Com Luís Freitas Lobo e João Rosado, sob a arbitragem de Mário Fernando

Às segundas, depois das 19h, com repetição depois da meia-noite.

Luís Freitas Lobo

Nasci em 1967. Em 1970, portanto, já estava presente para testemunhar as maravilhas de Pele, Jairzinho, Tostão e companhia no Mundial do México. Ainda não conseguia, no entanto, ver os jogos sob uma perspectiva táctica. Agora, como os tenho todos gravados na minha colecção particular de vídeos, vejo-os religiosamente. Como se viajasse no tempo e visse Puskas da mesma forma que hoje vejo Kaká. Para mim, mais do que cinco continentes e sete mares, o mundo é um infinito conjunto de campos de futebol com muitas casas á volta e desde 1998 que tenho procurado, em vários meios de comunicação, passar essa emoção. Porque, como gosto de dizer 'Quando um homem tem uma paixão, seja ela qual for, o melhor que tem a fazer é ir tratar dela!'
Da Revista Mundial e Publico, até ao Expresso e à sagrada A Bola, a Bíblia com que em menino aprendi a escrever lendo Mestres como Vítor Santos. Na rádio da Antena 1 à TSF, na televisão, da SIC Noticias até à RTP, onde hoje estou. Todos os dias penso em futebol. Por isso, em qualquer local, falo ou escrevo sobre futebol, partindo sempre da única forma que o entendo ser possível conceber: com emoção.

João Rosado

João Rosado nasceu em Évora, em 1970. É licenciado em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Entre 1988 e 1992 foi colunista no jornal «A Capital». Foi redactor no jornal «Record» entre 1992-1995 e 2003-2004. Entre 1995 e 2002, foi redactor e editor no jornal «O Jogo». Desde 2007 é colunista no jornal «Diário de Notícias. Foi comentador de futebol na «Antena 1» entre 1999 e 2000, na «Rádio Renascença» entre 2001 e 2004, na Sport TV entre 2001 e 2007. É comentador de futebol na SIC, desde 2007, e na antena da TSF desde 2004.

Mário Fernando

Jornalista há 27 anos passou a maior parte da vida profissional na rádio. Comercial, Renascença, RFM, Correio da Manhã e XFM até aterrar na TSF. Foi em 1995 e, três anos depois, passou a editor de Desporto. Até hoje. É um fanático por futebol, por isso, não tem paciência para a forma como os dirigentes tratam a coisa, ou seja, quando resolvem que os clubes deles é que contam e o resto é paisagem. Não é, mas isso eles jamais vão entender. No meio de tudo isto houve três reportagens que o marcaram: a primeira visita de Nelson Mandela a Londres depois da libertação e duas edições dos Jogos Olímpicos, Sidney2000 e Pequim2008. Curiosamente, nenhuma delas tem a ver com futebol.

Fevereiro 2012 - Posts

Villas-Boas em Jogo (às 18.00)

Colocado por mario.fernando em 27-02-2012 às 16h23

O Jogo Jogado tem uma edição especial esta 2ª feira, integrada na semana de aniversário da TSF, à semelhança de outros programas da estação. E temos um convidado. A escolha recaiu em André Villas-Boas , a quem convidámos há cerca de um mês, e que aceitou sem reservas. Apesar de tudo o que sucedeu no Chelsea de então para cá, Villas-Boas manteve a sua disponibilidade e, na passada quinta-feira, recebeu o Jogo Jogado em Londres.

As razões para a escolha do técnico do Chelsea obedeceram a três fatores fundamentais. Primeiro, porque Villas-Boas ainda não tinha dado uma entrevista (nós preferimos chamar-lhe conversa) de fundo à comunicação social portuguesa desde a sua entrada em Inglaterra. Segundo, porque a ideia do programa , como sabem os que nos seguem, é debater futebol , sob vários ângulos, e o técnico da equipa londrina estava aberto a abordar as questões relacionadas com as suas opções no Chelsea, o seu futuro próximo e longínquo e a realidade europeia e portuguesa. Terceiro, porque seria muito difícil - para não dizer impossível - ter este tipo de enquadramento com um dos técnicos de primeira linha em funções no futebol português. Não por não serem capazes (claro que são), mas simplesmente porque a tradição portuguesa não se compadece com este género de iniciativas durante a temporada.

