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20-05-2013 às 20h12
Fecho de campeonato, FC Porto com o tri, Benfica ultrapassado na recta final. Ponto de partida para o Jogo Jogado desta semana, na TSF, que estendeu a análise aos papéis de Vitor Pereira e Jorge Jesus. E também ao que o futuro pode reservar a ambos, agora que o destino na Liga está traçado.
Ainda os treinadores no centro das questões : Leonardo Jardim entra no Sporting, José Mourinho sai do Real Madrid. O início de algo para um, o fecho de ciclo para o outro.
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20-05-2013 às 01h13
Confirmou-se. O FC Porto é tricampeão, com Vitor Pereira a somar o seu segundo título pessoal. Há apenas três jornadas o cenário apontava no sentido do Benfica, mas os encarnados não resistiram na ponta final e acabaram batidos ao sprint. Como sempre, um campeão vence pelos seus méritos e pelos deméritos do adversário, é impossível separar uma coisa da outra. Mas diga-se que esta época, por aquilo que ambos fizeram, mantendo a incerteza até ao último suspiro, o título estaria bem entregue a dragões ou águias. O FC Porto foi melhor na altura da verdadeira decisão e essa foi antes, não agora.
Num momento de confissão plena, Jorge Jesus admitiu, após o fecho do desafio com o Moreirense, que os encarnados perderam o campeonato na partida com o Estoril. Inegável, embora se perceba que só agora o técnico o pudesse assumir. O FC Porto esperou, esperou, esperou que os quatro pontos de avanço do Benfica sofressem um abanão algures para contra-atacar e recuperar a liderança. Aconteceu mesmo à beira do fim, quando a equipa de Jesus já não dispunha de tempo algum para emendar o erro.
Não seria, certamente, na última jornada que algo se iria alterar. FC Porto e Benfica venceram, com maior ou menor dificuldade, e ficou tudo como estava. Numa ronda que não escapou (outra vez) à polémica das arbitragens, nem à ansiedade dos jogadores. Para o registo, aí está um FC Porto a encerrar em Paços de Ferreira mais um campeonato invicto, com o tão criticado Vitor Pereira a repetir na Liga portuguesa a performance do antecessor Vilas-Boas. Mas o paradoxal da história é que pode muito bem acontecer que o treinador vitorioso se vá embora e o técnico derrotado permaneça. Embora possam existir razões lógicas para uma e outra coisas.
Entretanto, o Estoril, com toda a justiça, garantiu um lugar na Liga Europa. A conquista de Marco Silva era o prémio que faltava para contemplar um trio de treinadores que, esta temporada, realizou um trabalho notável. Paulo Fonseca já tinha assegurado o Paços na Champions e Rui Vitória levou o V.Guimarães à final da Taça, via indirecta para as competições da UEFA. Três homens para quem o esforço compensou. Desceram Moreirense e Beira Mar, sem surpresa. No meio de uma luta pela sobrevivência foram os que menos argumentos apresentaram.
E, como se previa, Jesualdo Ferreira fez o seu último jogo pelo Sporting. Vem agora um virar de página em Alvalade, mas com muitas incógnitas à mistura.
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18-05-2013 às 23h18
1 - Regressado agora de Amesterdão, espreito as últimas declarações dos vários treinadores a cerca de 24 horas do fecho do campeonato. Vitor Pereira, à beira da possibilidade real de se tornar novamente campeão, tece elogios à competição que considera "espetacular". Interessantes as nuances discursivas do técnico portista à medida que as coisas mudam, basta conferir o que Pereira afirmou ao longo das últimas seis ou sete jornadas.
