Com Luís Freitas Lobo e João Rosado, sob a arbitragem de Mário Fernando

Às segundas, depois das 19h, com repetição depois da meia-noite.

Luís Freitas Lobo

Nasci em 1967. Em 1970, portanto, já estava presente para testemunhar as maravilhas de Pele, Jairzinho, Tostão e companhia no Mundial do México. Ainda não conseguia, no entanto, ver os jogos sob uma perspectiva táctica. Agora, como os tenho todos gravados na minha colecção particular de vídeos, vejo-os religiosamente. Como se viajasse no tempo e visse Puskas da mesma forma que hoje vejo Kaká. Para mim, mais do que cinco continentes e sete mares, o mundo é um infinito conjunto de campos de futebol com muitas casas á volta e desde 1998 que tenho procurado, em vários meios de comunicação, passar essa emoção. Porque, como gosto de dizer 'Quando um homem tem uma paixão, seja ela qual for, o melhor que tem a fazer é ir tratar dela!'
Da Revista Mundial e Publico, até ao Expresso e à sagrada A Bola, a Bíblia com que em menino aprendi a escrever lendo Mestres como Vítor Santos. Na rádio da Antena 1 à TSF, na televisão, da SIC Noticias até à RTP, onde hoje estou. Todos os dias penso em futebol. Por isso, em qualquer local, falo ou escrevo sobre futebol, partindo sempre da única forma que o entendo ser possível conceber: com emoção.

João Rosado

João Rosado nasceu em Évora, em 1970. É licenciado em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Entre 1988 e 1992 foi colunista no jornal «A Capital». Foi redactor no jornal «Record» entre 1992-1995 e 2003-2004. Entre 1995 e 2002, foi redactor e editor no jornal «O Jogo». De 2007 a 2012 foi colunista no jornal «Diário de Notícias. Foi comentador de futebol na «Antena 1» entre 1999 e 2000, na «Rádio Renascença» entre 2001 e 2004, na Sport TV entre 2001 e 2007. É comentador de futebol na SIC, desde 2007, e na antena da TSF desde 2004.

Mário Fernando

Jornalista há 27 anos passou a maior parte da vida profissional na rádio. Comercial, Renascença, RFM, Correio da Manhã e XFM até aterrar na TSF. Foi em 1995 e, três anos depois, passou a editor de Desporto. Até hoje. É um fanático por futebol, por isso, não tem paciência para a forma como os dirigentes tratam a coisa, ou seja, quando resolvem que os clubes deles é que contam e o resto é paisagem. Não é, mas isso eles jamais vão entender. No meio de tudo isto houve três reportagens que o marcaram: a primeira visita de Nelson Mandela a Londres depois da libertação e duas edições dos Jogos Olímpicos, Sidney2000 e Pequim2008. Curiosamente, nenhuma delas tem a ver com futebol.

Seguir o guião

Colocado por mario.fernando em 22-11-2014 às 00h22

Foi pouco mais que um jogo-treino. Mas numa Taça de Portugal em que uma equipa que participa na Champions defronta uma outra, amadora, do Campeonato Nacional de Seniores (na prática, a III Divisão), dificilmente será de esperar algo diferente do que um desfecho em goleada. O Sporting cumpriu a missão que lhe foi atribuída, o Espinho comportou-se com a dignidade que o seu estatuto permite.

Marco Silva aproveitou para rodar algumas peças que menos têm jogado ou que não são escolhas prioritárias. Chegou perfeitamente para as necessidades, como o técnico previa. Miguel Lopes pode acrescentar - é um jogador experiente e, com ritmo competitivo, uma opção válida - , Rosell e André Martins que, nesta altura, têm concorrência superior para a titularidade, puderam mostrar-se de outra forma, Carlos Mané (muito bem) e Capel afirmam-se como alternativas para qualquer eventualidade, e Montero afina a pontaria, algo importante para os leões que vão ficar sem Slimani em janeiro e fevereiro.

