Com Luís Freitas Lobo e João Rosado, sob a arbitragem de Mário Fernando

Às segundas, depois das 19h, com repetição depois da meia-noite.

Luís Freitas Lobo

Nasci em 1967. Em 1970, portanto, já estava presente para testemunhar as maravilhas de Pele, Jairzinho, Tostão e companhia no Mundial do México. Ainda não conseguia, no entanto, ver os jogos sob uma perspectiva táctica. Agora, como os tenho todos gravados na minha colecção particular de vídeos, vejo-os religiosamente. Como se viajasse no tempo e visse Puskas da mesma forma que hoje vejo Kaká. Para mim, mais do que cinco continentes e sete mares, o mundo é um infinito conjunto de campos de futebol com muitas casas á volta e desde 1998 que tenho procurado, em vários meios de comunicação, passar essa emoção. Porque, como gosto de dizer 'Quando um homem tem uma paixão, seja ela qual for, o melhor que tem a fazer é ir tratar dela!'
Da Revista Mundial e Publico, até ao Expresso e à sagrada A Bola, a Bíblia com que em menino aprendi a escrever lendo Mestres como Vítor Santos. Na rádio da Antena 1 à TSF, na televisão, da SIC Noticias até à RTP, onde hoje estou. Todos os dias penso em futebol. Por isso, em qualquer local, falo ou escrevo sobre futebol, partindo sempre da única forma que o entendo ser possível conceber: com emoção.

João Rosado

João Rosado nasceu em Évora, em 1970. É licenciado em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Entre 1988 e 1992 foi colunista no jornal «A Capital». Foi redactor no jornal «Record» entre 1992-1995 e 2003-2004. Entre 1995 e 2002, foi redactor e editor no jornal «O Jogo». De 2007 a 2012 foi colunista no jornal «Diário de Notícias. Foi comentador de futebol na «Antena 1» entre 1999 e 2000, na «Rádio Renascença» entre 2001 e 2004, na Sport TV entre 2001 e 2007. É comentador de futebol na SIC, desde 2007, e na antena da TSF desde 2004.

Mário Fernando

Jornalista há 27 anos passou a maior parte da vida profissional na rádio. Comercial, Renascença, RFM, Correio da Manhã e XFM até aterrar na TSF. Foi em 1995 e, três anos depois, passou a editor de Desporto. Até hoje. É um fanático por futebol, por isso, não tem paciência para a forma como os dirigentes tratam a coisa, ou seja, quando resolvem que os clubes deles é que contam e o resto é paisagem. Não é, mas isso eles jamais vão entender. No meio de tudo isto houve três reportagens que o marcaram: a primeira visita de Nelson Mandela a Londres depois da libertação e duas edições dos Jogos Olímpicos, Sidney2000 e Pequim2008. Curiosamente, nenhuma delas tem a ver com futebol.

A derrapagem

Colocado por mario.fernando em 26-01-2015 às 01h10

A entrada na segunda volta fica já marcada pela derrota do FC Porto na Madeira. Tudo ao contrário da pretensão dos dragões que, depois do jogo em Braga, da Taça da Liga, tinham passado para o exterior uma espécie de afirmação interna (o já clássico "toque a reunir") como forma de a focar, sobretudo, nesta partida imediata do campeonato. Deu em derrota - por razões várias a que o futebol, enquanto tal, não escapa - e teve como primeira consequência ver o Sporting apenas a um ponto. Se poderá ter uma segunda - a ampliação da vantagem do Benfica - é esperar pelo desafio da Mata Real.

É certo que o FC Porto dominou a partida e que dispôs de um número de oportunidades mais do que suficientes para vencer o jogo. Mas, como todos sabemos e o próprio Lopetegui subscreveu, de pouco adiantam as lamentações quando a concretização é nula. O Marítimo marcou no primeiro remate à baliza de Fabiano e, a partir daí, ainda com uma hora pela frente para tentar inverter o resultado, a equipa portista não conseguiu sequer chegar ao empate. Nem nos últimos 20 minutos contra dez.

