Com Luís Freitas Lobo e João Rosado, sob a arbitragem de Mário Fernando

Às segundas, depois das 19h, com repetição depois da meia-noite.

Luís Freitas Lobo

Nasci em 1967. Em 1970, portanto, já estava presente para testemunhar as maravilhas de Pele, Jairzinho, Tostão e companhia no Mundial do México. Ainda não conseguia, no entanto, ver os jogos sob uma perspectiva táctica. Agora, como os tenho todos gravados na minha colecção particular de vídeos, vejo-os religiosamente. Como se viajasse no tempo e visse Puskas da mesma forma que hoje vejo Kaká. Para mim, mais do que cinco continentes e sete mares, o mundo é um infinito conjunto de campos de futebol com muitas casas á volta e desde 1998 que tenho procurado, em vários meios de comunicação, passar essa emoção. Porque, como gosto de dizer 'Quando um homem tem uma paixão, seja ela qual for, o melhor que tem a fazer é ir tratar dela!'
Da Revista Mundial e Publico, até ao Expresso e à sagrada A Bola, a Bíblia com que em menino aprendi a escrever lendo Mestres como Vítor Santos. Na rádio da Antena 1 à TSF, na televisão, da SIC Noticias até à RTP, onde hoje estou. Todos os dias penso em futebol. Por isso, em qualquer local, falo ou escrevo sobre futebol, partindo sempre da única forma que o entendo ser possível conceber: com emoção.

João Rosado

João Rosado nasceu em Évora, em 1970. É licenciado em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Entre 1988 e 1992 foi colunista no jornal «A Capital». Foi redactor no jornal «Record» entre 1992-1995 e 2003-2004. Entre 1995 e 2002, foi redactor e editor no jornal «O Jogo». Desde 2007 é colunista no jornal «Diário de Notícias. Foi comentador de futebol na «Antena 1» entre 1999 e 2000, na «Rádio Renascença» entre 2001 e 2004, na Sport TV entre 2001 e 2007. É comentador de futebol na SIC, desde 2007, e na antena da TSF desde 2004.

Mário Fernando

Jornalista há 27 anos passou a maior parte da vida profissional na rádio. Comercial, Renascença, RFM, Correio da Manhã e XFM até aterrar na TSF. Foi em 1995 e, três anos depois, passou a editor de Desporto. Até hoje. É um fanático por futebol, por isso, não tem paciência para a forma como os dirigentes tratam a coisa, ou seja, quando resolvem que os clubes deles é que contam e o resto é paisagem. Não é, mas isso eles jamais vão entender. No meio de tudo isto houve três reportagens que o marcaram: a primeira visita de Nelson Mandela a Londres depois da libertação e duas edições dos Jogos Olímpicos, Sidney2000 e Pequim2008. Curiosamente, nenhuma delas tem a ver com futebol.

Nota

Colocado por mario.fernando em 31-08-2014 às 23h00

Este foi o primeiro dérbi que falhei em muitos anos. Houve uma prioridade - e mais do que esta não existe - que me levou a cancelar tudo o que tinha previsto para este domingo. Já espreitei o resumo do Benfica - Sporting, mas guardo para mais tarde a observação da gravação integral da partida. Apenas para documentação pessoal.


Eurodestinos

Colocado por mario.fernando em 28-08-2014 às 23h04

Os sorteios dão sempre para todas as análises. Dos pessimistas aos otimistas, dos ponderados aos céticos, há sempre a possibilidade de pegar por qualquer ponta para fazer valer uma tese. E, muitas vezes, com argumentos válidos para a sustentar. Benfica, Sporting e FC Porto ficaram em grupos da Liga dos Campeões que, pelo menos, não tornam impossível a qualificação. Se bem que existam fatores adicionais que vão para lá da qualidade intrínseca dos adversários.

