Com Luís Freitas Lobo e João Rosado, sob a arbitragem de Mário Fernando

Às segundas, depois das 19h, com repetição depois da meia-noite.

Luís Freitas Lobo

Nasci em 1967. Em 1970, portanto, já estava presente para testemunhar as maravilhas de Pele, Jairzinho, Tostão e companhia no Mundial do México. Ainda não conseguia, no entanto, ver os jogos sob uma perspectiva táctica. Agora, como os tenho todos gravados na minha colecção particular de vídeos, vejo-os religiosamente. Como se viajasse no tempo e visse Puskas da mesma forma que hoje vejo Kaká. Para mim, mais do que cinco continentes e sete mares, o mundo é um infinito conjunto de campos de futebol com muitas casas á volta e desde 1998 que tenho procurado, em vários meios de comunicação, passar essa emoção. Porque, como gosto de dizer 'Quando um homem tem uma paixão, seja ela qual for, o melhor que tem a fazer é ir tratar dela!'
Da Revista Mundial e Publico, até ao Expresso e à sagrada A Bola, a Bíblia com que em menino aprendi a escrever lendo Mestres como Vítor Santos. Na rádio da Antena 1 à TSF, na televisão, da SIC Noticias até à RTP, onde hoje estou. Todos os dias penso em futebol. Por isso, em qualquer local, falo ou escrevo sobre futebol, partindo sempre da única forma que o entendo ser possível conceber: com emoção.

João Rosado

João Rosado nasceu em Évora, em 1970. É licenciado em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Entre 1988 e 1992 foi colunista no jornal «A Capital». Foi redactor no jornal «Record» entre 1992-1995 e 2003-2004. Entre 1995 e 2002, foi redactor e editor no jornal «O Jogo». Desde 2007 é colunista no jornal «Diário de Notícias. Foi comentador de futebol na «Antena 1» entre 1999 e 2000, na «Rádio Renascença» entre 2001 e 2004, na Sport TV entre 2001 e 2007. É comentador de futebol na SIC, desde 2007, e na antena da TSF desde 2004.

Mário Fernando

Jornalista há 27 anos passou a maior parte da vida profissional na rádio. Comercial, Renascença, RFM, Correio da Manhã e XFM até aterrar na TSF. Foi em 1995 e, três anos depois, passou a editor de Desporto. Até hoje. É um fanático por futebol, por isso, não tem paciência para a forma como os dirigentes tratam a coisa, ou seja, quando resolvem que os clubes deles é que contam e o resto é paisagem. Não é, mas isso eles jamais vão entender. No meio de tudo isto houve três reportagens que o marcaram: a primeira visita de Nelson Mandela a Londres depois da libertação e duas edições dos Jogos Olímpicos, Sidney2000 e Pequim2008. Curiosamente, nenhuma delas tem a ver com futebol.

Abrir e fechar

Colocado por mario.fernando em 12-04-2014 às 23h40

Um golo no primeiro minuto e outro ao cair do pano. A história do triunfo do Sporting sobre o Gil Vicente quase poderia ficar por aqui, já que, pelo meio, houve uma partida em que os leões, sem sequer acelerarem, controlaram uma equipa de Barcelos que nem mesmo vagamente foi ameaça. Vitória somada e a entrada direta na Champions fica unicamente a dois pontos da confirmação. O que irá obviamente acontecer. De caminho, a equipa leonina travou uma possível festa encarnada em Aveiro.

O Sporting está numa situação particular. Chegar ao título não depende dele - e, como lembrava Jardim , já nem há tempo para isso - , enquanto a segunda posição, com o FC Porto demasiado atrasado, também não tem alteração previsível até ao final do campeonato. Assim, marcar um golo logo a abrir o jogo, poucas mais motivações pode acrescentar, num desafio em que o adversário se limitou a andar pelo relvado a tentar, dentro das suas limitadas possibilidades, que o marcador não se avolumasse.

Com um meio campo em que William Carvalho dispõs de um raio de ação acentuado, portanto, sendo rei e senhor, com um Adrien a movimentar-se sem grandes obstáculos, até deu para Carlos Mané ficar abaixo do que já tem realizado noutras ocasiões, durante toda a primeira parte. O corredor direito, onde pontificaram Cédric e Carrillo, praticamente assegurou a "manutenção do andamento".

E, já que se fala de Carrillo, diga-se que este foi um dos tais jogos em que o extremo rendeu com mais regularidade. Não só é ele quem está nos dois golos (assistências milimétricas para Slimani e Heldon), como foi quem demonstrou maior determinação ofensiva, numa equipa que baixou a intensidade logo a seguir...ao primeiro golo.

Leonardo Jardim percebeu que as coisas não passariam daquilo e, porque 1-0 nunca é um resultado fiável, optou na última meia hora por André Martins em vez de Carlos Mané. O Sporting melhorou, Rojo assinou um remate incrível ao poste da baliza de Facchini, e a capacidade de resposta do Gil Vicente, que já era pouca, passou a nenhuma. E ainda deu para Heldon se estrear a marcar ao serviço dos leões.

