Com Luís Freitas Lobo e João Rosado, sob a arbitragem de Mário Fernando

Às segundas, depois das 19h, com repetição depois da meia-noite.

Luís Freitas Lobo

Nasci em 1967. Em 1970, portanto, já estava presente para testemunhar as maravilhas de Pele, Jairzinho, Tostão e companhia no Mundial do México. Ainda não conseguia, no entanto, ver os jogos sob uma perspectiva táctica. Agora, como os tenho todos gravados na minha colecção particular de vídeos, vejo-os religiosamente. Como se viajasse no tempo e visse Puskas da mesma forma que hoje vejo Kaká. Para mim, mais do que cinco continentes e sete mares, o mundo é um infinito conjunto de campos de futebol com muitas casas á volta e desde 1998 que tenho procurado, em vários meios de comunicação, passar essa emoção. Porque, como gosto de dizer 'Quando um homem tem uma paixão, seja ela qual for, o melhor que tem a fazer é ir tratar dela!'
Da Revista Mundial e Publico, até ao Expresso e à sagrada A Bola, a Bíblia com que em menino aprendi a escrever lendo Mestres como Vítor Santos. Na rádio da Antena 1 à TSF, na televisão, da SIC Noticias até à RTP, onde hoje estou. Todos os dias penso em futebol. Por isso, em qualquer local, falo ou escrevo sobre futebol, partindo sempre da única forma que o entendo ser possível conceber: com emoção.

João Rosado

João Rosado nasceu em Évora, em 1970. É licenciado em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Entre 1988 e 1992 foi colunista no jornal «A Capital». Foi redactor no jornal «Record» entre 1992-1995 e 2003-2004. Entre 1995 e 2002, foi redactor e editor no jornal «O Jogo». De 2007 a 2012 foi colunista no jornal «Diário de Notícias. Foi comentador de futebol na «Antena 1» entre 1999 e 2000, na «Rádio Renascença» entre 2001 e 2004, na Sport TV entre 2001 e 2007. É comentador de futebol na SIC, desde 2007, e na antena da TSF desde 2004.

Mário Fernando

Jornalista há 27 anos passou a maior parte da vida profissional na rádio. Comercial, Renascença, RFM, Correio da Manhã e XFM até aterrar na TSF. Foi em 1995 e, três anos depois, passou a editor de Desporto. Até hoje. É um fanático por futebol, por isso, não tem paciência para a forma como os dirigentes tratam a coisa, ou seja, quando resolvem que os clubes deles é que contam e o resto é paisagem. Não é, mas isso eles jamais vão entender. No meio de tudo isto houve três reportagens que o marcaram: a primeira visita de Nelson Mandela a Londres depois da libertação e duas edições dos Jogos Olímpicos, Sidney2000 e Pequim2008. Curiosamente, nenhuma delas tem a ver com futebol.

Jogo selectivo

Colocado por mario.fernando em 23-03-2015 às 20h11

O campeonato parou, porque vem aí a seleção. E com Fernando Santos a ver reduzido o castigo da FIFA, o que coloca um cenário bastante mais desanuviado para o selecionador e para a FPF. Precisamente na semana em que a Sérvia é o adversário que se segue no apuramento para o Europeu.

Isto enquanto, no plano interno, se discutem as implicações da diferença pontual entre Benfica e FC Porto ter passado de quatro para três. Mas igualmente as debilidades (emocionais? táticas?) que fizeram com que ambos escorregassem na mesma jornada. Isto é sintoma de alguma coisa?

Dois temas que centraram a análise no Jogo Jogado da TSF.


Aproveitar o ganho

Colocado por mario.fernando em 22-03-2015 às 22h55

No aproveitar é que está o ganho, dizem, pelo que o Sporting tratou de seguir o pensamento à risca. Ao contrário dos rivais, cumpriu a missão frente a um V.Guimarães que, independentemente do momento que atravessa, já fez uma carreira no campeonato que poucos adivinhavam. Os leões são melhor equipa, têm valores individuais de qualidade claramente superior, pelo que a goleada nem é uma surpresa. Sintomático é que o tenha conseguido em 45 minutos. Eficácia em nível elevado.

Quando João Mário, num cabeceamento "à ponta de lança", transformou em golo o primeiro remate do Sporting à baliza de Douglas, percebeu-se que a intenção inicial do Vitória estava em causa. O corredor direito do Sporting, com Carrillo e, principalmente, Miguel Lopes, marcou a diferença desde cedo e pode dizer-se que toda a primeira parte pouco deixou aos vimaranenses para contrariarem o adversário. Aliás, o papel do lateral direito foi fundamental, basta recordar que é ele quem está na origem dos lances que levaram aos três golos de vantagem ao intervalo.