Benfica. Nesta altura é prematuro arriscar avaliações profundas às armas de cada um, porque até fechar o mercado nada está certo. E isto reporta-se a qualquer um dos três representantes portugueses. Assim, e apenas no quadro disponível, os encarnados integram, provavelmente, o grupo mais equilibrado do trio nacional, sem um favorito declarado. Zenit, Leverkusen e Mónaco têm exatamente o mesmo pensamento do Benfica, com ambições idênticas e receios semelhantes.

Vai ser muito importante a gestão do calendário que nem é particularmente simpático para as águias. O jogo inaugural, na Luz com os russos, é fundamental para o que se segue, pois só um triunfo dá outra margem de gestão - até psicológica - para duas saídas consecutivas. Seria preferível abrir com este Mónaco ainda em indefinição, mas logo se verá. De resto, as partidas em casa serão determinantes. Convém não esquecer que a viagem a S.Petersburgo é no final de Novembro e que antecede o último jogo, com os alemães, em Lisboa.

Sporting. Partindo do princípio de que seria uma enorme surpresa o Chelsea não vencer o grupo, os leões devem tentar a sua cartada de qualificação frente ao Schalke, definindo o Maribor como o "alvo" para salvaguardar unicamente uma eventual passagem para a Liga Europa. Isto é, não falhar os seis pontos com os eslovenos - e, atenção, a estreia leonina é no terreno do Maribor - para poder focar-se seriamente no duelo com os alemães. Se assim for, o apuramento fica em aberto.

A equipa de Marco Silva é constituída por um grupo de jogadores cuja experiência na Champions é muito reduzida. São poucos os elementos do plantel que já sabem o que é participar numa prova deste patamar. É, igualmente, um desafio suplementar que se coloca ao treinador (que já passou pela Liga Europa) no sentido do trabalho mental que, numa competição como a Champions, é tão importante como a preparação técnica e tática.

FC Porto. O sorteio mais favorável dos três. O At.Bilbao indicia ser o adversário mais problemático, por razões que nem obrigam a grandes explicações. Mas perante um Shakhtar, que vive momentos de inconstância e turbulência interna e externa (e que nem sequer pode jogar em Donetsk), e um BATE Borisov cujos jogadores têm uma qualidade notoriamente inferior à de qualquer outro dos antagonistas do grupo, falhar a qualificação seria algo incompreensível.

Acresce ainda o facto do FC Porto dispôr, também, do calendário mais vantajoso. Se conseguir afirmar os seus argumentos, poderá fechar a primeira volta já com sete ou nove pontos (Borisov e Bilbao em casa, Shakhtar fora) e, a partir de então, gerir a segunda metade da prova com outra tranquilidade. No entanto, é precisamente todo este cenário que aparenta ter o vento a favor que constitui o maior adversário dos dragões. Com a passagem aos oitavos da Champions definido como um dos objetivos da época, Lopetegui sabe que um deslize é a "morte do artista". E num grupo destes podia ser algo perto disso.

PS : O Rio Ave junta-se ao Estoril na Liga Europa. Como sempre, prognóstico reservado, seja qual for o sorteio.  


O terceiro vértice

Colocado por mario.fernando em 27-08-2014 às 01h17

O FC Porto transformou-se no vértice que faltava ao triângulo e reedita algo que raras vezes sucedeu : três equipas portuguesas na fase de grupos da Champions. Uma qualificação sem margem para dúvidas, confirmando-se aquilo que a primeira mão tinha denotado. O Lille dificilmente teria argumentos para virar a eliminatória, caso os dragões estivessem em patamar semelhante ao do jogo anterior.

Lopetegui repetiu o onze de França e a receita, não sendo absolutamente coincidente, também não andou muito longe. A posse e a circulação de bola repetiram-se, o papel de Brahimi e Óliver desenvolveu-se, como é hábito, entre as faixas e zonas mais interiores do terreno, Casemiro ensaiou os passes longos para o terço mais adiantado do terreno, Herrera procurava ocupar os espaços vazios. Deu para 20 minutos de bom nível.

