Colocado por mario.fernando em
06-02-2012 às 01h01
Como estava determinado pela pré-formatada estrutura da Taça da Liga, vamos ter novamente um dos grandes na final da prova. E só não teremos dois porque o Sporting "abdicou" de tentar essa hipótese não chegando sequer às meias-finais. Em paralelo ao Gil Vicente - Braga, vem aí um Benfica - FC Porto, naquele que constituirá o segundo frente-a-frente entre ambos durante o mês de Março. A confirmação veio dos jogos da Luz e do Dragão, com Marítimo e V.Setúbal, ganhos com naturalidade e sem grandes sobressaltos. Mas o que realmente importa destas partidas é o resto.
1 - No caso do Benfica, a opção passou por colocar Nelson Oliveira e Saviola na frente, com o jovem português mais descaído para a direita. Foi mais uma experiência de Jorge Jesus, bem sucedida, comprovando que os encarnados dispõem esta época de múltiplas soluções (no ataque e não só) que lhes dão a possibilidade de mudar o "chip" conforme as circunstâncias ou as necessidades. Nelson Oliveira é um jovem que precisa de mais rodagem e alguma aprendizagem ao nível da gestão das suas próprias características, mas não engana quanto ao potencial que encerra. Assinou vários lances que revelam uma intuição evidente, algo que, agora, só tem de "trabalhar". Neste capítulo, o papel do técnico será determinante.
Bastante mais sólido é Rodrigo. Ou, se quiserem, "já está" mais sólido. A sua entrada na derradeira meia-hora veio proporcionar o fôlego suplementar de que o Benfica precisava para dar a estocada final num Marítimo que acusou fortemente a expulsão de Pouga. Os madeirenses, até aí e dentro do que lhes era possível realizar, até condicionaram bem as ações do adversário, nunca desdenhando os "raids" à área encarnada que, diga-se, estiveram perto de provocar estragos.
Referência lateral (literalmente) também para Capdevila, titular por necessidade, mas que não complicou, nem se complicou. É um caso para seguir com atenção nos próximos tempos, pois a questão do lado esquerdo da defesa permanece sem solução inequívoca desde o início da temporada.
Duas notas adicionais. Djaló entrou na festa e foi ele próprio parte dela. Recuperar o ex-leão é um dos grandes desafios que Jesus assumiu e vai enfrentar até final da temporada. Sobre a expulsão de Pouga: Artur Soares Dias precipitou-se e transformou o lance naquilo que ele não era.
2 - Isto de estrear dois reforços de inverno e vê-los marcar os golos que resolvem o jogo é daquelas benesses que só acontecem quando o rei faz anos. Ou nem isso. Mas foi o que Lucho e Janko fizeram no Dragão o que, só por si , é revelador de alguma coisa. Por exemplo, de que o FC Porto precisava de um "comandante" dentro de campo e de um ponta-de-lança com mais vocação pela baliza. O primeiro está encontrado, o segundo talvez esteja.
Lucho seria sempre uma mais-valia (um golo daqueles é de mestre), mas os primeiros dados que esta partida lançou apontam para algo mais do que um simples acréscimo qualitativo. Com o argentino a gerir, o meio-campo portista parece, finalmente, ter uma lógica funcional, deixando Fernando com o papel abrangente que lhe compete e João Moutinho liberto para um vai-vém que ele sabe assumir como poucos. Pena que Fernando se tenha lesionado, porque prefiro ver este FC Porto com as peças do triângulo no sítio certo.
Janko, que não tem o estatuto de Lucho, mal chegou, atirou o titular Kléber para o banco. As coisas correram-lhe bem, não apenas por ter marcado (como se pede a um goleador), mas igualmente por demonstrar uma mobilidade e sentido de área que o brasileiro ainda não conseguiu comprovar. É cedo para se tirarem conclusões (ele tem o problema de "andar à procura" do pé esquerdo para rematar), contudo, será interessante verificar como reagirá o "pinheiro" com Hulk e James a servi-lo em condições, nomeadamente nas alturas.
Finalmente, os laterais. Danilo, creio, veio para ficar. E não estou a reportar-me unicamente ao investimento a que ele obrigou. Danilo é, em todo o plantel portista, o jogador com o perfil mais adequado à lateral-direita (aliás, ao corredor direito) e não optar por ele é algo que ninguém de bom senso conseguirá perceber. Por outro lado, torna-se claro que precisa de rotinar rapidamente, pois terá de se libertar de uma certa indolência que pode fazer todo o sentido no campeonato brasileiro, só que não é aceitável no contexto do futebol europeu. Já Alex Sandro terá a vida mais complicada para se afirmar: Álvaro Pereira é um jogador mais maduro e mais completo. E isto vale praticamente tudo.
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