Com Luís Freitas Lobo e João Rosado, sob a arbitragem de Mário Fernando

Às segundas, depois das 19h, com repetição depois da meia-noite.

Luís Freitas Lobo

Nasci em 1967. Em 1970, portanto, já estava presente para testemunhar as maravilhas de Pele, Jairzinho, Tostão e companhia no Mundial do México. Ainda não conseguia, no entanto, ver os jogos sob uma perspectiva táctica. Agora, como os tenho todos gravados na minha colecção particular de vídeos, vejo-os religiosamente. Como se viajasse no tempo e visse Puskas da mesma forma que hoje vejo Kaká. Para mim, mais do que cinco continentes e sete mares, o mundo é um infinito conjunto de campos de futebol com muitas casas á volta e desde 1998 que tenho procurado, em vários meios de comunicação, passar essa emoção. Porque, como gosto de dizer 'Quando um homem tem uma paixão, seja ela qual for, o melhor que tem a fazer é ir tratar dela!'
Da Revista Mundial e Publico, até ao Expresso e à sagrada A Bola, a Bíblia com que em menino aprendi a escrever lendo Mestres como Vítor Santos. Na rádio da Antena 1 à TSF, na televisão, da SIC Noticias até à RTP, onde hoje estou. Todos os dias penso em futebol. Por isso, em qualquer local, falo ou escrevo sobre futebol, partindo sempre da única forma que o entendo ser possível conceber: com emoção.

João Rosado

João Rosado nasceu em Évora, em 1970. É licenciado em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Entre 1988 e 1992 foi colunista no jornal «A Capital». Foi redactor no jornal «Record» entre 1992-1995 e 2003-2004. Entre 1995 e 2002, foi redactor e editor no jornal «O Jogo». Desde 2007 é colunista no jornal «Diário de Notícias. Foi comentador de futebol na «Antena 1» entre 1999 e 2000, na «Rádio Renascença» entre 2001 e 2004, na Sport TV entre 2001 e 2007. É comentador de futebol na SIC, desde 2007, e na antena da TSF desde 2004.

Mário Fernando

Jornalista há 27 anos passou a maior parte da vida profissional na rádio. Comercial, Renascença, RFM, Correio da Manhã e XFM até aterrar na TSF. Foi em 1995 e, três anos depois, passou a editor de Desporto. Até hoje. É um fanático por futebol, por isso, não tem paciência para a forma como os dirigentes tratam a coisa, ou seja, quando resolvem que os clubes deles é que contam e o resto é paisagem. Não é, mas isso eles jamais vão entender. No meio de tudo isto houve três reportagens que o marcaram: a primeira visita de Nelson Mandela a Londres depois da libertação e duas edições dos Jogos Olímpicos, Sidney2000 e Pequim2008. Curiosamente, nenhuma delas tem a ver com futebol.

Jogo à Champions

Colocado por mario.fernando em 15-09-2014 às 20h03

A caminhada europeia dos três grandes do futebol português começa agora. Um regresso importante de um trio que, por diferentes razões, vai aproveitar a Liga dos Campeões para tentar proventos desportivos e, vital, financeiros.

Foi com este cenário no horizonte que o Jogo Jogado, desta semana, na TSF abordou o momento de Benfica, Sporting e FC Porto. Que não pode desligar-se de uma jornada do campeonato em que apenas as águias ganharam, o que levou também à interpretação do que pode estar melhor e pior em qualquer uma delas.


O primeiro problema

Colocado por mario.fernando em 15-09-2014 às 00h04

Existia a ideia de que a deslocação a Guimarães seria o teste mais difícil ao FC Porto no campeonato, até esta altura. Confirmou-se. Dominar muito, mas sem grande esclarecimento, tornou-se complicado perante um Vitória que mostrou, uma vez mais, que o excelente arranque de temporada não é obra do acaso. Golos de penálti, polémica com a arbitragem e pontos repartidos. Houve de tudo num jogo que já se previa intenso em todos os sentidos.

Não é que fosse uma surpresa, mas a equipa vimaranense entrou bem na partida, com André André e Bernard a vincarem a importância que têm na formação de Rui Vitória. Pressionante e a aproveitar bem o facto do meio campo portista denotar um funcionamento abaixo do exigível, com Casemiro longe de se confirmar como o médio defensivo ideal, Ruben Neves muito discreto e até Herrera sem particular inspiração. Acresce que Quintero e Brahimi são jogadores com natural apetência para derivarem para zonas interiores e, por esta via, apenas o argelino se mostrou capaz de responder às exigências. Jackson acabava "apagado" neste contexto.