O jogo, não esquecer, era propício a um bom desempenho da equipa. Depois de uma primeira parte em que dominou muito e concretizou pouco, o Sporting ainda deparou com uma reação espinhense nos 15 minutos iniciais do segundo tempo (Boeck anulou a única oportunidade dos tigres), mas a maior capacidade técnica e coletiva acabaria por "atropelar" um adversário que fisicamente não durou mais de uma hora. Daqui até à goleada foi um passo rápido. Se a estratégia de Marco Silva era jogar com todos estes factores, tinha razão. E até deu para estrear o jovem Daniel Pondence, lançado no enquadramento adequado, isto é, numa partida que já estava resolvida.

Tudo previsível, portanto, sendo que agora vem um virar de página que obriga a outra abordagem. Não será este onze a enfrentar o Maribor, para a Liga dos Campeões, pelo que a maioria dos jogadores a escalar vai entrar em campo sem desgaste, no ataque a uma partida vital para as aspirações europeias do Sporting. Se quiserem, é o regresso à "realidade". A verdadeira realidade dentro da qual os leões se movimentam.


E...deu vitória

Colocado por mario.fernando em 19-11-2014 às 00h51

E não é que Portugal venceu a Argentina em Old Trafford? Quando já estavamos todos a pensar que ficariam ambos com o espírito de "noite cumprida" - não confundir com missão cumprida - , com um cachet de luxo para cada lado, Ronaldo e Messi a assinarem o ponto só 45 minutos, calcula-se que por combinação prévia, eis que Quaresma, em plenos descontos, cruza para a entrada de Raphael Guerreiro. Foi o golo e o triunfo mais de quatro décadas depois. Para o registo histórico é o que fica. Para quem quiser perceber mais, é simples : nada faria prever algo assim.  

1 - Ao contrário da tradição portuguesa, que considera os clubes como família e as seleções como aqueles parentes afastados que adoram o incómodo de nos visitar de vez em quando, eu não sou anti-seleções. Mas só aceito a sua lógica quando se trata de competição. O resto, por norma, é irrelevante. E piora quando nos vendem um grande cartel (como era o caso) e o produto final é abaixo do mínimo exigível. Este Portugal - Argentina foi fraquinho na primeira parte (e os sulamericanos dominaram quase como entenderam) e, na segunda, algo muito próximo de um bocejo.

2 - Fernando Santos diz que a seleção jogou mal nos 30 minutos iniciais, mas, com todo o respeito pelo selecionador, aquilo que eu vi foi uma montagem profundamente confusa. Um dia terá de haver uma escolha : é 4x4x2 ou é 4x3x3. Os dois modelos devem ser trabalhados (é recomendável que o sejam), mas tem de existir uma opção prioritária. O que parece é que Santos tem uma ideia na cabeça, mas não consegue encaixar as peças certas naquilo que pretende. O meio campo foi, desculpem o desabafo, um bocado salada. 

3 - Com Messi à direita do ataque, Tiago Gomes viu-se em palpos de aranha, porque ninguém dobrava à esquerda da defesa. Era suposto ser João Moutinho, mas a génese do equívoco estava na soma Tiago/André Gomes. Os argentinos cedo o perceberam e as consequências foram inevitáveis. Quase nunca pensaram em atacar pelo lado contrário, onde Nani fazia, bem, o seu papel. Em resumo, Messi e Di Maria andavam por ali sem grandes obstáculos. Valeu Pepe, imperial no período mais complicado da seleção.

4 - Depois do intervalo, já no 4x3x3, apesar do domínio continuado (mas atenuado) dos argentinos, Portugal revelou mais equilíbrio. Gaitan ainda ameaçou, mas o estado de graça de Fernando Santos prossegue sem ondas. Quatro suplentes construiram a vitória : Adrien, Éder, Quaresma e Raphael Guerreiro. É verdade que já vamos no terceiro jogo seguido sem sofrer golos, mas também é o terceiro em que o triunfo "pinga" ao cair do pano.

