemplo de como as coisas estão ainda longe do que é necessário para recuperar terreno.

Seja como for, mesmo com as múltiplas baixas (qualitativas) que apresenta, o Sporting conseguiu uns 45 minutos iniciais interessantes, em que aproveitou bem dois lances de bola parada que levaram Onyewu a brilhar novamente nas alturas. Pelo menos, já se nota alguma eficácia que deriva do chamado "trabalho de laboratório". Embora falte acautelar o processo defensivo para evitar, por exemplo, ver a bola ir duas vezes aos ferros. 


Mais garra que arte

Colocado por mario.fernando em 29-01-2012 às 00h37

Entrámos naquela fase do campeonato em que não é de esperar grandes exibições por parte dos candidatos ao título. Com uma distância muito curta entre Benfica e FC Porto, à entrada para esta jornada, as duas equipas vão estar, até ao início de Março, muito mais preocupadas em ganhar jogos do que em ser brilhantes. Jorge Jesus já tinha avisado que a "nota artística" poderia ir para a gaveta em nome de valores mais relevantes. Confirmou-se na partida com o Feirense. Um triunfo mais "arrancado" do que "conquistado".

Pondo de lado a questão das dimensões do recinto (para mim, um debate com um interesse muito relativo), importa registar que Jesus deixou Gaitán e Nolito no banco. Segundo ele, foi uma opção propositada, sublinhando até que já tinha definido o timing de entrada de ambos na partida. Precisamente por isto, é bom sublinhar que tão negativa foi a escolha inicial como positiva a alteração operada.

Na verdade, o Benfica "não teve" alas durante mais de metade do jogo (Bruno César, sobretudo, ficou colado à linha e pouco mais) e Aimar não dispôs de espaço que se visse para orquestrar o que pretendia. Só por milagre o argentino conseguiria "tirar" algo de um raio de ação tão apertado. Além do mais, o Feirense soube gerir muito bem as áreas de atuação, cabendo aqui destacar o papel fundamental de Thiago Freitas, um médio-defensivo que esteve em muito bom plano. Tal como Diogo Cunha na primeira metade (Maxi e Emerson que o digam) e, acima de todos, o guarda-redes Paulo Lopes que, inclusivé, se deu ao luxo de "roubar" a bola a Rodrigo num lance de golo-quase-feito.

Foi, de facto , a dupla entrada de Gaitán e Nolito, com Rodrigo a jogar nas costas de Cardozo, que gerou uma alteração profunda no andamento da partida. O Benfica ganhou outra voltagem com destaque para Rodrigo que, após ter sido o mais inconformado antes, passou a ser a figura depois. É inegável que o Feirense quebrou a seguir ao segundo golo dos encarnados, mas isto é muito mais consequência da mutação benfiquista do que demérito da equipa da casa.

Sobre a arbitragem: mal. Há um ou dois lances que podem dividir opiniões e serem passíveis de decisões discutíveis. Simplesmente, quando é assinalado um fora-de-jogo a um jogador que está atrás da linha da bola não há matéria para qualquer debate. O lance em que Ludovic introduz a bola na baliza de Artur é legal. Não vou entrar em exercícios de futurologia sobre o que teria acontecido se o golo tivesse sido validado, porque me parece ridículo fazer afirmações peremptórias quando a história do jogo passaria a ser outra. Importa-me muito mais que Vitor Pereira, o chefe dos árbitros, avise os seus comandados que se concentrem realmente no que estão a fazer. É que estamos na segunda volta do campeonato, a luta vai ser mais cerrada que nunca, e o grau de exigência é ainda maior. Também para os árbitros.

PS: O Real Madrid já vai com sete pontos de avanço sobre o Barcelona. Agora, até Messi critica os árbitros. Como se previa, na hora do aperto, não há assim tantas diferenças.      


Totobolos

Colocado por mario.fernando em 27-01-2012 às 01h12

Andamos nós entretidos com os resultados, as performances das equipas, as ideias mais ou menos certas dos treinadores, a magia dos craques e as trapalhadas das arbitragens. No entanto, esquecemo-nos, por norma, do resto. E, de vez em quando, lá aparece, assim como para nos recordar que há um mundo paralelo do qual o futebol português não consegue descolar. O fisco voltou a encostar os clubes à parede e o pânico instalou-se nas hostes. Está de volta o Totonegócio. Resta saber se o assunto vai, finalmente, abalar as estruturas ou se é mais do mesmo. Quer dizer, Totobola ou Totobolos.