A cadência, contudo, mudou, não apenas por que o Lille se sentia na obrigação de fazer algo pela sobrevivência e, por consequência, subiu notoriamente no terreno, mas também porque o FC Porto acusou aquela alteração e começou a revelar problemas na zona intermédia para controlar o jogo. A perda de bola em função de muitos passes errados foi um dos sintomas. Valeu que o Lille quase nada de prático conseguiu em termos de finalização e que a solidez defensiva (Maicon muito bem) voltou a impôr-se. O facto é que com o nulo ao intervalo a gestão da eliminatória prosseguia sem sobressaltos evidentes.

A abertura da segunda parte marca o início do fim do sonho da equipa de René Girard. É o período em que Brahimi abre o livro e emerge como a estrela da noite. Com as dificuldades conhecidas quanto à profundidade de jogo, os dragões tiveram nas bolas paradas uma das chaves para o sucesso. Num desses casos, o argelino cobrou um livre de forma magistral e abriu, em definitivo, o caminho do apuramento. Sem campo de manobra algum, o Lille teve de arriscar. E, aqui, risco é a palavra certa, pois permitiu aos portistas explorarem uma outra faceta, as transições ofensivas puras. Com o grau de eficácia necessário para Brahimi "dar" o segundo golo a Jackson. O jogo "acabou" ali.

Passou a melhor das equipas, como se constatou (e materializou) nas duas partidas, naquele que é um momento importante para o clube e para o treinador no pós-revolução do plantel. Para o FC Porto, porque o investimento feito esta temporada seria fortemente abalado caso a entrada na Liga dos Campeões não se concretizasse; para Lopetegui, porque a afirmação do seu conceito e das suas escolhas poderia ser questionada se falhasse no primeiro - e real - teste da época. E aqui poder-se-ia incluir a questão-Quaresma, que o técnico garante não ser "um filme" (a expressão está a virar moda no Dragão). Tal como disse há uma semana - e não há motivo para pensar diferente - a evolução do "guião" continuará a depender sempre da forma como os dois protagonistas encararem a relação.

PS : Fernando Gomes, finalmente, falou. Não serviu de muito, como se temia. Dizer que "fomos incompetentes" no Mundial e não indicar no quê e quem, de pouco serve. Nada no planeamento é responsável pelo descalabro e assunto encerrado. Ou quase. Há mudanças profundas que visam em exclusivo o departamento clínico - foi aí, ou só aí, que esteve o problema? -, adoptando-se agora um gabinete técnico de coordenação de todas as seleções, liderado por...Paulo Bento.

Em síntese, instala-se um modelo nas áreas técnica e clínica que está correto (surpreendente é que fossem precisos tantos anos para se chegar a esta conclusão), embora os protagonistas mudem numa e se mantenham na outra. É legítimo admitir-se que Fernando Gomes estava refém de uma renovação de contrato feita antes do Mundial, mas que Paulo Bento tem agora uma diretiva clara para seguir, queira ou não. Entenda-se, o tal rejuvenescimento da seleção que tem sido retardado até ao limite. A convocatória de sexta-feira deve encarregar-se de o demonstrar.


Jogo de dúvidas

Colocado por mario.fernando em 25-08-2014 às 20h03

Vem aí uma semana atípica. Há um Benfica - Sporting no horizonte e ambos os treinadores não possuem garantias de que possam contar exatamente com os jogadores de que dispõem nesta altura. O mercado pode atravessar-se nas opções técnicas.

Foi o ponto de partida do Jogo Jogado, desta segunda-feira, na TSF, com uma análise às múltiplas interrogações que se colocam a Jorge Jesus e Marco Silva. Além de assuntos mais recentes como a chegada de Nani ou a lesão prolongada de Ruben Amorim.

Por outro lado, a questão Champions para o FC Porto. Pelo que representa para o clube e para a afirmação da época. Com a relação Lopetegui-Quaresma como pano de fundo num momento crucial da temporada. 