Mas não só. Retirar toda a iniciativa a André André na construção de jogo dos minhotos foi outro passo vital para o que aconteceu. O regresso de William, como se calculava, constituiu um fator adicional de solidez ao meio campo leonino e, digamos, o jogo seguiu o seu curso normal. Naturalmente, na segunda parte o Sporting abrandou - a sentença estava ditada - o que provocou outro atrevimento do Vitória, mas só mesmo depois da expulsão de Paulo Oliveira é que os minhotos incomodaram realmente Rui Patrício. Poder-se-á interpretar este triunfo como fácil, mas será mais correto dizer-se que o Sporting é que o tornou assim.

Face ao que esta jornada produziu, confirmou-se a tendência desenhada nas recentes rondas, isto é, o pódio tem os seus três ocupantes encontrados. O Sporting consolidou o terceiro lugar, recuperou terreno em relação aos dois da frente e aumentou a vantagem sobre o Braga para números não recuperáveis pelos arsenalistas. Como se vê, uma conquista em toda a linha, porque os leões foram os únicos, entre os cinco primeiros, a vencer.

A partir de agora só têm de prosseguir o caminho, entenda-se, ir somando três pontos, até porque nunca se sabe o que pode suceder a quem se encontra à frente, nomeadamente ao FC Porto, aquele que está mais perto. Por outro lado, liberto da "obrigação" do título, o Sporting pode - e deve - apostar forte na Taça de Portugal. Objetivos realistas são sempre mais facilmente alcançáveis.


Falhar em duplicado

Colocado por mario.fernando em 22-03-2015 às 01h20

Se pensavam - como eu - que o próximo Benfica - FC Porto pode ser jogo chave para o título, podem continuar a pensar. Mas, depois do que sucedeu nesta jornada, é melhor começarmos a admitir que poderá ser "um" e não "o". Tanto águias como dragões mostraram fragilidades que, convenhamos, nesta fase do campeonato já não são propriamente compreensíveis.

O líder perde depois de estar em vantagem e falha rotundamente a defesa de um precioso avanço pontual, e o vice líder, que estava há semanas à espera de uma derrapagem do adversário, falha rotundamente no momento de aproveitar o deslize. Diga-se, porque é preciso ver o todo, que tanto Pedro Martins como Manuel Machado estiveram melhor do que Jesus e Lopetegui. Falta saber se os técnicos da Luz e do Dragão perceberam o que esta ronda lhes mostrou.

O Benfica, sentado confortavelmente nos seus quatro pontos sobre o FC Porto, a jogar novamente num mini-Estádio da Luz, entrou como lhe competia. Passe brilhante de Pizzi e conclusão impecável de Salvio. Estava feito, bem cedo, aquilo que supostamente é o mais complicado. Contudo, quando se esperava a aplicação da tão defendida (e repetida) tese de Jorge Jesus - segundo a qual é preciso não parar até o jogo estar resolvido -, assistiu-se precisamente ao inverso. Não sei até que ponto as lesões inesperadas de peças fundamentais do Rio Ave, Marcelo e Hassan, não terão reforçado a ideia nos jogadores encarnados de que o assunto estava meio despachado.

É aqui que Pedro Martins tem um papel fulminante na partida. A entrada de Diego Lopes, para a segunda parte, virou todo o funcionamento do meio campo/ataque vilacondense e o Benfica não mais se endireitou. O remate ao poste, do mesmo Diego, poderia ter servido de alerta, mas nem por isso. Samaris quando recuperava bolas perdia-as logo a seguir (a quantidade de passes falhados pelas águias foi assustadora) e Pizzi não conseguia ligações com Jonas e Lima. Em sentido contrário, o Rio Ave crescia a olhos vistos.

Veio o penálti e o Benfica continuava visivelmente perdido ; veio a expulsão de Luisão e o Benfica não soube, sequer, segurar um empate que seria sempre um mal menor. Apesar de Ruben Amorim e Lisandro já estarem em campo. O golo de Del Valle limitou-se a confirmar que se aquele cenário indicava que estava tudo reunido para acabar mal, nunca poderia acabar bem.

No entanto, a noite das surpresas ainda ia a meio. Sabendo o FC Porto o que sucedera em Vila do Conde, a lógica apontaria para que a equipa de Lopetegui - em crescendo nas últimas semanas, principalmente por isto - agarrasse a tal oportunidade de ouro pela qual andava a suspirar há tanto tempo. Não. Se o Benfica tinha demonstrado o que um candidato ao título não pode fazer nesta altura da época, o FC Porto limitou-se a seguir a cartilha.