Desde 1999 que os clubes andam a liquidar uma dívida brutal. O Totonegócio foi uma fuga muito oportuna (e vantajosamente negociada pelos clubes) que lhes permitiria sair de um buraco e, dizia-se, regenerar financeiramente muita coisa. Claro que, logo na altura, muita gente torceu o nariz colocando enormes reservas à solução. A ideia era simples: os clubes abdicavam de receber as percentagens respeitantes aos dinheiros do Totobola de forma a que aquelas fossem abatidas à dívida global. Pois, o problema é que chegados a 2004 ainda faltava liquidar cerca de 19 milhões. Vai daí, Totonegócio II. Pois, o problema é que chegados a 2011 ainda faltava liquidar cerca de 13 milhões. Dizem os clubes que a culpa não é deles, uma vez que as receitas do Totobola baixaram substancialmente quando inventaram os Euromilhões desta vida. É verdade, mas um acordo é um acordo.

A execução fiscal lá apareceu e, agora, é muito complicado explicar aos cidadãos que estão a ser espremidos diariamente pela "austeridade" que a malta do futebol deve ser tratada de maneira diferente. Aparentemente, o Governo deu-lhes uma nega quando tentaram , pela enésima vez , renegociar. Desta feita, parece, há mesmo sarilho.

Enquanto contribuinte, apesar da minha enorme paixão pelo futebol, não entendo por que motivo tenho de andar com os impostos em dia e os clubes não. Pior ainda, não entendo como podem existir vários clubes a gastar o que não têm, com ordenados em atraso e contratações bizarras. Já seria hora de se arrumar a casa de vez. Mas, não sei porquê, palpita-me que esta estória ainda vai sobrar para nós. Como é hábito, de resto.


Um princípio?

Colocado por mario.fernando em 26-01-2012 às 01h28

Uma reunião de trabalho e um jantar inadiável e incontornável. Já sabia que não iria assistir ao Barça - Real, mas depois do resultado da primeira mão a eliminatória parecia resolvida. Do mal o menos, pensei. Azar. Diz-me um amigo meu que perdi uma grande jogatana. Espreitei os sites, de cá e de lá, e todos convergem num ponto: o Real, desta vez, respondeu à letra ao Barcelona.

Cá para mim, isto não é exactamente o fecho de uma etapa. Aparenta ser muito mais o princípio de qualquer coisa.  


King , o primeiro

Colocado por mario.fernando em 25-01-2012 às 00h40

Sempre me recusei a alinhar naquela discussão inútil sobre qual o melhor jogador português de todos os tempos. Durante bastantes anos, Eusébio ocupou sozinho o lugar. Quando Luis Figo ascendeu a melhor do mundo, parte das gerações mais novas começaram a olhar para o médio como o símbolo maior do nosso futebol. Hoje , com Cristiano Ronaldo colocado ao lado de Messi na categoria dos "extraterrestres" , o craque do Real Madrid é olhado por vários setores como o nosso melhor dos melhores. No fundo , é fácil perceber que cada um deles é um marco e que Portugal só tem três no universo planetário. A questão é que o King foi o primeiro.

Eusébio completa 70 anos. Ignorar a data seria sempre um acto de petulância desnecessária. O antigo jogador representou para o Benfica mas, sobretudo, para Portugal algo que dificilmente se poderia imaginar num país periférico, retrógrado e provinciano, fechado sobre si próprio por uma ditadura que fazia gala de viver "orgulhosamente" só. Eusébio foi um fenómeno, certamente o primeiro a beneficiar do advento da televisão nas grandes competições internacionais. 

Já depois de ter sido campeão europeu pelo seu clube e de ter recebido uma Bola de Ouro, é no Mundial de 1966 que verdadeiramente ele é "descoberto" pelos amantes do futebol espalhados pelos cinco continentes. No primeiro Campeonato do Mundo em que a carga mediática transformou o futebol na máquina gigantesca que hoje conhecemos, a estrela foi Eusébio. E isto fez toda a diferença.

