Com Luís Freitas Lobo e João Rosado, sob a arbitragem de Mário Fernando

Às segundas, depois das 19h, com repetição depois da meia-noite.

Luís Freitas Lobo

Nasci em 1967. Em 1970, portanto, já estava presente para testemunhar as maravilhas de Pele, Jairzinho, Tostão e companhia no Mundial do México. Ainda não conseguia, no entanto, ver os jogos sob uma perspectiva táctica. Agora, como os tenho todos gravados na minha colecção particular de vídeos, vejo-os religiosamente. Como se viajasse no tempo e visse Puskas da mesma forma que hoje vejo Kaká. Para mim, mais do que cinco continentes e sete mares, o mundo é um infinito conjunto de campos de futebol com muitas casas á volta e desde 1998 que tenho procurado, em vários meios de comunicação, passar essa emoção. Porque, como gosto de dizer 'Quando um homem tem uma paixão, seja ela qual for, o melhor que tem a fazer é ir tratar dela!'
Da Revista Mundial e Publico, até ao Expresso e à sagrada A Bola, a Bíblia com que em menino aprendi a escrever lendo Mestres como Vítor Santos. Na rádio da Antena 1 à TSF, na televisão, da SIC Noticias até à RTP, onde hoje estou. Todos os dias penso em futebol. Por isso, em qualquer local, falo ou escrevo sobre futebol, partindo sempre da única forma que o entendo ser possível conceber: com emoção.

João Rosado

João Rosado nasceu em Évora, em 1970. É licenciado em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Entre 1988 e 1992 foi colunista no jornal «A Capital». Foi redactor no jornal «Record» entre 1992-1995 e 2003-2004. Entre 1995 e 2002, foi redactor e editor no jornal «O Jogo». De 2007 a 2012 foi colunista no jornal «Diário de Notícias. Foi comentador de futebol na «Antena 1» entre 1999 e 2000, na «Rádio Renascença» entre 2001 e 2004, na Sport TV entre 2001 e 2007. É comentador de futebol na SIC, desde 2007, e na antena da TSF desde 2004.

Mário Fernando

Jornalista há 27 anos passou a maior parte da vida profissional na rádio. Comercial, Renascença, RFM, Correio da Manhã e XFM até aterrar na TSF. Foi em 1995 e, três anos depois, passou a editor de Desporto. Até hoje. É um fanático por futebol, por isso, não tem paciência para a forma como os dirigentes tratam a coisa, ou seja, quando resolvem que os clubes deles é que contam e o resto é paisagem. Não é, mas isso eles jamais vão entender. No meio de tudo isto houve três reportagens que o marcaram: a primeira visita de Nelson Mandela a Londres depois da libertação e duas edições dos Jogos Olímpicos, Sidney2000 e Pequim2008. Curiosamente, nenhuma delas tem a ver com futebol.

O fim da linha

Colocado por mario.fernando em 26-11-2014 às 23h22

"Isso é problema do Leverkusen e do Mónaco, não me interessa nada. Esse resultado não me interessa nada". Jorge Jesus, taxativo, depois da derrota em S.Petersburgo, que colocara o Benfica fora da Liga dos Campeões. Fiquei com a dúvida instalada : não lhe interessava mesmo ou não se tinha apercebido que um triunfo dos monegascos colocava um ponto final na carreira europeia das águias nesta época? Só o próprio poderá esclarecer, agora que o Benfica, pela primeira vez na era Jesus, é despachado das competições da UEFA em Novembro.

Claro que ao técnico encarnado nunca lhe passara pela cabeça um falhanço europeu em toda a linha. Nem sequer ser contemplado com um regresso à Liga Europa é algo que, seguramente, jamais imaginaria. A questão é que isto é consequência de uma abordagem à Champions sobre a qual levantei aqui várias reservas ao longo deste tempo. O discurso do treinador, que oscilou sempre entre o ambíguo e o distintivo, levou a uma mensagem que tinha muito pouco de motivadora.