Convém aqui sublinhar dois vectores. Os madeirenses não cometeram o erro de repetir o 4x4x2 utilizado com o Benfica, optando pelo regresso a um 4x3x3, o que, do ponto de vista da consistência (defensiva, sobretudo), lhe permitiu lidar melhor com os espaços a meio campo. Por outro lado, o FC Porto recorreu a Quintero e Quaresma, apostando nas diagonais de ambos e possibilitando as subidas de Danilo e Alex Sandro. Em tese, poderia nem ser mal pensado, terá julgado Lopetegui. A prática é que nem sempre corresponde ao desenhado no papel.

Depois, quem quer ganhar, não pode desperdiçar daquela maneira. Salin, só por si, foi o homem do jogo, mas com falhanços inacreditáveis como aquele de Martins Indi, na pequena área e com o guarda-redes no chão, é mesmo colocar-se a jeito para que as coisas acabem mal.

A deslocação das águias a Paços de Ferreira vai esclarecer se o Benfica amplia a vantagem, mas uma certeza fica já por antecipação : a "colagem" do Sporting. Os leões entraram em Alvalade sabendo do empate do V.Guimarães, portanto, com a missão de descolarem dos vimaranenses. O que conseguiram, tendo direito a "bónus", mais tarde, nos Barreiros. Diga-se que o trabalho da equipa leonina não foi simples, como o desfecho tangencial ilustra. Sobretudo, porque a Académica, sem outros argumentos, veio a Lisboa jogar para o nulo. O que é sinónimo de defender muito e atacar nada.

Uma hora e tal de "ocupação" do meio terreno academista e dois remates nos ferros depois (além de mais umas quantas hipóteses que só a inépcia leonina não transformou em golo), o Sporting finalmente marcou. Não foi Tanaka, mas o japonês esteve no golo de João Mário que resolveu a partida. Começa a ser o joker de serviço de Marco Silva, porque marca ou porque abre o caminho para alguém marcar. Tanaka e Carlos Mané substituiram Adrien e Carrillo naquela que foi a cartada decisiva do técnico do Sporting durante a segunda parte. E que funcionou, outra vez.

Como aqui tinha referido, esta transição da primeira para segunda volta - que é como quem diz, estas três/quatro jornadas - poderia trazer novidades ao campeonato. A questão era saber quem seria o primeiro a derrapar. Só falta saber de que forma os outros dois vão aproveitar o desaire portista. E, por outro lado, como é que o FC Porto poderá reagir a um novo quadro. Esperemos, por ora, pelo fecho desta ronda para ficarmos a perceber exatamente com o que o campeonato vai contar.


A ronda inesperada

Colocado por mario.fernando em 22-01-2015 às 01h36

A Taça da Liga é aquela competição em que o interesse geral é muito relativo. Sobretudo durante esta fase de grupos, marcada, por regra, por jornadas algo sonolentas, como já aqui tive oportunidade de referir. Só que esta ronda tratou de ser a exceção, por causa do jogo de Braga. Numa partida que nada decidia, a última coisa que se pensava é que desse na confusão que deu. Mas vamos por partes, porque a história não se esgota nisto.

Antes do mais, lembrar que Benfica e Marítimo já estão nas meias finais. No caso das águias com um pleno que se encerrou em Moreira de Cónegos, com mais um triunfo indiscutível. O Moreirense ainda conseguiu durante a primeira parte complicar a articulação encarnada, mas no segundo tempo foi demasiado visível a distância do futebol das duas equipas. E depois da entrada de Samaris, por troca com um apagado Sulejmani, deslocando Pizzi para a ala, mais se acentuou o desnível ( e mais se notou a consistência). O Benfica ainda ficou a dever a si próprio mais um ou dois golos, contudo, o caminho para a fase seguinte está feito. Fica à espera de adversário que poderá ser o Sporting.