Durante meia hora vigorou o equilíbrio, com a bola a ir poucas vezes às áreas, até que o desafio foi interrompido por causa de problemas nas bancadas. Quase sete minutos de paragem que parecem ter retirado fôlego aos vimaranenses, se bem que o resto do primeiro tempo, embora com maior ascendente portista, nada modificou em relação às deficiências que os dragões patentearam antes.

Lopetegui percebeu que dificilmente a situação iria melhorar. É com a entrada de Evandro que, finalmente, o FC Porto começa a ter alguma ordem na organização de jogo, sempre com Brahimi em papel de destaque, possibilitando que Jackson começasse a ter outro tipo de ação na zona nevrálgica do ataque. Só que os portistas, embora conseguindo encostar o adversário no seu meio campo, acentuaram o domínio com muita posse de bola, mas com a inconsequência que se vira noutras alturas.

Vem o golo inaugural, de penálti, e Lopetegui troca Quintero por Tello. Vem o golo do empate, de penálti, e Lopetegui resolve esperar. Pensou, eventualmente, que tinha tempo suficiente (cerca de 20 minutos) para desfazer a igualdade. É certo que isso até sucedeu, no tal lance anulado a Brahimi por um suposto fora-de-jogo (estava em linha), mas a verdade é que o técnico espanhol só arrisca Aboubakar ao minuto 89, depois de ter visto Jackson falhar por duas vezes em lances de concretização na pequena área vimaranense. E, repare-se, Quaresma nem sequer foi equacionado para saltar do banco em momento algum.

No fim, Lopetegui vem falar da arbitragem, centrando as criticas, sobretudo, no golo anulado a Brahimi. Salvaguardou que os árbitros também erram como qualquer humano, mas a intervenção não deixou de apontar ao alvo e trazer a polémica para o centro da discussão. Paulo Batista passará a ser o único tema em agenda, como é crónico sempre que sucedem casos deste género.

Acontece que, independentemente das razões que lhe assistam, o FC Porto fica a dever a si próprio boa parte do desfecho do jogo. Há ainda muito trabalho pela frente, porque um bom plantel não gera automaticamente uma equipa poderosa. Lopetegui dispõe de valores individuais muito apreciáveis, mas a aplicação de mecanismos devidamente articulados ainda está longe. Sobretudo no meio campo, cuja arrumação definitiva levanta algumas incógnitas. Tal como a ação concreta dos alas e o "abastecimento" de Jackson.

Já se compreendeu que chega para a generalidade das equipas do campeonato, mas poderá ser mais problemático quando surgem aquelas, como o V.Guimarães, cuja disciplina tática (e bons executantes) obriga a que os dragões sejam mais assertivos em todas as zonas do terreno. O regresso da Champions é um momento que pode ajudar a esclarecer parte das interrogações.  


Os embaraços do leão

Colocado por mario.fernando em 14-09-2014 às 01h37

À quarta jornada, o Sporting soma o terceiro empate. Aquele que não estava nos planos, pois foi o primeiro em casa. Até agora, a igualdade na Luz tinha sido moralizadora, e a de Coimbra, em jogo de abertura, ainda nada atrapalhava. O campeonato é longo - e este mais do que os anteriores - , portanto, retomar os triunfos na receção ao Belenenses seria uma linha de continuidade normal. Não foi e, desta vez, expôs algumas questões que estavam pendentes.

Em primeiro lugar, a equipa leonina só pode queixar-se da sua incapacidade para ultrapassar as barreiras que Lito Vidigal lhe colocou à frente. Não vale a pena ter ilusões, porque um candidato ao título vai deparar-se com este tipo de obstáculo em, pelo menos, dois terços dos desafios. Clamar contra os "autocarros" é pura perda de tempo e, para além disso, a admissão de que não sabe como resolver o problema. Pior ainda quando quem está do outro lado não se limita a defender, conseguindo desdobrar-se em lances de contra-ataque com razoável eficácia, aproveitando o adiantamento do setor mais recuado ou, até, o deficiente posicionamento. O Belenenses foi a Alvalade fazer as duas coisas.

