Colocado por mario.fernando em
27-02-2012 às 01h08
1 - Aqui há duas semanas eram certamente muito poucos os que imaginariam que, na viragem do segundo terço do campeonato, o líder seria...o FC Porto. Mais: na contagem decrescente para o clássico da Luz, face ao que os dragões estavam a produzir, por contraponto com o Benfica, a tendência apontava para uma resolução do título relativamente rápida. Errado. Dois tropeções dos encarnados, a que os dragões corresponderam com triunfos, viraram tudo do avesso.
Sem prejuízo de regressar proximamente ao assunto do clássico - até porque as equações que se podem elaborar são substancialmente diferentes das que existiam até agora - , e olhando para o desempenho portista frente ao Feirense, digamos que esta vocação para o "suspense" não larga Vitor Pereira. O FC Porto ganhou de forma inquestionável, mas precisou de passar mais de uma hora de "seca" total até libertar-se o suficiente para, finalmente, concretizar. A ineficácia-funcional da estrutura atacante (incluindo um penálti falhado) prolongou o desespero dos adeptos.
A questão é que o FC Porto sabia que um triunfo o recolocava no topo da tabela, mas isto, ao contrário de gerar uma dinâmica de conquista acelerada, provocou, pelo contrário, um estado de ansiedade que só complicou. Pior ainda quando Paulo Lopes se assumiu como a estrela do jogo (que o digam Janko, Hulk e James), realizando uma exibição notável, que só não foi integralmente perfeita porque ele é muito bom guarda-redes mas não um santo milagreiro. Foi preciso a expulsão (certa) de Luciano, o "despertar" de James e a vertiginosa entrada de cabeça de Maicon (grande exibição do central) para derrubarem de vez as dúvidas que a equipa portista impôs a si própria.
Está, portanto, concretizada a troca na liderança do campeonato. O FC Porto passa agora a assumir a responsabilidade de defender o primeiro lugar, tendo já a seguir o maior dos desafios pelos quais poderia passar, ou seja, um jogo na Luz. Se quisessemos levar à letra a tese de Jorge Jesus, a pressão está agora do lado do Benfica, pois o técnico encarnado defende que ela só existe para os que estão atrás. Mas todos sabemos que é sempre preciso relativizar a retórica.
2 - Houve um momento em Alvalade que marcou o jogo. Se quisesse ser mais acertivo , diria que foi o único em que o jogo fez sentido. Falo, naturalmente, do lance de execução técnica suprema assinado por Izmailov que ditou o resultado. Em boa verdade , aquilo que fica para a história do Sporting - Rio Ave é mesmo o acto de magia protagonizado pelo russo.
O Sporting-versão-Sá Pinto ainda está a dar os primeiros passos. O que significa também que vai ser preciso esperar bastante mais para que se comece a ver algo de realmente palpável. Simplesmente, iniciar um processo destes a meio da época tem consequências, como, calculo, os responsáveis leoninos sabiam ao tomarem a decisão de mudarem de treinador. Portanto, não deve surpreender que a equipa leonina apresente ainda - e sabe-se lá durante quanto tempo - a ausência de um modelo consolidado de jogo.
Como o único objetivo, em termos de campeonato, é tentar uma vaga na Champions (mesmo que pela via indireta do terceiro lugar), o Sporting vai cumprindo a missão que se resume, claro , a somar três pontos. Deste ponto de vista, o fundamental foi obtido frente aos vilacondenses. Mas não apaga tudo o resto que, de facto , deixa bastante a desejar. Depois de uma primeira parte razoável, a segunda trouxe ao de cima várias das insuficiências que marcaram a última fase do consulado de Domingos Paciência. Não fazer um remate a sério à baliza adversária, ver Wolfswinkel perder todos os duelos diretos com Gaspar e constatar que as únicas duas reais oportunidades de golo pertenceram ao Rio Ave são indicadores do muito que é necessário fazer em Alvalade.
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