Ora, os leões foram perder ao Restelo. E quem viu a meia hora inicial da partida com o Belenenses jamais pensaria em tal hipótese. Situação controlada, Ryan Gould em ascensão - dois golos e uma belíssima atuação - , Wallyson a dar nas vistas, predomínio ofensivo, enfim, o Sporting parecia estar embalado para somar mais três pontos. O problema foi quando os azuis reduziram e a jovem equipa leonina mostrou não ter capacidade de resposta para "matar" o jogo. Pelo contrário. O outro Sporting, o mais experiente, dificilmente se deixaria ultrapassar tendo dois de vantagem. Seja como for, a próxima jornada mantém aberta a porta da qualificação.

E chegámos então ao jogo que aqueceu a noite. Falar de Cosme Machado é razoavelmente inútil. Já me esqueci de quantas atuações polémicas efetuou, com outras equipas, outros protagonistas, outros jogos. Disse-o uma vez e repito : ele é assim, portanto...

Despachando este capítulo - porque o desafio em si teve coisas que merecem elogios - , o problema deste árbitro (desde sempre) é a questão disciplinar. Pondo de lado os penáltis (não tenho a certeza do juiz em qualquer deles, mas admitamos que sim), é verdade que dois elementos do Braga (Sasso e Tiago Gomes) também podiam ter ido para o duche mais cedo. O que não anula que Reyes e Evandro tivessem sido suficientemente imprudentes para se habilitarem ao vermelho. Há ações que se podem evitar e, consequentemente, jogar pelo seguro.

Jogar com dez é complicado em qualquer caso, mas só ter nove (e, a dada altura, Ruben Neves já não estava em condições de prosseguir) fez com Lopetegui fosse condenado a um 4x4x0 para tentar condicionar (travar seria quase impossível) a supremacia ofensiva do Braga em toda a segunda parte. Mas o facto é que os dragões seguraram o empate, muito pela exibição memorável de Helton. Realizar cinco (!) defesas a remates que levavam, todos eles, o caminho do golo, é obra. Helton regressou numa forma extraordinária, uma enorme surpresa depois de tantos meses de ausência.

Acontece que o FC Porto - tal como o Sporting - permanecem com as mesmas possibilidades de apuramento. Esta jornada pode não lhes deixar boas recordações, mas nada altera ao fundamental. Para já, Benfica e Marítimo têm todos os motivos para sentirem que a missão foi cumprida como previsto. Agora é aguardarem.


Balanço em Jogo

Colocado por mario.fernando em 19-01-2015 às 20h04

Concluída a primeira volta do campeonato, o Jogo Jogado da TSF, esta semana, deitou mãos ao balanço, fazendo já uma projeção sobre a segunda metade da prova. A questão do título - vantagens e desvantagens dos candidatos - , a colocação europeia em geral e um olhar a propósito daquilo que os vários emblemas, todos eles, nos mostraram de positivo e negativo.

Depois, as escolhas individuais, as figuras que, por razões diversas, marcaram posição na metade já jogada da Liga portuguesa.


Encerrar em pleno

Colocado por mario.fernando em 19-01-2015 às 03h01

1 - O Benfica não poderia encerrar melhor a primeira volta do campeonato, na condição de líder, do que com a exibição e o desfecho obtidos na Madeira. Poucos admitiriam antes que o jogo acabaria em goleada e com uma superioridade absoluta sobre um Marítimo que estava a fazer uma ótima carreira nos Barreiros. Até Jorge Jesus o reconheceu. Só que, quando, para lá da diferença de valores individuais, uma equipa faz o seu melhor e a outra o seu pior, inevitavelmente acaba assim.

Repare-se que o Benfica perdeu Gaitan, por lesão, logo aos 15 minutos. Mesmo sem o seu ás, teve em Ola John um trunfo precioso, de tal forma que o holandês - a par da classe de Salvio - se tornou numa das figuras da partida. De resto, são eles os "autores" do golo de abertura, algo que não só trouxe (ainda) maior estabilidade emocional à equipa como ajudou à progressiva afirmação do domínio encarnado. Para simplificar a história, o Marítimo não fez um remate à baliza de Júlio César durante toda a primeira parte.