André Villas-Boas está no Jogo Jogado num programa com duas partes e que, por isso, vai estender-se, desta vez, entre as 18 e as 20 horas. Só com pausa para o noticiário. 


Afinal, havia outro (líder)...

Colocado por mario.fernando em 27-02-2012 às 01h08

1 - Aqui há duas semanas eram certamente muito poucos os que imaginariam que, na viragem do segundo terço do campeonato, o líder seria...o FC Porto. Mais: na contagem decrescente para o clássico da Luz, face ao que os dragões estavam a produzir, por contraponto com o Benfica, a tendência apontava para uma resolução do título relativamente rápida. Errado. Dois tropeções dos encarnados, a que os dragões corresponderam com triunfos, viraram tudo do avesso.

Sem prejuízo de regressar proximamente ao assunto do clássico - até porque as equações que se podem elaborar são substancialmente diferentes das que existiam até agora - , e olhando para o desempenho portista frente ao Feirense, digamos que esta vocação para o "suspense" não larga Vitor Pereira. O FC Porto ganhou de forma inquestionável, mas precisou de passar mais de uma hora de "seca" total até libertar-se o suficiente para, finalmente, concretizar. A ineficácia-funcional da estrutura atacante (incluindo um penálti falhado) prolongou o desespero dos adeptos.

A questão é que o FC Porto sabia que um triunfo o recolocava no topo da tabela, mas isto, ao contrário de gerar uma dinâmica de conquista acelerada, provocou, pelo contrário, um estado de ansiedade que só complicou. Pior ainda quando Paulo Lopes se assumiu como a estrela do jogo (que o digam Janko, Hulk e James), realizando uma exibição notável, que só não foi integralmente perfeita porque ele é muito bom guarda-redes mas não um santo milagreiro. Foi preciso a expulsão (certa) de Luciano, o "despertar" de James e a vertiginosa entrada de cabeça de Maicon (grande exibição do central) para derrubarem de vez as dúvidas que a equipa portista impôs a si própria.

Está, portanto, concretizada a troca na liderança do campeonato. O FC Porto passa agora a assumir a responsabilidade de defender o primeiro lugar, tendo já a seguir o maior dos desafios pelos quais poderia passar, ou seja, um jogo na Luz. Se quisessemos levar à letra a tese de Jorge Jesus, a pressão está agora do lado do Benfica, pois o técnico encarnado defende que ela só existe para os que estão atrás. Mas todos sabemos que é sempre preciso relativizar a retórica.   

2 - Houve um momento em Alvalade que marcou o jogo. Se quisesse ser mais acertivo , diria que foi o único em que o jogo fez sentido. Falo, naturalmente, do lance de execução técnica suprema assinado por Izmailov que ditou o resultado. Em boa verdade , aquilo que fica para a história do Sporting - Rio Ave é mesmo o acto de magia protagonizado pelo russo.

O Sporting-versão-Sá Pinto ainda está a dar os primeiros passos. O que significa também que vai ser preciso esperar bastante mais para que se comece a ver algo de realmente palpável. Simplesmente, iniciar um processo destes a meio da época tem consequências, como, calculo, os responsáveis leoninos sabiam ao tomarem a decisão de mudarem de treinador. Portanto, não deve surpreender que a equipa leonina apresente ainda - e sabe-se lá durante quanto tempo - a ausência de um modelo consolidado de jogo.

Como o único objetivo, em termos de campeonato, é tentar uma vaga na Champions (mesmo que pela via indireta do terceiro lugar), o Sporting vai cumprindo a missão que se resume, claro , a somar três pontos. Deste ponto de vista, o fundamental foi obtido frente aos vilacondenses. Mas não apaga tudo o resto que, de facto , deixa bastante a desejar. Depois de uma primeira parte razoável, a segunda trouxe ao de cima várias das insuficiências que marcaram a última fase do consulado de Domingos Paciência. Não fazer um remate a sério à baliza adversária, ver Wolfswinkel perder todos os duelos diretos com Gaspar e constatar que as únicas duas reais oportunidades de golo pertenceram ao Rio Ave são indicadores do muito que é necessário fazer em Alvalade.  