5 - Sobre o tal duelo de titãs, nem duelo, nem titãs. Messi foi claramente mais produtivo que Ronaldo, mas não se pense que houve direito a deslumbramento. Longe, muito longe disso. Continuo na minha : eu queria vê-los era frente a frente num Mundial. Assim... 


Jogo de génios

Colocado por mario.fernando em 17-11-2014 às 20h06

A descoberta de um caminho para a seleção continua em aberto. Depois de um triunfo "a contar" frente à Arménia - em condições muito peculiares - a equipa nacional vai defrontar a Argentina em palco neutro. O tal jogo apelidado de preparação, embora seja difícil ficar por aqui quando há Ronaldo de um lado e Messi do outro. Dois génios frente a frente que quase "ensombram" tudo o resto.

Este foi o assunto central do Jogo Jogado na TSF, analisando o que os primeiros desafios com Fernando Santos já trouxeram, mas principalmente o que ainda podem trazer. Ou melhor, devem.   


Desencalhar

Colocado por mario.fernando em 15-11-2014 às 01h44

Primeiro, uma palavra para Cristiano Ronaldo. Num jogo em que pouco lhe correu bem - até passes falhou, o que seria impensável, pelo menos para mim - voltou a estabelecer mais um recorde para a História. Foi ele que marcou o único golo da partida, mas nem é por isso. O capitão nacional tornou-se agora o melhor marcador de sempre em jogos dos Europeus de futebol, considerando o seu todo. Do ponto de vista individual, não vale a pena acrescentar mais nada. É dar-lhe outra Bola de Ouro.

Segundo, uma outra palavra para Quaresma. Pode não ser - e não é - um jogador fabuloso, mas pareceu ter entendido na seleção que a condição de suplente não é um calvário. Pelo contrário, a utilidade de quem salta do banco pode ser determinante numa partida de futebol, como lhe sucedeu na Dinamarca e, agora, frente à Arménia. Como o Quaresma de que falo é o mesmo que tem feito uma carreira errática nos clubes por onde tem passado, provavelmente (apenas provavelmente) o segredo estará em quem o dirige. Dir-se-ia que Fernando Santos sabe como lidar com o jogador. Se assim for, ainda bem. Já "esteve" em seis pontos, o que dá imenso jeito.

Posto isto, houve o jogo. Temo que as coisas não mudem muito daqui para a frente, do ponto de vista exibicional, mas creio que o fundamental, ir ganhando - nem que seja à tangente -, também se irá conseguindo. Portugal vai estar no Europeu (outro cenário seria um escândalo), embora a caminhada dificilmente possa ser muito distinta do que se viu no Algarve. Há muito acerto para fazer, modelos para definir, escalonamenrto de peças a realizar, enfim, um número ainda significativo de transformações para que a seleção chegue a França com alguma legitimidade para reclamar uma candidatura. Pelo menos, essa é a intenção assumida pelo selecionador.

Perante uma Arménia que, já se sabia, iria ter uma linha defensiva de cinco homens, com mais quatro à frente e um só elemento mais adiantado, Fernando Santos arrumou a equipa quase num 4x2x4, deixando o meio campo entregue a Tiago e João Moutinho, e tentando usar os laterais (Raphael Guerreiro, que se mostrara a grande nível nos sub21, merece ser seguido com a devida atenção) como complementos de uma ação ofensiva que, esperava-se, rompesse a muralha da China que os arménios levaram para o Algarve.

Não deu, aliás, não foi dando, porque a concentração de jogadores na área adversária não possibilitava ao eixo Bosingwa/Nani nem ao Raphael/Ronaldo, nem tão pouco a Danny ou Postiga (mais João Moutinho quando subia), na zona central, um palmo de terreno livre para abrir espaços à concretização. Pode dizer-se que, no entretanto, o árbitro passou ao lado de duas grandes penalidades, mas uma grande seleção não pode ficar dependente dos humores arbitrais. Só muito mais tarde, já com Quaresma em campo e Nani em terrenos interiores se abriram algumas nesgas, que geraram situações de maior aperto e, inclusive, o tal golo solitário.