Com este desfecho, o Sporting adiou a festa do título do Benfica e fica à espera do que os dragões fizerem em Braga. Porque, se não ganharem aos minhotos, os leões estão garantidos na fase de grupos da Liga dos Campeões. Um FC Porto que, como se conclui da exclusão de Quaresma dos convocados, está somente com a cabeça no jogo da Luz para a Taça de Portugal. O tal em que, de facto, joga a época.  


Uma águia europeia

Colocado por mario.fernando em 11-04-2014 às 01h45

O Benfica fez o que devia fazer, o FC Porto fez aquilo que nunca poderia fazer. Desfecho : na Liga Europa, os encarnados regressam às meias finais e os dragões ficam pelo caminho. As sentenças eram previsíveis depois do que a primeira mão tinha mostrado, mas talvez não se pensasse que acabariam por ser tão vincadas. Uma águia com estofo para se aguentar noutros voos e um dragão sem argumentos para se manter à tona. Triunfo tranquilo na Luz, goleada sem apelo em Sevilha.

Pode dizer-se, porque é real, que o AZ Alkmaar era a equipa dos quartos de final com menos cotação e, certamente, a mais frágil. A diferença para a qualidade do Benfica é enorme, mas os encarnados fizeram questão de não se prestar a equívocos e, por via das dúvidas, ganharam os dois jogos. Entraram na Luz já com uma vantagem de um golo e, sem necessitar de brilhantismos, lidaram com a partida numa lógica assente em dois vectores: deixar correr o tempo sem permitir que o adversário constituísse uma ameaça e acelerar o jogo as vezes suficientes para chegar à concretização.

Foi o suficiente para Salvio arrancar dois lances de grande execução individual para Rodrigo finalizar (um e outro estão num patamar muito apreciável de rendimento) e para gerar mais quatro lances potenciais de golo, que Cardozo desaproveitou. Aliás, não fosse a evidente crise de confiança do paraguaio (dois penáltis ao Rio Ave apenas disfarçaram uma situação que, pelos vistos, se mantém) e os holandeses saíriam de Lisboa com outro resultado. De qualquer modo, em boa verdade, o Benfica não precisava de mais, tal a naturalidade como tudo decorreu.

Já o FC Porto sucumbiu. Pode invocar o lance que permitiu ao Sevilha abrir o marcador logo aos cinco minutos, mas há uma realidade que não vale a pena esconder : o FC Porto europeu de que nos lembramos de outros tempos, mesmo com uma grande penalidade daquelas, jamais entraria em desorientação emocional e, com toda a certeza, não faria uma meia hora inicial para a qual até é difícil encontrar uma classificação.

Às tantas, a ideia que passava era a de que o próprio Sevilha estava espantado com a forma absoluta como mandava no jogo, ditando as regras, aplicando uma estratégia pré-definida sem oposição, enfim, quase se sentindo sozinho no relvado. Mas não era tão surpreendente assim.

Num meio campo sem Fernando, a tripla Defour/Carlos Eduardo/Herrera teve vários períodos da partida em que a ação era caótica, as perdas de bola um ato recorrente e a ausência de marcações uma inevitabilidade. Logo, todo o processo defensivo ruiu, "reforçado" ainda por dois laterais (especialmente Danilo) deslocados do jogo. O FC Porto viveu quase exclusivamente de Quaresma, com o que isto tem de bom e de mau. O cúmulo foi ter sofrido o quarto golo quando jogava contra dez (o que sucedeu durante quase toda a segunda parte).

Se alguém ainda equacionava uma redenção da época nesta competição, foi confrontado com a crueza da exibição em Sevilha. Depois de uma eliminação embaraçosa da Liga dos Campeões, os dragões saem da Liga Europa vergados a uma goleada. Elucidativo sobre a capacidade de um plantel para estas aventuras europeias.

O Benfica tem agora três hipóteses em aberto. Claro que a Juventus é o maior problema (se o sorteio a pusesse no caminho dos encarnados seria praticamente uma final antecipada), mas Valência e Sevilha não podem ser subvalorizados. Quem chega às meias finais é sempre um potencial candidato à conquista do título.

PS : Não gosto de falar em sorte ou azar no futebol, mas aquilo que tem sucedido na carreira de Silvio é demais para qualquer jogador. Um daqueles lances estúpidos acabou com a época do lateral encarnado e, por consequência, retira-o de uma possível convocação para o Mundial. Este é o lado que mais odeio no futebol. Os profissionais do ofício nunca merecem isto.


Contagem para o título

Colocado por mario.fernando em 08-04-2014 às 00h21

Mais um. O Benfica continua a caminhada rumo ao título e, agora, só precisa de dois triunfos para o atingir. O obstáculo foi ultrapassado, sem problemas e com uma goleada que, face ao apresentado pelos dois lados, teve tanto de natural como de inevitável. Gaitan foi a figura, até Cardozo voltou aos golos e a exibição dividiu-se entre meia hora de luxo e uma hora de domínio absoluto. O Rio Ave, com uma brilhante folha de serviços fora de Vila do Conde, nem teve direito a tentar.

Como mandam os livros, quando é preciso resolver problemas o mais aconselhável é atacá-los depressa. O Benfica queria carimbar os três pontos da ordem e avançou sem hesitações. Enzo, mais atrás, e Gaitan, foram os artífices principais de toda a manobra ofensiva dos encarnados, sobretudo Gaitan por quem passaram praticamente todos os lances perigosos construídos pelas águias, junto e dentro da área vilacondense.

