Com Luís Freitas Lobo e João Rosado, sob a arbitragem de Mário Fernando

Às segundas, depois das 19h, com repetição depois da meia-noite.

Luís Freitas Lobo

Nasci em 1967. Em 1970, portanto, já estava presente para testemunhar as maravilhas de Pele, Jairzinho, Tostão e companhia no Mundial do México. Ainda não conseguia, no entanto, ver os jogos sob uma perspectiva táctica. Agora, como os tenho todos gravados na minha colecção particular de vídeos, vejo-os religiosamente. Como se viajasse no tempo e visse Puskas da mesma forma que hoje vejo Kaká. Para mim, mais do que cinco continentes e sete mares, o mundo é um infinito conjunto de campos de futebol com muitas casas á volta e desde 1998 que tenho procurado, em vários meios de comunicação, passar essa emoção. Porque, como gosto de dizer 'Quando um homem tem uma paixão, seja ela qual for, o melhor que tem a fazer é ir tratar dela!'
Da Revista Mundial e Publico, até ao Expresso e à sagrada A Bola, a Bíblia com que em menino aprendi a escrever lendo Mestres como Vítor Santos. Na rádio da Antena 1 à TSF, na televisão, da SIC Noticias até à RTP, onde hoje estou. Todos os dias penso em futebol. Por isso, em qualquer local, falo ou escrevo sobre futebol, partindo sempre da única forma que o entendo ser possível conceber: com emoção.

João Rosado

João Rosado nasceu em Évora, em 1970. É licenciado em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Entre 1988 e 1992 foi colunista no jornal «A Capital». Foi redactor no jornal «Record» entre 1992-1995 e 2003-2004. Entre 1995 e 2002, foi redactor e editor no jornal «O Jogo». De 2007 a 2012 foi colunista no jornal «Diário de Notícias. Foi comentador de futebol na «Antena 1» entre 1999 e 2000, na «Rádio Renascença» entre 2001 e 2004, na Sport TV entre 2001 e 2007. É comentador de futebol na SIC, desde 2007, e na antena da TSF desde 2004.

Mário Fernando

Jornalista há 27 anos passou a maior parte da vida profissional na rádio. Comercial, Renascença, RFM, Correio da Manhã e XFM até aterrar na TSF. Foi em 1995 e, três anos depois, passou a editor de Desporto. Até hoje. É um fanático por futebol, por isso, não tem paciência para a forma como os dirigentes tratam a coisa, ou seja, quando resolvem que os clubes deles é que contam e o resto é paisagem. Não é, mas isso eles jamais vão entender. No meio de tudo isto houve três reportagens que o marcaram: a primeira visita de Nelson Mandela a Londres depois da libertação e duas edições dos Jogos Olímpicos, Sidney2000 e Pequim2008. Curiosamente, nenhuma delas tem a ver com futebol.

Pré-notas (8)

Colocado por mario.fernando em 08-07-2015 às 15h48

Com a chegada do mês de Julho, como se previa, o mercado começou a agitar-se verdadeiramente. Na frente desta "agitação" surge o FC Porto com nomes sonantes e, sobretudo, uma disponibilidade financeira que, convenhamos, não se supunha que existisse. Depois da contratação de Imbula, a mais cara de sempre do futebol português, está na calha a possível entrada de Iker Casillas - a confirmar-se, o jogador mais bem pago do nosso campeonato - e também de Maxi Pereira, por valores que não são propriamente menores. Ou seja, numa temporada de tudo ou nada, o investimento, independentemente das vendas, é assumidamente elevado. Aliás, uma transformação que quase roça a refundação de conceitos estratégicos. Logo se verá.

Claro que o nome que mais ondas tem levantado - em toda a Europa, diga-se - é o do guarda-redes campeão no Real Madrid e na seleção espanhola. Personagem polémica pelas razões conhecidas, é, contudo, alguém com uma história e um currículo de que poucos podem orgulhar-se. Vai dividir opiniões (já se nota, logo pelas primeiras reações), mas não deixa de ser uma cartada de grande ousadia. Os dragões apostam em Casillas esperando dele a mesma contribuição que outros veteranos já deram em Portugal. Se Michel P reud' homme, Schmeichel e Júlio César funcionaram, por que não o internacional espanhol?