Claro que este foi um desafio atípico, dos tais em que a única preocupação de quem procura a vitória é tentar descobrir um buraco no labirinto. O problema é que Portugal habilita-se a ter mais partidas destas durante a qualificação. E creio que Fernando Santos terá de inventar novos sistemas em função dos antagonistas, antes de assentar naquilo que realmente quer. Depois do losango em Copenhaga, agora foi preciso uns "gajos" a atirar ao alvo e um "pau" para desencalhar o andamento. O próximo jogo a contar, com a Sérvia, possivelmente, já não poderá ser nem uma coisa nem outra.


Jogo de peças

Colocado por mario.fernando em 10-11-2014 às 20h03

Passada uma jornada de Champions em grande, as três principais equipas da Liga portuguesa regressaram às incertezas. Tanto Benfica, que até ganhou, como FC Porto e Sporting deixaram mais interrogações sobre o modo como se gerem a si próprias. 

Mudar o xadrez, nomeadamente na zona nevrálgica do meio campo, é uma necessidade ou uma fatalidade? Foi este o ponto central do Jogo Jogado desta semana na TSF.   


Jornada non-stop

Colocado por mario.fernando em 10-11-2014 às 01h34

Numa jornada pouco comum, com os três grandes a jogarem no mesmo dia em regime non-stop, FC Porto e Sporting perderam terreno para o Benfica. E para o V.Guimarães, já agora, o tal partner a quem poucos ligam, mas que continua o seu caminho, indiferente ao que pensam dele. Quanto aos três grandes, não houve motivos para grandes celebrações, nem mesmo para as águias, que só podem agarrar-se à componente contabilística. Vamos por ordem de entrada em cena.

1 - Jorge Jesus pode alegar o desgaste da Champions (se bem que o jogo com o Mónaco tivesse sido muita coisa, mas intenso não), simplesmente a exibição do Benfica na Madeira ficou largos furos abaixo do que seria necessário. E voltou a mostrar que a questão do meio campo não está encerrada. Enzo a "6" e Talisca a "8", com a dupla Jonas/Lima na frente trouxe problemas vários na zona central do terreno, algo que o Nacional foi aproveitando à sua medida. Depois, as poucas oportunidades criadas foram desaproveitadas, algumas delas inexplicavelmente.

A exposição da equipa, face à sua baixa intensidade global, e os desequilíbrios que a sua construção apresenta, fazem com que o Benfica corra riscos e, por vezes, pareça não conseguir ir além dos mínimos olímpicos. Não fosse o erro do auxiliar de Bruno Paixão, ao anular um lance legal de Marco Matias, talvez os encarnados a esta hora estivessem noutro quadro. Porque, em rigor, não fizeram o suficiente para se porem a salvo de qualquer precalço. As águias vão ganhando, embora a tal "consistência", revelada na época transacta, continue longe. Há diferenças qualitativas, mas mais do que isso uma enorme incógnita sobre o modo como tal vai evoluir.

2 - Há uma frase de Marco Silva que vale a pena reter : "Com um objetivo tão claro como o que se assumiu (o título) é natural que haja ansiedade". Por este ou outro motivo, o facto é que o Sporting entrou mal no desafio de Alvalade, na exata medida em que o P.Ferreira entrou bem. Paulo Fonseca desmontou parte da "chave" de Marco Silva ao anular a zona central dos leões, reduzindo o eixo Slimani/João Mário a uma quase inactividade (mérito de Sérgio Oliveira e Seri), que teria sempre consequências mais atrás, em Adrien e William Carvalho. A primeira parte do desafio é dos pacenses com direito a golo, aliás, mais um passe a rasgar entre a defesa leonina, situação que não é inédita.