Bem secundados pelo corredor esquerdo, desta feita com Silvio, os homens do ataque foram lançando ameaças sucessivas, até que Rodrigo aproveitou uma assistência de Gaitan e, minutos depois, foi o próprio argentino quem "despachou" uma trivela que colocou as coisas no seu devido lugar. Ou seja, uma vantagem confortável que libertava a equipa de quaisquer dúvidas.

Como o Rio Ave raramente conseguia passar a barreira do meio campo encarnado - e, quando o fez, resumiu-se a remates de longe, sempre fora do alvo - , o Benfica limitou-se a ser agressivo na recuperação da bola quando a perdia, bloqueando todas as possíveis saídas para o contra ataque vilacondense. Foi mais do que suficiente para ter a iniciativa de jogo, mesmo sem necessidade de voltar ao brilhantismo do início da partida. Aliás, sempre que punha velocidade nas ações ofensivas, a defesa do Rio Ave entrava em desorientação evidente. Foram quatro, mas os visitantes podiam ter saído da Luz em pior situação.     

Mas este foi também o jogo em que Cardozo voltou aos golos. Ambos de grande penalidade, é verdade, mas convém não esquecer que no célebre regresso de Fevereiro, em Barcelos, teve um penalti, que poderia ter dado o triunfo ao Benfica, e falhou. Não deixa de ser irónico que a longa "seca" de uma dezena de partidas tenha terminado pelo mesmo método. Seja como for, nesta contagem decrescente para o título, até a "redenção" do paraguaio entrou no menu.

Uma palavra igualmente para o Rio Ave. Uma das melhores equipas do campeonato a atuar fora de casa, desta vez, não teve qualquer capacidade de resposta. Nuno Espírito Santo, um técnico conhecedor da realidade (leia-se, limitações) do plantel de que dispõe, foi à Luz para testar um esquema que, segundo ele, foi concebido a pensar nas Taças, duas competições em que os vilacondenses estão envolvidos (uma já na final, outra nas meias finais). Reconheceu que a opção falhou e, por isso, terá de repensar várias coisas. A começar pelos erros individuais nas grandes penalidades (duas precipitações) e coletivos. Discurso para dentro, sem desresponsabilizações estéreis.

O Benfica está, formalmente, a cinco pontos do título. Duas vitórias mais resolvem o assunto de vez, sendo que, neste momento, ninguém imaginará outro desfecho. Mesmo assim, Jesus não se dá ainda como campeão. Pelo menos, vê-se que esta lição ele aprendeu.

PS : Cosme Machado é um daqueles árbitros muito...pitorescos. Tem um critério disciplinar muito dele, que dificilmente se perceberá. Mas não deixa de ser risível a amostragem do amarelo a Éderson, pelo guarda-redes demorar a reposição de bola, quando o Rio Ave já perdia por 3-0. 


Meio jogo para Sevilha

Colocado por mario.fernando em 06-04-2014 às 23h21

Jogar para o campeonato com o pensamento em Sevilha. Foi isto que fez o FC Porto perante a Académica. Não comprometeu o triunfo, é certo, mas mostrou que reduzir um jogo a 45 minutos pode não ser propriamente uma ideia muito segura. Os dragões garantiram o fundamental, os três pontos, só que deixaram claro, caso ainda não se tivesse percebido, que o alvo nesta altura chama-se Liga Europa.

Depois do Sporting ter ganho em P.Ferreira, a equipa de Luis Castro interiorizou em definitivo que chegar ao segundo lugar tinha passado de altamente improvável a inantigível. Por outro lado, estando no meio de uma eliminatória com o Sevilha, que lhe pode dar o acesso às meias finais de uma competição europeia (e em vantagem, ainda que tangencial), o treinador portista, pela primeira vez desde que assumiu o comando técnico, fez as suas escolhas em função do novo quadro.

Quaresma, Danilo e Carlos Eduardo ficaram de fora, com Ricardo na lateral direita, Quintero no meio e Ghilas numa das alas. Ao marcar muito cedo, reforçou o conceito de que o desafio com a formação de Coimbra seria mais ou menos para cumprir calendário. O FC Porto teve, realmente, mais posse de bola, mas tal como sucedeu noutras situações, sem saber com grande rigor o que fazer com isso.

Do outro lado estava uma Académica apostada em contra-atacar dentro do possível, tentando a sua sorte ao aperceber-se que o adversário pouco mais conseguia fazer. O facto é que, durante um quarto de hora, os estudantes arriscaram seriamente e não fosse Fabiano, ao desviar dois remates para os ferros, a equipa de Sérgio Conceição poderia ter chegado ao golo e complicar a "pacatez" que o FC Porto impusera a si próprio.

Disse o técnico de Coimbra que foi a eficácia a desequilibrar o desafio e, em parte, tem razão. À segunda tentativa, o FC Porto marcou outra vez, explorando novamente a debilidade do lado esquerdo da defensiva de Coimbra, que não está isento de responsabilidades em momentos chave da partida. Jackson e Ghilas voltaram a entender-se, limitando-se a trocar os papéis. E, como se isto não bastasse, uma grande penalidade desnecessária proporcionou a Jackson bisar e colocar o marcador num 3-0 ao intervalo que, embora exagerado, refletia unicamente a diferença na capacidade de concretização.