Num país que não sabe o que é cultura desportiva, pois não consegue passar da básica cultura clubística, perde-se imenso tempo a olhar para o acessório em vez de nos centrarmos no essencial. Eusébio abriu um caminho que, felizmente, outros como Luis Figo e Cristiano Ronaldo, graças às suas qualidades de atletas geniais, puderam também trilhar. Em contextos completamente diferentes e, por consequência, impossíveis de comparar. Mas não poderá ser isso a impedir-nos de apontar Eusébio como um homem de exceção, de tal forma que não há uma única lista de "melhores de todos os tempos", elaborada em qualquer ponto do globo (FIFA e UEFA incluídas) em que o seu nome não apareça. É difícil, muito difícil, ao fim de todas estas décadas, continuar no lote daqueles que fizeram a história do futebol mundial. Mas ele está lá.


Mudar o alvo

Colocado por mario.fernando em 24-01-2012 às 00h56

Depois de mais um jogo sem ganhar - e vão seis consecutivos em 2012 nas três frentes domésticas - , já a 13 pontos do líder e a 11 do segundo classificado , o Sporting é obrigado a redefinir os seus objetivos no campeonato. Domingos Paciência aponta agora ao terceiro lugar, admitindo que, mesmo assim, os leões têm de fazer bastante mais para lá chegar. É que o Braga já está a cinco pontos de distância e o Marítimo igualou a equipa leonina.

Não adianta agora retomar as múltiplas razões que explicam o facto do Sporting ter chegado a este ponto. O diagnóstico está feito, embora ainda haja quem se recuse a encarar a realidade. Aliás , o desafio de Olhão foi, uma vez mais, elucidativo. Face às limitações, a que se juntou a lesão de Schaars (mais um), o meio-campo leonino foi constituído por Daniel Carriço, Renato Neto e Matias. Que é como quem diz , Matias teve de esgotar-se para fazer o trabalho dele e o dos outros.

Quanto à frente de ataque , sem Wolfswinkel (e sem Bojinov, o que neste caso nada abona a favor da alternativa), teve de ser Jeffren a assumir o papel de "9". Que é como quem diz, Ribas foi um ensaio mal sucedido e Rubio é bom rapaz mas ainda é cedo para estas andanças. Isto para não lembrar que o Sporting continua sem um central de topo que comande as operações lá atrás. E a propósito de "lá atrás", tire-se o chapéu a Rui Patrício, um autêntico monstro da baliza que negou ao Olhanense, com três defesas "impossíveis", o golo que até poderia ter liquidado com tudo.

O alvo é, então, o terceiro lugar. Perspectiva realista, na verdade, para a qual Domingos só pode contar "com os que há". Acontece que Janeiro está a ser um mês letal para os leões, muito por causa das ausências que os impedem de construir uma equipa com alguma capacidade competitiva (a já célebre diferença entre ter uma boa equipa e um plantel assim-assim). Os próximos tempos continuam a afigurar-se complexos, mas o técnico vai ter de arrancar daqueles "que há" qualquer coisa que se veja. Não vai ser fácil trabalhar psicologicamente um grupo que revela tanta falta de confiança nele próprio (exemplo: Carrillo, de baliza aberta, atira para a lateral). Talvez tudo comece numa vitória, aquilo que o Sporting não sabe o que é desde o ano passado.

PS: Uma vez mais, Domingos critica a arbitragem imputando-lhe parte da responsabilidade pelo insucesso. Pena. Desde o início da época que o técnico foi um dos (poucos) elementos em Alvalade com uma louvável lucidez na análise do que o rodeava. Este virús do mês de Janeiro também o está a contagiar.  


Jogo em contagem

Colocado por mario.fernando em 23-01-2012 às 20h12

Por mais voltas que se dê , no horizonte já desponta o Benfica - FC Porto de Março. Está longe , é verdade , mas apenas a quatro jornadas de distância. No Jogo Jogado desta semana , na TSF , olhámos para o percurso que falta a ambos e de que forma pretendem conservar o ombro a ombro até lá. Depois , a estreia de Danilo e o factor "plus" Aimar.

De caminho , uma reflexão sobre os porquês da actual situação do Sporting , à margem dos resultados propriamente ditos. E Mourinho com direito a assobios em Madrid , apesar de ter o melhor Real dos últimos anos no campeonato. É o fantasma Barcelona outra vez.