É inegável que o Sporting criou oportunidades mais do que suficientes para vencer o jogo, mas, como reconheceu Marco Silva, existe um problema sério de finalização que, aliás, tem marcado todo o campeonato dos leões até este momento : média de um golo por partida, lembrando que dois dos adversários foram Arouca e Belenenses, ambos em casa. A equipa leonina faz quase tudo bem até à área, só que no momento da decisão há sempre algo que corre mal.

No caso, houve uma grande responsabilidade de Matt Jones - quatro enormes defesas - , mas há também o resto. Slimani, que já fizera esquecer Montero, registou uma noite de desinspiração absoluta, desaproveitando boa parte do trabalho de Nani, nomeadamente em dois lances de classe do internacional português, que mereciam conclusões bem diferentes. E mesmo os ensaios de meia-distância (William Carvalho) nem ao alvo chegavam. O preocupante para Marco Silva - e ele teve a honestidade de não disfarçar - foi o Sporting só ter conseguido marcar na sequência de um erro primário de Bruno China, que "assistiu" Carrillo.

A outra questão pendente diz respeito ao modo como os leões defendem. Pode dizer-se que a ausência de Rojo não é determinante, mas não foi por acaso que, na época passada, se falava dele como um dos pilares de referência da equipa. Hoje, o Sporting mostra que ainda tem muito para acertar numa equipa que joga, por inerência do seu estatuto, balanceada para o ataque. O golo sofrido é um erro crasso, que também contribuiu de forma decisiva para o empate. Aliás, um segundo erro, simplesmente, no primeiro, Sturgeon atirou ao lado, depois de bater Sarr ao sprint. E já quase no final foi Patrício a evitar que outro lance semelhante desse em golo.

Falta ainda referir o outro ponto a que aludiu Marco Silva : a falta de experiência de vários jogadores em lidar com a ansiedade, o que, na partida com os do Restelo, mais acentuou o domínio da emoção sobre a razão nos 15 minutos finais. É uma evidência que o técnico já percebeu que precisa trabalhar para que situações destas não se repitam. Na temporada passada, um dos trunfos que os leões apresentavam era precisamente o facto de não se deixarem afetar por resultados adversos, tendo muitas vezes conseguido invertê-los graças a uma notável serenidade. Agora, já não é bem assim, e começa a ser legítimo interrogarmo-nos se a obrigatoredade de lutar pelo título - ao contrário da época anterior - não estará a deixar marcas.

Não foi um jogo muito estimulante para uma equipa que vai iniciar a campanha na Liga dos Campeões e logo com uma partida fundamental. Se o Sporting fosse jogar a Inglaterra ou Alemanha a pressão seria infinitamente menor. Acontece que o adversário é o Maribor, exatamente aquele com o qual a equipa leonina não pode desperdiçar pontos. Assim saiba Marco Silva centrar o foco dos jogadores, tirando-lhes da cabeça o precalço no campeonato.  


Uma goleada tranquila

Colocado por mario.fernando em 13-09-2014 às 01h16

Ver o Benfica ganhar a este V.Setúbal nada tem de surpreendente, mas por uma diferença de cinco golos sim. A partida do Bonfim foi bastante mais fácil para as águias do que se calculava, porque os encarnados foram eficazes como lhes competia, enquanto os sadinos falharam em toda a linha no processo defensivo. Foi tudo tão evidente que, no fim, ambos os treinadores convergiram nas opiniões.

É certo que o Vitória entrou bem no jogo, mas aquela execução primorosa de Salvio no golo inaugural, à beira dos dez minutos, rapidamente desvaneceu a vontade setubalense. O peso dos valores individuais é, normalmente, determinante nestes duelos entre equipas cuja média qualitativa é muito diferenciada, e esta partida não fugiu à regra. Domingos Paciência contava com a velocidade de Zequinha, Manu e Giovani para tirar proveito de alguns contra-ataques, mas tal só funcionou uma única vez durante toda a primeira parte, num lance mal anulado por João Capela. Poderia ter sido o empate, daí o erro grave, só que há outro facto indesmentível : antes e depois daquele lance, o Vitória nem incomodou Artur.