Mas centrando-nos na "espetacularidade" do campeonato, talvez fosse conveniente colocar a análise no sítio certo. Se falamos da decisão pelo título, sim , é inequívoco, porque chegamos à derradeira jornada e ainda há (formalmente) hipótese de duas equipas serem campeãs. Quanto ao resto, é muito relativo. Emoção sim, nalguns casos, mas pouco mais do que isso. Com o terceiro classificado a 20 pontos do segundo ; com o quinto a 32 pontos do primeiro; com o Rio Ave, ainda com o sonho europeu no horizonte, a dez pontos do quarto classificado ; e com um fosso de 16 pontos entre o último da primeira metade da tabela e o último da segunda, enfim, "espetacular" é capaz de não ser a palavra exata. Queira-se ou não, este é um campeonato nivelado por baixo.
2 - Jorge Jesus deixa a porta aberta para a continuidade, depois daquele desabafo após o desaire na Liga Europa. É óbvio que, nesta altura, pouco ou nenhum sentido faria uma alteração no comando técnico do Benfica. Vieira quer a permanência de Jesus, porque seria muito complicado abrir um novo ciclo, quase um regresso ao ponto zero, quando foi este treinador, com todos os defeitos e virtudes que tem , quem levou os encarnados de volta a uma final europeia e a uma final da Taça de Portugal, mantendo-os na corrida pelo campeonato até ao fecho. Mesmo com todas as condicionantes do início de temporada, é bom não esquecer.
A única coisa que um clube como o Benfica não pode fazer e deixar a questão da renovação arrastar-se desta maneira em termos públicos. A definição de timings é fundamental na gestão deste tipo de processos. Ou se resolvia tudo há dois ou três meses -e anunciava-se - ou, caso as conversas não fossem conclusivas, reservava-se a divulgação para o momento em que tudo estivesse encerrado. Vieira "antecipou-se", Jesus não confirmou, Vieira reafirmou e, agora, Jesus já "concede" (estão lá as aspas para evitar interpretações erradas).
3 - Jesualdo Ferreira está de saída. Se é bom ou mau para o Sporting, só o futuro dirá. Sem querer falar agora do nome de Leonardo Jardim, parece claro que o trabalho desenvolvido por Jesualdo, num período muito delicado da vida dos leões, não foi suficiente para garanti-lo na estrutura para a nova época. Foi um bom trabalho, mas há sempre outros "valores" que se sobrepõem.
É difícil separar o papel do novo diretor Augusto Inácio de toda esta questão. Percebeu-se que Jesualdo fica de fora por motivos que se prendem com as futuras competências que lhe estariam reservadas e que, pelos vistos, não encaixam naquilo que o treinador entendia ser o que lhe era devido. O Sporting fez a sua escolha e Bruno de Carvalho, certamente, terá noção daquilo que o aguarda.
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12-05-2013 às 19h22
Com o campeonato quase perdido (apenas uma vez, em toda a história do futebol português, o líder falhou o título na última jornada), o Benfica tem na Liga Europa e na Taça de Portugal as derradeiras hipóteses de salvar a temporada, mesmo levando em linha de conta que o rombo sofrido por estar mais longe do objetivo principal, é particularmente marcante na época.
A final com o V.Guimarães ainda vai demorar e também ela poderá ser (emocionalmente) condicionada por aquilo que suceder até lá. Mas, por ora, a questão é o Chelsea. O maior trabalho de Jorge Jesus é recuperar uma equipa que sofreu um rude golpe no Dragão, quando já não contava com ele. Mais do que a derrota, foi o facto dela significar um "terramoto" pontual que ninguém no universo benfiquista equacionara. Os encarnados, a três jogos do fim , tinham quatros pontos de vantagem sobre os dragões. Em apenas duas partidas perderam cinco. E em ambos os casos, Estoril e FC Porto, pela sua própria incapacidade para conseguir outros desfechos.
Ainda assim , uma final é um desafio com particularidades tão concretas que dificilmente se pode comparar com outros jogos, nomeadamente os do campeonato. É certo que o Chelsea parte com algum favoritismo, por ser o campeão europeu em título (e querer uma dobradinha europeia em duas épocas seguidas), por estar a demonstrar uma boa capacidade de resposta na Premier League, no assalto a um lugar na Champions e, obviamente, pelos seus valores individuais cuja média qualitativa é muito respeitável.