Apenas com meia dúzia de minutos da segunda parte, Reyes falha o golo de baliza aberta e o FC Porto...entrou em retiro para Sevilha. Só ao minuto 90 (!) voltou a construir outra oportunidade, desperdiçada por Danilo. Pelo meio, nada que se assemelhe, sequer, a cumprir os mínimos olímpicos. Virtude da Académica que dividiu claramente o desafio, chegou com todo o mérito ao golo - jogada brilhante de Marcos Paulo, que também confirmou que Abdoulaye é um erro de casting - e até podia ter ido mais longe, não fosse o inevitável Fabiano "sacar" uma bola em cima do risco fatal. O FC Porto deu o flanco e os estudantes não desistiram, sendo apenas penalizados pelo índice de concretização. 

Muito elucidativo foi constatar que, enquanto Conceição corria o risco de tentar algo mais, ao lançar Marinho e Ogu, Castro poupava uns minutos a Alex Sandro, Varela e Ghilas, e acrescentava uns quantos a Quaresma, Danilo e Josué. Para o jogo do Dragão pouco adiantou, logo se verá na quinta-feira se houve benefício para a partida da Liga Europa.   


À porta da Champions

Colocado por mario.fernando em 06-04-2014 às 00h02

A cada jornada que passa, das poucas que sobram, o alinhamento final no topo da classificação torna-se a evidência que já se desenhava há algum tempo. O Sporting ganhou com naturalidade em Paços de Ferreira, garantiu - na pior das hipóteses - uma ida ao play-off da Champions, mas, na verdade, isto constituiu apenas mais um passo rumo à entrada direta. Enquanto permanece atento ao que o Benfica fizer. Convém ir vendo no que dá, mesmo que não seja crível chegar ao topo.

Esta fase da prova já não deixa espaço para grandes equações. Ir somando três pontos é a única coisa que interessa e a partida da Mata Real mostrou um Sporting determinado em consegui-lo. Uma primeira parte segura, em todos os aspetos, pontuada pelo excelente trabalho de William Carvalho e Adrien no meio campo, no dia em que André Martins regressou. Carlos Mané voltou à ala, embora um problema físico não lhe tenha permitido muito, obrigando-o até à substituição.

E ao falármos de segurança, é importante salientar o papel de Rui Patrício, que assinou três ótimas defesas, todas a remates de Bebé, uma pérola que o Manchester United pôs a rodar em P.Ferreira. Aliás, na realidade, o jovem avançado foi o único factor de "perturbação", recompensado com um golo de belíssima execução técnica. Um dos pontos importantes neste jogo, pois William Carvalho (com uma assistência de calcanhar de Slimani) e Adrien (asneira de Seri, recuperação de André Martins e outra assistência do argelino) assinaram dois dos outros grandes momentos do desafio.

É certo que o Paços, no arranque da segunda metade teve mais bola e subiu no terreno (até ter reduzido o marcador), mas o Sporting, à semelhança de situações idênticas noutras partidas, jamais se perturbou com o facto e agiu o suficiente para repor a vantagem e, porventura, ampliá-la. Se com o terceiro golo a (precária) dúvida que pudesse existir acabou, quando Filipe Anunciação provocou (infantilmente) o segundo amarelo pouco mais havia a acrescentar. A não ser duas grandes defesas, para Patrício e Degra, a remates "de golo" de Bebé e Montero.

Feitas as contas - aquilo que, nesta altura, centra as atenções - a equipa de Leonardo Jardim está muitíssmo perto de confirmar formalmente que o seu assumido objetivo da temporada será atingido. Por ora, a via indireta já não escapa, embora, como atrás referi, seja somente uma fase transitória. Mais um par de triunfos e a pré-eliminatória passa a dispensável.

Uma nota adicional para a seleção nacional. William Carvalho mostra ser, jogo após jogo, um candidato muito sério à titularidade na equipa portuguesa, da mesma forma que há cada vez menos argumentos para sustentar a não convocação de Adrien. Ainda falta algum tempo até Maio, mas o quadro de opções não é assim tão vasto, ao contrário do que possa parecer. Quanto a Bebé, nome referido mais recentemente, fará algum sentido, mas sempre dependente da forma como se encontrarem os jogadores que habitualmente são chamados por Paulo Bento. Bebé nunca seria primeira escolha.     


"Meias" mais perto

Colocado por mario.fernando em 04-04-2014 às 01h36

1- O caminho para as meias finais da Liga Europa está aberto. Benfica e FC Porto eram apontados como favoritos e cumpriram a primeira metade da missão. Dois triunfos por 1-0, cada um com o seu peso específico (fora e em casa), mas que deixam boas razões para se acreditar que o objetivo é alcançável. O sentido de oportunidade de Salvio e a determinação de Mangala trouxeram o lado positivo.