Claro que o técnico espanhol pode sempre lembrar os remates de Maicon e Danilo aos ferros da baliza de Gothardi, mas a felicidade não está permanentemente ali ao lado, como, de resto, ele saberá melhor do que ninguém, porque também andou lá dentro. O que não se entende é a falta de ideias para lidar com uma disposição tática de Manuel Machado que visava (como era muito previsível) retirar espaços aos dragões.

De início, ainda se poderia pensar que o FC Porto estava a ser prudente, não arriscando sem ter alguma margem de segurança. Só que, com o andar do tempo, percebeu-se que havia mesmo inépcia. Casemiro outra vez mais faltoso que prático, Evandro apagado, Herrera à procura de algo que, provavelmente, ele próprio nem sabia bem o que seria, para lá de um Brahimi a quem João Aurélio não permitiu liberdades. Assim, só mesmo de um lance individual o FC Porto chegaria lá. Foi o que Tello fez. O resto, pouco ou nada.

É na segunda parte que emerge o paralelismo com Vila do Conde. É a partir da entrada de Wagner que o Nacional cresce de forma clara. Diga-se que Lopetegui até viu bem a necessidade de trocar Casemiro por Ruben Neves, mas já se torna um pouco estranho que, logo a seguir ao empate, tenha entendido que era mais útil colocar Quintero do que Quaresma. Só mesmo depois de Lucas João ter um falhanço digno dos apanhados, é que o treinador portista lançou o internacional português para um último quarto de hora em que, aqui sim, se viu o tal FC Porto que, calculava-se, iria surgir desde o começo do jogo. Tarde, muito tarde.

Olhando agora friamente para aquilo que deriva destas duas dececionantes atuações, verificamos que já não é apenas o Benfica que depende de si próprio para chegar ao título, também o FC Porto pode dizê-lo. Pelo menos, formalmente. Três pontos de avanço não valem o mesmo que quatro, mas, na tal perspetiva do futuro duelo na Luz, os encarnados ainda contam com uma vantagem não irrelevante de dois golos. E ainda podem jogar com dois desfechos que lhes são favoráveis, vitória ou empate.

A questão, contudo, passou agora a ser outra. Alguém garante que tanto um candidato como o outro conseguem um comportamento uniforme antes e depois da tal partida em finais de Abril? Pelo que esta jornada mostrou é melhor não ter certezas absolutas.


Notas cruzadas

Colocado por mario.fernando em 20-03-2015 às 15h54

Uns dias fora e uma série de "pontas" por onde pegar. Valha-nos que o futebol português é uma fonte inesgotável.

1 - Defrontar o Bayern de Munique nos quartos da Champions é um desafio particularmente aliciante para o FC Porto. A equipa de Guardiola é, numa opinião pessoal, o principal candidato esta época na Liga dos Campeões, pelo que Lopetegui tem aqui o braço de ferro mais sério desta campanha. Não há vencedores antecipados, claro, mas existe a consciência de que os dragões só passam se realizarem uma eliminatória transcendente. Estamos a falar de um grau onze numa escala de zero a dez. Olhando o calendário é fácil concluir que Abril é um mês terrível para o FC Porto. O enorme teste de fogo a uma equipa em crescendo.

2 - Não há equipas inglesas na Europa do futebol. Podem procurar-se explicações várias para um cenário destes, mas dificilmente se passará ao lado do número de jogos que os clubes têm de realizar a nível interno. Por muito vastos que os plantéis sejam - e por muita qualidade que possuam, até porque dinheiro não falta - é necessário outro tipo de equilíbrios. Os ingleses têm tendência para criticar os calendários por causa das seleções, só que talvez seja tempo de olharem um pouco mais longe e compreenderem que as ambições europeias podem não encaixar com a realidade que eles criaram dentro do próprio reino. A Premier League é um ótimo negócio, sem dúvida, mas a afirmação desportiva de grandes colossos não passa unicamente pela vida doméstica.

3 - Só segunda-feira Fernando Santos saberá qual o seu destino imediato no comando técnico da seleção. Sendo certo que, qualquer que seja a decisão do TAS, a partida frente à Sérvia não contará com ele no banco. A questão é o "depois". Em quantos jogos se repetirá a situação? Para já, não adianta entrar em exercícios especulativos, esperando-se apenas que o Tribunal suiço faça um mínimo de justiça e baixe a fasquia dos oito jogos, uma punição notoriamente desproporcionada face ao que sucedeu no Brasil. Só se tal não suceder é que teremos mesmo sarilho.