Ambíguo porque, até esta partida com o Zenit, Jesus considerou todos os jogos anteriores como "importantes mas não decisivos", como se fosse aceitável realizar mais de metade desta fase sem um único desafio decisivo. Foi em S.Petersburgo que, pela primeira vez, catalogou o encontro de forma inequívoca. Distintivo porque, do início ao fim, apontou o campeonato como a prioridade da temporada - o que está certo -, embora menorizando de um modo indisfarçável o desfecho da campanha na Liga dos Campeões fosse ele qual fosse. Como se estar nos oitavos de final ou ser varrido do palco valesse praticamente o mesmo. Nunca valeria, nem desportiva nem financeiramente. O cúmulo desta abordagem filosófica é que nem deu direito a prémio de consolação, a Liga Europa.

Aliás, o jogo com o Zenit é, ele mesmo, um ótimo exemplo de análise no contexto que tenho vindo a descrever. Depois de uma primeira parte com pouca ou nenhuma história, em que Salvio protagonizou a única hipótese concreta para marcar - mas Lodygin está lá para defender - , a entrada no segundo tempo foi claramente afirmativa. Deduziu-se que o Benfica queria realmente vencer e, naqueles 25 minutos de muito bom nível, por duas vezes, podia ter-se adiantado (primeiro Luisão e depois Gaitan, este a ver um cruzamento "de morte" que ninguém desviou para dentro da baliza). Mas, como sabemos, em partidas com um número de oportunidades sempre diminuta, desperdícios destes podem ser fatais.

Vilas-Boas entendeu o que estava em causa e colocou em campo Fayzulin (na sequência da lesão de Javi Garcia) e Shatov à esquerda do ataque, passando Danny para a zona central. Faltavam 20 minutos para acabar e, perante isto, Jorge Jesus tem uma opção, pelo menos, intrigante. Retira Talisca e lança Derley, entregando o meio campo a duas unidades (Samaris e Enzo), sem qualquer ligação aos dois da frente. O Zenit recuperou os espaços que tinha perdido, equilibrou as manobras, marcou um golo (a tal eficácia que o Benfica nunca teve) e ganhou. Dir-se-ia que Jesus, porventura, nunca acreditou na vitória "impossível" do Mónaco sobre o Bayer. Talvez, mas o risco que correu saiu-lhe mal.

Não vale a pena tentar projetar, por agora, as consequências várias que este colapso europeu pode implicar. No entanto, há algumas certezas, a primeira das quais o abanão financeiro com que o Benfica não contava. Como é crónico este aspeto será desvalorizado, mas contra factos não vale a pena ensaiar grandes argumentos. Ninguém conseguirá convencer-nos de que os encarnados não estariam também interessados nos cerca de 18 milhões de euros que o FC Porto já somou nesta Champions, face à recente qualificação.

Depois, falta aferir como irá Luis Filipe Vieira lidar com os custos do atual plantel, que fica confinado às provas domésticas. Janeiro dará respostas, certamente. Finalmente, no plano estritamente desportivo, Jesus fica com o campo de manobra muito estreito : tudo o que seja abaixo do título nacional será uma época fracassada.


Boas novas

Colocado por mario.fernando em 26-11-2014 às 01h14

1 - Nas "três partes" do jogo de Alvalade, o Sporting só não foi melhor na "segunda", a da pausa de cerca de 50 minutos, que a quebra parcial da iluminação do estádio provocou. Nas outras, as que realmente contavam, ficou demonstrado que a diferença entre a equipa leonina e o Maribor é enorme. Só o resultado não reflecte em absoluto esta realidade, pois os leões ficaram a dever a si próprios (e a Handanovic) mais dois ou três golos. Numa noite - mais uma - em que Nani demonstrou a importância de uma equipa ter um fora de série, os 45 minutos iniciais quase deram para arrumar com as poucas ilusões que os eslovenos trouxeram para Lisboa. Quase. 