Com as entradas de Montero e Carlos Mané, o técnico dos leões passou ao plano B, um 4x4x2 que mudou profundamente a face do jogo. O fantástico golo de Montero ajudou ao reequilíbrio emocional (que estava a abanar) e provocou o duplo efeito de motivar os leões e de retrair o Paços. O Sporting cresceu, primeiro, agigantou-se, depois - a partir do momento em que passou a jogar contra dez - e pode ficar a dever a si próprio não ter resolvido tudo rapidamente, com tanta oportunidade falhada, até escandalosamente (Slimani de baliza aberta). Para cúmulo ainda houve a decisão do auxiliar de punir a movimentação do argelino (em posição irregular) num golo de Montero (em situação absolutamente legal).

3 - Uma vez mais, as individualidades do FC Porto deram cartas, quando os dragões estavam à beira do precipício em que um Estoril batalhador os colocara. Desta feita foi Oliver quem saltou do banco para salvar os portistas da primeira derrota no campeonato. Bem pode Lopetegui dizer que a sua equipa teve uma mão cheia de oportunidades para ganhar o jogo, o que, sendo verdade, não altera a questão de fundo : só na segunda parte, quando a equipa de José Couceiro quebrou fisicamente, o FC Porto teve algum campo de manobra. E, mesmo assim, até esteve a perder a dez minutos do fim, perante um Estoril que há apenas três dias estava a jogar...na Rússia.

O técnico espanhol ensaiou um 4x4x2 no pressuposto de que era o antídoto adequado para esta partida, só que Adrian Lopez é um peixe fora "daquela" água e nem sei bem de que forma pode ser aproveitado naquela equipa. Pondo de lado a qualidade superior de Brahimi e os raids de Quaresma que, quando está para aí virado, é capaz de assinar, pouco mais se viu na primeira metade. E, na segunda, fiquei intrigado com o esvaziamento a que Herrera foi obrigado após a saída de Casemiro. As entradas de Quintero e Aboubakar pouco deram, sendo que Lopetegui só acertou à terceira, o tal Oliver.

4 - O campeonato vai de férias e continua sem se ver qualquer dos candidatos com uma equipa totalmente moldada e estruturada, no sentido de indiciar que, a qualquer momento, vai "descolar". O facto é que estamos quase no primeiro terço da prova e há muito mais dúvidas do que certezas. Provavelmente, as próximas jornadas ainda nos vão reservar mais surpresas. Para qualquer dos lados. 

                


Azul forte, verde vivo

Colocado por mario.fernando em 06-11-2014 às 02h09

1 - Fazer o pleno de vitórias numa só jornada da Liga dos Campeões é algo de que poucos países se podem gabar. Portugal conseguiu-o e, para lá disso, colocou por antecipação uma equipa nos oitavos de final - o FC Porto -, reabilitou outra de forma clara - o Sporting - e deixou uma terceira - o Benfica - com a possibilidade de continuar a tentar o apuramento. Depois da Luz, agora Bilbao e Alvalade registaram dois triunfos que têm tanto de inquestionáveis como de merecidos. Por caminhos distintos, com incidências diferentes, mas absolutamente justos.

2 - Lopetegui despachou com uma antecedência de duas jornadas um dos seus problemas imediatos. Falta-lhe confirmar o primeiro lugar no grupo (talvez o possa fazer na próxima jornada), mas o FC Porto deu uma demonstração de grande rigor frente ao Athletic. Desta vez com Oliver e Hererra no meio campo e Tello como a "surpresa" na frente da ataque, o facto é que os dragões controlaram o adversário do princípio ao fim. Danilo voltou a ser figura, e não fosse o desperdício de Jackson, incluindo até uma grande penalidade, a partida poderia estar decidida ao intervalo.

Só que, como aqui referi várias vezes, a componente individual é o tal suplemento a que os dragões recorrem quando o coletivo não consegue desbloquear até aquilo que parece inevitável. Brahimi foi o tal joker, uma vez mais com um desempenho brilhante, estando nos dois golos, mas também em tudo o resto que os portistas fizeram de melhor. Ganhar em San Mamés não é tão óbvio como se possa julgar, mesmo com o Athletic numa fase pouco recomendável. Só que o FC Porto foi bastante melhor.