Simplesmente, se o Benfica conseguir esse feito determinante que é esquecer os problemas domésticos e focar-se exclusivamente na partida de Amesterdão, as hipóteses de triunfar aumentam. Também as águias têm jogadores de grande qualidade, alguns deles nada ficando a dever aos homólogos do Chelsea, e todos sabemos que para um futebolista é uma referência pessoal enorme poder ligar o seu nome à conquista de uma competição internacional. Acontece que não é todos os dias que existe uma possibilidade destas, embora a Liga Europa, como já sublinhei inúmeras vezes, seja uma prova que qualquer equipa portuguesa, devidamente apetrechada, deva encarar como um objetivo.
Acresce ainda o interesse particular de Jorge Jesus. Ele próprio reconheceu, no Open Day da UEFA, que ganhar uma Liga Europa lhe daria uma projeção externa que a "simples" conquista de um campeonato em Portugal não lhe concede. Mas há outra questão. O técnico tem um teste de fogo brutal à sua capacidade para lidar com situações extremas, como é a que atualmente vive o Benfica. Que Jesus é mais do que capaz de montar uma equipa ambiciosa, não existem dúvidas. Se tem a arte para gerir emocionalmente um grupo de homens para os retirar do desespero e levá-los à crença em quatro dias, isto só agora será aferido.
Finalmente, e regressando um pouco atrás. Numa final, independentemente do estado vigente de cada um dos intervenientes, a decisão é feita em 90 minutos (a menos que seja preciso esticar um pouco mais) e as coisas dependem bastante do andamento da própria partida. Se se tratasse de uma eliminatória, a equação seria outra, mas não é assim. Portanto, que o Benfica olhe para este duelo como um dos tais que "não se joga, ganha-se". Portugal precisa de mais um troféu para continuar a manter uma posição no contexto europeu, por muito que isto seja secundarizado por alguns cá dentro. Até Amesterdão.
PS : Ausente durante esta semana na Holanda, voltarei aqui para a última jornada do campeonato.
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12-05-2013 às 01h12
1 - No segundo imediato a Kelvin bater a bola para o fundo da baliza de Artur, Jorge Jesus caiu de joelhos no relvado e Vitor Pereira não conteve as lágrimas. É verdade que o FC Porto ainda tem de confirmar em Paços o seu atual estatuto de principal candidato ao título, mas aquelas imagens vão ficar sempre ligadas à definição do campeonato. O momento em que os dragões operaram a viragem, provavelmente definitiva, e em que o Benfica viu ruir uma estratégia. Para trás ficara um jogo marcado pela expetativa até ao derradeiro fôlego.
A história do FC Porto - Benfica pode sintetizar-se em três pontos. Para começar, os encarnados entraram na partida com o pensamento nos dois resultados que lhes convinham, mas colocando o empate como intenção prioritária, esperando que o índice de concretização possibilitasse aproveitar alguma das poucas oportunidades de golo que certamente surgiriam. Os dragões, pelo contrário, porque não tinham segunda via, apontaram unicamente ao triunfo. Viu-se no modo como arrancaram no jogo, na maneira como reagiram ao golo de Lima e, sobretudo, na segunda metade da partida em que o FC Porto arriscou tudo, mesmo depois de Jesus ter reforçado o meio campo encarnado e colocado Cardozo a "segurar" os centrais portistas.
Em segundo lugar, a chamada "batalha do meio campo", a tal zona nevrálgica que, normalmente, tudo decide, foi ganha pelos dragões. Fernando, Moutinho (outra vez brilhante) e Lucho determinaram a cadência, sendo que Matic (outro caso invulgar) e Enzo acabaram por funcionar mais como primeira cortina defensiva do que outra coisa. Se juntarmos a isto o facto de James e Varela potenciarem o trabalho, enquanto Ola John passou ao lado de tudo e Salvio só deu até certo ponto, talvez se perceba melhor as consequências.