É que, depois da gazua Jefferson ter aberto o caminho para Carlos Mané inaugurar o marcador, depois de Nani ter "trocado os olhos" a quatro adversários na área do Maribor, lá surgiu um erro coletivo que terminou em autogolo, uma dádiva do Sporting ao antagonista quando este nem sequer tinha ameaçado fosse o que fosse. Marco Silva continua a bater na mesma tecla, mas os jogadores têm que interiorizar que ele tem razão quando diz que, numa Champions, estas coisas não são admissíveis. Sim, não deu em prejuízo desta vez, mas não deixou de ser perturbador. Sem necessidade.

Foi com isto que jogou o Maribor no (tardio) recomeço, cerca de 20 minutos confusos, com o Sporting a voltar ao ponto de partida à procura dos seus equilíbrios. Embora os eslovenos nunca constituíssem um real perigo, seria aquele "roubo" de bola de João Mário, a lançar a jogada que culminou na finalização de Slimani, o momento decisivo da partida. Finalmente, sentença ditada. O resto foi a ampliação do resultado eternamente adiada. As oportunidades protagonizadas por Slimani, João Mário, André Martins, Montero e Carrillo (a deste foi quase inacreditável) justificavam mais.

Passando ao centro da questão : o Sporting, por via das dúvidas, já salvaguardou a Liga Europa, mas está a um ponto do apuramento para os oitavos da Champions. Ou talvez nem isso, caso o Schalke não triunfe na Eslovénia. Não gosto muito de ir pelas "reparações de justiça", simplesmente há um facto incontornável : o tal penálti imaginário de Gelsenkirchen impede os leões de estarem já qualificados. Esperemos que o futebol propriamente dito coloque tudo nos carris novamente.

2 - O FC Porto já estava apurado, mas esta ronda confirmou o justo primeiro lugar no grupo. Graças à derrota caseira do Shakhtar, também. Contudo, isto de pouco adiantaria se os dragões, antes disso, não tivessem cumprido, como lhes competia, a sua parte. E este "competia" deve ser entendido igualmente no sentido de competência. Derrotar o BATE Borisov nunca seria um feito extraordinário (quem sofre 22 golos em cinco jogos não pode estar na Champions), mas era um objetivo obrigatório.

Ainda estou para perceber se aquela primeira parte, sem ponta de brilho do FC Porto, foi programada ou não. Com Lopetegui é sempre difícil descodificar algumas coisas, portanto, deixemos as opiniões dividirem-se sobre a matéria. O que fica é um primeiro tempo em que o Borisov nada fez e em que os portistas, com Herrera e Casemiro bastante recuados, tiveram muita posse de bola com aproveitamento nulo. Resta um livre de Brahimi que passou junto ao ferro da baliza dos bielorrussos.

A segunda metade foi praticamente uma antítese. Lá sobreveio a pressão alta, muito por conta da subida de Herrera no terreno, o que deu uma dimensão totalmente nova à forma como a zona central dos dragões funcionou. Aliás, o jogador mexicano foi figura em todos os ângulos de avaliação, não apenas por "estar" nos três golos, mas primeiramente porque foi dos seus pés que partiu o "míssil" que destruiu a barreira adversária e colocou uma autêntica passadeira para o FC Porto vincar as múltiplas razões pelas quais é muito superior ao BATE. Digamos que a segunda parte é que foi normal.

A partir desta altura, com todos os objetivos adquiridos nesta fase da Champions, Lopetegui pode focar-se em absoluto no campeonato até ao final do ano. Ao contrário dos rivais, está dispensado de dispersar preocupações. E basta espreitar o calendário para se entender até que ponto este conforto pode ser útil, uma vez que a última jornada (com o Shakhtar, no Dragão) é como se não existisse em termos de planeamento. Só um exemplo : a receção ao Benfica acontece precisamente após a derradeira ronda da Champions, em que os encarnados ainda vão ter algo em jogo na partida com o Leverkusen.