 


Somar e seguir

Colocado por mario.fernando em 23-01-2012 às 01h24

Entrámos naquela fase do campeonato em que Benfica e FC Porto têm de cumprir a obrigação de ganhar, até ao dia em que vão encontrar-se no Estádio da Luz. Já se percebeu que, esta época, as partidas entre os grandes (alargadas ao Braga , um terceiro classificado para levar a sério) vão acabar por decidir muito mais do que noutras ocasiões. No caso concreto de águias e dragões, os únicos dois que estão em condições de lutar pelo título (pese embora a gentileza dos discursos de Jorge Jesus e Vitor Pereira em relação a Braga e Sporting), lá somaram os três pontos da ordem, com maior ou menor dificuldade. Nada será simples, mas ambos têm argumentos para desatar os nós. Como se viu.

O Benfica teve mais problemas perante o Gil Vicente. Antes do mais, convém sublinhar que os gilistas foram os grandes responsáveis, pois Paulo Alves não teve qualquer complexo em ir à Luz discutir o resultado. A atitude é louvável - e rara, nos tempos que correm - já que o técnico partiu de um princípio elementar: ao defrontar o Benfica, se alguém tem algo a perder não é o Gil Vicente. Portanto , "rechear" o meio-campo, reduzir espaços aos criativos encarnados e apostar no contra-ataque rápido (atenção a Hugo Vieira, um jogador a não perder de vista) foi a fórmula tentada e que quase resultava. Pelo menos, funcionou durante toda a primeira parte e no início da segunda (Artur que o diga).

Isto é um lado da questão. É que do outro havia uma equipa sem grande fulgor e pouco imaginativa, assim como uma grande orquestra sem maestro. Jesus percebeu que, daquela maneira, dificilmente lá chegaria. Com a entrada de Aimar começa a mudança de ritmo e de rumo. Saiu um Gaitan em dia-não e Witsel encostou à direita. Foi meio passo apenas, pois com Bruno César em campo e Witsel mais recuado o Benfica, finalmente, reequilibrou-se. A inspiração de Rodrigo e a visão de jogo de Nolito fizeram o resto. É notável como a magia de Aimar consegue contribuir para uma guinada na partida em apenas dois minutos.

Esta questão das figuras acima da média também é aplicável ao FC Porto. Teve menos complicações para derrotar o V.Guimarães, mas nem por isso houve menor necessidade de aplicação. Vitor Pereira pode recorrer à tese do "colectivo" para explicar a forma como a equipa superou a ausência de Hulk, o que , embora não deixe de ser verdade, apenas justifica parte da realidade.

No dia da estreia de Danilo (já lá vamos) voltou-se a ver até que ponto há pilares imprescindíveis na equipa portista. Álvaro Pereira continua a ser a chave da profundidade de jogo de que o FC Porto precisa e, num momento em que o Palito se aproxima rapidamente do melhor da época passada, isto nota-se. Fernando é outro que recuperou os níveis exibicionais e já se pode conferir a diferença com e sem ele. João Moutinho é um motor eficaz, desde que lhe dêem espaço para manobrar (vidé segunda parte). A juntar a estas componentes, ainda houve um James q.b. para realizar alguns passes letais e um Varela que promete.

Colocadas as coisas desta forma poder-se-ia pensar que Hulk nem fez falta. Não é verdade. O FC Porto soube compensar a ausência das explosões do brasileiro (e os desequilíbrios que ele gera), mas não se livrou de uma primeira parte em que as oportunidades de golo se repartiram, acabando por prevalecer o inesperado sentido de "ponta-de-lança" de Rolando (Kléber devia rever várias vezes o lance do primeiro golo dos dragões). O Vitória decresceu na segunda metade, mas nem por isso deixou de ser incómodo.

Danilo estreou-se. Com Maicon na lateral direita , a jovem (e cara) contratação portista foi para o meio-campo. Registou bons apontamentos, mas só o tempo dirá como vai ser a sua resposta às exigências, apesar de lhe serem reconhecidas qualidades evidentes. De uma coisa ficámos já esclarecidos: ao contrário do que tinha dito o treinador, Danilo até pode acabar a jogar noutra posição que não aquela referida inicialmente por Vitor Pereira. O que nem seria propriamente uma surpresa.  