A vantagem tangencial ao intervalo já era curta para a realidade do desafio. Com um setor defensivo - e um meio campo -sem a menor ideia de como lidar com o adversário, os madeirenses foram sucedendo nos erros, pressionados pela rotação da frente de ataque das águias. Leonel Pontes declarara-se preocupado com os "bloqueios ofensivos" do Benfica, mas esqueceu-se de arranjar solução para os bloqueios táticos da sua própria equipa. O Marítimo só fez a sua primeira jogada com pés e cabeça quando já perdia por três (uma defesa de nível de Júlio César, já agora).

Foi um inesperado "passeio" do campeão ao Funchal, mostrando uma capacidade inegável para detetar os pontos fracos do antagonista e tirar disso um proveito total. O Benfica realizou um jogo num patamar muito semelhante ao que fizera frente ao V.Guimarães, agora com o elenco quase completo, após os regressos de Salvio, Eliseu e, sublinhe-se, Luisão, que passa a ter tantas partidas pelos encarnados como Eusébio. Do ponto de vista simbólico é um registo importante para a equipa, do ponto de vista desportivo mais relevante ainda. A voz de comando lá atrás é outra mais valia deste Benfica.

2 - O jogo de Alvalade foi um dos tais que valeu a pena pelos dois lados. Apesar de alinhar em casa e ser naturalmente favorito, o Sporting teve pela frente um Rio Ave que não se limitou a complicar-lhe a vida : tentou mesmo discutir a partida e, verdade seja dita, conseguiu-o durante largos períodos do desafio. Até porque, para começar, os leões realizaram uma primeira parte em que, exceptuando dois remates de longe (Cédric e Montero), pouco mais se viu.

No plano tático a equipa vilacondense foi globalmente melhor, tirando partido da "vantagem numérica" no meio campo, consequência de André Martins ter ficado largos furos abaixo de William Carvalho e João Mário. De resto, quando o Sporting não tem pêndulo - Adrien - nota-se. Até que, pela meia hora, Prince deita a mão à camisola de Montero na área do Rio Ave. Poderia significar a abertura do caminho para um triunfo tranquilo, mas o adversário não estava para aí virado. E num lance de contra-ataque puro, a velocidade de Del Valle repôs uma igualdade que, de facto, fazia muito mais sentido ao intervalo.

A troca forçada de Carrillo por Mané funcionou como um agitador suplementar na segunda parte. E é nos 15 minutos iniciais do segundo tempo que os leões têm o seu período de ouro, com cinco grandes oportunidades para concretizar, embora só conseguindo à sexta. Montero, João Mário e Jefferson, por razões diferentes, saltaram para a primeira linha da ribalta. E, depois, com a entrada de Gauld - que esteve muito acima da produção de André Martins - foi mais um a alimentar a corrente ofensiva. Chegou o 3-1 e aparentava estar tudo encerrado. 

Simplesmente, o mérito do Rio Ave não se resumiu ao que fizera antes, somou ao que fez depois. Reagiu fortemente à desvantagem, marcou, dividiu as oportunidades - o jogo ficou completamente partido, logo, mais imprevisível - até que Marco Silva lança o joker asiático. Tanaka pode não ser um jogador fabuloso, mas com esta já é a terceira vez consecutiva que livra o Sporting de uma dor de cabeça. Um triunfo merecido, ainda que com sacrifício redobrado.

PS : Pelo adiantado da hora fiquei-me somente por algumas ideias centrais. Mas há uma coisa que continua a intrigar-me : existe alguma determinação em Portugal que proíba os empurrões aos árbitros de serem punidos com cartão vermelho?


"Navegar" pelo triunfo

Colocado por mario.fernando em 18-01-2015 às 01h29

Esperava-se menos complicação para o FC Porto na deslocação a Penafiel, sendo que o resultado final, embora seja um reflexo da óbvia diferença qualitativa entre as duas equipas, não conta as dificuldades com que os dragões tiveram de lidar. Certo que o terreno de jogo era lamaçal para os dois lados, mas o facto é que, uma vez mais, as individualidades ditaram o curso da partida. Jackson, secundado por Óliver, esteve em todas. As que realmente decidiram. Dir-se-ia que foi ele quem melhor "navegou" nas águas de Penafiel.