Jogo colateral

Colocado por mario.fernando em 24-11-2014 às 20h12

Outra semana europeia e, à medida que a fase de grupos se aproxima do fim, "apertam" as decisões. Não propriamente para o FC Porto - apurado, mas com o objetivo do primeiro lugar em mente -, mas certamente para Benfica e Sporting, nesta altura com todos os caminhos em aberto : Liga dos Campeões, Liga Europa ou nada.

Este foi o tema dominante do Jogo Jogado na TSF, ao qual se acrescentou os "efeitos coletarais" desta caminhada no mercado de janeiro. Os três grandes com várias opções dependentes, muito, da definição europeia. E não só.  


Sentido prático

Colocado por mario.fernando em 23-11-2014 às 01h28

Provavelmente, nem o Benfica pensaria que o apuramento para os oitavos da Taça fosse assim tão simples frente ao Moreirense. Talvez os ensinamentos anteriores, perante um adversário que já tinha causado problemas na Luz, tenham ajudado a uma outra abordagem ao jogo. Talvez a ideia definida por Miguel Leal não resultasse na aplicação prática que imaginava. Ou - o mais provável - um cruzamento dos dois factores abriu caminho para uma goleada, que não deixa margem para grandes conversas. Sobretudo, depois do que sucedeu na primeira meia hora da partida.

Se não foram os melhores 30 minutos dos encarnados nesta época, andou lá perto. Com um sentido prático que não se via há algum tempo, saiu-lhes tudo bem, desde o primeiro golo mal a bola tinha começado a rolar, passando pelo segundo logo a seguir, culminando com um terceiro num lance coletivo perfeito, ficando pelo meio a execução técnica brilhante de Jonas, por duas vezes, e um jogo pontuado integralmente por Salvio, que assinou uma exibição notável. Isto tudo com um Moreirense sem tempo nem jeito para perceber as razões do afundamento.

O Benfica sentiu que o assunto estava resolvido e virou-se mentalmente para outro problema, este bem mais complexo, que está a sua espera em S.Petersburgo. Se a intenção era "despachar" a Taça de Portugal rapidamente, para poupar-se para o embate com o Zenit, então o plano foi cumprido com distinção. Só que, mesmo neste quadro confortável (três golos pesam), não devia ter partido do princípio de que o Moreirense se tinha rendido. Ao trocar Vitor Gomes por Battaglia, o técnico minhoto mostrou ter detectado um dos principais "defeitos" na estrutura do meio campo. Esta mutação, aliada ao "desaceleramento" das águias, permitiu alguma resposta dos visitantes.

Vem o golo de Cardozo e a situação poderia complicar-se caso não tivesse passado em claro uma grande penalidade de Enzo sobre João Pedro, mesmo nos últimos segundos da primeira parte. Ao intervalo, percebia-se, face aos "avisos" que ficaram, que o Benfica necessitava de repor a vantagem anterior para, então sim, evitar quaisquer precalços que um segundo golo do Moreirense naturalmente traria. Um indicador de que Jesus também entendeu isto, foi o facto de já não ter feito regressar Gaitan - num dia abaixo do normal - optando por Ola John.

Ora, a verdade é que o Moreirense reentrou com algum atrevimento, obrigando Júlio César a mostrar-se, mas o novo golo de Salvio colocou o tal ponto final que os encarnados pretendiam. E ainda havia meia hora para jogar. Com pouca relevância, diga-se, aliás aproveitada para poupar Enzo e Salvio de imediato, porque a Champions ainda é uma cartada para jogar. Difícil, mas para jogar. E, certamente, Jesus estará a pensar no jeito que dava poder contar com um Jonas que, gradualmente, começa a afirmar-se na equipa, ainda que somente para consumo doméstico.