Um "tiro" solitário

Colocado por mario.fernando em 25-08-2014 às 01h18

A tendência para as vitórias tangenciais dos grandes manteve-se também no Bessa. Sendo que a tendência para não arranjar soluções viáveis para os problemas também. O Benfica limitou-se ao que lhe competia, confirmando que, a uma semana do fecho do mercado, ainda não possui a equipa de que precisa. Depois, deparou-se com um Boavista feito à imagem do seu treinador - não do ponto de vista técnico, mas do outro - que quase não atacou e "enrolou" o jogo de tal forma que só mesmo o rasgo de Eliseu conseguiu arrumar o assunto. Um "tiro", três pontos.

O futebol praticado pelos axadrezados foi abaixo do minimamente exigível, o que nem surpreende atendendo a que se trata de uma equipa feita a partir do zero e com pouquíssimos recursos, só que o das águias não foi muito melhor. E aqui é que reside a questão, pois a qualidade dos jogadores do Benfica é muito superior e só a (raros) espaços isto foi notório. Certo que o sintético pode complicar, mas, como admitiu implicitamente Jorge Jesus, esse obstáculo pode justificar a produção dos primeiros 20 minutos, mas não o resto. 

Sem Enzo Perez - com a incógnita da permanência sem alteração - , não pode esperar-se que Talisca, um jogador em "projeto" e apenas isto, desempenhe funções com o grau de resposta de que o Benfica necessita, tal como Jara, por muito boa vontade que tenha, não é "um" Rodrigo. Com a lesão de Ruben Amorim a zona central do terreno teve de ser reajustada e, embora André Almeida tenha desempenhado corretamente o seu papel, a falta de articulação notou-se dali para a frente. Provavelmente, colocar Gaitan no lugar de Jara e lançar Ola John para uma das alas - como Jesus foi obrigado a fazer mais tarde - talvez constitua a solução mais recomendável num quadro destes.

Ninguém aguarda por notas artísticas nesta altura, simplesmente seria já tempo de ver algo mais do que o Benfica demonstrou no Bessa. Tal não é possível pelas razões referidas, embora acabe por ser reflexo da própria opção do clube no recrutamento para a temporada. Julio César e Samaris apenas chegaram agora e o tal avançado nem isso. Este é o lado que compete aos encarnados. Tal como, presume-se, ter alternativas - se forem a tempo - às saídas que a próxima semana pode ditar.

Assim, com dificuldades enormes para furar a barreira defensiva do Boavista - normalmente assente num 4x5x1 - os remates de meia distância foram muitas vezes a escapatória, como Eliseu ensaiou primeiro e concretizou depois. Criar duas ou três boas hipóteses é curto para garantir uma margem confortável, daí que na ponta final do desafio o Benfica tivesse corrido riscos evitáveis. Como o de ver Brito rematar para dentro da baliza de Artur, num lance que só não contou porque o árbitro, antes, tinha parado o jogo para assinalar um fora de jogo. A propósito, Marco Ferreira, que até foi dos melhores na época anterior, mostrou ter agora a preparação claramente atrasada...

É num cenário de (in)decisões que o Benfica vai receber o Sporting na próxima jornada. Se, como aqui referi, é o primeiro grande desafio à equipa de Marco Silva, também o é para um Jorge Jesus que caminha para o dérbi ainda à procura de colmatar vagas em aberto. Porque se ignora que mexidas podem atingir os dois antagonistas até lá - falo, sobretudo, das saídas em cima da hora de elementos vitais - é melhor aguardarmos pacientemente antes de arriscar projeções. 


À tangente

Colocado por mario.fernando em 24-08-2014 às 02h01

1 - O Sporting ganhou, a justeza do triunfo nem se questiona, mas acabou por ter frente ao Arouca uma noite que, certamente, não estaria nos seus planos. Com o foco das atenções em cima de Nani estava criado o ambiente para uma celebração. Não foi assim, a vitória é arrancada ao cair do pano, depois de muita insistência, várias oportunidades desperdiçadas e uma exibição notável de Goicoechea. Que incluiu a defesa de um penálti cobrado pelo internacional português.