Marcha atrás

Colocado por mario.fernando em 25-02-2012 às 23h46

Chegou a ter cinco de pontos de vantagem e a perspetiva de defrontar o FC Porto com a hipótese de arrumar de vez a questão do título. Em duas jornadas apenas, e, para cúmulo, precisamente aquelas que antecedem o clássico da Luz, o Benfica desbaratou o avanço. Agora, até está perante a possibilidade de defrontar os dragões em igualdade pontual com as implicações que daqui derivam. Não vale a pena discutir sobre quem pesou mais a "pressão", porque a única coisa que realmente conta é que o líder do campeonato derrapou exatamente nos momentos em que não podia.

Jorge Jesus tem alguma razão quando diz que o empate com a Académica se explica pela (assustadora, acrescento eu) ineficácia na concretização. A tal equipa que marcava em todos os jogos - chegando a uma sequência de quase 40 jogos a facturar - apresenta agora problemas em acertar no alvo e começou a pagar caro por isso. O Benfica constrói oportunidades, cria situações, mas falha. Claro que Peiser , o melhor jogador em campo no desafio de Coimbra, pode reclamar justamente para si grande parte da responsabilidade pelo zero do adversário. Só que os desperdícios de baliza aberta por parte dos jogadores encarnados é algo que deve obrigar Jesus a refletir bastante sobre o que se está a passar.

A partida valeu, sobretudo, pela segunda parte. A primeira metade resume-se ao domínio do Benfica , a uma apetência ofensiva nula por parte dos academistas e a duas grandes intervenções de Peiser. Já os segundos 45 minutos deram muito mais. E tal ficou a dever-se, em primeira instância, à mudança tática operada pelo técnico da Luz , ao "virar" para um 4x1x3x2 , com Witsel mais recuado e Nelson Oliveira ao lado de Cardozo na frente de ataque. A carga ofensiva do Benfica foi claramente maior, embora a saída de Matic tivesse aberto outros espaços à Académica, que pôde ripostar com novo sentido.

Não restava outra solução a Jesus que não fosse jogar no risco. Daí ter lançado Nolito e, posteriormente, retirado Aimar (Bruno César passou para o meio) e colocado Yannick na tentativa de provocar mais velocidade numa frente atacante que já era mais do que "ampla". O problema é que o Benfica denotou não possuir a serenidade - ou, se preferirem, a frieza - para lidar com um cenário adverso. Quando na derradeira dezena de minutos se viu, inúmeras vezes, Garay com passes longos diretamente para Nelson Oliveira, percebeu-se que o destino estava traçado.        

Embora a maior responsabilidade do resultado seja do próprio Benfica , isto não invalida a arbitragem negativa de Hugo Miguel. Não falo do lance com o braço de Cédric, pois os árbitros já demonstraram que têm duzentas interpretações para casos semelhantes. Mas transformar uma rasteira a Aimar, na área da Académica, numa falta contra os encarnados é, no mínimo, incompreensível.

A partir daqui, a grande incógnita é saber como vai o Benfica tentar desmontar o sistema que o FC Porto, quase de certeza, vai adoptar na Luz. Além de que, depois de ter deixado fugir o "pássaro" que teve na mão até estas últimas duas jornadas, o Benfica tem muito mais em questão no clássico do que o seu adversário.   

PS : Durante a minha ausência, o FC Porto foi goleado em Manchester, o Sporting eliminou o Légia e o Braga ameaçou um milagre em Istambul. E Paulo Bento deixou Hugo Viana de fora da convocatória para a Polónia. Nos jogos da Liga Europa é futebol e todas aquelas coisas podem acontecer. Mas será que o selecionador pode dar-se ao luxo de abdicar de um dos melhores médios portugueses da atualidade?


Imperfeições

Colocado por mario.fernando em 21-02-2012 às 00h35

A perfeição não existe, mas nada nos impede de tentarmos chegar o mais perto possível dela. Jorge Jesus tinha dito que o Benfica precisava de ser "perfeito" em Guimarães para vencer a partida, porventura a mais crucial na contagem acelerada para o clássico da Luz. Não era preciso pedir tanto , apenas que a equipa encarnada se apresentasse como tem sido habitual e que tivesse a capacidade de responder, em todos os planos, como mandam as regras de um candidato ao título. Afinal , nem uma coisa nem outra. O Benfica perdeu pela primeira vez no campeonato e o Vitória ganhou bem.