As duas partidas, de Alkmaar e do Dragão, até podiam ter resolvido de imediato a eliminatória. Na Holanda, houve um AZ francamente atrevido nos 20 minutos iniciais, que obrigou Artur a brilhar por duas vezes, mas depois do Benfica recompor o alinhamento do meio campo (após André Gomes recentrar o seu trabalho), as águias foram em subida controlada - até mesmo sendo obrigadas a utilizar André Almeida, face à lesão preocupante de Ruben Amorim - e, na segunda parte, nem deram a menor hipótese ao adversário, impondo outra velocidade ao jogo. Aliás, as oportunidades para ir mais longe do que o golo solitário foram flagrantes.

Jesus, de resto, ao lançar Lima (por troca com um Cardozo que permanece longe dos seus próprios mínimos) e, posteriormente, Markovic (em vez de um muito empenhado Rodrigo), quis mesmo aproveitar a fase de domínio encarnado para construir um resultado que lhe permitisse um descanso absoluto para a Luz. Não foi possível, mas ninguém admitirá outro desfecho que não seja a qualificação do Benfica. Com este primeiro triunfo na Holanda desde há 45 anos, os encarnados reforçam o seu estatuto de candidatos ao regresso à final.

Algo que o FC Porto também mantém. A questão é que o Sevilha não é do mesmo patamar que o Alkmaar e, além do mais, os dragões vão jogar a decisão no terreno do adversário. De qualquer forma, entram em vantagem e com o reforço suplementar de não terem sofrido golos em casa.

A equipa de Luis Castro realizou uma primeira parte globalmente positiva, perante uns andaluzes que poucas vezes arriscaram nas transições ofensivas, também porque o meio campo portista, onde Fernando foi peça importante (a sua ausência no próximo desafio é mesmo um problema), tal como Defour, autor de um fantástico remate que Beto desviou para o poste, conseguiu controlar a situação, talvez até com mais facilidade do que supunha de início.

Simplesmente, a receita de Emery passava por tentar marcar no Dragão. Ou seja, a perder por um, o Sevilha não via nisto um problema maior, pois ainda acreditava que seria possível provocar danos. É nisto que radica a subida no terreno na segunda parte, a participação mais acentudada dos laterais e a colocação em campo de Gameiro (para se juntar a Rakitic e Bacca).

Ainda assim , Castro apostou em Quintero, precisamente para explorar os espaços que surgiam e, a seguir, em Herrera, com a vocação ofensiva que Defour não tem, tal como Ghilas em vez de Varela. É certo que Gameiro falhou um golo de baliza aberta, mas Quaresma, em cima do fecho, acertou novamente no ferro.

Posto isto, o Benfica certamente confirmará com nova vitória o apuramento, daqui a uma semana, numa partida em que Enzo deve regressar, Fejsa talvez não e Amorim garantidamente ficará de fora. Mas Jesus tem muito por onde escolher para montar uma equipa mais do que capaz de afastar este AZ. O FC Porto é que tem em Fernando a sua baixa mais relevante, porque não existe no plantel ninguém com o perfil do trinco dos dragões. Jackson, embora importante, pode ter em Ghilas uma alternativa válida. No entanto, a equipa portuguesa sabe que vai precisar em Sevilha de uma afirmação colectiva idêntica à de Nápoles. Se assim for dará o passo em frente.

2 - Ainda a tempo. Boavista confirmado na I Liga, alargamento consumado para a próxima época. Não vou discutir os pressupostos - seria uma longa conversa - mas registar que, a meio de uma competição, são alteradas as regras : já não descem dois diretamente, mas apenas um. Liga e FPF, ao abrigo de um protocolo assinado no ano passado, acham isto normalíssimo.

O Conselho de Justiça da FPF, a propósito da Taça da Liga, deu razão ao Sporting mas não deu razão ao Sporting. Tentemos traduzir. O FC Porto agiu "intencionalmente" ao atrasar-se na entrada em jogo, mas "sem intenção" de "causar danos a terceiros". Afinal, pode-se agir em proveito próprio sem que exista intenção de prejudicar aqueles à custa dos quais podemos beneficiar. Por estas e por outras é que nunca tive vocação para jurista.

O Arouca vai receber o Benfica e o Gil Vicente em Aveiro. Como o campeonato está praticamente encerrado, isto de pouco ou nada adianta. Mas não deixa de ser mais um episódio, a juntar a muitos, que demonstram que a organização "à portuguesa" é incomparável com qualquer outra. O Olhanense também fez jogos com uns no Estádio Algarve e com outros em Olhão. Antes, como agora, dizer o que quer que seja é chover no molhado.


Jogo de objetivos

Colocado por mario.fernando em 31-03-2014 às 20h38

Está aí mais uma semana de UEFA. Ora, com o Benfica à beira do título e o com o FC Porto cada vez mais próximo de confirmar o terceiro lugar, será que ambas as equipas podem virar a agulha para a Liga Europa, ainda que por razões opostas?

Foi este o ponto de partida do Jogo Jogado desta semana na TSF. O tipo de abordagem de águias e dragões ao resto da temporada pode derivar de uma redefinição de objetivos, agora que a Liga portuguesa, certamente, pouco mais terá para contar.