Mas o terreno das contratações não fica por aqui. Bryan Ruiz vem para o Sporting, sendo o primeiro dos tais três a cinco reforços de que Jesus necessita. É uma ótima aquisição e falta saber que até onde irá o clube de Alvalade quando Teo Gutiérrez e Wolfswinkel também estão na lista. Além de outros alvos menos prioritários.

Este é um caminho que se desenhava como inevitável para um clube que quer atacar o título. Só que há uma outra frente de "combate" tão ou mais importante, como o próprio treinador já sublinhou. Isto é, conservar as várias peças que nas últimas duas temporadas foram preciosas ao Sporting. Ainda é cedo para avaliações definitivas porque a dança do entra e sai só agora realmente se iniciou.

Aliás, o caso do Benfica é o mais evidente. Para já, tenta segurar o grosso da coluna que originou os dois títulos consecutivos, com a eventual exceção de Gaitan, activo difícil de manter como é fácil de entender. Mas é provável que, à semelhança de FC Porto e Sporting, um destes dias, surja também na Luz um daqueles "coelhos" tirados da cartola das surpresas. Os três candidatos têm consciência do que está em causa na próxima temporada. Vai ser preciso apostar forte mas de modo consistente para chegar à meta em primeiro. E, mesmo assim, nunca será simples.

PS : Retiro-me para umas semanas de férias. Quando regressar, em Agosto, os cenários que constatamos hoje já se terão modificado significativamente. A ver vamos quem fica em melhor posição.


Pré-notas (7)

Colocado por mario.fernando em 06-07-2015 às 01h48

1 - Com uma serenidade que contrasta totalmente com o perfil "explosivo" que demonstra em campo, Jorge Jesus deu uma entrevista à SIC que fica a marcar o fim de semana. Nada de revelações bombásticas, mas afirmações assertivas que ajudam a entender melhor o passado recente do técnico.

À cabeça, o ter entendido que já não era desejado no Benfica. Que Luis Filipe Vieira não o queria mais, já se tinha percebido ; que Jesus o tinha compreendido ao longo da época - portanto, não apenas no final - é que constitui a nuance. Ou seja, com ou sem bicampeonato, o ciclo do treinador estava terminado. Daí os dois recados que deixou : não são as estruturas que ganham títulos, são os técnicos e os jogadores ; e o Benfica ficou com uma organização que lhe permite continuar a ganhar. Leia-se, organização que derivou destes seis anos de trabalho. Por outras palavras, Jesus quis vincar (ao contrário do que será a interpretação do presidente encarnado) que o técnico foi peça vital para o futebol do clube chegar onde chegou.

Mas também importante foi registar o que ele planeia para o Sporting. O modelo de jogo será o mesmo que sempre utilizou - e Jesus reconhece que vai ser preciso trabalho aturado para o implantar -, tal como não tem dúvidas de que necessita de matéria prima para atacar o título, entre três a cinco contratações. E partindo do princípio de que se mantêm os jogadores fundamentais da temporada passada (à exceção de Nani e Cédric, obviamente). Interessante também o conceito que Jesus tem (e sempre teve) de que formar e potenciar jogadores não são a mesma coisa. Interessante porque não o alterou apenas por ir treinar um clube que tem colocado a formação como a solução para todos os problemas de construção do plantel.

Jesus mostrou estar muito consciente da realidade que abraçou. Sabe que lutar pelo triunfo nas várias frentes tem implicações que não passam unicamente por uma declaração de intenções. Daí que não surpreenda apontar a relevância da Supertaça porque "é o primeiro título em discussão". Ele sabe o que o espera.

Tudo isto no dia em que o Sporting anunciou um acordo com Marco Silva para a rescisão. Desconheço os contornos, mas, seja como for, antes assim.  

2 - Outra entrevista. Ricardo Quaresma ao Expresso para dizer aquilo que muitos pensam, mas não verbalizam. O FC Porto tem falta de referências no balneário e isto, queira-se ou não, implica custos. Sobra ele, Helton e quase mais ninguém. Até Jackson partiu.

