Com Luís Freitas Lobo e João Rosado, sob a arbitragem de Mário Fernando

Às segundas, depois das 19h, com repetição depois da meia-noite.

Luís Freitas Lobo

Nasci em 1967. Em 1970, portanto, já estava presente para testemunhar as maravilhas de Pele, Jairzinho, Tostão e companhia no Mundial do México. Ainda não conseguia, no entanto, ver os jogos sob uma perspectiva táctica. Agora, como os tenho todos gravados na minha colecção particular de vídeos, vejo-os religiosamente. Como se viajasse no tempo e visse Puskas da mesma forma que hoje vejo Kaká. Para mim, mais do que cinco continentes e sete mares, o mundo é um infinito conjunto de campos de futebol com muitas casas á volta e desde 1998 que tenho procurado, em vários meios de comunicação, passar essa emoção. Porque, como gosto de dizer 'Quando um homem tem uma paixão, seja ela qual for, o melhor que tem a fazer é ir tratar dela!'
Da Revista Mundial e Publico, até ao Expresso e à sagrada A Bola, a Bíblia com que em menino aprendi a escrever lendo Mestres como Vítor Santos. Na rádio da Antena 1 à TSF, na televisão, da SIC Noticias até à RTP, onde hoje estou. Todos os dias penso em futebol. Por isso, em qualquer local, falo ou escrevo sobre futebol, partindo sempre da única forma que o entendo ser possível conceber: com emoção.

João Rosado

João Rosado nasceu em Évora, em 1970. É licenciado em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Entre 1988 e 1992 foi colunista no jornal «A Capital». Foi redactor no jornal «Record» entre 1992-1995 e 2003-2004. Entre 1995 e 2002, foi redactor e editor no jornal «O Jogo». De 2007 a 2012 foi colunista no jornal «Diário de Notícias. Foi comentador de futebol na «Antena 1» entre 1999 e 2000, na «Rádio Renascença» entre 2001 e 2004, na Sport TV entre 2001 e 2007. É comentador de futebol na SIC, desde 2007, e na antena da TSF desde 2004.

Mário Fernando

Jornalista há 27 anos passou a maior parte da vida profissional na rádio. Comercial, Renascença, RFM, Correio da Manhã e XFM até aterrar na TSF. Foi em 1995 e, três anos depois, passou a editor de Desporto. Até hoje. É um fanático por futebol, por isso, não tem paciência para a forma como os dirigentes tratam a coisa, ou seja, quando resolvem que os clubes deles é que contam e o resto é paisagem. Não é, mas isso eles jamais vão entender. No meio de tudo isto houve três reportagens que o marcaram: a primeira visita de Nelson Mandela a Londres depois da libertação e duas edições dos Jogos Olímpicos, Sidney2000 e Pequim2008. Curiosamente, nenhuma delas tem a ver com futebol.

Negócio fechado

Colocado por mario.fernando em 02-09-2015 às 00h53

O fecho do mercado - o tal momento de alívio pelo qual os treinadores tanto suspiraram nos dias mais recentes - finalmente chegou. Um rápido olhar sobre as últimas horas permite tirar algumas conclusões, mas mais do que isso dá para levar a algumas interpretações.

Comecemos pelo FC Porto, o único que aproveitou as derradeiras horas para comprar. Não que Benfica e Sporting não tenham pensado nisso (e agido em conformidade), mas simplesmente porque os dragões foram aqueles que concretizaram as movimentações, exibindo uma disponibilidade financeira que já mostraram durante todo o defeso (e até na época anterior). Por aquilo que gastou - ainda que parcialmente sustentado nas receitas que fez, muitas, por sinal - e por aquilo que a folha salarial vai determinar daqui para a frente.

Chegaram Layún e Corona. O primeiro veio provar (também não havia grandes dúvidas) que a saída de Alex Sandro não fora colmatada por Cissokho e que José Angel estava fora das contas. De qualquer modo, há muita gente "à esquerda", embora Layún, mesmo utilizado como titular daquele lado, possa ser alternativa a Maxi, em caso de impedimento circunstancial deste, subindo o suplente Cissokho à titularidade nestes casos. Veremos.