Todo o resto do encontro foi Benfica. Com um dado relevante : o elevado índice de eficácia demonstrado nos 45 minutos iniciais. Em quatro oportunidades os encarnados concretizaram três, aproveitando de forma implacável os deslizes, alguns primários (reveja-se o segundo golo), da defensiva do Vitória. Com uma cadência destas e um controlo total da partida, só um milagre salvaria os sadinos da derrota e da goleada. Nem mesmo o 3x5x2 adoptado por Domingos na segunda parte serviu para alguma coisa, como facilmente se entendeu no quarto golo, quando Gaitan desequilibrou toda a zona central do terreno. No meio disto, Talisca emergiu como a figura da noite, o homem do hat-trick.

Talisca vem sendo, desde que chegou ao Benfica, uma aposta preferencial de Jorge Jesus. É um jovem com muito para "crescer", sobretudo no que diz respeito ao sentido posicional. Acontece que Talisca beneficia do facto de vir "em rodagem" desde Janeiro, logo, com um andamento que vários dos seus parceiros ainda não têm por estarem nos primórdios da temporada. Aos poucos, começa a mostrar serviço. Não sei se Jesus irá "fazer uns milhões" com ele daqui a uns anos, como o técnico projeta. Por ora, estou mais curioso em ver o que fará no imediato, após a chegada de Jonas.

No Bonfim, até houve oportunidade para estrear Cristante, juntamente com Samaris. Dá para perceber que Jesus não os considera incompatíveis, mas é muito cedo para tirar outro tipo conclusões. Da mesma forma que usar Samaris com Enzo - opção prioritária desta vez - é algo que necessita de clarificação em futuros jogos. O grego deu boas indicações, mas está em clara fase de ambientação a uma lógica de jogo. Além de que Enzo não se encontra ainda no seu patamar normal, pelo que a articulação entre ambos só pode ser aferida lá mais para diante.

Este foi o início de um ciclo de seis jogos para o campeão, num curto período de tempo, que também engloba as partidas da Champions. Com toda a certeza, o Zenit levantará problemas que os setubalenses jamais conseguiriam colocar, pelo que é também uma boa oportunidade para Jesus afirmar a consolidação de uma equipa que, como ele diz, está a fazer um arranque de temporada melhor do que há um ano.


O desenlace

Colocado por mario.fernando em 11-09-2014 às 23h02

1 - A saída de Paulo Bento do cargo de selecionador é, apenas, uma meia-surpresa. Porque, depois da sua manutenção após o Mundial - com poderes reforçados atribuídos pela FPF - e apenas um jogo de qualificação para o Europeu que, mesmo tendo constituído um desastre, não coloca em causa o apuramento, seria de prever que Fernando Gomes desse ao selecionador uma "tábua de salvação" possível na Dinamarca. E, certamente, era o que o presidente tinha em mente.

Acontece que Paulo Bento, logo após o desafio de Aveiro, percebeu que o seu campo de manobra era demasiado estreito. Ter o apoio de Gomes, naquele quadro, já era insuficiente. O porquê é algo que só o próprio pode explicar, mas volto ao que disse nessa noite : a grande questão é saber se este grupo ainda acreditava no projeto que lhe puseram à frente. O selecionador entendeu que a solução do problema já não passava por ele. Fez o que estava correto, o que era mais digno. 

2 - O único erro de Paulo Bento neste processo foi não ter colocado o lugar à disposição a seguir ao Mundial, preferindo, por antecipação, dizer que ficaria acontecesse o que acontecesse. Claro que nunca passou pela cabeça do selecionador, nem pela do presidente, que Portugal se afundasse na primeira fase. Este foi o factor não previsto que baralhou tudo.

Por outro lado, Bento ficaria sempre defendido de qualquer balanço que se fizesse sobre a campanha brasileira, porque ele já se teria "chegado à frente" assumindo, de facto, as suas responsabilidades. Assim, quando se viu a FPF confessar que "não fomos competentes" e se limita a "encostar" o departamento clínico, era impossível que não se questionasse a componente técnica. Em resumo, o selecionador arrancou fragilizado - e sem necessidade - para esta qualificação europeia.

3 - Mas Fernando Gomes (e Humberto Coelho, e João Vieira Pinto) também fica mal na fotografia. Renovou com o selecionador antes do Mundial, crente que pelo menos a presença nos oitavos de final era um dado adquirido, sem qualquer salvaguarda - que se conheça - para a eventualidade do "impossível" surgir. Agora, viu-se confrontado com a saída de "um dos melhores selecionadores do mundo" e obrigado a procurar outro que vai ter alguma dificuldade em classificar, por muito bom que seja.