Aliás - e porque este se tornou num tema crucial do desafio - caberá agora a Marco Silva tratar internamente do assunto. E, porque não lhe ficaria mal, ao próprio Nani. O facto é que o jogador usou o seu estatuto, provavelmente levado pelo empolgamento dos últimos dias, para ultrapassar uma hierarquia definida quanto aos marcadores das grandes penalidades. Correu-lhe mal. E, por consequência, todo o coletivo teve de fazer "horas extra" para evitar mais problemas. Dir-se-á que ninguém falaria disto se ele tivesse concretizado. Mas conta o que aconteceu ou o que podia ter acontecido?

Não esqueçamos, contudo, que houve um jogo. Com os leões a entrarem bem na partida - e Nani veio somar, indiscutivelmente - , o guarda-redes do Arouca a brilhar com algumas defesas "impossíveis" (Montero que o diga) e, depois da meia hora, uma vez mais, a perda de fulgor leonino. Defrontar uma equipa como esta de Pedro Emanuel é sempre problemático, porque aquele desenho tático, aliado a uma certa dureza nas marcações, obriga a trabalho redobrado. O Arouca raramente passou do meio campo, fez um remate à baliza de Patrício, mas mostrou claramente que não pretendia mais do que isto. Solidez defensiva levada ao extremo se fosse preciso.  

Marco Silva percebeu corretamente o cenário e a entrada de Carlos Mané mudou a abordagem leonina. Fosse na zona central ou, por vezes, nos flancos, a agitação provocada pelo jovem leão foi notória. Para lá de jogar - e há uma grande penalidade não assinalada sobre ele - levou a que outros fossem potenciados. O caso de Jefferson, com uma grande exibição, é um dos melhores exemplos, tal como Adrien. O problema era mesmo no coração da área, porque a finalização não surgia. Daí a opção por Capel e Tanaka, mesmo sacrificando Nani, que permitiu ao Sporting a "cavalgada" final que sufocou o adversário. Resultou, merecidamente, mas com grande sacrifício.

Segue-se o encontro na Luz, naquele que será o primeiro grande desafio ao Sporting de Marco Silva. Com a equipa quase recomposta - regressa William Carvalho, Cédric ainda não é seguro - e, calcula-se, com o episódio do penálti devidamente ultrapassado, logo se verá qual a resposta leonina.

2 - Julen Loletegui não tinha como fugir à realidade e, no final do jogo em Paços de Ferreira, admitiu, mesmo que por outras palavras, que o resultado do FC Porto foi muito melhor do que a exibição. Sobretudo a da segunda parte, período em que arriscou não assegurar os três pontos, face à forma como o adversário cresceu. Se tivesse dado empate não seria escândalo algum e o técnico espanhol teve a noção disto.

Este FC Porto está em fase de construção paulatina. O treinador ainda não definiu um onze-base, digamos assim, e, pelo andar da carruagem, não ficaremos a conhecê-lo tão depressa. Desta vez, Ricardo, Evandro e Adrián Lopez foram titulares, o primeiro cumpriu, o segundo esteve bem e o terceiro não se percebeu exatamente o que queria fazer. Como será no futuro não se sabe, mas na Mata Real foi uma deceção.

A lógica da (muita) posse de bola mantém-se, mas o passo seguinte - a profundidade de jogo - tarda em juntar-se à primeira metade do plano. Em boa verdade, só uma vez saiu como devia : no golo de Jackson, que começa em Alex Sandro, passa por Quintero e termina no outro colombiano. A exceção à regra que vincou quase todo o jogo portista. De qualquer forma, o suficiente para chegar ao intervalo como o FC Porto queria.

Paulo Fonseca, que já tinha mostrado na Luz que a sua equipa sabe ser atrevida quando lho possibilitam, arrancou para o segundo tempo subindo claramente no terreno. Fosse pelo desgaste europeu, por estar a pensar no próximo desafio com o Lille ou por simples inépcia, o facto é que os dragões foram esvaziando a sua produção e o P.Ferreira crescendo de rendimento, de tal forma que as três grandes oportunidades da segunda parte foram todas dos pacenses (Cícero, Helder Lopes e Minhoca). Lopetegui teve de lançar mão de Herrera e Óliver, mas se é certo que evitou danos maiores também é verdade que não alterou a face do jogo.