Num jogo sem Javi Garcia, o técnico benfiquista optou por deixar Witsel de fora. Foi o primeiro risco e um convite a que perfeição não chegasse. Pondo as coisas de outra forma: o Benfica apresentou-se com Matic à frente do quarteto defensivo e, depois, uma espécie de "cavalaria total", com uma amplitude atacante que incluía Nolito e Gaitan, nas alas, e Aimar ao meio "colado" a Cardozo e Rodrigo. Se a ideia era encostar o Vitória às cordas (e parece que era), falhou um "pormaior". É que com dois blocos praticamente "partidos" a equipa de Jesus não conseguia desbatar o 4x2x3x1 do adversário, nem evitar a criação de espaços atrás da sua própria barreira ofensiva.

É verdade que o Benfica teve oportunidades para concretizar (Nolito, Gaitán e Cardozo), mas num quadro destes não se pode errar. E se, do ponto de vista da eficácia a equipa esteve completamente abaixo do rendimento usual (marcava ininterruptamente há 37 jogos), do ponto de vista defensivo não esteve melhor. Os três golos em S.Petersburgo, como aqui referi na altura, foram um aviso que, pelos vistos, o Benfica não entendeu muito bem. Só isto pode explicar o falhanço coletivo no lance do golo vimaranense, com Leonel Olímpio a desviar para Toscano e este a rodar para o pontapé fatal. Tudo na pequena área e com uma defesa inteira a ver jogar.

Mais complicada foi a vida na segunda parte. Quando era imperioso inventar uma solução para virar o resultado, os jogadores encarnados começaram a pagar o desgaste da partida com o Zenit e as forças (e a lucidez) foram-se desvanecendo. Muita luta, pouco tacto. Enquanto isto , Barrientos dava cartas e João Paulo era absolutamente imperial. Jesus trocou Matic por Witsel - para o treinador ou era um ou era outro , nunca os dois - e à beira dos últimos cinco minutos "saca" de Bruno César e Nelson Oliveira, muda para três defesas e...nada. O problema não estava no fim , mas sim no início.

O facto é que o FC Porto está agora a apenas dois pontos do líder. Aliás, o técnico fez questão de sublinhar várias vezes, após o desafio, que o líder continua a ser o mesmo. O que, embora seja verdade, não esconde que as condições já não são as iguais. Se o clássico da Luz era, obviamente, um jogo-chave para o campeonato, passou a ser agora a chave-mestra na discussão do título. E ainda há uma jornada antes dele.

PS : Por razões profissionais vou ausentar-me do país até ao final da semana. Infelizmente, não vou poder acompanhar as partidas da Liga Europa. Falamos depois.   


Os pontos e o resto

Colocado por mario.fernando em 20-02-2012 às 01h40

1 - Já se calculava que a missão de Ricardo Sá Pinto não fosse fácil. Pegar na equipa do Sporting da forma como aconteceu e, sobretudo , no momento em que sucedeu, colocava-lhe nos ombros um trabalho espinhoso. E, por aquilo que se viu frente ao P.Ferreira, a conclusão é que ainda poderá ser mais complexo do que se supunha.

Nesta fase a única coisa que realmente importa é ir somando os três pontos da ordem, mesmo que tudo o resto esteja muito longe dos chamados mínimos olímpicos. O Sporting ganhou com um autogolo, o que nem seria especialmente relevante, caso tivesse feito mais e melhor. O facto é que os leões, tirando o penálti desperdiçado, não conseguiram construir uma oportunidade de golo digna desse nome, por contraponto a uma equipa pacense que teve nos pés de Michel as três maiores hipóteses do desafio , terminando uma a centímetros do poste e as outras duas em intervenções de grande nível por parte de Rui Patrício. Acresce que, na segunda parte , os únicos dois remates à baliza de Cássio surgiram já nos derradeiros cinco minutos da partida.