Durante toda a primeira parte, apesar da já tradicional posse de bola, o FC Porto precisou de meia hora para criar uma real oportunidade para marcar. Com André Fontes a barrar a primeira fase de construção do adversário (Casemiro que o diga) e Pedro Ribeiro a ser determinante no eixo defensivo penafidelense, os dragões sentiram notórios problemas para gerar situações potenciais de concretização.

Mas quando chegaram, o grau de eficácia foi absoluto. Duas ocasiões, dois golos quase consecutivos. No primeiro, beneficiando da posição irregular de Casemiro; no segundo, com Jackson "a queimar" o fora de jogo. E, pouco depois, tanto Quaresma como Jackson podiam ter repetido a dose. O colombiano foi, de longe, o mais influente elemento do FC Porto, não apenas pela participação crucial nos dois lances referidos - e estaria na génese do terceiro golo, com uma execução técnica irrepreensível - , mas também porque foi frequente ve-lo noutras zonas do terreno, dando uma colaboração a que, muitas vezes, um ponta de lança não se presta.

Lançados no marcador, seria de prever que a segunda metade da partida fosse gerida pela equipa portista do modo que ela sabe fazer. Contudo, os dragões pareceram "ausentar-se" durante um quarto de hora, durante o qual o Penafiel assumiu o controlo das operações e, inclusivamente, reduziu a diferença. Foi aqui que Lopetegui tomou as decisões que tornaram irreversível o caminho para o triunfo da sua equipa.

Ao abdicar de Quaresma (o jogo já não encaixava no perfil do extremo) e ao colocar Marcano como mais um pilar a juntar a Casemiro e Herrera (Óliver descaiu para a ala esquerda), o técnico espanhol tentou, e conseguiu, uma saída para o jogo vertical que marcava a cadência do adversário. E com o terceiro golo acabaram de vez as ténues intenções do Penafiel atingir ao empate.

A última meia hora do desafio foi um quase exclusivo do FC Porto, reforçado, de resto, com a entrada de Evandro. O marcador até podia ter subido, mas ficou claro que os principais obstáculos tinham ficado para trás. A vitória estava garantida. Assim, os dragões prosseguem o seu percurso - sexto triunfo seguido - enquanto aguardam por um eventual deslize do líder. Cabe agora a palavra ao Benfica na resposta a este duelo.


O caminho previsto

Colocado por mario.fernando em 15-01-2015 às 01h45

Confirmando o previsível, Benfica e Sporting deram mais um passo rumo às meias finais da Taça da Liga. Os encarnados acabaram com uma goleada frente ao Arouca, os leões com um golo perante o Boavista, mas, em qualquer dos casos, percebeu-se que só um dos lados queria mesmo ganhar. O lado de quem jogou em casa. Numa competição curta, como é uma fase de grupos, ou se entra para vencer ou nem vale a pena ter ilusões. Portanto...

Jorge Jesus tinha dito que estas partidas podem ser uma forma de abrir portas a jogadores que querem ganhar espaço na equipa principal. Seguindo esta lógica, houve quem levasse à letra a recomendação. Pizzi, para começar, foi o elemento que mais se destacou, não apenas pela participação nos golos da equipa, mas também por ter desempenhado cabalmente aquelas funções para as quais os encarnados ainda procuram uma solução definitiva. Tudo depende do modo como ele próprio prosseguir o seu caminho e, fatalmente, da maneira como o técnico o interpretar.

Desta vez apareceram Gonçalo Guedes e Rui Fonte, duas peças que continuam a justificar atenção. Saíram ao intervalo por opção pré-definida, mas deixaram sinalizado que Jesus não deve esquecê-los. Guedes é um talento a crescer e Rui Fonte tem características que, noutro enquadramento, podem ser potenciadas. No lance do penalti (um "suicídio" de Dabó) estava no sítio certo para o remate final, aquilo que se exige a alguém na sua posição. Uma referência ainda a Sílvio, agora de volta aos relvados. Parte com meses de atraso, mas logo se verá.