4 - No entretanto, há um jogo para ganhar à Sérvia. Não creio que o apuramento seja o problema - também era melhor a seleção não passar no quadro mais favorável de que há memória - , mas há que refletir bem sobre alguns pontos cruciais. A começar pelo facto de Portugal não dispôr de um ponta de lança de primeiríssima linha, o que é sempre um obstáculo sério numa seleção que pretenda fazer carreira numa competição internacional. Esperar que Ronaldo resolva tudo é contar com milagres todos os dias. Simplesmente, já se percebeu que não há volta a dar nos anos mais próximos.

5 -  Falava atrás de negócio. Acrescento agora a relação do negócio com a vertente clubística, a génese de tudo. E isto por causa da SAD do Belenenses - reparem que o clube nem é para aqui chamado - ter despedido um treinador que estava na corrida europeia e que, esta época, já somara mais 18 pontos do que o registo da equipa na temporada passada por esta mesma altura. A lógica desportiva, como é facilmente entendível, nada contou para esta decisão. Lito Vidigal saiu porque Rui Pedro Soares estava incompatibilizado com ele. Aliás, desde o início, pois Vidigal nunca escondeu o desconforto por não ter uma palavra sobre as contratações.

É possível que uma SAD opte por definir tudo - no fundo, a expressão mais radical do "eu é que ponho o dinheiro, logo, eu é que mando" - , e designe um treinador para gerir o que lhe põem à frente. No entanto, não pode ser um técnico que pense pela sua própria cabeça, como é o caso de Vidigal. Ainda por cima competente, como a carreira do Belenenses demonstrou claramente até este momento. Em condições normais Lito Vidigal faria o seu percurso até ao fim. Mas quem diz que a lógica do futebol-negócio é normal?  

6 - A Liga deita contas à vida e já admite uma redução do número de clubes nas competições profissionais, tal como a reformulação da Taça da Liga. Dir-se-ia que está a pensar no óbvio, mas não deixa de, uma vez mais, saltar aos olhos de todos que os clubes portugueses gostam bastante de guinar conforme as circunstâncias. Talvez um dia - isto é para os mais otimistas, claro - tomem uma decisão definitiva e inteligente sobre o modo como pretendem organizar-se. Já se acabou a paciência para gente que não sabe o que quer.

7 - Outra das discussões do momento prende-se com o sorteio do árbitros. Também aqui já houve mudanças de posição conforme as situações. Se olharem os últimos dez anos - nem é preciso ir mais atrás - aqueles que não lideram a classificação surgem sempre no papel de contestatários. Já tocou a todos, Benfica, FC Porto e Sporting, conforme os momentos, já estiveram na linha da frente do combate. Aliás, sobretudo nesta fase da época, toda a gente contesta as escolhas, seja para que jogo for, seja com quem for.

Se o futebol português fosse algo normal, como sucede nas principais Ligas europeias, as nomeações não seriam questionadas, pelo contrário, fariam todo o sentido. Mas pouca coisa é normal por cá. Acontece que o nomeador continua a não explicar os critérios - porventura, por ausência de uma lógica defensável - e o quadro de árbitros, atualmente, deixa imensas dúvidas quanto à qualidade. Tirando três ou quatro nomes, o resto implica muitas reservas.

Portanto, a verdadeira questão nada tem a ver com optar entre nomeação ou sorteio (que, ainda por cima, seria sempre condicionado). O sorteio só valeria a pena se acabasse de vez com esta polémica, mas é garantido que isso não iria suceder, tal como não aconteceu no passado, recordam-se? Assim - e isto é somente uma mera e modestíssima contribuição -, talvez fosse mais produtivo colocar a arbitragem sob uma tutela independente, mudar radicalmente o processo de avaliação dos árbitros e, de caminho, divulgar publicamente os relatórios dos jogos desses mesmos árbitros. Basicamente, aquilo que não se vai fazer.

PS : Mundial do Qatar em pleno inverno. Estão a ver? Sempre mais negócio, sempre menos futebol.


Jogo ao longe

Colocado por mario.fernando em 16-03-2015 às 20h03

O Benfica passou a barreira - teoricamente - mais difícil antes de receber o FC Porto e os dragões mantiveram-se à mesma distância das águias. Mais uma jornada do campeonato que reforça a ideia de que o futuro clássico na Luz pode ser a partida das decisões na temporada. Este foi o tema central do Jogo Jogado na TSF, sujeito a avaliação pelos prismas do calendário, das provas que se cruzam até lá e, naturalmente, nos argumentos humanos que os dois lados apresentam.

Com a luta pelo título reduzida a dois, a questão do pódio indicia estar encerrada. Afirma-se cada vez mais Sporting e menos Braga. 