O importante nestas declarações nem é o conteúdo. É puramente factual, mas uma coisa é ser um observador como eu a referi-lo ou serem os adeptos a sublinhá-lo nas redes sociais, Ou mesmo alguns antigos internacionais do clube, visivelmente insatisfeitos por se ter perdido uma linha de continuidade que sempre mantivera uma coesão de princípios. Algo muito distinto é ser uma das figuras do plantel a trazer o assunto para a praça pública, o que, noutros tempos, seria impensável no Dragão. Quaresma fê-lo. Na realidade, há muita coisa a mudar. E por todo o lado.  

3 - O calendário do próximo campeonato já está definido, sendo que o Benfica despacha cedo os seus primeiros duelos com os outros candidatos (FC Porto, à 5ª jornada, e Sporting, à 8ª), com a particularidade dos leões defrontarem os dragões já em 2016. Claro que isto é consequência das condicionantes deste sorteio que, para lá de outras coisas, não permitem encontros entre os melhores classificados da época anterior (logo, entre os três grandes) nas jornadas iniciais.

Por princípio, como expressei várias vezes ao longo dos anos, estes impedimentos não fazem o menor sentido, porque se - como todos dizem - é indiferente o momento em que se encontram, pois têm sempre de jogar todos contra todos, não se percebe que se encare as limitações como algo absolutamente natural. O facto é que estamos perante mais uma ação protecionista aos grandes clubes.

Por um lado, evita jogos entre os candidatos ao título num período em que o mercado ainda está aberto. Garantidamente, não vamos assistir a uma grande contratação ou a uma grande venda em vésperas de um clássico, com as repercussões que isto poderia ter. Por outro, liberta os clubes de um peso extra numa altura em que jogam o acesso à Liga dos Campeões no play-off. Desta vez é o Sporting, como na época passada foi o FC Porto e antes já tinha sido o Benfica. Em resumo, destes pontos de vista, nenhum deles se pode queixar. 


Pré-notas (6)

Colocado por mario.fernando em 02-07-2015 às 23h00

1 - Como se previa, a chegada de Jorge Jesus a Alvalade foi marcada pela componente emocional. É sempre assim no regresso de um filho pródigo e nem seria de esperar algo diferente num quadro em que o Sporting centra o foco na sua contratação de topo. O desafio está lançado e Jesus tratou - como lhe competia - de criar as bases para uma ligação aos adeptos de que vai necessitar ao longo da temporada.

No entretanto, o técnico assumiu que o Sporting quer ganhar todas as competições em que vai participar a nível interno. O campeonato e as duas Taças surgem de imediato na mente de qualquer um, mas o alcance da afirmação visava algo mais do que o óbvio. Acontece que o primeiro título em discussão é a Supertaça, logo no arranque da época. Jesus, melhor do que ninguém, sabe que este troféu, mesmo que decidido num só jogo, é crucial na aplicação do novo projeto leonino. O Benfica - Sporting de Agosto é uma partida que marcará a temporada, para um lado e para o outro. De resto, nem é preciso recuar muitos anos para se perceber o que está em causa.      

2 - Mas só agora ficou completo o elenco da estrutura com a qual Jesus vai contar. Numa escolha do técnico, como Bruno de Carvalho confirmou, Octávio Machado e Manuel Fernandes também voltam a Alvalade. O primeiro pode constituir uma surpresa - ele próprio tinha dito há bastante tempo que dificilmente regressaria ao futebol - , o segundo é a consequência da necessidade de ter uma figura de referência do clube na estrutura, algo que Jesus sabe ser fundamental no contexto de construção de um novo projeto.

A opção por Octávio pode vir a ser um ponto importante no esquema leonino. Por todas as razões que se prendem com uma temporada vital para qualquer um dos três grandes, o Sporting vai precisar de uma blindagem do seu futebol que funcione com eficácia. Externa e interna. E é isto que Jesus também aguarda do homem da direção desportiva.