O Sporting, por opção política, está a usar nesta Taça da Liga quase exclusivamente jogadores menos rodados. Mas está a fazê-lo bem, sendo de referir (já o tinha dito em relação a Guimarães) que Marco Silva sabe pensar a estrutura em função da matéria prima que tem. Certo que o Boavista (tal como o Arouca, é idêntico) não é exatamente um adversário com vocação para criar grandes problemas a equipas qualitativamente superiores, só que, também por isto, o trabalho de "focagem" do técnico é muito importante.

Aliás, convém não esquecer que os leões chegam ao triunfo já com dez elementos em campo, depois de Rosell ter cometido a imprudência de se habilitar à expulsão em menos de cinco minutos. Mas pegando no que verdadeiramente interessa, Ryan Gauld pairou acima dos novatos com uma exibição que chegou a ser determinante para se entender boa parte do domínio - e predomínio ofensivo - do Sporting. A forma inteligente como Gauld procurava os espaços vazios é um dos registos da atuação leonina.

Logo a seguir, Tanaka. O golo de Braga deve ter gerado uma onda de confiança no japonês e isso notou-se. Não é um avançado de elite, mas já se percebe a utilidade que pode vir a ter numa equipa que perdeu, temporariamente, a sua maior referência de área. Noutro patamar, o desempenho muito interessante do jovem Podence repetindo, aliás, muito do que fizera na outra partida da Taça da Liga. Tal como Tobias Figueiredo, provavelmente aquele que, de entre os que estiveram em Alvalade, estará mais perto de uma chamada mais regular (permanente?) à primeira formação leonina.

O percurso para as meias finais está a ser cumprido por águias e leões (tal como pelos dragões), encaixando, desta feita, no pressuposto do formato da prova. Ou seja, colocar os três grandes na fase seguinte para existir a certeza de que, no mínimo, um deles marcará presença na final. Só falta mesmo Benfica, Sporting e FC Porto confirmarem o objetivo. E já não falta muito. 


A taça que desliga

Colocado por mario.fernando em 14-01-2015 às 01h38

Não sei se faz parte do ADN da Taça da Liga, mas estas fases de grupos raramente nos apresentam um jogo com um pingo de entusiasmo. Ao longo dos anos as exceções limitaram-se a confirmar a regra. Já tinha sucedido nas partidas da primeira jornada e, pela amostra do Dragão, a tendência é para manter. Parece uma taça que desliga. Continuo a pensar hoje exatamente o mesmo que na altura da criação da prova : é uma boa ideia muito mal concretizada. Adiante. Como se previa, o FC Porto, sem grandes sobressaltos, passou o U.Madeira.

O regresso de Helton foi, de longe, o facto mais relevante do desafio. È difícil dizer como será a questão da baliza daqui para a frente - foram muitos meses de paragem -, mas o brasileiro é uma referência do balneário portista, logo, quanto mais não seja por isto, é sempre de registar um momento destes em qualquer equipa. Depois, um FC Porto globalmente secundário (apenas José Angel tinha sido titular frente ao Belenenses no campeonato e por castigo de Alex Sandro), sem rotinas entre os seus elementos, foi aplicando os princípios de Lopetegui (circulação de bola e...circulação de bola), esperando que alguma coisa nascesse dali. O U.Madeira, convenhamos, também não tinha muitas ambições. 

Com um meio campo que está a anos-luz do original - não se pode esperar de Campaña, Ruben Neves e Evandro o mesmo procedimento de Casemiro, Herrera e Óliver - , a chamada "reserva de energia" ficou por conta de Quintero, o responsável pelo primeiro golo e por tudo aquilo que de mais perigoso os dragões fizeram em toda a primeira parte. Duas grandes defesas de Ricardo Campos "começaram" no colombiano, tal como as duas emendas falhadas por Ivo Rodrigues na pequena área.

Aliás, notou-se a diferença competitiva, depois do intervalo, quer com a entrada de Quaresma quer, acima de todos, com a presença de Óliver, a mais afirmativa figura da "armada espanhola" dos dragões. Um contraponto a Adrián Lopez que, pela enésima vez, não aproveitou a possibilidade de se mostrar verdadeiramente. Apesar dos elogios (de circunstância?) do treinador, Adrián persiste em não responder às exigências.