O caminho é necessariamente longo, por estarmos perante um (quase) regresso ao ponto de partida, algo que, a meio da época, pode não ser bem entendido por vários setores. Não tenho memória de ver o Sporting assobiado na estreia de um novo treinador. Só que isso aconteceu, o que denota que o consenso que eventualmente se pretendia com a entrada de Sá Pinto não corresponde à realidade. Pelo menos, para já. Resta saber se haverá tempo e paciência, como apelava o próprio técnico, para que ele ponha em prática os seus conceitos. Por exemplo, verificar até que ponto funciona colocar Schaars numa posição mais adiantada no terreno ou esperar por uma subida de rendimento de Izmailov que é, claramente, uma aposta de Sá Pinto.

A garra está lá, a tal que, efetivamente, se tinha esfumado nos últimos tempos. Mas se o Sporting mostrou essa vontade continua também a evidenciar falta de confiança nele próprio. Muita ansiedade e pouca lucidez, como se pôde contabilizar pelo número de passes precipitados que os jogadores realizaram. Recuperar psicologicamente uma equipa nunca é fácil, ainda por cima com assobios como pano de fundo. É aguardar pelos próximos capítulos, mas já se percebeu que no universo leonino nem todos estão dispostos a esperar muito.

2 - Um golo praticamente a abrir o jogo foi mais de meio passo para o FC Porto cumprir o calendário. O V.Setúbal é uma das equipas mais frágeis do campeonato e uma entrada daquelas retira as ilusões a qualquer um. Com andamento q.b. , os dragões dominaram como lhes apeteceu a primeira metade, marcando novamente (excelente lance de Hulk a assistir um oportuníssimo Fernando) e indo para o intervalo com a sensação de missão cumprida. Depois do que sucedeu frente ao Manchester City, e em vésperas de voltar a apanhar os ingleses pela frente, o desafio do Bonfim não obrigaria a muito mais história.

Será isto , provavelmente, o que explicará o decréscimo da segunda parte do encontro, com um Vitória bastante mais subido no terreno, e com Vitor Pereira mais preocupado com a poupança (Lucho, Moutinho, Hulk) do que com o resto. Claro que estas coisas têm sempre um reverso da medalha, daí o susto provocado pelo livre brilhantemente marcado por Meyong, que os dragões tiveram de "colmatar" acelerando o suficiente para reporem a vantagem e, aí sim , colocarem ponto final na partida. Não é que o triunfo alguma vez tivesse sido verdadeiramente ameaçado, porque os sadinos não dão mais do que aquilo, mas também se vê que este FC Porto pouco tem a ver com o de outros tempos em que a afirmação categórica era uma imagem de marca.

Sapunaru e Alex Sandro foram os laterais de serviço, o que voltará a acontecer, calcula-se, no jogo da Champions em Inglaterra. Na rodagem do Bonfim estiveram em bom plano, mas a "rotação" em Manchester será outra com toda a certeza. A seguir com atenção.

3 - Posto isto , o Benfica não tem campo de manobra. Todos os seus perseguidores ganharam, principalmente aquele que conta na corrida pelo título, o FC Porto. Jesus diz que esta é a "pressão positiva" de que os líderes gostam, um discurso igual ao que Villas-Boas utilizava na época passada. Deve ser uma filosofia de quem segue na frente, compreensível, até por ser motivadora. Mas o técnico do Benfica sabe igualmente que, na contagem decrescente para o clássico da Luz, quanto mais perto estiver desse jogo, mais problemático é um deslize.    


Passo atrás, passo à frente

Colocado por mario.fernando em 17-02-2012 às 00h51

1 - Quase sempre (o "quase" explica-se porque as excepções existem para confirmar a regra) os mais bem apetrechados vencem. Todos temos consciência da diferença do peso financeiro entre FC Porto e Manchester City, mas também não ignoramos que, do ponto de vista qualitativo, estamos a falar de mundos diferentes. Os dragões tentaram a sua sorte, até fizeram por isso, só que o destino estava traçado. O City, do futebol meio-cínico de Mancini, foi melhor e ganhou.