Sofrimento inesperado

Colocado por mario.fernando em 16-03-2015 às 00h49

1 - Que o FC Porto derrotasse o Arouca era previsível, o que não se adivinhara é que um arranque de jogo incomum tornasse a partida numa complicação. A expulsão de Fabiano obrigou os dragões a jogarem em inferioridade numérica mais de 80 minutos. Ainda assim, a vitória foi conseguida e alcançado aquele que era o objetivo fundamental. Mas difícil, muito difícil.

O lance do derrube de Fabiano a André Claro, aos 12 minutos, é o momento do desafio. Uma decisão que dividirá opiniões entre aqueles que lembram a proximidade de Ricardo e os que referem que, mesmo com o lateral perto, se o jogador do Arouca atirasse logo para a baliza ninguém lá estaria para evitar o golo. Uma coisa é certa : a saída do guarda-redes é precipitada, longe de necessária, e vem no seguimento de outros lances em que Fabiano tem mostrado alguma apetência para ir onde não deve.

Já com Helton na baliza - é uma opinião puramente pessoal, mas penso que o FC Porto fica a ganhar com o "velho" capitão entre os postes - , Lopetegui toma uma decisão que teve tanto de determinada como de ousada : opta por ficar com três defesas, não mexendo no resto. Qualquer outra alternativa reduziria a possibilidade de ganhar o jogo, algo que o técnico espanhol não podia aceitar. De facto, isto permitiu que o trio do meio campo controlasse as operações, deixando a Quaresma - que esteve muito bem - um papel fulcral a abrir caminho para a baliza contrária (Balliu foi sistematicamente batido, e Diego até cometeu uma falta na área que passou em claro).

Embora com dez, a superioridade portista era evidente pelo que o golo de Aboubakar (outro bom trabalho de Quaresma) foi uma consequência natural. Estando tudo a correr dentro do delineado, apesar das circunstâncias, não deixou de estranhar que, logo a abrir a segunda parte, Lopetegui tivesse voltado a uma linha defensiva de quatro elementos (com Herrera à direita), mas ficando unicamente com dois homens no meio campo. Juntando a isto o facto do Arouca ter subido no terreno (uma coisa derivou da outra), a vida dos dragões tornou-se mais difícil. E, por duas vezes, foram confrontados com situações de golo iminente. Da mesma maneira que se entendeu menos qual a vantagem de trocar Quaresma por Tello.

O FC Porto acabou por ganhar bem, salvaguardando o essencial. Embora fique como referência da partida que os dragões, algo inesperadamente, estiveram melhor quando procuraram chegar à vantagem, do que quando precisavam de gerir o avanço.

2 - O Sporting, mesmo com uma exibição sem nada de exuberante, passou na Madeira e reforçou a sua posição na "zona Champions", o seu espaço por natureza. Com sete pontos de atraso para os leões, não é crível que o Braga aspire a mais do que a um lugar na Liga Europa. Numa partida frente ao Marítimo, com pouquíssimas oportunidades de golo, a decisão ficou-se por uma grande penalidade inquestionável.

Num desafio em que as defesas brilharam claramente mais do que os restantes setores, a construção de jogo dos dois lados pouca produção originou. Na primeira parte, Patrício teve uma saída de grande nível aos pés de Marega e João Mário rematou contra o corpo de João Diogo quando estava em posição frontal, na área, para concretizar. Foram os dois únicos momentos em que se "viu" o golo a pairar. Na segunda metade, nem isso. Apenas dois lances do Sporting em que Slimani chegou atrasado para o desvio.

O triunfo leonino está absolutamente certo, sobretudo se levarmos em linha de conta que grande parte do tempo foi passado com os leões no comando das operações, mesmo sem grande objetividade. Com Carrillo melhor do que Nani  - o internacional português continua a não estar no patamar de há uns tempos - , notou-se a ausência de William Carvalho, até porque Adrien está numa fase de desgaste notório e João Mário não pode desdobrar-se em duas funções simultâneas.

Seja como for, numa altura em que o Sporting tinha a oportunidade de cimentar a terceira posição, o importante era não desperdiçar a soma dos três pontos. Marco Silva reconhece que a equipa não tem todos os seus equilíbrios adquiridos, pelo que, enquanto eles não regressam, ir ganhando, independentemente da dificuldade, é o imprescindível.


Confirmar a diferença

Colocado por mario.fernando em 14-03-2015 às 22h23

Há uma semana houve muito FC Porto para pouco Braga, agora houve pouco Braga para muito Benfica. No fundo, o reconhecimento de Sérgio Conceição, ao admitir que há duas equipas no campeonato claramente acima das restantes, confirma uma realidade patenteada nestas duas últimas jornadas. A equipa minhota tem valor (e valores), mas a distância qualitativa para águias e dragões é imensa. Na Luz, sem margem para discussões, o Benfica somou mais um triunfo e garantiu o fundamental : o FC Porto não vai aproximar-se do líder.