Uma palavra para os madeirenses que foram ao Dragão com a cabeça na única coisa que verdadeiramente lhes interessa, a próxima jornada da II Liga. Curiosamente, conseguiram um índice elevado de perigo nas pouquísimas ocasiões em que se aproximaram da baliza de Helton, com um golo e uma bola ao ferro. Também pela permeabilidade que a defesa portista consentiu naqueles lances, nomeadamente no eixo central.

Posto isto, aguardemos por Benfica e Sporting, que vão, seguramente, "gerir-se" como fez o FC Porto. Pode não ser entusiasmante para a Taça da Liga, mas é uma inevitabilidade numa competição ensanduichada no campeonato durante um mês.


Tri Jogo

Colocado por mario.fernando em 12-01-2015 às 20h07

A terceira Bola de Ouro conquistada por Cristiano Ronaldo foi o tema central do Jogo Jogado desta semana na TSF. Inevitável, não apenas pelo anúncio ter sido feito poucos minutos antes em Zurique, mas porque o internacional português deu mais um passo para a consagração como um dos melhores de sempre na História do futebol.

E tentámos responder à pergunta obrigatória : que mais conseguirá fazer Cristiano?


Leão até ao fim

Colocado por mario.fernando em 12-01-2015 às 00h07

Um improvável Tanaka colocou o Sporting no terceiro lugar do campeonato. Improvável porque, na ausência prolongada de Slimani, as esperanças goleadoras dos leões estavam depositadas em Montero. Mas como nem tudo o que parece é, aquela cartada final de Marco Silva ao lançar, em simultâneo, Carlos Mané e o japonês, comprovou ser a solução para um problema que se arrastava há 93 minutos. Em rigor, o Braga - Sporting não merecia acabar sem golos.

O triunfo leonino tornou-se o reflexo, principalmente, daquilo que sucedeu na segunda parte. A primeira metade, jogada com uma intensidade, de parte a parte, pouco comum, obrigou os dois guarda-redes a trabalho extra, passando exclusivamente por eles a grande responsabilidade do marcador não sofrer qualquer alteração. Até deu mais Braga no arranque, com Pedro Tiba, nas recuperações, e Pardo, nos contra ataques, a serem figuras preponderantes, só que o Sporting, na recta final, muito pela intervenção de Nani, iniciou uma resposta que teria uma face muito clara depois do intervalo.

É verdade que, logo após o reatamento, uma falha de Maurício ia dando a Pardo a oportunidade para marcar, mas Patrício estava lá. Simplesmente, este momento foi uma espécie de detonador para 25 minutos de domínio absoluto dos leões, sufocando os minhotos na sua própria área. O facto de João Mário se ter adiantado para um papel de apoio a Montero foi a mutação que originou um desequilíbrio no meio campo bracarense (Danilo teve de recuar ainda mais), que só não teve consequências realmente graves porque Matheus negou quatro (!) das seis hipóteses construídas pelas leões. Ainda restaram um remate de Carrillo a centímetros do poste e uma perdida impressionante de João Mário com a baliza aberta.

Foi o grande período da equipa de Marco Silva, durante o qual o Braga resistiu até ao limite, sentindo que a muralha podia ruir a qualquer altura. Apenas perto da meia hora foi possível a Sérgio Conceição ver a sua equipa recuperar algum do fôlego que desaparecera. É então que tenta a cartada da mudança de alas (entrando Salvador Agra e Pedro Santos), sendo que por três vezes (Tiba, Ruben Micael e Éder) voltou a ameaçar Patrício. No entanto, a resposta que veio do banco leonino seria incomparavelmente mais frutuosa. Estava lá o homem certo para a execução notável do livre certo. Houve leão, literalmente, até ao fim.