É verdade que os portistas se portaram à altura durante os primeiros 45 minutos. Até mesmo depois da lesão de Danilo que obrigou a uma recomposição da defesa e retirou profundidade a um dos corredores. Os dragões lidaram com o calculismo possível com uma equipa inglesa (?) que nem sequer parecia muito interessada em grandes feitos. O City só pretendia deixar correr a primeira mão, para tratar do assunto na próxima semana. Uns contra-ataques, supostamente, seriam suficientes para controlar a situação e, vendo bem , quase que resultavam não estivesse Helton em plano elevadíssimo para destruir as oportunidades de ouro de Nasri e Balotelli.

Foi o período durante o qual o FC Porto ensaiou alguns lances preciosos, até o eixo Lucho-Hulk culminar no desvio fatal de Varela. Com realismo , a vantagem dos dragões nem podia surpreender, se olharmos a forma como Fernando dominava o seu raio de ação e Moutinho, às vezes, arriscava. Interessante, sem dúvida, mas acabou ao intervalo. O City deslocou-se ao Dragão para gerir a eliminatória, não para perder o jogo. Condescendência, mas não cedência. Touré emergiu e tornou-se numa figura central na partida. Micah Richards subia até onde podia e, entre outras coisas, até se permitiu atirar uma bola ao poste. Nasri e David Silva abriram o livro e De Jong exemplificava como a simplicidade pode ser eficaz. Lá atrás, Lescott pôs a casa em ordem. Dito assim , parece fácil. E é.

Depois, para cúmulo, Álvaro Pereira vê um amarelo que o tira da partida de Manchester e, logo a seguir, mete a bola na própria baliza. Ponto final. Tirando Fernando, que resistiu sozinho até ao fim , o resto eclipsou-se. Além do mais, quando foi preciso mexer, Vitor Pereira tinha Kléber e Mancini tinha Aguero. Sejamos práticos: a eliminatória só não estará decidida para quem acredita em milagres. Que são coisa rara neste mundo.

2 - Sá Pinto estreou-se no comando técnico dos leões e já tem três créditos a seu favor. O Sporting foi a única equipa portuguesa que não perdeu nesta semana europeia, conseguiu um ótimo resultado que lhe dá todas as hipóteses de qualificação e deitou mão de dois "secundarizados" de Domingos para resolver o jogo de Varsóvia. Para quem acaba de chegar não é nada de desprezar.

É verdade que o Légia é uma equipa banal no contexto europeu, mas não podemos esquecer que o Sporting era (ou ainda é) uma equipa à procura da sua recomposição anímica. Com uma mudança de treinador três dias antes, não se podia exigir muito, nem a Sá Pinto nem aos jogadores. Daí que aquela primeira parte, fraquinha, não possa espantar, devendo - novamente - tirar-se o chapéu a Rui Patrício que evitou males maiores. Agora é de frisar a radical mudança de atitude registada na segunda metade, em que se percebeu que a equipa não aceitaria passivamente ser suplantada por um adversário que não tem o mesmo nível.

O dedo de Sá Pinto foi fundamental. Pode argumentar-se que também é preciso uma ponta de sorte quando se operam substituições que resultam. Embora não deixe de ser verdade, o mérito tem de começar na coragem de quem arrisca. O técnico lançou Carriço ( e inverteu o triângulo do meio-campo) sendo premiado com um golo. Depois retirou um desinspirado Carrillo para colocar André Santos e foi brindado com um golo magistral. Tudo deu certo e, convenhamos, seria uma bizarria se as coisas terminassem de outra maneira.

O Sporting tem o apuramento na mão e só uma noite absurda o impedirá de seguir em frente. Mas o trabalho de Sá Pinto precisa de se consolidar e isto passa por somar triunfos ao mesmo tempo que ajusta a equipa às suas ideias. O treinador é um homem da casa e sabe, melhor que muitos, que há certos setores no clube que se empolgam com demasiada facilidade, reagindo de forma igualmente irracional se algo não corre bem. Ele conhece muito bem o que significa "crescimento sustentado", mas também sabe que, no exterior, há quem não faça a menor ideia do que isso implica.  


Quebrar o gelo

Colocado por mario.fernando em 15-02-2012 às 22h16

Antes de qualquer outra consideração, é preciso sublinhar que o resultado do Benfica em S.Petersburgo serve os interesses da equipa portuguesa. Uma derrota não é motivo para celebrações, obviamente, mas, como aqui referi anteriormente, esta é uma das tais eliminatórias em que o todo é particularmente determinante. Acontece que o Benfica passou pela geleira russa atingindo uma parte importante do objetivo, ou seja, adiar a decisão para a Luz. Mesmo que o processo defensivo tivesse falhado, porque sofrer três golos não é normal na equipa de Jesus, marcar dois compensou os danos.