Desde muito cedo se percebeu que os encarnados nunca deixariam de assumir o jogo, negando ao adversário aquela que é a sua segunda componente do ponto de vista estratégico : explorar a velocidade dos alas para os contra ataques (a primeira é ter um processo defensivo razoavelmente seguro, como agora voltou a ser). Se bem se recordam, foi desta forma que o Braga eliminou o Benfica da Taça.

A questão é que, desta feita, Jorge Jesus dotou a zona central do terreno com armas do princípio ao fim (abdicar de Enzo ao intervalo foi fatal na partida a eliminar). Em 90 minutos, o Braga só fez dois remates dignos desse nome : na primeira parte, Tiba atirou (fraco) à figura de Júlio César ; na segunda, o mesmo Tiba rematou (fraco, novamente) junto ao poste. Uma hora com onze e meia hora com dez sem se notar qualquer diferença na produção minhota.

Diga-se que o técnico encarnado interpretou bem o problema fundamental que Sérgio Conceição lhe poderia colocar. Daí que Jonas tenha sido crucial na organização da equipa, pois o facto de recuar (o termo "jogar nas costas" de Lima aqui fez todo o sentido), funcionando como o elemento catalizador das manobras de Salvio, Gaitan e Pizzi - e até de Samaris, com um papel relevante neste quadro - "desmontou" boa parte do sistema que o Braga preparara para o meio campo. Por sinal, o primeiro golo das águias é o melhor exemplo de tudo isto.

Na verdade, nunca os bracarenses encontraram saída no labirinto, sendo confrontados com uma pressão contínua tal como sucedera na ronda anterior. Aliás, cabe a Matheus a responsabilidade no adiar do segundo golo - Jardel, Lima e Eliseu viram o guarda redes assinar defesas incríveis - e a Aderlan Santos, ainda na primeira metade, quando o central "sacou" a bola em cima do risco depois de tocada por Pizzi.

Artur Soares Dias, também ele alvo de alusões várias antes do encontro, não tendo uma atuação notável, decidiu bem em quatro momentos importantes : nas duas vezes em que a bola foi ao braço de jogadores do Braga, dentro da área, não havia justificação para grande penalidade ; puniu bem Gaitan por ter simulado um penálti ; e os dois amarelos a Tiago Gomes são inatacáveis.

FC Porto e Sporting têm, face ao resultado da Luz, a obrigatoriedade de confirmar o favoritismo nos respetivos jogos. Os dragões precisam de somar três pontos para não se distanciarem mais do Benfica - seria uma monumental surpresa se não o fizessem perante o Arouca - , enquanto os leões, caso derrotem o Marítimo, têm uma excelente oportunidade para acabar de vez com as ilusões do Braga.


Um furacão à Champions

Colocado por mario.fernando em 10-03-2015 às 23h42

Quatro torpedos, em nuances variáveis, um furacão na segunda parte. Isto, só por si, chegaria para definir uma noite magnífica de Liga dos Campeões do FC Porto. Mas pode acrescentar-se o brilhantismo com que os dragões "atropelaram" um Basileia que está a milhas da qualidade individual e coletiva da formação portuguesa. Na verdade, o único momento do jogo em que existiu receio no Dragão foi após o choque de Fabiano com Danilo. Terminou em bem. Tal como a eliminatória, categoricamente ganha.

Danilo. O futebol é muito interessante, mas aqueles infindáveis quatro minutos em que o lateral portista esteve inconsciente no relvado do Dragão, são mais importantes do que tudo o resto. As últimas notícas são animadoras, felizmente para ele e para aqueles que, como eu, o consideram um dos futebolistas de topo a atuar em Portugal. Fabiano ficou em pânico, o que é absolutamente humano, mas a intervenção de Helton, de fora do campo, foi determinante para tranquilizar. Significativo.

Os golos. Todos em remates de fora da área, todos espetaculares. Reflexo de alguma dificuldade em penetrar na área contrária - aconteceu, claro, mas sem gerar grandes ocasiões de finalização - , mas também a exemplificação de que o FC Porto tem intérpretes em número e capacidade suficientes para optarem por soluções alternativas. E com uma eficácia assustadora.

Brahimi e os outros. O argelino regressou à ribalta. Desde que voltara da CAN ainda não se tinha mostrado do modo como o tinhamos visto antes de partir para a seleção. Aí está ele, tecnicamente superior, incapaz de deixar respirar quem lhe surge pela frente, com acelerações e diagonais que lhe permitem passar por onde menos se espera. Mas também houve Casemiro, em crescendo no desempenho de uma função sobre a qual havia algumas dúvidas se seria mesmo para ele, Evandro, o tal "homem-invisível" vital para consistência do meio campo, Herrera, sempre melhor quando sobe no terreno, e Aboubakar, cuja missão de substituir Jackson nunca seria fácil.