3 - O Sporting também triunfou, mas num quadro não semelhante. Este jogo com o Schalke seguiu-se a Guimarães - com tudo o que daí derivou, sobretudo do ponto mais alto da hierarquia - e ainda trazia na memória a polémica de Gelsenkirchen. Um desafio muito delicado, mais do ponto de vista emocional do que do desportivo. Os leões deram a resposta. Afinal, aquela equipa não pode ser questionada assim com tanta leveza. As reações de Marco Silva - "liberto" no banco - aos golos dos seus jogadores são imagens que dispensam qualquer comentário.

As coisas correram bem ao Sporting, mas a equipa fez muito por isso. Reagiu como lhe competia à desvantagem (de autogolo), fechou bem a primeira parte e abriu ainda melhor a segunda. Teve em Nani e Adrian a força do costume, Jefferson regressou em grande plano, viu Rui Patrício sacar a bola dos pés de Obasi num momento vital do encontro (negou o empate que poderia reverter tudo) e, depois, "matou" o jogo quando os alemães, à beira do fim, ainda reduziram para 3-2. E taticamente Marco Silva bateu Di Matteo em quase todos os períodos do desafio. O timing de entrada de Carrillo, por exemplo, foi fatal.

4 - Há agora alguma curiosidade em saber como irá Lopetegui capitalizar a qualificação do FC Porto. Pelo menos até ao final do ano fica com outra margem de gestão da equipa, podendo focar-se sem condicionantes no ataque ao campeonato. Por outro lado, recuperada a autoestima, vamos verificar o que ainda pode realizar o Sporting na Champions, sendo que um triunfo sobre o Maribor, em Alvalade, lhe assegura a Liga Europa.


Seguir a luz

Colocado por mario.fernando em 05-11-2014 às 01h30

1 - O que fica de mais importante do primeiro desafio ganho pelo Benfica na Champions é mesmo o aparecimento da tal luz ao fundo do túnel. Ninguém se qualifica para os oitavos sem vencer vários jogos e os encarnados, neste aspeto, estavam em branco a meio da caminhada. Mas a luz é muito relativa, pois a única maneira de garantir o apuramento é mesmo bater os adversários nas partidas que faltam. Chegar aos oito pontos pode dar...ou não. Pergunta : é este Benfica capaz de derrotar o Zenit, em S.Petersburgo, e o Leverkusen, na Luz, obrigatoriamente? O jogo com o Mónaco deixou algumas pistas para esse futuro próximo, mas poucas certezas.

2 - O Benfica acabou por vencer, outra vez com Talisca a desatar o nó da ineficácia, numa partida sem muitas oportunidades de golo, como se calculava que não tivesse. O Mónaco pode não ser - e não é - uma equipa de nível, mas sabe defender como poucas, porventura, a única coisa que sabe fazer bem. De tal forma que foram desvios "impensáveis" de Raggi e Ricardo Carvalho que negaram a Gaitan e Lima os golos que "já se viam" no fundo da baliza monegasca. Para lá disto, duas enormes defesas , uma para cada lado (Subasic e Júlio César muito bem), resumiram o que deu de mais notório a partida.

3 - Percebe-se que Jesus, sabendo que uma falha neste duelo implicava o fim da linha na prova, fosse prudente na abordagem. O tal Benfica pressionante e intenso, de trocas posicionais rápidas, foi substituído por outro menos criativo e mais calculista. As dificuldades foram evidentes, mesmo com uma primeira parte melhor do que a segunda. O corredor direito foi o mais utilizado, reflexo das condicionantes do lado contrário, desde logo pela condição física de Gaitan (e bastante se esforçou, honra lhe seja feita), mas também porque André Almeida será sempre a alternativa de emergência para aquele lado e nunca a prioridade.

4 - A meia hora inicial do segundo tempo mostrou o risco permanente em que a equipa encarnada viveu. Foi o período em que o Mónaco pensou que poderia chegar um pouco mais longe, fazendo os encarnados passarem por algumas aflições, com Carrasco e Traoré em destaque. Mas depois - e esta outra face foi determinante - o derradeiro quarto de hora fez com que o Benfica interiorizasse que, ou era naquela altura, ou nunca mais seria. E aquilo que parecia ser uma debilidade transformou-se num último apelo à sua capacidade de sobrevivência. Funcionou, mas na Champions não há outra maneira de vencer sem ser pela superação.