Seguir o guião

Colocado por mario.fernando em 22-11-2014 às 00h22

Foi pouco mais que um jogo-treino. Mas numa Taça de Portugal em que uma equipa que participa na Champions defronta uma outra, amadora, do Campeonato Nacional de Seniores (na prática, a III Divisão), dificilmente será de esperar algo diferente do que um desfecho em goleada. O Sporting cumpriu a missão que lhe foi atribuída, o Espinho comportou-se com a dignidade que o seu estatuto permite.

Marco Silva aproveitou para rodar algumas peças que menos têm jogado ou que não são escolhas prioritárias. Chegou perfeitamente para as necessidades, como o técnico previa. Miguel Lopes pode acrescentar - é um jogador experiente e, com ritmo competitivo, uma opção válida - , Rosell e André Martins que, nesta altura, têm concorrência superior para a titularidade, puderam mostrar-se de outra forma, Carlos Mané (muito bem) e Capel afirmam-se como alternativas para qualquer eventualidade, e Montero afina a pontaria, algo importante para os leões que vão ficar sem Slimani em janeiro e fevereiro.

O jogo, não esquecer, era propício a um bom desempenho da equipa. Depois de uma primeira parte em que dominou muito e concretizou pouco, o Sporting ainda deparou com uma reação espinhense nos 15 minutos iniciais do segundo tempo (Boeck anulou a única oportunidade dos tigres), mas a maior capacidade técnica e coletiva acabaria por "atropelar" um adversário que fisicamente não durou mais de uma hora. Daqui até à goleada foi um passo rápido. Se a estratégia de Marco Silva era jogar com todos estes factores, tinha razão. E até deu para estrear o jovem Daniel Pondence, lançado no enquadramento adequado, isto é, numa partida que já estava resolvida.

Tudo previsível, portanto, sendo que agora vem um virar de página que obriga a outra abordagem. Não será este onze a enfrentar o Maribor, para a Liga dos Campeões, pelo que a maioria dos jogadores a escalar vai entrar em campo sem desgaste, no ataque a uma partida vital para as aspirações europeias do Sporting. Se quiserem, é o regresso à "realidade". A verdadeira realidade dentro da qual os leões se movimentam.


E...deu vitória

Colocado por mario.fernando em 19-11-2014 às 00h51

E não é que Portugal venceu a Argentina em Old Trafford? Quando já estavamos todos a pensar que ficariam ambos com o espírito de "noite cumprida" - não confundir com missão cumprida - , com um cachet de luxo para cada lado, Ronaldo e Messi a assinarem o ponto só 45 minutos, calcula-se que por combinação prévia, eis que Quaresma, em plenos descontos, cruza para a entrada de Raphael Guerreiro. Foi o golo e o triunfo mais de quatro décadas depois. Para o registo histórico é o que fica. Para quem quiser perceber mais, é simples : nada faria prever algo assim.  

1 - Ao contrário da tradição portuguesa, que considera os clubes como família e as seleções como aqueles parentes afastados que adoram o incómodo de nos visitar de vez em quando, eu não sou anti-seleções. Mas só aceito a sua lógica quando se trata de competição. O resto, por norma, é irrelevante. E piora quando nos vendem um grande cartel (como era o caso) e o produto final é abaixo do mínimo exigível. Este Portugal - Argentina foi fraquinho na primeira parte (e os sulamericanos dominaram quase como entenderam) e, na segunda, algo muito próximo de um bocejo.

2 - Fernando Santos diz que a seleção jogou mal nos 30 minutos iniciais, mas, com todo o respeito pelo selecionador, aquilo que eu vi foi uma montagem profundamente confusa. Um dia terá de haver uma escolha : é 4x4x2 ou é 4x3x3. Os dois modelos devem ser trabalhados (é recomendável que o sejam), mas tem de existir uma opção prioritária. O que parece é que Santos tem uma ideia na cabeça, mas não consegue encaixar as peças certas naquilo que pretende. O meio campo foi, desculpem o desabafo, um bocado salada. 