E é no meio de todo este imbróglio que nos vem à memória a tal conferência de imprensa de pseudo-balanço, cuja inutilidade sai reforçada face aos recentes desenvolvimentos. O selecionador sai, a posteriori, o médico sai, a anteriori, e a estrutura federativa é a única que se salva entre os pingos da chuva. Não me refiro necessariamente a demissões, mas à assunção de responsabilidades efetivas. Dos Estados Unidos ao Brasil, entenda-se.E mesmo depois.

4 - Paulo Bento deixa o cargo, mas isto nada altera em relação à questão de fundo. Apenas releva que o técnico percebeu que a transição obrigatória na seleção já não deveria ser realizada por ele. Ninguém tem dúvidas de que a atual equipa nacional está longe do que apresentou há uns anos, que existe uma brutal diferença quando há Cristiano Ronaldo em pleno e quando não há, e que o leque de escolha não é particularmente vasto.

Ainda assim, o que se espera do novo selecionador - e não vou aqui abordar os dois nomes possíveis, ambos respeitáveis e com perfil adequado - é que, em primeira instância, recupere quem faz falta à seleção, que olhe para jogadores que estão em grande forma e que não devem ser chamados para decorar o banco, que esteja disposto a puxar pelos jovens valores emergentes, que não parta do princípio de que os modelos são imutáveis e que, já agora, tenha a capacidade para lidar com as várias "visões" que cronicamente se instalam em qualquer seleção. E que venha depressa, porque o tempo urge. 


Jogo em crise

Colocado por mario.fernando em 08-09-2014 às 20h09

Foi mau demais, mas infelizmente é verdade. O facto é que a seleção de Portugal está a atravessar uma crise como há muito não se via, sem se entender que solução pode derivar do desastre com a Albânia.

Este foi o tema que dominou o Jogo Jogado, desta semana, na TSF. Dos equívocos nas convocatórias à propalada renovação, das responsabilidades às condicionantes do selecionador e, em última instância, que futuro para Paulo Bento e para um conjunto de jogadores com uma qualificação para realizar.   


De mal a pior

Colocado por mario.fernando em 08-09-2014 às 02h05

O estado das coisas é o que era. Nem sei exatamente o que é pior, se perder em casa com a Albânia, se ouvir Paulo Bento dizer que "até fizemos um bom jogo". A seleção nacional está a atravessar um período que já passou do preocupante ao assustador, pela simples razão de que não se faz a menor ideia do que isto vai dar.

Sejamos claros : a Albânia é uma daquelas seleções que tem vindo, progressivamente, a subir degraus no cenário europeu, como lhe competia, pois estava no fundo da lista, mas não chegou sequer a meio da tabela a nível qualitativo. Não conseguir derrotá-la numa fase de apuramento, em casa, não lhe marcar um único golo e acabar por perder três pontos que - em nenhuma circunstância - se poderiam desperdiçar, é um desastre. Fomos tão incompetentes em Aveiro como tinhamos sido no Brasil.

Pode dizer-se que a qualificação não está comprometida, porque - como já aqui referi - as escapatórias são tantas e tão variadas na caminhada para o Euro2016 que, mesmo uma derrota inconcebível como esta, pode ser colmatada mais adiante. É verdade, mas, para começar, o trauma do Mundial continua, a dita renovação vai andar ao sabor dos resultados e continuaremos a suspirar por um Cristiano Ronaldo em condições para nos livrar dos males. Em rigor, depois de Aveiro, nada se alterou em relação à herança brasileira. Aliás, somaram-se mais dúvidas e mais receios.

O onze inicial de Portugal incluiu apenas um jogador (André Gomes) que não esteve no Mundial. Não havia - pelo menos para mim - qualquer esperança de que Paulo Bento fosse mais longe, mas não deixa de me intrigar o que ficaram a fazer no banco Neto (Ricardo Costa?) ou André Almeida (João Pereira?). Por contraponto à visão de futuro, houve uma fé das antigas em não abdicar de quem se mudou para o Qatar e de quem ainda nem tocou na bola esta época. Veremos, na convocatória para a Dinamarca, que evolução (ou involução) vai suceder.