Por ora, estamos na fase em que, acima de tudo, interessa aos candidatos irem somando pontos até terem todas as afinações feitas, sendo isto válido para o FC Porto como para os outros dois rivais. Deste ponto de vista, o desfecho da Mata Real serviu os interesses portistas. Mas seria avisado não entrar em distrações.  


Caminho aberto

Colocado por mario.fernando em 21-08-2014 às 01h03

Estavam demasiadas questões em jogo. Este play-off de acesso à Champions colocava ao FC Porto a necessidade (melhor dizendo, obrigatoriedade) de fazer um resultado que o deixasse numa posição tão segura quanto possível para a partida da segunda mão. O plano desportivo era tão importante como o financeiro. Depois de terminado o desafio, com uma justa vitória dos dragões, percebeu-se que a preocupação de Lopetegui foi, acima de tudo, não errar.

O domínio que o FC Porto registou durante quase todo o jogo derivou da posse e circulação de bola. O raciocínio de que enquanto ela está "deste lado", nada sobra para o "outro". A entrada de Casemiro é feita com esta intenção, libertando Ruben Neves para outras zonas do meio campo sempre que necessário (e o rapaz voltou a mostrar que, se não se deslumbrar, é um caso demasiado sério).

Com Herrera mais adiantado, Óliver e Brahimi descaídos - mas sempre com derivações para o interior - e Jackson na frente, os dragões tomaram conta das operações praticamente na íntegra. Acresce o papel que Lopetegui atribui aos laterais, vendo-se Danilo e - sobretudo - Alex Sandro a regressarem a tempos que já pareciam longínquos. 

Este é um lado da situação. Mas ainda não sei se esta é a matriz definitiva que Lopetegui quer para a equipa, porque falta ali profundidade de jogo. Ter muita bola e gerar poucas situações passíveis de concretização é ainda um projeto incompleto. Faz parte do processo de construção, é verdade, mas as nuances que homens como Tello (viu-se no lance do golo e não só) ou Quaresma podem introduzir, certamente também estão no enquadramento do técnico. Não estou a ver o FC Porto a jogar na fase de grupos exatamente do modo como o fez em França. Mas, reconheço, as condicionantes específicas desta partida determinaram muita coisa.

É certo que a equipa portuguesa é altamente responsável pelo facto do Lille pouco ou nada ter produzido. Ainda assim, ver jogadores como Kalou ou Origi com problemas para sair do beco, ou Balmont, por quem era suposto passar boa parte do jogo francês, sem ponta de criatividade, é também elucidativo quanto ao estado real do Lille. René Girard quis esperar pelo erro alheio, em vez de ousar algo. Corchia teve a única oportunidade da primeira parte e, na segunda, foram as duas intervenções deficientes de Fabiano que ainda agitaram alguma coisa. Muito insuficiente para quem jogava em casa à procura de um resultado, pelo menos, satisfatório.  

A maior surpresa do jogo, contudo, aconteceu antes dele começar. Quaresma ficou no banco, o que, desde logo, confirmou a declaração anterior de Lopetegui de que não há titulares fixos na equipa. Quaresma é um jogador cujo perfil indicia não gostar de sair a meio de uma partida, quanto mais começar no banco. E isto o técnico sabe. Fica a ideia de que o treinador quer utilizá-lo em jogos concretos, consoante as circunstâncias. O sucesso desta relação depende somente da aceitação daquela premissa pelos dois lados. Aguardemos.

Posto isto, o FC Porto está numa posição altamente vantajosa para entrar na fase de grupos. Pelo que mostrou neste encontro, o Lille não parece ter argumentos suficientes para virar a eliminatória no Dragão. No entanto, os portistas têm de interiorizar que um bom avanço não implica tranquilidade absoluta.  