3 - O Benfica também já trabalha, mas num cenário bastante diferente do do rival da Segunda Circular. Há um novo conceito e um novo treinador, é verdade, embora os contornos sejam muito distintos. Vai ser preciso esperar mais algum tempo para se começar a entender, afinal, que mudanças prepara Rui Vitória para o modelo e sistema da equipa. Mais tarde voltaremos ao tema pois nada é seguro por agora, nomeadamente se a arrumação do plantel é feita em função do padrão deixado por Jorge Jesus, ou se Vitória quer aplicar outra lógica, eventualmente mais próxima daquela que tem adoptado noutros clubes.

No entanto, uma coisa o técnico deve ter por adquirido : o desafio que se coloca ao Sporting na Supertaça aplica-se integralmente ao Benfica. Se Jesus não pode falhar no início, Rui Vitória também não. Com um dado adicional que ficou nos registos : os encarnados já tiveram uma época completamente condicionada por causa de uma derrota no troféu de abertura da época.

4 - O FC Porto começou a movimentar-se no mercado e Danilo Pereira, sem surpresa, foi anunciado como a mais recente aquisição. Só que antes contratara Imbula por uma verba incomum para a realidade portuguesa. Saia ou não integralmente dos cofres do Dragão. Não se questiona a qualidade do jogador - embora só o futuro possa dizer de que forma se afirmará na equipa - , mas esta iniciativa apenas vem confirmar aquilo que se calculava. Isto é, o FC Porto pode fazer receitas elevadas - como sucedeu com Jackson - mas o investimento não será muito menor.

Depois de duas temporadas em branco, os dragões têm na próxima época um desafio de alto risco. Por um lado, há um Benfica bicampeão que aspira ao tri; por outro, há um Sporting que pretende romper com a tendência do duopólio que tem marcado o futebol português. Aproxima-se mais um ano com orçamento à medida das pretensões portistas. Resta saber se com resultados equivalentes.

5 - O sorteio dos árbitros está de volta, mas percebeu-se que a medida é transitória. No fundo, todos têm consciência de que a nomeação é a opção com mais sentido, desde que os critérios sejam entendíveis. Foi a conjuntura que determinou esta mudança. A realidade é que esta deliberação não pretendeu visar o processo de nomeações, mas sim o nomeador. Vitor Pereira, reconheça-se, colocou-se a jeito com um conjunto de decisões incompreensíveis e entrou em rota de colisão com vários clubes.

No atual contexto, entregar o destino às bolinhas é o mal menor. O sorteio só seria uma solução inquestionável se tivessemos um quadro de árbitros de nível semelhante e elevado, ou seja, se fosse indiferente ter A, B ou C a apitar as partidas. Claro que isto não é assim - nem em Portugal nem em lado algum -, pelo que os próprios defensores da ideia sentiram a necessidade de adoptar condicionantes. Agora, importante mesmo é conferir o que vai ser modificado na estrutura do funcionamento da arbitragem. Mudar o método e deixar tudo o resto na mesma nada vai resolver. A questão é : isto vai mexer até onde?


Pré-notas (5)

Colocado por mario.fernando em 01-07-2015 às 02h20

1 - Calculo que devem ter reparado naquela frase de Bernardo Silva, no meio das múltiplas declarações mais ou menos óbvias depois da final de Praga, em que o jovem jogador do Mónaco diz qualquer coisa como "não devíamos ter ido para o prolongamento". Nem mais. Foi a síntese mais lúcida da partida com a Suécia.

Portugal tem melhores jogadores e melhor equipa do que os nórdicos. Globalmente, entenda-se. Só não tem a condição física dos suecos, nem a vocação para entregar o jogo ao antagonista e deixá-lo desgastar-se. De facto, a seleção nacional "tinha" de resolver o assunto nos 90 minutos.

2 - Portugal até começou bem, mas o índice de aproveitamento ficou muito longe do que sucedera frente à Alemanha. Duas oportunidades em sete minutos (incluindo uma bola ao ferro) indiciavam um procedimento que não se concretizou. A fortaleza (acho que o termo é mesmo este) sueca não permitiu mais.