O terceiro ponto tem a ver com os bancos. Aparentemente, Jesus dispunha de mais soluções do que Pereira. Simplesmente, como se viu, Pereira teve melhores soluções do que Jesus. O técnico encarnado, ao lançar Roderick (trocando Gaitan por Enzo na ala) pensou que poderia dar outra estabilidade (física?) ao meio campo. Ao colocar Cardozo no terreno, abdicando de Lima, apostou na meia distância do paraguaio, mas Helton anulou as intenções. Finalmente, optou por Aimar (que não está minimamente motivado, como o próprio confessou), tirando Ola John (tarde, muito tarde). Talvez desse para aguentar o empate, terá pensado Jesus. Não deu.
Por outro lado, o treinador portista, que foi obrigado a "queimar" uma substituição (por lesão de Fernando), sabia que tudo o que fizesse a partir de então teria de ser cirúrgico e, digamos, infalível (tanto quanto este conceito pode ser aplicado). Duas alterações e acertou na mouche. Retirou Lucho para lançar Kelvin , puxando James para a zona central. Sacrificou Danilo (e ficou com três defesas) apostando em Liedson, numa cartada do tudo ou nada. O destino protegeu a audácia e foram exatamente Liedson e Kelvin (o célebre joker de Braga) a dar o golpe fatal.
Expressei, antes do jogo, a minha convicção de que aquele que saísse na frente depois do clássico seria campeão. Depois do que se passou não vejo motivo para mudar de opinião, pelo contrário. O FC Porto vai estar focadíssimo no desafio da Mata Real e ,pese embora a qualidade comprovada do Paços de Ferreira, tentará tudo para evitar qualquer golpe de teatro no campeonato.
A questão do Benfica é diferente, porque antes do Moreirense tem o Chelsea. O discurso de Jesus, consumada a derrota no Dragão, denuncia que o técnico já percebeu que vai ser uma missão brutal recuperar animicamente a equipa para a final de Amesterdão. Quase tão brutal como perder com o FC Porto ao cair do pano. Dizer que agora é preciso mudar o chip, é bem menos complicado do que conseguir fazê-lo.
2 - O Paços de Ferreira está na Champions e o Sporting fora da Europa. Confirmaram-se duas probabilidades sérias que, nas últimas jornadas, começavam a desenhar-se de forma acentuada.
É notável o que a equipa de Paulo Fonseca conseguiu. Terminar no terceiro lugar, apenas com FC Porto e Benfica à frente, faz do conjunto da Mata Real o vencedor do "outro campeonato", o que é substancialmente significativo. Independentemente daquilo que conseguir na Champions (ou Liga Europa, se não passar o play-off), vem aí um encaixe financeiro que, só por si, quase iguala o seu orçamento anual. E nem vale a pena frisar o que isto implica para um clube que tem os pés assentes na terra.
Os leões falharam o único objetivo que lhes restava esta temporada. Não vale a pena tentar relativizar o facto de ficarem uma época fora da UEFA, porque isto tem reflexos a vários níveis, e não somente financeiros. A tão anunciada "travessia do deserto" vai mesmo acontecer, sendo que Bruno de Carvalho tem realmente uma tarefa muito dura no horizonte. Agora, o Sporting vai ter de repensar tudo, mas principalmente repensar-se. A primeira decisão de fundo é definir se Jesualdo Ferreira entra ou não nas contas. E, se entrar, de que maneira.
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10-05-2013 às 22h31
Jorge Jesus e Vitor Pereira são os homens que mais arriscam num jogo em que o título está em questão. Chegados a este ponto, numa altura em que nenhum deles tem o seu futuro totalmente clarificado (pese a declaração de intenções de Luis Filipe Vieira em relação ao técnico encarnado), tanto Jesus como Pereira sabem que o duelo do Dragão implica para eles mais do que colecionar, ou não, outro campeonato.