3 - Com Messi à direita do ataque, Tiago Gomes viu-se em palpos de aranha, porque ninguém dobrava à esquerda da defesa. Era suposto ser João Moutinho, mas a génese do equívoco estava na soma Tiago/André Gomes. Os argentinos cedo o perceberam e as consequências foram inevitáveis. Quase nunca pensaram em atacar pelo lado contrário, onde Nani fazia, bem, o seu papel. Em resumo, Messi e Di Maria andavam por ali sem grandes obstáculos. Valeu Pepe, imperial no período mais complicado da seleção.

4 - Depois do intervalo, já no 4x3x3, apesar do domínio continuado (mas atenuado) dos argentinos, Portugal revelou mais equilíbrio. Gaitan ainda ameaçou, mas o estado de graça de Fernando Santos prossegue sem ondas. Quatro suplentes construiram a vitória : Adrien, Éder, Quaresma e Raphael Guerreiro. É verdade que já vamos no terceiro jogo seguido sem sofrer golos, mas também é o terceiro em que o triunfo "pinga" ao cair do pano.

5 - Sobre o tal duelo de titãs, nem duelo, nem titãs. Messi foi claramente mais produtivo que Ronaldo, mas não se pense que houve direito a deslumbramento. Longe, muito longe disso. Continuo na minha : eu queria vê-los era frente a frente num Mundial. Assim... 


Jogo de génios

Colocado por mario.fernando em 17-11-2014 às 20h06

A descoberta de um caminho para a seleção continua em aberto. Depois de um triunfo "a contar" frente à Arménia - em condições muito peculiares - a equipa nacional vai defrontar a Argentina em palco neutro. O tal jogo apelidado de preparação, embora seja difícil ficar por aqui quando há Ronaldo de um lado e Messi do outro. Dois génios frente a frente que quase "ensombram" tudo o resto.

Este foi o assunto central do Jogo Jogado na TSF, analisando o que os primeiros desafios com Fernando Santos já trouxeram, mas principalmente o que ainda podem trazer. Ou melhor, devem.   


Desencalhar

Colocado por mario.fernando em 15-11-2014 às 01h44

Primeiro, uma palavra para Cristiano Ronaldo. Num jogo em que pouco lhe correu bem - até passes falhou, o que seria impensável, pelo menos para mim - voltou a estabelecer mais um recorde para a História. Foi ele que marcou o único golo da partida, mas nem é por isso. O capitão nacional tornou-se agora o melhor marcador de sempre em jogos dos Europeus de futebol, considerando o seu todo. Do ponto de vista individual, não vale a pena acrescentar mais nada. É dar-lhe outra Bola de Ouro.

Segundo, uma outra palavra para Quaresma. Pode não ser - e não é - um jogador fabuloso, mas pareceu ter entendido na seleção que a condição de suplente não é um calvário. Pelo contrário, a utilidade de quem salta do banco pode ser determinante numa partida de futebol, como lhe sucedeu na Dinamarca e, agora, frente à Arménia. Como o Quaresma de que falo é o mesmo que tem feito uma carreira errática nos clubes por onde tem passado, provavelmente (apenas provavelmente) o segredo estará em quem o dirige. Dir-se-ia que Fernando Santos sabe como lidar com o jogador. Se assim for, ainda bem. Já "esteve" em seis pontos, o que dá imenso jeito.

Posto isto, houve o jogo. Temo que as coisas não mudem muito daqui para a frente, do ponto de vista exibicional, mas creio que o fundamental, ir ganhando - nem que seja à tangente -, também se irá conseguindo. Portugal vai estar no Europeu (outro cenário seria um escândalo), embora a caminhada dificilmente possa ser muito distinta do que se viu no Algarve. Há muito acerto para fazer, modelos para definir, escalonamenrto de peças a realizar, enfim, um número ainda significativo de transformações para que a seleção chegue a França com alguma legitimidade para reclamar uma candidatura. Pelo menos, essa é a intenção assumida pelo selecionador.