Ter as linhas recuadas, negar espaços aos criativos portugueses, especialmente a Bernardo Silva, trancar a primeira fase de construção a William Carvalho e condicionar a movimentação das duas peças dianteiras (viram a quantidade de vezes em que Cavaleiro foi apanhado em fora de jogo?) foram a receita para deixar correr o jogo. Correu o jogo e correram os portugueses. A 20 minutos do fim a Suécia já estava em condições de pegar na batuta e assim foi até aos penáltis.    

3 - Rui Jorge, desta vez, não encontrou a saída do beco. Tal como não conseguira no outro desafio ainda na fase de grupos. Estes suecos adoptam sempre esta estratégia quando têm de enfrentar um adversário tecnicamente superior. Partem do princípio de que podem nada fazer, desde que os outros também não. E pouco se importam se os adeptos gostam. O conceito é prático : as finais são para se ganhar e cada qual usa o caminho que mais jeito lhe dá para lá chegar.

Também é verdade que o técnico português não lucrou particularmente com as alterações, ao contrário do que obtivera em partidas anteriores. A troca de Sérgio Oliveira por Tozé foi algo intrigante - a menos que houvesse um problema físico - , Gonçalo Paciência acabou trancado no meio das torres e apenas Iuri Medeiros veio dar outra velocidade que, naquela altura, já escasseava.

4 - Não vou falar de mais uma eliminação nos penáltis de tão crónico que isto já é nas campanhas portuguesas. Continuo a pensar que aquele é um momento em que a força mental é vital. Há quem tenha (casos de João Mário, Lindelof e Guidetti), há quem não tenha.

5 - Perder uma final custa e a estes jogadores deve ter custado bastante. Repare-se que eles falham um título sem perder um único desafio desde que a qualificação começou. Esta irritante falta de "qualquer coisa" no momento em que se exige killer instinct é, porventura, a grande lacuna desta equipa. Espera-se que até aos Jogos Olímpicos isto seja superado ou, pelo menos, atenuado. Ver uma seleção destas regressar do Rio sem uma medalha seria algo difícil de compreender.

6 - Em conclusão, este foi mais um passo. Para bem deles e do nosso futebol, que tenha sido um passo no crescimento. Esta não é uma geração perdida. Dramas nesta altura é que não fazem o menor sentido.


Jogo de pausa

Colocado por mario.fernando em 29-06-2015 às 20h14

Na última edição da temporada do Jogo Jogado na TSF os sub21 de Portugal constituíram o inevitável tema central. A campanha da jovem seleção, que culmina com uma presença na final do Europeu da República Checa, é explicável por várias razões e foi delas que se falou. Disto e dos reflexos que poderá ter no futuro individual dos jogadores e no da seleção principal a médio prazo.

Ainda um derradeiro olhar sobre as movimentações de mercado nos três grandes, se bem que a verdadeira - e mais sintomática - agitação se aguarde para o próximo mês.

O Jogo Jogado vai de férias e, como é hábito, regressa no arranque da nova época. É a 10 de agosto, logo a seguir à Supertaça.


Pré-notas (4)

Colocado por mario.fernando em 27-06-2015 às 22h24

Sim, era plausível que Portugal chegasse à final do Europeu sub21, mesmo tendo pela frente a Alemanha. Sim, esta equipa teve um percurso, da qualificação até à fase final, que justificava a possibilidade de voltar à discussão do título, algo que não sucedia desde a solitária tentativa de 1994. Agora, o que nenhum de nós imaginou - e, arrisco, nem Rui Jorge e os jogadores - é que Portugal atropelasse de forma impediosa uma seleção alemã que, a esta hora, ainda não deve ter entendido muito bem o que lhe aconteceu. Uma goleada histórica, uma exibição brilhante.

1 - Colectivo. Comecemos por aqui, porque é a principal componente desta seleção. Aquilo a que no futebol se chama "espírito de grupo", tantas vezes enunciado e raras vezes entendido, existe de facto neste conjunto de jogadores. Pode argumentar-se que é sempre mais fácil quando as coisas correm bem - o que tem sucedido com elevada frequência nos sub21 - , mas, porventura, a questão deve ser colocada ao contrário : a pré-definição de um objetivo comum é que determina a coesão. Portugal, não por mero acidente, assumiu o comando do jogo frente à Alemanha desde o primeiro minuto e assim foi até final. Esta é uma equipa que acredita nela própria. 