Jesus conseguiu esta temporada algo que não entraria certamente nas contas de uma larga maioria. O técnico que, depois de ter feito o Benfica campeão em 2010, se limitou a vencer a Taça da Liga nos anos seguintes, colocou desta vez a equipa encarnada na discussão do título e em duas finais, sendo uma delas europeia, algo que o clube perseguia há 23 anos. Comparativamente, está a ser uma temporada notável. O problema é que a época ainda não terminou e só no final o balanço real será feito. Isto é, Jesus tem pela frente a última (e mais difícil) barreira, que consiste em passar do "provisório" ao "definitivo".
O maior desafio para ele é, antes de tudo, evitar a repetição do que sucedeu há cerca de um ano. O Benfica dispôs de uma vantagem de cinco pontos sobre o FC Porto, mas não foi campeão. Agora, já teve quatro, vai para o clássico com dois, e Jesus sabe que não pode sair do Dragão com saldo negativo porque isso será fatal. É verdade que, ao contrário da época anterior, tem duas escapatórias (Taça de Portugal e Liga Europa) para atenuar qualquer percalço no campeonato, mas não só não há garantias de que as vença, como a Liga portuguesa foi, desde sempre, o grande objetivo traçado pelo clube. Compreensivelmente, pois o campeonato é o verdadeiro barómetro do peso interno.
Vitor Pereira, que herdou numa situação de emergência um FC Porto (muito) vencedor, mesmo nunca conseguindo gerar qualquer empatia com os adeptos, acabou por manter o título no Dragão - nas circunstâncias enunciadas atrás - e, esta temporada, está a duas jornadas do fim a discuti-lo outra vez. Com a particularidade de até ter registado uma melhor performance que na época passada, mantendo-se invicto, tal como o líder.
Há quem sustente que Vitor Pereira, ganhe ou não, dificilmente continuará na época que se segue. Talvez. Mas para ele não é a mesma coisa sair como vice-campeão ou como bicampeão. E não falo apenas do ponto de vista curricular. Depois de uma falha na Champions que, face ao adversário, não deixou de surpreender, acrescida de uma eliminação da Taça de Portugal a que se juntou a perda da Taça da Liga para o Braga (por muito irrelevante que este troféu seja), Pereira é o último interessado em fechar um ciclo , se for esse o caso, somente com a tradicional Supertaça no bolso.
Perante estes quadros, é fácil de entender que Vitor Pereira diga que "já nos fizeram o funeral várias vezes, mas ainda cá estamos" ou que Jorge Jesus refira que, quem está à beira de três possíveis conquistas, "tem os níveis de confiança mais altos do que nunca". E não se trata unicamente de discursos para as respetivas "tropas". É também um suporte psicológico para eles próprios.
PS : O técnico do Benfica confirmou que Enzo vai jogar. Assim sendo, a hipótese André Gomes para o meio campo é retirada. Quanto ao resto, continuo a pensar que a opção assentará nos nomes que aqui referi no post anterior. Do lado do FC Porto, nada mais a acrescentar ao onze possível.
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09-05-2013 às 22h18
Estamos em plena contagem decrescente para o clássico do Dragão , mas também para a grande decisão do campeonato. É certo que apenas um resultado define de imediato o campeão, só que qualquer outro desfecho será uma indicação com elevado grau de probabilidade do conquistador do título. Mesmo sabendo que no futebol nada pode ser dado como garantido, creio que, desta vez, quem sair na frente depois do clássico dificilmente deixará escapar a possibilidade de confirmar o primeiro lugar na derradeira jornada.
A situação de FC Porto e Benfica não é absolutamente idêntica. As águias jogam com dois resultados que lhe servem (ganhar e arrumar a questão, ou empatar e permanecer com dois pontos de avanço). Os dragões só aspiram à vitória, única forma de tirarem a liderança ao adversário. Apesar de todas as incidências que marcaram a jornada anterior, esta partida continua a ser de tripla. As vantagens e desvantagens existem sempre, pelo que só o andamento do desafio ditará para que lado pode pender a balança.