5 - O Benfica partiu atrasado na corrida aos oitavos da Liga dos Campeões. Jorge Jesus nunca enfatizou a necessidade de lutar por um lugar, ficando refém da sua própria declaração inicial, ao afirmar que, neste grupo, qualquer um podia ser primeiro ou último. Daí que não tenha definido um só jogo como "decisivo", deixando o calendário arrastar-se. Cada um terá as suas perspetivas - e o técnico encarnado tem direito às suas -, mas penso hoje, como pensava antes, que o lugar do Benfica é entre a elite e não no meio das "sobras" da Liga Europa. Lopetegui já o assumiu e até Marco Silva se recusa a atirar a toalha ao chão, mesmo estando numa classificação mais difícil. O apuramento encarnado é complicado, mas tentar é mais do que uma obrigação.  

6 - Bem sei que esta conversa sobre os auxiliares de baliza é chover no molhado. Oscilam entre decisões que só eles veem e não-decisões sobre o que acontece à frente deles. Naquele lance protagonizado por um jogador do Mónaco com Jardel na área encarnada, quase garanto que o raciocinio do senhor da linha de fundo terá sido algo como isto : acho que talvez haja falta primeiro, acho que há mão depois, portanto, uma coisa deve anular a outra, segue para canto. E diz o sr. Platini que este é o caminho...


Jogo europeu

Colocado por mario.fernando em 03-11-2014 às 20h09

Lá volta a Champions e numa semana de decisões para as três equipas portuguesas, ainda que em enquadramentos diferentes. Foi este o tema de fundo do Jogo Jogado na TSF.

O Sporting, depois da primeira derrota do campeonato, seguida de uma contundente reprimenda pública de Bruno de Carvalho, recebe um Schalke 04 com o qual precisa de acertar contas (em vários sentidos) ; o Benfica joga frente ao Mónaco muito da sua sobrevivência na Liga dos Campeões da época; e o FC Porto, menos pressionado que os outros dois "mosqueteiros" nacionais, tem um obstáculo muito peculiar em Bilbao.


O rei do Castelo

Colocado por mario.fernando em 02-11-2014 às 02h07

1 - Rui Vitória tinha dito na véspera do jogo com o Sporting qualquer coisa como "queremos ser uma equipa contra 11 jogadores". Não sei se era apenas um desejo ou se o técnico do V.Guimarães tinha mesmo criado uma estratégia para que o jogo decorresse exatamente daquela forma. Seja como for, a história foi precisamente aquela. Grande exibição dos vimaranenses perante um Sporting que "não esteve" no D.Afonso Henriques, porque o Vitória não o permitiu. No Castelo só mandou o rei. E o resultado nada tem de exagerado. Em rigor, pelo contrário.

Permitam-me colocar em primeiro plano esta formação de Rui Vitória, porque estamos a lidar com um caso singular no campeonato português. Está apenas a dois pontos do líder, já travou FC Porto (empate) e Sporting, e é uma equipa constituída por vários elementos repescados na formação da casa e no Campeonato Nacional de Seniores, que, para não variar, foram alvo de um trabalho notável de um técnico que continua a fazer milagres época após época. Do onze titular da temporada anterior só sobram dois.

Não faço ideia onde pode chegar o V.Guimarães - seria uma tolice exigir-lhe a lua - , mas quem tem André André, um motor de alta rotação, o criativo Bernard, Hernâni (que parecia supersónico ao lado de Jonathan), para não falar das chamadas de emergência de Assis, Josué e João Afonso (convém lembrar que não podiam utilizar a experiência de Douglas, Moreno e Defendi), pode manter uma certa cadência e aspirar a um lugar de honra.