É um passo muito importante aquele que foi dado pelo Sporting. Ganhou uma partida de elevado grau de dificuldade (conseguiu três pontos onde o Benfica sofrera a sua única derrota) e instalou-se na "zona Champions" da tabela. Ou seja, na abertura do ciclo que marca a passagem da primeira para a segunda volta, não falha os três pontos, tal como os dois rivais, aproveita o desaire do V.Guimarães e deixa o Braga já a cinco de distância. Claro que tudo isto é muito prematuro para todos, mas pode indiciar um resto de campeonato francamente apelativo nos lugares cimeiros. 


A "marcação" dos triunfos

Colocado por mario.fernando em 11-01-2015 às 01h40

1 - Esta transição que marca a passagem da primeira para a segunda volta do campeonato é, tradicionalmente, um momento delicado da competição. Para quem lidera e para quem persegue a liderança. Daí a importância do triunfo claro obtido pelo Benfica frente ao V.Guimarães na defesa de uma vantagem pontual que, não sendo decisiva no que respeita ao título (ainda nem chegámos a metade da prova), serve para as águias marcarem posição. Desta vez, não foi apenas ganhar, foi ganhar e jogar bem.

Provavelmente por esperar mais da equipa vimaranense, a entrada do Benfica foi de tal forma contundente que a inexperiência vitoriana sentiu tremendas dificuldades (como Rui Vitória reconheceu a sua equipa é capaz de lidar com adversários destes, mas só se eles lhe derem liberdade). A zona central do terreno tornou-se um espaço de "navegação" quase impossível para o Vitória e a colocação de Gaitan (figura fulcral do desafio) na ala direita, que vigorou quase todo o jogo - só mudou nos minutos finais em função das substituições - , levaram os encarnados a fazerem praticamente o que entenderam durante toda a primeira parte. Um golo e (a anormalidade de) três remates aos ferros foram a consequência. 

Tirando dois lances, ambos protagonizados por Tomané, a que Júlio César respondeu com grande nível, os vimaranenses pouco mais produziram. E a partir do golo de Ola John (outra vez em bom plano) o destino da partida ficou mais do que traçado. O Benfica demonstrou que podia ter ido mais longe no marcador (oportunidades não faltaram), mas, sobretudo, vincou claramente que encarou o arranque desta fase da prova com a seriedade a que ela obriga. As próximas semanas vão ajudar a algumas definições e os encarnados sabem que a cadência dos triunfos é a melhor garantia para quem segue na frente.

2 - Se a partida da Luz decorreu com uma enorme tranquilidade para o Benfica, a do Dragão não foi muito diferente para o FC Porto. Aliás, se houve diferença, foi por ter sido ainda mais simples. É que os dragões só precisaram de jogar com a intensidade e a circulação de bola necessárias para encostar o Belenenses e, literalmente, não lhe dar a menor hipótese de pensar. Ao não pensar, não criou; ao não criar, ficou reduzido a uma inexistência funcional.

É sempre difícil falar de um jogo que "só teve" uma equipa em campo. Enquanto se via Oliver - novamente com um ótimo desempenho - e Herrera - outro exemplo, principalmente na primeira parte - a ditarem as ordens no meio campo, com Quaresma (não é Brahimi, mas chegou e sobrou para este adversário) e Jackson a deixarem a cabeça em água à extrema defesa do Restelo, olhavamos para o outro lado e víamos...nada. A debilidade do Belenenses, que não ganha um jogo para o campeonato desde novembro, ainda por cima acabinho de sair de um "atropelamento" em Braga, foi por demais evidente. E não se percebe muito bem como é que Lito Vidigal vai virar mentalmente o coletivo.

Certamente não será com frases como "o 2-1 estaria mais certo", só porque os azuis conseguiram uma única oportunidade para marcar aos 92 minutos, depois de um jogo inteiro sem sonhar com um remate à baliza. O FC Porto foi muito superior, mesmo sem se sentir obrigado a carregar no acelerador. E - seguindo o raciocínio aplicável ao Benfica - os dragões entraram, também eles, na gestão de um ciclo fundamental do campeonato. Esta marcação "homem a homem" entre os dois da frente vai ser um dos principais atrativos a partir de agora.



pub
arquivo de emissões

pub
vídeos liga
    futebol em directo
    arquivo do blogue