Voltar a casa

Colocado por mario.fernando em 19-08-2014 às 22h57

1 - É a contratação mais surpreendente da temporada e, para o Sporting, a aquisição do ano. Poucos imaginariam, no final da época passada, que um conjunto de factores, impossível de prognosticar, traria Nani de regresso a Alvalade.

Que Van Gaal poderia não incluir nos seus planos o internacional português era plausível, mas imaginar que o Manchester United iria apostar em Marcos Rojo, que este (com ajudas "laterais" à mistura) confrontaria a direção leonina, que Bruno de Carvalho desse a volta às negociações, e que, finalmente, Nani aceitasse regressar a casa, com os ingleses a pagarem-lhe os ordenados, é que, convenhamos, ninguém contava.

Nani é uma mais valia inequívoca para o Sporting. Independentemente do momento de menor fulgor que atravessa, a superior qualidade técnica coloca-o como um dos melhores jogadores portugueses da atualidade, um dos tais que, não houvesse a tal conjugação impensável, seria impossível ter na Liga nacional. É uma mudança com múltiplas vantagens para as duas partes. E foi nisto que os dois lados pensaram.

Começando pelo jogador, sabe que não é difícil brilhar, do ponto de vista individual, no campeonato português. Neste momento, só (e com alguma boa vontade) uma dezena de futebolistas da nossa Liga pode ser considerada de elite. Tudo depende da maneira como ele quiser encarar esta oportunidade.

Por outro lado, Nani será sempre visto como a figura do Sporting desta temporada, com a responsabilidade suplementar que tal acarreta, mas também com a notoriedade que isso lhe dará. Nani pouco ou nada perde com esta opção : o ordenado mantém-se, a ligação contratual ao Manchester United também e até lhe junta o facto de estar na montra que interessa, a Liga dos Campeões. Sem excluir a afectividade, este é um conjunto de razões a não desprezar por um atleta.

Para o Sporting os proventos são evidentes. Alguns já foram referidos acima, os restantes prendem-se com questões internas. Os leões, que iniciaram o campeonato com um empate, ganham um outro alento no ataque ao que aí vem. Mas há mais e (muito) mais importante : Bruno de Carvalho, numa jogada negocial relevante, desatou um nó com benefícios para a equipa. Arrumou o problema Rojo - que não tinha condições objetivas para continuar em Alvalade - , conseguiu trazer um reforço de enorme peso e ganhou pontos junto dos adeptos ao desviar parte da verba recebida para a construção do pavilhão. O presidente leonino, no imediato, operou uma viragem psicológica, cujos resultados só mais adiante é possível aferir.

Claro que há um assunto longe de encerrar, o diferendo entre o Sporting e a Doyen, mas já se percebeu que ficará nas mãos da Justiça...até um dia. Logo se verá. No entretanto, o clube deu um passo incomum na construção do plantel. Nani não é a solução de todos os problemas, mas certamente poderá ser a chave para a resolução de alguns.

2 - Julio César chegou ao Benfica, um ano depois de uma primeira tentativa. Muita coisa se passou durante este tempo, mas focando-nos estritamente nos desenvolvimentos mais recentes, há aqui uma alteração de paradigma. Saiu um jovem de qualidades visíveis, Oblak, para entrar um veterano (o que nem é pejorativo num guarda-redes). Até que ponto terá pesado a opinião de Jorge Jesus desconheço, embora não seja segredo para ninguém que o treinador encarnado demorou a "convencer-se" da capacidade de Oblak e que, pelo contrário, sempre apreciou o titular da baliza brasileira.

Jesus quer resultados imediatos - tão garantidos quanto possível - e, desde os tempos de Quim, que insiste na necessidade do Benfica ter um guarda-redes que lhe dê pontos. Já deu alguns passos em falso ao tentar aplicar a sua convicção, só o futuro dirá se Julio César é a aposta certa. Mesmo que por dois anos.