Sem rumo

Colocado por mario.fernando em 20-01-2012 às 01h04

Dizia eu , antes do jogo de Alvalade , que se o Sporting não ganhasse ao Moreirense então ninguém faria ideia de quando conseguiria vencer. Afinal , a história que tem marcado o ano de 2012 repetiu-se. Os leões , participando em três provas , ainda não triunfaram em nenhuma. E , na Taça da Liga , mostraram novamente que algo está tremendamente errado naquela equipa.

Como se não bastassem os problemas no eixo da defesa , a inconsistência no meio-campo e a ausência de um homem-golo , agora até se armam discussões para a marcação de penáltis que culminam em processo disciplinar. Bojinov , um evidente erro de "casting" , não satisfeito com o facto de não ser alternativa a Wolfswinkel , mesmo quando tem oportunidade para tal , foi o responsável pelo ponto alto da desorientação leonina perante uma equipa da Liga de Honra que , note-se , alinhou em Alvalade com vários não-titulares no onze inicial.

O Sporting partiu para esta temporada embalado na "mudança". Foi total , ou seja , de cima a baixo. Houve quem percebesse que isto implicava também uma alteração de conceitos e um corte com a tradição do "agora é que é" , porque não é fácil retomar um caminho de conquista sem estratégias claras. E de longo prazo. Houve quem percebesse , de facto , mas foram poucos. Uma qualificação rápida na Liga Europa , juntamente com uma série de bons resultados no campeonato perante equipas de segunda linha , avivaram aquilo que de pior marcou os últimos anos : a ilusão de que os problemas estavam resolvidos e que o Sporting já podia bater-se de igual para igual com os outros dois grandes do futebol português. Não podia.

Para começar , o Sporting ainda não tem um plantel com a qualidade dos de Benfica e FC Porto. Até pode fazer uma equipa de bom nível - porque tem alguns jogadores francamente bons - , mas há uma enorme diferença entre uma equipa e um plantel.

Repare-se nas bolandas em que Domingos tem andado para solucionar a ausência de Rinaudo , oscilando entre Renato Neto - que entrou de caras no onze para sair logo a seguir - , Schaars , André Santos , Carriço... No eixo da defesa é Onyewu quem vai segurando as pontas como pode , sendo que escolher entre Polga e Rodriguez é um risco permanente. Nas alas sobra o voluntarioso Capel , mas Carrillo é capaz do melhor e do pior e Jeffren ainda não começou a render. Entretanto , Rubio e André Martins "desapareceram" , Ribas chegou e foi atirado "às feras" (sem resultados práticos) , enquanto Bojinov...é melhor nem falar.

O técnico leonino teve a confissão da noite ao afirmar que toda a gente tem de fazer bastante melhor , a começar por ele próprio. Pouco mais de 24 horas após ter disparado em múltiplas direcções do interior do clube , Domingos assume a sua quota de responsabilidade. Ele sabe que o facto do Sporting ainda não ter ganho desde as férias do Natal também sobra para ele. Seja , ou não , o verdadeiro culpado , o treinador também tem de responder por isto.

Mas há algumas coisas em relação às quais Domingos tem razão. Nomeadamente quando fala de um projecto a dois anos que não é possível concretizar em seis meses. Aliás , ao ouvir a entrevista de Dias da Cunha à TSF , em que o antigo presidente defende integralmente o técnico , percebemos que há questões laterais que , eventualmente , também podem estar a contribuir para o "estado de alma" que vigora em Alvalade. A história das fotografias nos túneis , que saltam do aparato mais ou menos belicista para os girassóis , ou o incêndio nas bancadas da Luz (que liquidou as razões de queixa dos leões em relação à propalada "gaiola") foram exemplos apontados pelo ex-presidente de como há coisas algo incompreensíveis. E que não ajudam nada o clube a afirmar-se.

É difícil prever que desenvolvimentos terá o andamento da equipa. Como referi no início, quem não ganha ao Moreirense , em casa , num jogo da Taça da Liga em que era imperioso vencer - e , além do mais , realiza uma exibição globalmente má - , só pode deixar um mar de dúvidas e zero certezas. A partida de Olhão é vital para a definição de uma saída. Qualquer que ela seja.     



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