2 - As referências. Há um eixo nesta seleção que funciona como uma espécie de estrutura sobre a qual assenta tudo o resto. José Sá é o primeiro nome, um guarda-redes que já garantiu pontos neste Europeu e que respondeu claramente nos momentos cruciais (ainda agora, ao negar o golo a Younes quando havia 2-0); Paulo Oliveira, "base" de uma defesa que tanto pode ter Ilori como Tobias ao seu lado; William Carvalho, que assinou uma das melhores atuações da sua carreira, o verdadeiro pilar e o elo de ligação do meio campo; e Bernardo Silva, criatividade pura, rasgos incomuns para alguém desta idade. Não excluo qualquer um dos outros, mas muito do sucesso inicia-se nesta lógica. 

3 - Rui Jorge. A enorme virtude do selecionador reside no facto de ter percebido o que tinha em mãos. Ou melhor, quem tinha em mãos. Não se limitou a juntar peças, potenciou os valores que esta geração lhe proporcionou. Mais do que trabalhar as componentes tática e estratégica, conseguiu separar o "grupo seleção" das condicionantes exteriores. E demonstrar a este núcleo de jogadores que os sub21 não representam somente uma fase na carreira deles. Desta vez, algo que já não se via desde os tempos de Queiroz, os sub21 constituem realmente antecâmara para o patamar seguinte.  

4 - Suécia. Lá vêm eles outra vez. Mas, desenganem-se, a final pouco ou nada terá a ver com a partida anterior na fase de grupos. Agora está em causa um título e os suecos vão querer conquistá-lo tanto quanto os portugueses. Os sub21 nacionais partem como favoritos - quem ganha 5-0 à Alemanha não tem a menor hipótese de se livrar do rótulo - e é com este cenário que terão de lidar. Sem deslumbramentos, os rapazes de Rui Jorge só têm de se manter iguais a si próprios. É mais que meio caminho andado para trazer o "caneco".


Pré-notas (3)

Colocado por mario.fernando em 27-06-2015 às 00h00

1 - Ainda está em andamento a primeira novela da pré-temporada. Protagonista : Maxi Pereira. O Benfica, pelo menos em tese, preferia conservá-lo, pois ele e Luisão são os dois elementos do plantel "com história" no clube o que, em tempo de remodelação profunda, não é negligenciável. Só que todo este processo se arrastou demasiado no tempo, mesmo quando já se sabia desde janeiro que a ligação contratual caminhava para o fim. Arrastou-se de tal forma que, nesta altura, a bola está do lado do jogador e - principalmente - do empresário. O que justifica a natural insatisfação de vários setores encarnados que começam a pensar se ainda fará sentido algum esforço para manter o uruguaio.

Atento aos desenvolvimentos está o FC Porto, mas também aqui não é linear a vantagem que os dragões poderiam tirar da contratação de Maxi, para lá da baixa que provocariam no rival, naturalmente. Ir buscar um jogador colocando interesses "políticos" à frente dos desportivos nunca foi uma opção muito recomendável, fosse em que clube fosse. É verdade que o lateral acrescentaria experiência a um plantel globalmente jovem, mas, só por si, é argumento curto. 

Em resumo, aconteça o que acontecer no fecho desta novela, as marcas ficam lá. Quanto às consequências, logo se vê. Até porque já vi leilões em que a "peça" acaba por não ser adquirida por qualquer dos interessados.

2 - A contratação de Jorge Jesus poderia ter tornado Bruno de Carvalho num herói unanimemente aplaudido por toda a "nação" sportinguista. Isto só não aconteceu (o pleno, entenda-se) pela forma como o presidente leonino decidiu livrar-se de Marco Silva. Os adeptos concordam com a cartada Jesus - não era possível encontrar melhor solução em Portugal -, mas preferiam que Marco Silva tivesse sido dispensado por acordo mútuo e não num clima de confronto assumido.