Perante uma Arménia que, já se sabia, iria ter uma linha defensiva de cinco homens, com mais quatro à frente e um só elemento mais adiantado, Fernando Santos arrumou a equipa quase num 4x2x4, deixando o meio campo entregue a Tiago e João Moutinho, e tentando usar os laterais (Raphael Guerreiro, que se mostrara a grande nível nos sub21, merece ser seguido com a devida atenção) como complementos de uma ação ofensiva que, esperava-se, rompesse a muralha da China que os arménios levaram para o Algarve.

Não deu, aliás, não foi dando, porque a concentração de jogadores na área adversária não possibilitava ao eixo Bosingwa/Nani nem ao Raphael/Ronaldo, nem tão pouco a Danny ou Postiga (mais João Moutinho quando subia), na zona central, um palmo de terreno livre para abrir espaços à concretização. Pode dizer-se que, no entretanto, o árbitro passou ao lado de duas grandes penalidades, mas uma grande seleção não pode ficar dependente dos humores arbitrais. Só muito mais tarde, já com Quaresma em campo e Nani em terrenos interiores se abriram algumas nesgas, que geraram situações de maior aperto e, inclusive, o tal golo solitário.

Claro que este foi um desafio atípico, dos tais em que a única preocupação de quem procura a vitória é tentar descobrir um buraco no labirinto. O problema é que Portugal habilita-se a ter mais partidas destas durante a qualificação. E creio que Fernando Santos terá de inventar novos sistemas em função dos antagonistas, antes de assentar naquilo que realmente quer. Depois do losango em Copenhaga, agora foi preciso uns "gajos" a atirar ao alvo e um "pau" para desencalhar o andamento. O próximo jogo a contar, com a Sérvia, possivelmente, já não poderá ser nem uma coisa nem outra.


Jogo de peças

Colocado por mario.fernando em 10-11-2014 às 20h03

Passada uma jornada de Champions em grande, as três principais equipas da Liga portuguesa regressaram às incertezas. Tanto Benfica, que até ganhou, como FC Porto e Sporting deixaram mais interrogações sobre o modo como se gerem a si próprias. 

Mudar o xadrez, nomeadamente na zona nevrálgica do meio campo, é uma necessidade ou uma fatalidade? Foi este o ponto central do Jogo Jogado desta semana na TSF.   


Jornada non-stop

Colocado por mario.fernando em 10-11-2014 às 01h34

Numa jornada pouco comum, com os três grandes a jogarem no mesmo dia em regime non-stop, FC Porto e Sporting perderam terreno para o Benfica. E para o V.Guimarães, já agora, o tal partner a quem poucos ligam, mas que continua o seu caminho, indiferente ao que pensam dele. Quanto aos três grandes, não houve motivos para grandes celebrações, nem mesmo para as águias, que só podem agarrar-se à componente contabilística. Vamos por ordem de entrada em cena.

1 - Jorge Jesus pode alegar o desgaste da Champions (se bem que o jogo com o Mónaco tivesse sido muita coisa, mas intenso não), simplesmente a exibição do Benfica na Madeira ficou largos furos abaixo do que seria necessário. E voltou a mostrar que a questão do meio campo não está encerrada. Enzo a "6" e Talisca a "8", com a dupla Jonas/Lima na frente trouxe problemas vários na zona central do terreno, algo que o Nacional foi aproveitando à sua medida. Depois, as poucas oportunidades criadas foram desaproveitadas, algumas delas inexplicavelmente.