Lopetegui. Está a fazer do FC Porto um conjunto verdadeiramente consistente. A partir da altura em que estabilizou um onze, os processos de jogo foram-se cimentando. Bem, também, na maneira como mudou as peças face à lesão de Danilo. Sem mexer nos centrais - eram importante conservar Maicon e Marcano - chamou Martins Indi para a lateral esquerda e desviou Alex Sandro para o lado direito. Por outro lado, percebe-se que sonha com qualquer coisa na Champions. A ver vamos até onde vai a intenção.

Paulo Sousa. Não se poderia obrigar o Basileia a repetir algumas façanhas anteriores na competição. De qualquer maneira, esperava-se um bocado mais da equipa suiça. É certo que o FC Porto não lhe deu grande campo de manobra, mas era desnecessário jogar uma partida da Liga dos Campeões a pensar mais nas pernas dos adversários do que na bola.           

O árbitro. Para aqueles que defendem a contratação de estrangeiros para apitarem no campeonato português, eu sugeria que não pensassem neste senhor sueco, que até faz parte do grupo de elite da UEFA. Mal tecnicamente - ignorar o penalti de Indi sobre Embolo, quase no fim, escapa a qualquer compreensão - , e ainda pior disciplinarmente. Walter Samuel só é expulso aos 92 minutos, enquanto Derlis Gonzalez (pitons no tendão de Aquiles de Brahimi) e Gashi (cotovelada no queixo de Indi, sem bola) conseguiram "sobreviver".

Atingido um patamar da Champions onde poucas vezes uma equipa portuguesa consegue marcar presença, o FC Porto fica no grupo restrito das oito melhores da Europa. Com um treinador que nunca participara na prova, tal como muitos dos que integram o onze. Pode chegar mais longe? Depende. Da aliança entre a solidez coletiva e a capacidade de algumas das suas individualidades acima da média...e depende do sorteio. Para a semana ficaremos a saber.


Sofrer para ganhar

Colocado por mario.fernando em 10-03-2015 às 01h07

Este regresso do Sporting às vitórias fica ligado a um jogo totalmente inesperado. Antes do mais, e para que fique antecipadamente claro, ganhou a melhor equipa, aquela que, ao contrário do Penafiel, quis mesmo vencer a partida. O percurso para lá chegar é que foi demasiado acidentado, com uma sucessão de incidências que nada têm de comum. Ninguém calculava que bater o último classificado obrigasse a sofrimento suplementar.

Era inimaginável que, em apenas uma dúzia de minutos, fosse possível passar-se do paraíso ao (quase) inferno. A entrada dos leões foi arrasadora : nos sete minutos iniciais, três oportunidades de golo, duas concretizadas. A única coisa que certamente terá passado pela cabeça de todos foi que poderia estar uma goleada a caminho. E, convenhamos, em condições normais seria o desfecho óbvio.

Simplesmente, uma perda de bola de Slimani deixou Guedes fugir para a baliza de Patrício, o que levou Tobias a derrubá-lo e a ser expulso. Pior, do livre nasce o primeiro golo penafidelense com um remate por baixo de barreira leonina que saltou em bloco. A vantagem no marcador mantinha-se, mas o Sporting ficou condenado a uma longa maratona apenas com dez em campo.

Marco Silva manda recuar William Carvalho para o eixo da defesa, enquanto Rui Quinta tenta a sua sorte perante um cenário que não entrara nas suas contas. Lança João Martins e Vitor Bruno, porque, ou arriscava naquela altura ou não arriscaria mais. Adrien tem um ótimo lance para marcar - o toque de calcanhar merecia mais, de facto - mas voltaria a ser a "turbulência" defensiva leonina, com um desvio involuntário de Paulo Oliveira para Vitor Bruno, a levar ao empate. A simples revisão daqueles 45 minutos dava para um argumento que muitos considerariam inverosímil. O problema é que fora mesmo real.

Contudo, é depois do intervalo que o Sporting afirma a diferença abismal de qualidade das suas individualidades. Com Ewerton a estrear-se como central, o que implicou a recolocação de William Carvalho no seu lugar, seguida da troca de Carlos Mané por Carrillo, o técnico de Alvalade operou as mutações que fizeram da segunda parte um caso sui generis. Domínio absoluto dos leões - o Penafiel só uma vez chegou à baliza contrária, quase a fechar, para uma grande intervenção de Patrício - de tal forma que mais parecia estarmos a assistir a um jogo invertido, como se houvesse onze do Sporting e dez do adversário.