Depois, houve um Sporting sem ideias e sem a menor capacidade de resposta às questões que o jogo lhe colocou. Na primeira parte o meio campo foi "trancado", com William sem saber que opções tomar, João Mário sem qualquer aproveitamento entre linhas e Adrien perdido nos seus próprios esforços. Como, desta vez, Nani não teve hipótese de conduzir fosse o que fosse, o "assalto" à área leonina foi inevitável. Como se isto não bastasse, surgiram dois golos na sequència de cantos - no segundo, João Afonso parte de posição irregular - confirmando as fragilidades defensivas que, de resto, são referidas desde o início da temporada. Vejam quantos golos sofreu o Sporting só nas últimas três partidas.

Marco Silva fez o que lhe competia, ao intervalo, lançando Slimani e Capel virando para 4x4x2. Mas até nisto Rui Vitória parecia ter tudo ensaiado. O Vitória adaptou-se ao novo quadro, escolheu o caminho do contra ataque, e a verdade é que o resultado podia ter assumido outros números, se nos recordarmos das duas enormes defesas de Patrício, e dos remates de Hernâni, um a rasar o poste e o outro em cheio no ferro.

Posto isto, falta saber de que maneira vai o Sporting ultrapassar este desaire. Continuo a pensar que, da mesma forma que a equipa leonina não era um dream team, também não é o desastre que se viu em Guimarães. Do lado do campeonato o cenário está a tornar-se difícil para um assumido candidato ao título, porque não é unicamente a distância para o líder a questão de fundo : é também o atraso para o segundo e para o terceiro, isto é, a existência de três barreiras para o topo. Vejamos como reage a equipa na Champions. Este é um momento vital para o Sporting definir o seu próprio futuro.

2 - Quando Brahimi, em mais uma demonstração de enorme classe, selou a vitória portista sobre o Nacional, ficou vincado aquele que continua a ser o maior trunfo desta equipa de Lopetegui : o valor intrínseco das suas individualidades. Isto não significa que, do ponto de vista coletivo, o FC Porto seja irrelevante, mas ainda continua a ser o individual a pesar na resolução dos problemas, maiores ou menores. Qualidade não falta e, em partidas como esta - sem desprimor pelo voluntarismo dos madeirenses - , o desfecho dificilmente poderia ser outro.

Diga-se que os dragões voltaram a entrar muito bem no jogo e a repetir os 20 minutos de grande nível "do costume". Um golo de vantagem, mais uma ou outra boa oportunidade (com Rui Silva a responder em bom plano) e, depois, o emergir de algo que, porventura, seria sempre uma possibilidade face ao modo com o técnico espanhol montou a equipa.

Apostar no meio campo em dois homens de vocação (criativa e) ofensiva, como Óliver e Quintero, juntando-lhes as subidas dos laterais - e Danilo voltou a estar em grande destaque - , transformou o FC Porto num conjunto com um evidente apetite pelo ataque, mas deixou algumas pontas soltas atrás. Casemiro "colava" aos centrais e, como sucedeu na primeira parte, umas simples perdas de bola levaram a que Rondon e Marco Matias obrigassem Fabiano a trabalho extra. Aliás, é isto que leva Lopetegui, mais cedo do que certamente pensaria, a trocar Quintero por Herrera para evitar perder o controlo do jogo. E resultou. 

Tirando isto (uma matéria para outro tipo de reflexão), o facto é que o FC Porto justificou somar mais três pontos e é, nesta altura, a única equipa que ainda não perdeu no campeonato. Com mais ou menos rotatividade, independentemente das vantagens e desvantagens que daqui derivam, Lopetegui está a conseguir o seu objetivo central. Voltou a vencer bem e também voltou a relevar a qualidade das opções de que dispõe. Ter Herrera e Tello no banco (Aboubakar entrou, fundamentalmente, para poupar uns minutos a Jackson), só por si, diz tudo.

Ainda é cedo para se conferir o que mais dará este FC Porto, mas para já é certo que vai fazendo o seu percurso na exata medida daquilo que o seu treinador pretende. E, sobretudo, muito atento ao que a concorrência consegue. Ou não.



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