O FC Porto tem a primeira (teórica) vantagem de jogar em casa. Acresce o facto de andar há algum tempo a realizar apenas um desafio por semana, apresentando um desgaste menor. Do ponto de vista psicológico vê aqui a salvação que julgava perdida, sobretudo após o triunfo dos encarnados na Madeira. Tem uma chance suplementar, mas que também sabe ser a última. O Benfica, após o choque provocado pelo empate com o Estoril, tem praticamente uma semana para recuperar do ponto de vista emocional (que é sempre mais problemático do que o físico) e, a avaliar pelas declarações no Open Day da UEFA, estará a fazê-lo bem.
Por outro lado, Vitor Pereira vai poder apresentar o seu melhor onze, recuperado Alex Sandro, com James em curva ascendente, Varela aparentemente melhor, Jackson de volta à veia goleadora e, naturalmente, o habitual trio do meio campo (Fernando, Moutinho, Lucho). Ou seja, o técnico portista não tem propriamente muito que pensar para construir a equipa, basta-lhe recorrer ao que já está consolidado.
Jorge Jesus é que não pode dizer o mesmo. Com a quase certa ausência de Enzo Perez, terá de buscar uma alternativa que é determinada pela exclusão de partes. André Gomes é, em tese, o candidato mais forte, se admitirmos que o treinador pode apontar para um quadro semelhante ao utilizado nos jogos fora de casa na Liga Europa. Assim, não surpreenderia ver Gaitan nas costas de Lima, com Salvio e Ola John nas alas. E talvez André Almeida na lateral esquerda. Quer dizer, mesmo sem uma peça vital como Enzo, Jesus tem vários caminhos que pode explorar.
Pedro Proença é o árbitro. Apesar dos benfiquistas, pelas razões conhecidas, não gostarem dele, é a escolha "conservadora" que se adivinhava. Isto significa que Vitor Pereira (o do CA) não quis arriscar (ou quis defender-se, como preferirem) e escolheu o homem que, goste-se ou não, é um dos melhores da Europa. Se Pereira tivesse nomeado outro e as coisas corressem mal, seria inevitável que o questionassem por que motivo deixara de fora o árbitro das finais da Champions e do Europeu. Espera-se é que Proença esteja ao nível destas duas ocasiões.
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09-05-2013 às 00h39
Todos sabíamos que um dia ia acontecer. Mas convenhamos que foi algo inesperado. Ou então sou eu que continuo a considerar Alex Ferguson eterno. Se calhar é. Não o homem, obviamente, mas aquilo que ele simboliza. E isto já ninguém conseguirá apagar da História. Retirou-se o grande mestre da arte do futebol.
Alex Ferguson é um caso absolutamente invulgar e, precisamente por não haver ninguém comparável, fica esta sensação a meio caminho entre o vazio e a saudade. É tão marcante que hoje deve dizer-se que há um Manchester United antes dele e outro depois dele. Igualmente glorioso, é verdade, só que o facto de ele ser a raiz do MU - Part II torna-o na figura que determinou uma era. O clube não era campeão há 18 anos quando ele chegou e precisou de mais sete para chegar ao título. Simplesmente, porque Inglaterra é mesmo outro mundo, a espera foi entendida como um investimento a longo prazo. E rendeu. Muito.
Sir Alex foi, enquanto treinador, alguém com a intuição devidamente apurada para captar, antes dos outros, os sinais que pairavam à sua frente. Quando viu Ryan Giggs, tinha o jogador apenas 13 anos, Ferguson verificou que "flutuava acima do chão como um cocker spaniel a perseguir um pedaço de papel de prata ao vento". Da mesma forma que o seu sentido de humor implacável, depois de observar um par de atuações de Filippo Inzaghi, ditou a sentença : "Este rapaz deve ter nascido em fora de jogo".