O esticar de corda, que está a empurrar a solução para uma decisão do Tribunal do Trabalho, prosseguiu. Marco Silva aceitou abdicar de dois dos três anos de contrato na indemnização, o que, supunha-se, deixava aberto o caminho para o Sporting acabar de vez com o problema. Afinal, o clube acha que isto só fica fechado se o treinador ficar impedido de treinar os rivais até 2018. Depois de, há apenas duas semanas, Bruno de Carvalho ter feito uma comunicação garantindo que o futuro profissional de Marco Silva lhe era indiferente, mesmo que passasse pelos rivais.

A apresentação de Jesus será apoteótica (não é preciso ser-se adivinho para prever o que acontecerá em Alvalade), mas daqui até à oficialização não se sabe quanto tempo passará. A menos que o Sporting avance já para a rescisão unilateral com Marco Silva. O que aparenta ser a opção de risco de Bruno de Carvalho.

3 - A venda de Jackson é um ótimo negócio, falta saber qual o passo seguinte do FC Porto. Arranjar alguém do mesmo nível do colombiano não é fácil. É outro desafio que se coloca aos dragões que, nos últimos anos, têm descoberto alterrnativas válidas para outras baixas de vulto na frente de ataque. É sempre um exercício arriscado, logo veremos como será agora. Nesta corrida "apertada" pelo título - Benfica e Sporting devem ser encarados com o mesmo grau de "perigosidade" - é vital ter um artilheiro de capacidade superior.

Por ora, este ainda "não é" o tempo do FC Porto. A agitação, cujo epicentro está na Segunda Circular, coloca os dragões à margem da discussão mediática. Deste ponto de vista, o FC Porto só pode estar grato à contribuição que veio do eixo Alvalade/Luz. Mas talvez fosse bom não se iludir. Quando a poeira assentar os focos voltam para lá.

4 - Excelente encaixe financeiro do Braga. Sete milhões por Éder só não é um negócio da China porque este veio da Premier League.


Pré-notas (2)

Colocado por mario.fernando em 24-06-2015 às 23h29

É o regresso aos Jogos Olímpicos, primeiro (principal?) objetivo dos sub21 atingido. Para o futebol de um país que em toda a história olímpica só marcou presença três vezes, isto não é irrelevante. Rui Jorge - um dos poucos que sabe o que é participar numa competição tão particular como aquela - conseguiu agregar no coletivo todas as qualidades individuais que esta geração de jogadores possui. Talvez esteja aqui a chave deste sucesso. O que se coloca a partir de agora - falo do Europeu - é o teste final à capacidade de "assaltar" um título.

Portugal sustenta boa parte da sua estrutura na solidez defensiva (apenas um golo sofrido em três jogos, com José Sá a cotar-se como o melhor guarda-redes do torneio até ao momento), no equilíbrio do meio campo (William é crucial), na criatividade para descobrir soluções ofensivas (Bernardo Silva, obviamente) e no aproveitamento q.b. das oportunidades geradas (e que não são muitas, reconheçamos).

Até agora, tudo isto serviu perfeitamente para concluir na liderança do respetivo grupo. Num duelo a eliminar, logo veremos se tudo continua a bater certo. A Alemanha é o desafio ideal para uma afirmação definitiva da seleção portuguesa. E um indicador sobre a viabilidade de uma medalha no Rio2016.


Jogo de plantéis

Colocado por mario.fernando em 22-06-2015 às 20h15

Já arrancaram as movimentações de mercado, ainda que numa fase muito prematura. De qualquer modo, o Jogo Jogado na TSF olhou os pontos fulcrais do que se passou até agora, mas também - ou principalmente - aquilo que as primeiras escolhas indiciam. As escolhas e as intenções que passam não apenas pelas entradas, mas também pelas saídas.

Isto enquanto as decisões da Liga sobre empréstimos dão uma nova face aos regulamentos e a seleção sub21 continua a prometer. Aguardemos.

 


Pré-notas (1)

Colocado por mario.fernando em 19-06-2015 às 21h35

1 - Comecemos pelo futebol propriamente dito. Não sei até onde irá a atual seleção portuguesa de sub21, mas há motivos fundados para pensar que este conjunto de jogadores ainda tem muito para dar. Agora, neste grupo que está presente no Campeonato da Europa, e depois, quando saltarem mais um patamar e se instalarem em definitivo na seleção principal. Aliás, permitam-me uma - digamos - correção, porque desde há muito tempo que não assistíamos ao facto de vários jogadores dos sub21 já estarem a ser chamados para os AA e de, simultaneamente, serem utilizados regularmente nos clubes que representam.