3 - Lopetegui não quer discutir o papel de favorito no play-off da Champions, mas assegura que quer ver o FC Porto como protagonista da prova. O técnico está mais ciente do que qualquer outro da importância determinante desta eliminatória com o Lille. Para o clube e para ele próprio. Ou seja, o risco dele é o risco do clube.

No plano puramente teórico, o FC Porto tem melhores armas do que a equipa francesa. Ainda assim, isto de pouco vale se a componente individual não souber potenciar o coletivo. É esta a principal questão para o duplo duelo que se avizinha. É bom que o FC Porto não esqueça que, apesar da segunda mão ser no Dragão, tem de começar a ganhar a eliminatória em Lille. 


Novo Jogo

Colocado por mario.fernando em 18-08-2014 às 20h04

O Jogo Jogado regressou à antena da TSF. Na primeira edição da temporada o ponto de situação em relação ao momento dos três grandes.

Os jogos já realizados na nova época, os que aí vêm, as mudanças nos plantéis e - o tal problema crónico a meio de Agosto - o risco de mais alterações até final do mercado. Risco de saídas, obviamente, que as possíveis entradas é suposto acrescentarem algo. Também o papel a desempenhar por Jorge Jesus, Marco Silva e Julen Lopetegui foi alvo de abordagem. Timoneiros que, nesta altura, ainda não sabem rigorosamente com que tropas vão contar.

 


Ganhar a abrir

Colocado por mario.fernando em 18-08-2014 às 02h08

Quase a tocar uma década, o Benfica consegue finalmente ganhar um jogo de abertura do campeonato. O objetivo central da conquista dos três pontos foi atingido, ainda que a produção apresentada pelos encarnados não tivesse sido tão marcante como se vira na Supertaça. Desta feita, foram os valores individuais a emergir e a desequilibrar a balança, de Gaitan a Maxi, de Salvio a...Artur. E frente a um Paços de Ferreira - outra vez em versão Paulo Fonseca - que provocou muito mais incertezas às aguias do que estas contariam.

Aliás, deve começar-se precisamente pelos pacenses, cujos primeiros 25 minutos, assentes num 4x4x2, impediram sobretudo o meio campo adversário de, sequer, ameaçar a cadência demonstrada uma semana antes em Aveiro. É neste período que a equipa de Fonseca constrói algumas boas oportunidades, culminando numa grande penalidade que Artur negou a Manuel José. Um momento importante da partida, em que o guarda-redes teve um papel determinante, ele que sabe ter um futuro deveras complicado na Luz, face à iminente entrada de...um titular para a baliza.

Jesus manteve o mesmo onze, como se previa, embora, como o próprio admitiu no fim, Enzo Perez - por limitação física, pelo menos - não estivesse no nível habitual e Talisca ainda tenha bastante para evoluir, o que transformou Ruben Amorim no único elemento da zona central com capacidade de resposta suficiente. Não por acaso, o recuo de Talisca e a subida de Enzo constituiu uma troca com vantagens notórias a partir da meia hora. Já no segundo tempo, com André Almeida a médio defensivo e Ruben Amorim mais subido, o Benfica estabilizou e a intenção ofensiva do Paços foi caindo.

No entanto, entre os que transitaram da temporada passada, há nomes determinantes. Gaitan, cuja classe tantas vezes foi decisiva no Benfica, assumiu-se como o "responsável" pela subida gradual da equipa, pontuada por dois momentos vitais, quando fez uma tabela com Maxi e quando colocou a bola na cabeça da Salvio. Dois golos e a solução encontrada.

Mesmo sem brilhantismo, o Benfica ganhou. Depois do triunfo do FC Porto e do empate do Sporting, o campeão sabia que o início da defesa do título passava necessariamente por um triunfo. Mas não apenas por aquela razão. É cada vez mais plausível que até ao final do mês muita coisa mexa do plantel e, por consequência, na equipa. O guarda-redes, o médio defensivo, um atacante e, eventualmente, a sucessão de Enzo Perez. Enquanto a situação não se clarificar, somar três pontos em cada partida é uma salvaguarda. Com ou sem notas artísticas.



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