William foi fundamental, Jefferson outra vez influente, Carrillo o "agitador" que faltava. E Nani. É dele o golo da confirmação, consequência natural da persistência. Com o indisfarçável nervosismo, sem dúvida, pois nada disto era equacionável, mas nunca abdicando de tentar ir até onde fosse possível. No fundo, a diferença de atitude residiu neste ponto : o Penafiel ficava satisfeito com o empate, o Sporting não. Mas a maior da ironias estava reservada mesmo para os derradeiros minutos : o Penafiel, que fez quase todo o desafio com um a mais, terminou com um a menos. Dani (mal) e Pedro Ribeiro (bem) acabaram expulsos.

É difícil tirar conclusões definitivas de um jogo atípico. Contudo, a maior evidência prende-se com o fosso de quatro pontos cavado para o Braga, o principal objetivo dos leões nesta jornada. É uma margem mais confortável e que, em função do que suceder na próxima ronda, até poderá ser ampliada. A realidade é que o Sporting depende unicamente de si próprio para segurar a "zona Champions".


Águia firme

Colocado por mario.fernando em 08-03-2015 às 21h16

Já se percebeu que este Benfica, nas partidas perante adversários qualitativamente inferiores, como é o caso do Arouca, quando não consegue entrar no jogo de forma autoritária - como sucedeu com o Estoril, em que resolveu o assunto em meia hora - sente mais problemas do que aqueles com os quais contaria. A história repetiu-se e deu de avanço 45 minutos. Do mesmo modo que, depois, mostrou que sabe superar(-se) e ganhar, com naturalidade, sem margem para discussões. A vantagem de quatro pontos continua firme na contagem decrescente para o tal duelo com os dragões.

O golo - de execução fantástica - de Iuri Medeiros, praticamente a abrir o encontro, baralhou as intenções - e as ações - do Benfica. O Arouca usa normalmente um 4x2x3x1 embora, quando defende, passe a algo mais próximo do 4x5x1, o que torna as movimentações do adversário no meio campo bastante mais complexas. O Benfica pouco ou nada de objetivo obteve durante toda a primeira parte, se exceptuarmos o remate de Salvio à trave da baliza de Goicoechea, muito pela forma como, por exemplo, Nuno Coelho desempenhou o seu papel de coordenação do processo defensivo da equipa de Pedro Emanuel.

Aliás, o índice de aproveitamento das águias nem sequer passou pelas bolas paradas, sendo que Pizzi, neste particular, esteve numa tarde para esquecer. Tirando Gaitan e, por vezes, Salvio, nem a componente individual foi suficiente para romper uma barreira construída com a intenção específica de defender a vantagem tangencial.

No entanto, o arranque da segunda parte trouxe uma realidade totalmente diferente. Desde logo porque Jorge Jesus entendeu que não podia esperar mais para alterar a estrutura da zona central do terreno e Talisca veio do intervalo em vez de Samaris. Operou uma mutação posicional, com Pizzi a ocupar "o lugar" do grego. Certamente não há coincidências, pois o facto é que o Benfica regressou ao jogo com uma pressão intensa sobre o Arouca e a equipa da casa sentiu-o notoriamente.

Como consequência, em pouco mais de um quarto de hora, escreveu-se o destino da partida. O principal destaque, não há como ignorá-lo, vai para a monumental gaffe de Goicoechea que, ao bater a bola contra Lima, "deu" o empate a Jonas. O Arouca perdeu toda a concentração que mostrara antes e declarou-se impotente para parar a reação encarnada.

Duas grandes penalidades não assinaladas (carga de Diego sobre Gaitan e mão de Balliu), o segundo golo do Benfica e a expulsão de Hugo Basto formaram uma sequência que marcou o melhor período das águias e colocou um ponto final sobre qualquer dúvida a propósito da diferença entre as equipas. O terceiro golo foi somente um complemento. E podiam ter sido mais.

Há quem sustente, porventura com a lógica que deriva do valor do Braga, que a equipa minhota é o principal obstáculo com o qual o Benfica terá de lidar antes do futuro confronto com o FC Porto. Apesar da ausência garantida de Talisca, o técnico encarnado vai contar com as restantes peças, da mesma forma que os bracarenses podem apresentar-se na máxima força. É, sem reservas, um jogo crucial. Só que o líder sabe que, se passar, muita da decisão do título fica mesmo reservada para finais de Abril.



pub
arquivo de emissões

pub
vídeos liga
    futebol em directo
    arquivo do blogue