William Carvalho, João Mário e Bernardo Silva são já dados adquiridos para Fernando Santos que, certamente, vai continuar a requisitá-los caso mantenham as prestações nos respetivos clubes. Como André Gomes, que só não está na República Checa por causa de uma lesão. Se a estes juntarmos os outros que temos visto atuar, com maior ou menor frequência nos clubes (José Sá, Danilo, Ricardo Esgaio, Paulo Oliveira, Raphael Guerreiro, João Cancelo, Tobias Figueiredo, Rafa, Sérgio Oliveira, Ruben Neves, Tozé, Carlos Mané ou Ricardo Pereira, só para exemplificar) somos obrigados a concluir que algo está a mudar em relação a certos conceitos que regeram a lógica do futebol nacional durante demasiados anos.

Esperemos que o objetivo primordial neste Europeu, o regresso a uma participação nos Jogos Olímpicos, seja alcançado. E se for possível algo mais do que isto tanto melhor. Mas, acima de tudo, que o percurso iniciado por Rui Jorge com estes jogadores tenha continuidade no futuro. Ganhava toda a gente, sem exceções.

2 - Passada a voragem das mudanças de treinadores, as atenções centram-se agora nas alterações dos plantéis. Quem sai, quem entra, quem renova e, sobretudo, que opções estratégicas vão ser adoptadas na construção dos grupos de trabalho para a próxima temporada. Sobre este entra-e-sai falarei oportunamente, com mais dados na mão, porque neste momento os nomes anunciados são muitíssimo menos do que os nomes desejados. Estamos ainda no plano das intenções - e dos jogos de bastidores, ora pressiono eu, ora pressionas tu - pelo que mais umas semanas de espera só vão ajudar à clarificação.

De qualquer modo, embora os três grandes sejam efetivamente candidatos ao título, só daqui por dois meses se verá o verdadeiro potencial de cada um. Apenas uma mera sugestão : confiram os plantéis atuais e depois comparem-nos com aquilo que vamos ter lá para meio de Agosto... 

3 - A partir de agora, os jogadores emprestados a clubes da mesma Liga não podem defrontar aqueles que os cederam. Se o comportamento fosse claro e transparente, uma medida destas nunca seria necessária. No mundo idílico em que o nosso futebol não encaixa, os jogadores eram emprestados, defrontavam normalmente os clubes de origem e só não o fariam se houvesse uma razão perfeitamente entendível para tal (uma lesão prolongada, não estar a ser usado regularmente, castigo, etc). A questão é que em Portugal não faltam exemplos, ao longo dos anos, de casos, no mínimo, nada convincentes.

Não sou apreciador de medidas radicais apenas porque sim. Mas quando não se vê a menor intenção de automoralização por parte dos clubes, infelizmente, são poucas as alternativas para resolver o problema. Pode ser que um dia nada disto seja necessário. Duvido, mas talvez. 

4 - É também por estas que a arbitragem em Portugal é a única componente do futebol em que existe uma convergência total, independentemente da origem clubística : todos dizem mal dela. Convenhamos que situações como esta de Marco Ferreira são óptimas contribuições para que as opiniões não se alterem. O que, aliás, só vem (re)confirmar aquilo que digo há anos e que também tenho aqui referido - episodicamente, porque não há paciência para uma sistemática repetição - sobre o muito que se contesta e o pouco (ou praticamente nada) que se faz para colocar as coisas no lugar.

Ver o árbitro escolhido para a final da Taça acabar no último lugar da classificação da época é a demonstração definitiva de que o absurdo é a única lógica que vigora no setor. No dia em que alguém - entenda-se, os dirigentes federativos, da Liga e dos clubes - quiserem discutir realmente o assunto, em vez de andarem a flutuar em função das "tendências" do momento, então valerá a pena levar isto a sério.



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