O jogo não se previa grande coisa. O estado do terreno era lamentável e a temperatura um disparate. Estar num estádio com 15 graus negativos, ou coisa parecida, é uma experiência que eu já vivi e que não recomendo a ninguém. Ainda assim, o Benfica entrou bem e o facto de nada de relevante ter acontecido até perto dos 20 minutos é, paradoxalmente, o melhor elogio que se pode fazer aos encarnados.

Há três pontos que ficam a marcar a partida. Em primeiro lugar, a alteração do plano inicial a que Jesus foi obrigado face à saída prematura de Rodrigo. Não era suposto Aimar entrar neste jogo, mas a "varridela" de Bruno Alves (uma "entrada" inaceitável, seja sob que perspetiva for) obrigou a uma troca, que retirou uma das armas mais importantes do Benfica, num jogo em que a velocidade e improvisação seriam sempre determinantes. Rodrigo tem ambas. Além de que o Benfica, por causa de um cartão amarelo, perdeu Aimar para o desafio da Luz onde, aí sim, o seu papel seria muito mais importante. Conclusão, não adiantou muito no batatal russo e fica fora do tapete de Lisboa.

Em segundo lugar, o Benfica soube aproveitar muito bem as ausências no Zenit. Não tanto Danny ou Criscito, mas principalmente Malafeev. O guarda-redes suplente cometeu duas gaffes que Maxi e Cardozo transformaram em golos, revelando um enorme sentido de oportunidade. Este é um aspecto mais relevante do que parece, pois em alta competição, muitas vezes, é no pleno aproveitamento do erro alheio que as eliminatórias se decidem. E veremos, na segunda mão , até que ponto aqueles dois golos não podem ter sido vitais para o apuramento. 

Em terceiro lugar, aquele que constitui o maior aviso de S.Petersburgo: o Benfica sofreu três golos. Pondo de lado o lance antológico do golo de Semak, os outros dois não são compreensíveis, mesmo num terreno com aquelas condições absurdas. Num, Shirokov  está sozinho na zona frontal; no outro, Maxi Pereira (lamentavelmente para ele) já não consegue "ir lá" e o mesmo Shirokov sentenciou o desafio, quando o empate parecia ser o desfecho. No fundo , quero chegar aqui: acreditando, como acredito, que o Benfica vai marcar na Luz, torna-se absolutamente determinante que não haja qualquer erro defensivo. O zero na baliza de Artur terá mais peso na qualificação do que possa parecer.

O Zenit está em vantagem, convém nunca esquecer isto, mas o Benfica dispõe de boas razões para pensar em seguir em frente. Meio trabalho está concretizado, é só fazer com que a segunda metade não estrague a primeira.  


(In)certezas

Colocado por mario.fernando em 14-02-2012 às 23h32

1 - A história dos supostos encontros de Domingos com responsáveis do FC Porto. Godinho Lopes diz que não faz sentido , Luis Duque que não acredita em semelhante ideia, Domingos que é uma total falsidade. Mas como alguém "plantou" a dita, espera-se que o presidente leonino tire a limpo quem foi o autor da proeza. Porque se é mesmo uma invençao - como todos os protagonistas consideram - é grave. E uma liderança forte não perdoa um filme destes, pois não pode ser ultrapassada desta forma.

2 - A menos que faça uma exibição magistral em Istambul, o Braga está mais fora do que dentro da Liga Europa. A expulsão forçadíssima de Helder Barbosa, com apenas meia-hora de jogo, foi um factor muito importante. Como o facto de Toraman ter ficado até ao fim, quando houve três ou quatro boas razões para ver o segundo amarelo. Mas é preciso não ignorar que Carvalhal estudou muito bem o adversário, "controlou" completamente Hugo Viana, e teve em Manuel Fernandes um motor a carburar em pleno. Certo que 2-0 para o Besiktas é um exagero, mas aquele segundo golo só é possível por uma distração incompreensível para este nível de competição.