Por outro lado, o Sporting, que tem o regresso à Champions "agendado" para a próxima época, já assumiu, pela voz do presidente, que vai apresentar-se como candidato ao título. Qual o papel de Leonardo Jardim neste processo, ele que tem sido peça chave na caminhada leonina?   


O título ali à frente

Colocado por mario.fernando em 31-03-2014 às 00h19

1 - Era o tal jogo que traçava a fronteira. Ao ganhar, o Benfica foi a Braga colocar-se numa posição de tal modo estável que ninguém equacionará outro desfecho que não seja a conquista a título. Ao apostar as fichas todas nesta partida, Jorge Jesus garantiu três pontos que, matematicamente, não fazem os encarnados campeões, mas que os deixam apenas com três vitórias no horizonte para o confirmar. E o Benfica tem três jogos para realizar na Luz.

Com o seu melhor onze (pessoalmente, acho que este inclui Silvio e não Maxi, como Jesus optou), o Benfica tratou de chegar rapidamente à vantagem (grande trabalho de Rodrigo, finalizado por Lima), o primeiro passo para, depois, ver como seria preferível lidar com o resto da partida. Como aconteceu noutras ocasiões, isto tem prós e contras. Depende da forma como as águias conseguem determinar o conceito de "gestão".

Ora, tendo pela frente um Braga-quase-B (como se sabia, o onze inicial dos minhotos estava irreconhecível, por causa das lesões), os encarnados depararam com uma equipa que Jorge Paixão construiu em função do que podia dar. Mauro, Luiz Carlos e Ruben Micael já sabiam que o Benfica não tem propriamente vocação para "conservar" a bola e, quando o tenta fazer, nem sempre anda perto da intenção. Ainda por cima, com um Enzo Perez uns furos abaixo do normal, cabia a Fejsa um desdobramento que nem sempre foi simples.

Seja como for, a verdade é que o Benfica nunca se sentiu em risco e, em primeira instância, era esta a prioridade. Nesta perspetiva, objetivo cumprido. Só se estranhou que Jesus tivesse demorado tanto tempo a colocar Ruben Amorim no lugar de Enzo (já íamos para os 20 minutos finais), até porque foi visível o equilíbrio que o meio campo encarnado passou a ter a partir de então. E, não por mero acaso, também a melhor sequência de oportunidades da segunda parte. Eduardo teve duas intervenções consecutivas de grande execução e até defendeu a grande penalidade (muito discutível, assinalada por Pedro Proença) batida por Rodrigo.

O Benfica caminha para o título e, apesar de faltarem cinco jornadas para a conclusão do campeonato, nada indicia que se possa repetir a história da época passada. Para começar, porque a vantagem pontual é assinalável, mas principalmente porque os encarnados estão bastante mais calculistas. Deixaram-se de imprudências desde que entraram no último terço da prova, privilegiando as "notas artísticas" unicamente quando os jogos o propiciam. Ou seja, a norma passou a ser "pragmatismo". Pode ser menos espectacular, mas é bastante mais eficaz. E já não há tempo para devaneios com o título ali à frente.

2 - A passagem do FC Porto pela Madeira deixou-o, com alto grau de probabilidade, definitivamente no terceiro lugar. Aquela equipa que, a meio da semana, se tinha mostrado afirmativa no jogo da Taça, ficou em "casa" durante metade do desafio com o Nacional. Nos 45 minutos iniciais, tirando um lance em que Jackson obrigou Gottardi a uma grande intervenção, a capacidade dos dragões responderem à adversidade da partida foi semelhante à dos piores tempos de Paulo Fonseca, quer dizer, inexistente.

E, aqui, é necessário colocar no primeiro plano o desempenho de um Nacional que, reconheça-se, tinha prometido uma receita idêntica à que utilizara perante o Benfica. Aplicou-a melhor ainda, aproveitando a desarticulação portista, com Ghazal e Gomaa a ditarem leis e investindo no trabalho de João Aurélio atrás de Djaniny. Do outro lado, havia uma equipa a perder a bola vezes sem conta em passes errados, abrindo caminho para as transições rápidas dos madeirenses. Numa delas, veio o golo (irregular) e foi muito evidente que o FC Porto acusou o "toque". Cedo demais.

Luis Castro nem hesitou ao lançar Quintero e Ghilas logo na abertura da segunda parte. O empate apareceu rápido, mas o segundo golo do Nacional também. Mais que o processo defensivo, a defesa portista voltou a ser um enorme problema. Reyes ainda foi o menos mau, quando comparado com um inconsequente Abdoulaye e dois laterais (Danilo e Alex Sandro) que não estão, nem de longe, no mesmo patamar de há alguns meses.

É certo que o FC Porto realizou uma segunda metade claramente melhor - não era difícil, convenhamos - , só que também não conseguiu disfarçar o desgaste dos jogadores e, principalmente, alguma falta de lucidez nos momentos da decisão. Quintero e Ghilas atenuaram, mas o "abatimento" acentuou-se com o falhanço de Quaresma (no penalti) e o golo mal anulado a Jackson.   

Desta vez é o FC Porto a lamentar-se, com razão, da arbitragem de João Capela. O árbitro continua igual a ele próprio e, por isso, registou mais uma atuação "ao nível". Um golo irregular validado, um golo legal anulado e uma grande penalidade inexistente são as pontas do iceberg. Dá, chega e sobra para entendermos - se fosse preciso - que Capela dificilmente deixará de ser o que é.