A exposição da equipa, face à sua baixa intensidade global, e os desequilíbrios que a sua construção apresenta, fazem com que o Benfica corra riscos e, por vezes, pareça não conseguir ir além dos mínimos olímpicos. Não fosse o erro do auxiliar de Bruno Paixão, ao anular um lance legal de Marco Matias, talvez os encarnados a esta hora estivessem noutro quadro. Porque, em rigor, não fizeram o suficiente para se porem a salvo de qualquer precalço. As águias vão ganhando, embora a tal "consistência", revelada na época transacta, continue longe. Há diferenças qualitativas, mas mais do que isso uma enorme incógnita sobre o modo como tal vai evoluir.

2 - Há uma frase de Marco Silva que vale a pena reter : "Com um objetivo tão claro como o que se assumiu (o título) é natural que haja ansiedade". Por este ou outro motivo, o facto é que o Sporting entrou mal no desafio de Alvalade, na exata medida em que o P.Ferreira entrou bem. Paulo Fonseca desmontou parte da "chave" de Marco Silva ao anular a zona central dos leões, reduzindo o eixo Slimani/João Mário a uma quase inactividade (mérito de Sérgio Oliveira e Seri), que teria sempre consequências mais atrás, em Adrien e William Carvalho. A primeira parte do desafio é dos pacenses com direito a golo, aliás, mais um passe a rasgar entre a defesa leonina, situação que não é inédita.

Com as entradas de Montero e Carlos Mané, o técnico dos leões passou ao plano B, um 4x4x2 que mudou profundamente a face do jogo. O fantástico golo de Montero ajudou ao reequilíbrio emocional (que estava a abanar) e provocou o duplo efeito de motivar os leões e de retrair o Paços. O Sporting cresceu, primeiro, agigantou-se, depois - a partir do momento em que passou a jogar contra dez - e pode ficar a dever a si próprio não ter resolvido tudo rapidamente, com tanta oportunidade falhada, até escandalosamente (Slimani de baliza aberta). Para cúmulo ainda houve a decisão do auxiliar de punir a movimentação do argelino (em posição irregular) num golo de Montero (em situação absolutamente legal).

3 - Uma vez mais, as individualidades do FC Porto deram cartas, quando os dragões estavam à beira do precipício em que um Estoril batalhador os colocara. Desta feita foi Oliver quem saltou do banco para salvar os portistas da primeira derrota no campeonato. Bem pode Lopetegui dizer que a sua equipa teve uma mão cheia de oportunidades para ganhar o jogo, o que, sendo verdade, não altera a questão de fundo : só na segunda parte, quando a equipa de José Couceiro quebrou fisicamente, o FC Porto teve algum campo de manobra. E, mesmo assim, até esteve a perder a dez minutos do fim, perante um Estoril que há apenas três dias estava a jogar...na Rússia.

O técnico espanhol ensaiou um 4x4x2 no pressuposto de que era o antídoto adequado para esta partida, só que Adrian Lopez é um peixe fora "daquela" água e nem sei bem de que forma pode ser aproveitado naquela equipa. Pondo de lado a qualidade superior de Brahimi e os raids de Quaresma que, quando está para aí virado, é capaz de assinar, pouco mais se viu na primeira metade. E, na segunda, fiquei intrigado com o esvaziamento a que Herrera foi obrigado após a saída de Casemiro. As entradas de Quintero e Aboubakar pouco deram, sendo que Lopetegui só acertou à terceira, o tal Oliver.

4 - O campeonato vai de férias e continua sem se ver qualquer dos candidatos com uma equipa totalmente moldada e estruturada, no sentido de indiciar que, a qualquer momento, vai "descolar". O facto é que estamos quase no primeiro terço da prova e há muito mais dúvidas do que certezas. Provavelmente, as próximas jornadas ainda nos vão reservar mais surpresas. Para qualquer dos lados. 

                



pub
arquivo de emissões

pub
vídeos liga
    futebol em directo
    arquivo do blogue