Portugal realizou os habituais 20 minutos interessantes, sem construir oportunidades flagrantes para concretizar, avançando depois para a também clássica incapacidade para destruir barreiras densas - linhas muito juntas - de um adversário que, durante toda a partida, fez um remate à baliza de Patrício. E para marcar, graças a um erro coletivo da defesa nacional, algo que, de resto, já viramos há pouco tempo no outro lado do Atlântico.

Para responder a isto, fica na retina o excelente pontapé de Ricardo Horta ao ferro e...pouco mais. Com ou sem Ronaldo, Portugal não pode repetir um desempenho paupérrimo deste calibre, porque seria um segundo tiro no pé de recuperação muito problemática. A grande questão é saber se este grupo ainda acredita no projeto que lhe puseram à frente. O comportamento mental (Paulo Bento que me desculpe, mas foi precisamente neste capítulo que a equipa falhou rotundamente) dos jogadores foi um contraste absoluto com aquilo que os dinamarqueses fizeram em Copenhaga com a Arménia. Também estiveram a perder no início da segunda parte, mas não "abanaram" um segundo e, naturalmente, viraram o resultado.

Paulo Bento não quis falar sobre se sentia condições - ou não - para prosseguir. Creio que continua, até porque Fernando Gomes se comprometeu de tal forma que não tem grande campo de manobra para mudar a agulha, mesmo que quisesse. O que significa que o próximo desafio na Dinamarca já não é apenas um jogo-chave para a qualificação. É também a chave para o próprio selecionador.    


(Re)começar

Colocado por mario.fernando em 06-09-2014 às 00h07

Os ciclos dos Mundiais e Europeus não param e, por consequência, aí está mais um. O objetivo de Portugal é a presença no Euro2016, depois do fiasco no Brasil, uma campanha em que "não fomos competentes", da qual acabámos por sair com a mesma rapidez com que entrámos, se bem que o reconhecimento do desastre não tivesse passado disto mesmo, do reconhecimento.

Não vou voltar ao pseudo-balanço efetuado pelo presidente da FPF, porque pouco adianta abordar o vazio. A questão, agora, é aferir como vai desenvolver-se o processo de renovação da equipa nacional, a par de um apuramento que é o mais simples de sempre. Simples, não necessariamente fácil. Tudo depende do modo como encararmos a qualificação, supondo que é desta que a tradicional ligeireza - de que o próprio Paulo Bento se queixou antes, recorde-se - é colocada de lado, dando prioridade ao empenho necessário para, rapidamente, obtermos uma posição que nos livre da não menos tradicional calculadora.

De resto, seria ridículo não estarmos presentes num Europeu em que participa quase metade do Velho Continente. Quando se apuram diretamente os dois primeiros de cada grupo, mais o melhor terceiro e, ainda por cima, com um play-off para os restantes terceiros. Impensável não estar em França daqui a dois anos. Por outro lado, é desprovido de todo o sentido considerar a seleção portuguesa como uma das dez melhores da Europa e, simultaneamente, ter receios da sua capacidade de resposta num grupo com Dinamarca, Albânia, Sérvia e Arménia. O cenário está longe do melhor, mas não exageremos.

O jogo com os albaneses é crucial, mas por razões que vão para lá do mero facto de uma seleção com aspirações nesta caminhada ter de ganhar na partida de abertura. E em casa. Antes de tudo, porque é a única maneira de sacudir o trauma que ficou do Mundial. Não o elimina, mas abre outra perspetiva, ajuda a esbatê-lo. Depois, porque é uma partida sem Cristiano Ronaldo e esta situação nunca poderá ser irrelevante, devido à ronaldodependência de que a seleção padece (nem vale a pena argumentar o contrário, tal a evidência). Finalmente, porque se Paulo Bento ousar mudanças para lá das óbvias (tenho alguma curiosidade em saber o que fará o selecionador com Adrien), uma vitória ajudaria imenso à tal "renovação" anunciada (as aspas limitam-se a acentuar o condicional).

De caminho, até por ser da mais elementar justiça, importa sublinhar a carreira dos sub21 rumo ao próximo Europeu da categoria. A seleção ganhou tudo até este momento - sete desafios - , provavelmente fechará com outro triunfo sobre o Azerbaijão, e logo se verá como se comporta no play-off, havendo todas as razões para crer numa presença na República Checa para o ano.