PS : As qualidades de Quaresma são notórias, mas os seus defeitos também. Para quem pretende marcar presença no Brasil, a cena que protagonizou no fecho do encontro na Madeira não ajuda nada, pelo contrário. Quaresma perde a cabeça com alguma facilidade e, por muitas atenuantes que tenha relacionadas com a arbitragem, o facto é que mais ninguém do FC Porto teve aquele comportamento. E Paulo Bento também viu.


Leão na calha da Champions

Colocado por mario.fernando em 30-03-2014 às 02h28

1 - Não se previa uma tarefa simples para o Sporting, até porque o Vitória já tinha demonstrado no Luz e no Dragão que, agora, não iria passear a Alvalade. E não foi. O andamento da partida não terá sido exatamente aquele que os leões desejavam, mas acabaram por ganhar, acima de tudo, porque foram eles quem mais procurou chegar ao trunfo. Duas equipas que aplicaram conceitos diferentes e uma terceira que não esteve à altura do jogo.

O que conta é o efeito prático : o Sporting não permite a aproximação do FC Porto e fica à espera do que o Benfica fará em Braga. Mas isto depois de ter lidado com um V.Guimarães que, durante a primeira parte, "encaixou" na formação leonina e não lhe deu os espaços de que esta necessitava.

Depois de uma boa entrada do Sporting, os vimaranenses, com André André a comandar o meio campo e André Santos atento às manobras de Carlos Mané, condicionaram o trabalho da zona intermédia leonina. Sobrava como alternativa a exploração das alas, mas, até com alguma surpresa, o "adaptado" Leonel Olímpio conseguiu lidar com Capel melhor do que se supunha. O que obrigou o técnico leonino, às tantas, a operar a troca de corredores com Heldon. Sem grande vantagem.

Ainda assim, isto não significa que o Sporting não tenha criado oportunidades para concretizar. Não muitas, é certo, só que, como reconheceu Leonardo Jardim, desta vez, no momento da finalização havia sempre algo que não saía certo. Slimani, por exemplo, teve duas possibilidades que desaproveitou, ao contrário do que tem sucedido em situações idênticas. Em resumo, um Sporting a tentar e um V.Guimarães a não deixar, cenário que se arrastou até ao intervalo.

Jardim não podia esperar mais e fez a equipa voltar ao relvado já com Montero e sem Heldon. O plano B estava de regresso e, coincidência ou não, em três minutos os leões chegaram à vantagem, Douglas era obrigado a uma intervenção difícil perante Capel e Montero marcou mais um golo, que o auxiliar decidiu erradamente que não valia. Até perto da meia hora foi o melhor período dos leões, o mais desequilibrador de todo o jogo.

Mas, como se calculava, Rui Vitória não iria ficar de braços cruzados à semelhança do que fizera nas deslocações ao Dragão e à Luz. E a verdade é que após as entradas de Malonga e Tiago Rodrigues - e, depois, de Maazou - o V.Guimarães foi bastante mais atrevido, subindo com frequência à área de Patrício  e provocando um trabalho adicional à defesa leonina que, provavelmente, já não contaria com ele. Assim, Jardim, que já tinha abdicado de Slimani em favor de Carrillo, teve de lançar André Martins por troca com o esgotado Carlos Mané. Uma opção de segurança.  

A equipa de arbitragem, infelizmente, foi a pior das três. Critérios confusos e, por consequência, várias decisões sem nexo. O golo legal anulado a Montero constituiu o ponto mais visível da atuação, mas, do lado disciplinar, acabou por poupar segundos amarelos a Slimani e Marco Matias e um vermelho direto a Adrien. Atuação muito fraca.

O Sporting deu mais um passo no caminho da Champions. Jardim prossegue o plano para a ponta final do campeonato e, sem grande surpresa, irá certamente cumpri-lo. 

2 - O desafio de Braga é, no plano teórico, o mais complicado para o Benfica antes da deslocação ao Dragão, na última jornada. Aliás, mais determinante ainda, porque, se as coisas se mantiverem como estão, a partida com o FC Porto já não entrará nas contas do título.

Jesus, depois de ter secundarizado a recente partida da Taça de Portugal, pode recorrer ao melhor onze encarnado para defrontar um Braga que, pelo contrário, vai apresentar-se com uma equipa longe da pretensão de Jorge Paixão, devido a um número muito significativo de lesões. Neste quadro, menos se compreenderá um eventual deslize das águias. De qualquer maneira, o técnico encarnado fez bem em avisar que o jogo deve ser encarado como uma final. De certo modo, até é. Caso ganhe, as hipóteses do Benfica falhar o título passam a ser meramente académicas.

3 - Luis Castro fala de um FC Porto melhor. É uma evidência, embora seja pouco crível que, do lado do campeonato, venha modificar alguma coisa. Portanto, esta deslocação à Madeira deve ser entendida como mais um momento para consolidar a equipa, sobretudo porque isso pode reflectir-se nas outras competições em que os portistas estão envolvidos.