Já estou a imaginar a próxima temporada da Premier League. Tudo bem , vai ter Mourinho. Mas será que podemos vivê-la sem Alex Ferguson? Lá poder, podemos. Mas nunca mais será a mesma coisa.
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07-05-2013 às 01h10
O FC Porto - Benfica vai mesmo ser o "jogo do título". Os dragões foram esperando, semana após semana, que o Benfica derrapasse. Os encarnados acabaram por sucumbir, provavelmente, na altura em que já não lhes passava semelhante hipótese pela cabeça. Por (muita) culpa própria e pelo fantástico trabalho de um Estoril, que confirmou a razão pela qual está na corrida a um lugar na Liga Europa. É verdade que a decisão do campeonato está em aberto, mas o cenário de hoje não é igual ao de uma semana.
Sobre o papel do Estoril já falaremos, até porque esta equipa de Marco Silva merece um destaque à parte. Olhando primeiro para o Benfica, são vários os motivos que explicam um empate comprometedor. Desde logo a tão propalada questão física, com um desgaste que era visível, mas sempre relativizado pela rotatividade aplicada por Jorge Jesus. No momento em que o técnico anuncia que não há mais rotação, porque estes três jogos (Estoril, FC Porto e Chelsea) eram decisivos, as águias ressentiram-se logo.
O Benfica entrou muito bem durante 20 minutos, mas descarregou as "baterias" naquele período. Teve duas excelentes ocasiões para marcar, não conseguiu, e essa ausência de vantagem no marcador tornou-se cada vez mais difícil de superar. Lima, numa noite de falta de inspiração absoluta, acertava no ferro ou atirava por cima, mesmo que tivesse a baliza à mercê. Foi o tempo exato para o Estoril começar a crescer e a passar do simples contra-ataque para o ataque organizado.
No entretanto, Enzo lesiona-se. Jesus opta por Carlos Martins (o que se revelaria um erro fatal), em vez de tentar, por exemplo, André Almeida, fazendo subir Matic. Ou lançar Ola John, derivando Gaitan para a zona central. A maior consequência foi o Estoril tomar conta das operações, perante um Matic, tipo pau-para-toda-a-obra, muitíssimo batalhador mas sujeito a um desgaste brutal.
Como se isto não bastasse, Artur estava - também ele - em noite nada recomendável. Comete um penálti (não assinalado), é altamente responsável pelo golo dos estorilistas e, num lance caricato, quase entrava com a bola na mão na sua própria baliza. Já depois do empate restabelecido, com a necessidade desesperada de chegar ao triunfo, o técnico encarnado sacrifica Melgarejo para lançar Rodrigo, só que o lado esquerdo dos encarnados ficou pouco melhor do que um buraco. Finalmente, Carlos Martins "acaba" com o jogo ao ser expulso, por evidente falta de senso de quem já tinha visto um cartão amarelo. Ora, todos estes fatores somados tinham tudo para a história correr mal. E correu.
Mas há mais. Uma equipa não joga sozinha. Acontece que a outra - o Estoril - joga bem e sabe o que faz. Marco Silva, o técnico revelação deste campeonato logo a seguir a Paulo Fonseca, referiu no final da partida que houve alguma desconsideração para com a sua equipa, ao dar-se como garantido que os três pontos iam ficar na Luz. Tem razão. Os méritos devem atribuídos a quem os tem. Tinha aqui escrito, depois da vitória encarnada na Madeira, que só uma catástrofe difícil de imaginar impediria que o Benfica vencesse os dois desafios em casa que lhe restavam. Não foi catástrofe, foi um ótimo Estoril e é minha obrigação reconhecer isto.
Passada a tal fase inicial de pressão encarnada, previsível, a aplicação do plano definido pelo técnico foi perfeita. E com a virtude de se ter sabido adaptar às incidências do desafio e capitalizá-las. Steven Vitória e Yohan Tavares foram figuras "centrais" na solidez defensiva, Jefferson tirou proveito da sua capacidade de execução, Gonçalo Santos foi importante numa zona crucial do terreno, Licá e Luis Leal causaram sistematicamente problemas à defesa encarnada e Vagner, uma vez mais, esteve irrepreensível. Consiga ou não, o facto é que a equipa da Linha tudo tem feito para justificar a presença europeia.