É, aliás, uma boa altura para se ver para que serve o tal gabinete de coordenação técnica das seleções. Se três ou quatro destes sub21 não acabarem futuramente aproveitados, de facto, para os AA, alguma coisa continua a não bater certo... 


Facturar sem vender

Colocado por mario.fernando em 02-09-2014 às 23h55

Um pouco contra a tradição, o mercado fechou sem acrescentar danos profundos aos três grandes do futebol português. Enzo Perez, Gaitan, William Carvalho, Slimani e Jackson Martinez são triunfos importantes para Benfica, Sporting e FC Porto. Pondo de lado a questão estritamente financeira - só o futuro dirá se valeu a pena abdicar de receitas suplementares - , o facto é que a componente desportiva saiu reforçada em qualquer dos exemplos. Assim como facturar sem vender. 

A eventual saída de algum dos jogadores "ameaçados" representaria perda de qualidade e enfraquecimento da capacidade de resposta às exigências. É legítimo sustentar que a manutenção daqueles elementos equivale a cinco "contratações" de peso. Por outras palavras, os responsáveis dos três clubes perceberam que este era um investimento estruturante para a temporada, ao recusarem as vendas, interpretando que dificilmente descobririam atletas com nível idêntico e prontos a utilizar de um dia para o outro. E, mesmo que encontrassem, podiam já nem ter tempo para os ir buscar.

Olhando para a constituição final dos plantéis penso que nenhum dos treinadores terá motivos para desesperar. Jorge Jesus continua com as duas maiores figuras do Benfica, Enzo e Gaitan (as saídas de Garay, Markovic e Rodrigo teriam de ser o limite) ; Marco Silva conserva William Carvalho e Slimani, perdendo unicamento Rojo, o terceiro dos pilares que transitaram da época passada; e Lopetegui, mesmo com um batalhão de contratações, também conta com Jackson, um dos tais goleadores raros na Europa nos tempos que correm.

Ainda assim, fechado o mercado, há lacunas que não foram preenchidas e só lá mais para diante se poderá aferir, com rigor, se não deveriam ter sido alvo de maior cuidado. E vou reportar unicamente os pontos de cada um que me parecem justificar atenção prioritária.

No caso do campeão nacional, não ter "um" Rodrigo vai obrigar o treinador a criar alguém que acompanhe Lima. Será interessante perceber sobre quem recairá a escolha, pois Jesus tem Bebé, Derley, Jara e até Nelson Oliveira, e não creio que alguém consiga, sem hipótese de erro, acertar no eleito. Ou se - caso o técnico esteja para aí virado - a experiência de Gaitan na zona central (com Ola John na ala) vai mesmo avançar.

O Sporting ficou salvaguardado em várias posições (Nani é o caso mais evidente), mas não dispõe no plantel de alguém à altura de Rojo. Provavelmente, é essa ausência de um central de dimensão o facto mais marcante, embora Sarr esteja a cumprir e, agora sem recuo, obrigado a evoluir rapidamente. Numa equipa que optou claramente por uma linha de continuidade que já vinha de Jardim, basta-lhe não oscilar na estrutura defensiva.

O FC Porto foi aquele que mais contratou e com a intenção concreta de reformular o plantel, quase de alto a baixo. Daí que, às vezes, até pareça que tem opções tão diversificadas que as soluções estão todas lá. No meio de tanta gente terá de haver, mas permanece uma indefinição que só os próximos tempos vão clarificar. Hoje não se sabe quem é "o" Fernando dos dragões. Ruben Neves, Casemiro e, agora, José Campaña são equacionáveis, mas certezas...

Com todas as cartas na mesa, em definitivo, a primeira conclusão é que os três candidatos têm motivos para crer que, a nível doméstico, os elementos com que contam lhes conferem legitimidade para ambicionarem conquistas. O grande factor condicionante será sempre a participação na Liga dos Campeões, em função do modo como a equipa e o plantel serão geridos de forma a não "atrapalhar" o andamento no campeonato.


Jogo (quase) de fecho

Colocado por mario.fernando em 01-09-2014 às 20h09

A poucas horas do fecho do mercado de transferências, o tema centrou a edição do Jogo Jogado, desta semana, na TSF. No dia seguinte a um dérbi que também ajudou a compreender as realidades atuais de Benfica e Sporting. Por extensão, idêntico raciocínio em relação ao FC Porto, o principal beneficiado com o resultado da Luz.

 



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