Assim sendo, vencer o Nacional é mais importante para os dragões do que apenas somar três pontos. O próximo teste chama-se Sevilha, não será nada simples, pelo que a componente anímica pode ser fundamental para lidar com a Liga Europa.

PS : A moda dos treinadores fazerem a antevisão dos jogos nos canais televisivos dos respetivos clubes está a alastrar. Começou com o FC Porto e passou também para o Benfica. Percebe-se facilmente a intenção, embora não possa deixar de se lamentar que, objetivamente, os técnicos deixem de ser questionados sobre aquilo que não lhes interessa. 


Vantagem de Dragão

Colocado por mario.fernando em 27-03-2014 às 00h46

A primeira metade da meia final da Taça de Portugal deixou o FC Porto na frente. O triunfo dos dragões é inquestionável porque foram melhores no todo dos 90 minutos e, de uma forma inequívoca, na primeira parte. O Benfica acaba por perder apenas por um golo, quando esteve à beira de um cenário pior, mas garante a eliminatória em aberto para o desafio da Luz. No fundo, paradoxalmente, um resultado que não deixou qualquer dos lados eufórico, mas que pode servir os interesses de ambos.

Tanto Luis Castro como Jorge Jesus sabiam ao que iam. O técnico portista apostava claramente neste duelo como a rampa de lançamento fundamental para atingir a conquista de um troféu, agora que o campeonato "acabou" para os dragões. O treinador encarnado, com uma perspetiva diametralmente oposta, jogando as fichas no próximo desafio em Braga (uma eventual vitória "põe-lhe" o título na mão), colocou a partida do Dragão no mesmo nível secundário da Liga Europa. Uma e outra opções refletiram-se totalmente no encontro.

O FC Porto, ao lançar Herrera com Défour, à frente de Fernando, criou uma "zona de pressão" brutal sobre as águias, que contrapunham Fejsa e Ruben Amorim. Toda a primeira parte foi muito consequência disto, aliada ao facto de Quaresma ter estado, novamente, no seu melhor período. Pedir a Salvio e Sulejmani que se ocupem de tarefas defensivas é quase pedir-lhes a Lua, pelo que o retrato dos 45 minutos iniciais fica quase exclusivamente a azul. Um golo cedo mais acelerou o andamento de um FC Porto bastante mais rápido e agressivo sobre a bola.

A realidade é que se não fossem três intervenções providenciais de Luisão e Garay, mais uma enorme defesa de Artur perante um Varela isolado, e o intervalo teria chegado com estragos acentuados para o Benfica. Encostada às cordas, a equipa de Jesus só consegue a primeira oportunidade digna desse nome aos 40 minutos, quando Rodrigo, na pequena área, desvia de cabeça ao lado da baliza de Fabiano. De resto, a frente de ataque do Benfica teve unicamente em Rodrigo o elemento que tentou lutar contra a corrente. De Salvio, pouco, de Cardozo, nada. Aliás, o paraguaio foi basicamente uma sombra que andou pelo Dragão.

Depois de um domínio que chegou a ser avassalador, os dragões entraram com uma cadência menos intensa na segunda parte. Ainda assim, controlando suficientemente a situação. Aos poucos, o Benfica foi equilibrando as operações e arriscando mais, sobretudo depois de Jesus ter percebido que "aquilo" nada tinha a ver com consistência. Com Gaitan e Lima (e, mais tarde, Markovic) o jogo ficou mais repartido, também porque Luis Castro pouco ganhou ao lançar Carlos Eduardo, mas já lucrou ao colocar Quintero.

De qualquer forma, outra evidência é que, mesmo neste período de maior equilíbrio, o FC Porto teve mais oportunidades para dilatar a vantagem do que o Benfica para igualar. Em rigor, os encarnados dispuseram do remate de Ruben Amorim superiormente defendido por Fabiano, enquanto os dragões viram Jackson atirar ao poste, Herrera assinar uma "bomba" que rasou o ferro da baliza de Artur, e Quintero falhar uma assistência para Quaresma quando estava em zona frontal para concretizar.

Em resumo, uma vitória justa do FC Porto que, mais do que a questão da eliminatória, funciona como uma carga simbólica para dentro. Ou seja, depois de um longo calvário durante a gestão de Paulo Fonseca, a equipa portista mostrou a si própria que é capaz de fazer melhor do que mostrara nesta temporada. Não inocentemente, Luis Castro fez questão de encerrar a conferência de imprensa dizendo que este plantel vale mais do que alguns quiseram fazer crer.

Para o Benfica, embora uma derrota no Dragão não agrade, vai para a segunda mão com um resultado que nem é mau, face às circunstâncias do que sucedeu. Do ponto de vista anímico também não terá grande influência, porque o campeonato (e aqui sem aspas) dos encarnados é o que passa por Braga.

No entanto, uma coisa não pode ser contornada. Perante equipas, como aconteceu com o FC Porto, que apostam numa pressão elevada, as chamadas "alternativas" do Benfica podem não chegar para a encomenda. Aliás, alguma coisa mudou já com Gaitan, Lima e Markovic em campo. Jesus virá sempre com o argumento de Londres, mas o Tottenham não jogou como o FC Porto e notou-se a diferença.     



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