Posto isto, Benfica e FC Porto, invencíveis até agora, partem para as derradeiras duas jornadas com uma enorme interrogação sobre qual deles será campeão. Mas, desta feita, com a possibilidade de o decidirem frente a frente.
Colocado por mario.fernando em
06-05-2013 às 00h47
Se alguém dissesse, antes do início do campeonato, que a equipa do Paços de Ferreira estaria, quase no fecho da competição, a somente dois pontos de conquistar o acesso ao play-off da Liga dos Campeões, ninguém acreditaria e, provavelmente, uma hipótese daquelas até arrancaria alguns sorrisos. A questão é que o impensável é real. A equipa pacense, consiga ou não atingir a Liga milionária, confirma-se como a grande revelação da época. Uma temporada histórica.
O P.Ferreira é assim uma espécie de oásis no universo do futebol português. Um clube de pequena dimensão que tem as contas em dia, cumpre os seus compromissos fiscais e sociais, paga aquilo que pode - não entra em espirais de delírio, precisamente para ter a certeza de que paga - , sabe escolher os seus profissionais (técnicos e jogadores) e define metas que sejam exequíveis. Tudo isto parece simples, mas é caso mesmo muito raro. O caso de um presidente que não embarca em fantasias.
Mas o foco maior, porque é de futebol que se trata, vai para quem levou à prática todo um conceito. Um treinador, Paulo Fonseca, que já mostrou a sua competência e que, porventura, estará a construir aqui a sua rampa de lançamento para outros voos. E um lote de jogadores muito bem escolhidos, face às limitações financeiras, mostrando que nomes como Josué, Vitor, Luiz Carlos ou Cássio, por exemplo, podem fazer a diferença em determinados momentos fulcrais. Mas sempre como reflexo de um forte equilíbrio e solidariedade de grupo, como muito bem sintetizou Tony, o marcador do golo frente ao Sporting : "A nossa pressão é sermos felizes".
A duas jornadas do fim, o Paços chega a este ponto depois de ter derrotado a equipa de Alvalade. Ao contrário do que certamente há uns meses seria o mais provável, os leões nem jogaram mal. Esta equipa cresceu bastante, faz pela vida, e muitas vezes supera inclusivamente aquilo que pode dar. No entanto, o conjunto da Mata Real tem o seu plano de jogo muito bem definido e soube encaixar o seu trio de meio campo (a propósito, Luiz Carlos com mais uma grande exibição) de modo a condicionar as ações ofensivas que o outro trio (Rinaudo, André Martins e o regressado Schaars) pudesse desenvolver. O facto é que este foi um desafio com poucas oportunidades de golo, de parte a parte, em todo o primeiro tempo.
Acontece que a necessidade de atingir o objetivo europeu obrigou o Sporting a arriscar mais, sobretudo na segunda parte. Jesualdo fez o que lhe competia, apostando em Viola e Adrien Silva, juntando Carrillo pouco depois. Até poderia dar, mas as mudanças também tiveram os seus reflexos na forma como a zona intermédia passou a agir. Acresce que alguma falta de maturidade, manifestada no lance do golo pacense, fez o resto. Como sublinhou Rinaudo, uma simples desconcentração deitou tudo a perder.
Nada está encerrado para o Sporting. É certo que só faltam duas jornadas, mas a conjugação de resultados desta ronda até foi favorável aos leões (a quem convém, igualmente, a derrota do Estoril). Portanto, é apontar aos seis pontos em disputa, possíveis de conquistar, e aguardar que a tendência dos restantes concorrentes fica mais ou menos como está. O clube de Alvalade, num lento processo de reconstrução, também precisa do "selo" europeu.