3 - Sempre me fez uma enorme confusão permitir a realização de jogos de futebol com dez ou 15 graus negativos, tal como com 42 positivos como sucedeu no mais xaroposo Mundial de que há memória, o dos Estados Unidos. No entanto , tanto a UEFA como a FIFA acham que não vem mal ao mundo. O Benfica vai jogar na arca frigorífica de S.Petersburgo e logo se vê no que vai dar. Suponho que Jorge Jesus irá gerir esta primeira mão com o único objetivo de tentar um resultado aceitável, de forma a transferir para a Luz a decisão com o Zenit. Nas eliminatórias contam os 180 minutos, já se sabe, mas há algumas em que o todo é mais determinante que as partes. Este é um desses casos.        


Jogo de mudanças

Colocado por mario.fernando em 13-02-2012 às 17h22

O Sporting despediu Domingos Paciência e chamou Ricardo Sá Pinto para assumir o comando técnico da equipa. Surpresa ou inevitabilidade? E o momento para esta mudança justifica-se, apenas 24 horas depois de Godinho Lopes afirmar que a saída de Domingos não faria sentido? Este vai ser o tema central do Jogo Jogado desta semana, na TSF.


O "bombeiro" James

Colocado por mario.fernando em 13-02-2012 às 00h25

O andamento na frente do campeonato continua igual. Goleada na Luz, goleada no Dragão. Dito assim até pode parecer que estamos perante o decalque de um jogo no outro. Pura ilusão, porque o FC Porto teve perante a U.Leiria vários problemas com os quais certamente não contaria, apesar de defrontar uma das equipas mais débeis da Liga portuguesa. A expulsão de Shaffer e a entrada (tardia) de James desataram um nó que estava demasiado apertado.

Durante 45 minutos os dragões pouco mais fizeram do que tentar livrar-se do labirinto que Manuel Cajuda construiu. Três defesas, mais dois laterais bastante recuados, e ainda outros dois elementos à frente daquela linha de cinco, transformaram a vida do FC Porto num beco (quase) sem saída. O regressado Hulk ficou com a exclusividade do papel de rompedor - algo que Varela nem ameaçou - e João Moutinho desdobrava-se naquele meio-campo à procura de algum "espaço vital" que raramente encontrou. Como se isto não bastasse, das poucas vezes que Janko teve a bola a jeito, Oblak (muito bom guarda-redes) encarregou-se de resolver os assuntos.

A equipa portista, apesar de não descobrir soluções e dos assobios ao intervalo, soube manter a paciência acreditando que melhores tempos viriam. E vieram, primeiro com a imprudência de Shaffer, ao deixar as marcas dos pitons na perna de Moutinho, e depois - sobretudo depois - com a entrada de James. Creio que o problema de fundo nem estará no facto do jovem colombiano não ter sido titular, embora continue a não entender por que razão há de começar no banco. Bastante mais intrigante é ouvir Vitor Pereira dizer que o desafio "estava a pedir" um jogador como James e o técnico só decidir utilizá-lo quase aos 60 minutos.

Não foi mera coincidência ver o FC Porto a zero sem James (mesmo contra dez) e com quatro golos com James. Em pouco mais de meia-hora os dragões abriram crateras na muralha espessa dos leirienses e o rapaz tem uma elevada responsabilidade nos "danos". Daí que seja um pouco incompreensível que um jogo que "estava a pedir" uma alternativa destas, não a tivesse recebido bastante mais cedo.

O importante para o FC Porto, até ao próximo encontro na Luz, é assegurar que a distância para o líder não aumenta. O resto é secundário. Deste ponto de vista, a missão frente à U.Leiria foi cumprida. Ainda que a exuberância dos derradeiros trinta minutos ofusquem uma hora de evidente inconsequência. Agora, vem aí um trabalho diferente, igualmente importante para a temporada, mesmo que não enquadrável na catalogação de prioridade máxima. O City é uma dor de cabeça de calibre distinto.

PS : O Real Madrid prepara-se para o primeiro título da era-Mourinho. Os duelos com o Barcelona podem não correr bem para o técnico português, mas na maratona do campeonato ganha o que tiver mais resistência. E o Real tem. Para já, dez pontos são uma vantagem esclarecedora.    



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