Jesus Corona (nada barato...) é mais um extremo para concorrer com Tello, Varela e Brahimi. Nem serão demais para quem joga em 4x3x3 e tem de acautelar várias frentes. Embora a ausência de "um" Oliver (para simplificar o enquadramento) seja a nota de maior destaque, no caso, no meio campo. Ou será que Corona vem suprir um desvio de Brahimi para a zona central? De resto, fica o registo da cedência de Adrian Lopez, um avultado investimento da época passada que falhou em toda a linha.

Benfica e Sporting tiveram em quem estava as suas melhores "contratações" do dia. Falo de Gaitan e Carrillo, obviamente, ambos alvo de investidas de última hora vindas de Inglaterra, mas que vão ficar na Luz e Alvalade. Provavelmente, haverá novidades em Janeiro, mas até lá são duas peças absolutamente cruciais para os planos dos treinadores, a nível interno (acima de tudo) e externo. E sobre Carrillo competirá agora aos responsáveis leoninos ponderarem a renovação, nada simples como se tem visto, ficando a ideia de que o jogador é mais acessível do que o empresário.

No caso das águias, contudo, esperava-se algo mais. A questão é que as aquisições feitas até agora não resolviam algumas questões visivelmente pendentes, com particular nota para a lateral-esquerda e o meio campo. Pelo menos. Sendo que o empréstimo de Ola John pode gerar mais uma lacuna. Claro que Siqueira seria uma ótima solução para o lugar de Eliseu, não deu, fica tudo na mesma e o futuro dirá com que reflexos. Tal como Pizzi, pois Enzo nunca mais teve um substituto à altura, continuará a ser a hipótese mais viável para trabalhar com Samaris. Ou Fejsa. Ou este com Samaris. Incógnita havia, incógnita há.

Já se percebeu que a aposta nos jovens que vieram da formação vai manter-se, o que nenhuma reserva levantaria se os pontos-chave da equipa estivessem previamente assegurados por jogadores com outra rodagem e amplitude. Não é isto que sucede em todos os sectores. Aliás, lembrando que Luis Filipe Vieira garantiu que Rui Vitória teria as mesmas condições que Jesus para atacar o título, nem é complicado constatar que já não será assim. Mas antes de tudo, compete a Rui Vitória, com as peças que tem, sair de uma especie de "no-man's land" em que se encontra, um período em que ainda não saiu daquilo que veio de trás e ainda não entrou naquilo que pretenderá fazer. 

A situação do Sporting perante a ponta final do mercado era distinta. Já tinha expressado a minha convicção de que Jorge Jesus conseguira, em tempo, os jogadores que eram prioritários para o seu projeto. Só faltava segurar aqueles que poderiam escapar se chegassem a Alvalade verbas irrecusáveis. Pelos vistos, nem as verbas eram irrecusáveis, nem o "ataque" foi generalizado.

Tanto melhor para os leões, pois contar com Adrien, João Mário - tal como William, mesmo lesionado poderia ser um alvo - e, principalmente, Carrillo, resulta num somatório de mais valias. A não entrada na Liga dos Campeões poderá obrigar a alguns acertos financeiros na temporada, mas confirmou-se o que apontara como expectável, ou seja, qualquer venda, a efectuar-se, não teria necessariamente de acontecer agora.

Por outro lado, os próximos regressos de Ewerton e William Carvalho vêm completar o leque de múltiplas opções do treinador, o que até dá a hipótese a Jorge Jesus de obter outra robutez no eixo da defesa e de, na zona intermédia, definir um outro esquema. Se chegar à conclusão de que é necessário. De qualquer modo, o Sporting evitou rombos nesta recta final e, pelas aquisições realizadas antes, até acrescentou qualidade, criando um plantel claramente melhor do que o da época passada.

Portanto, os dados estão lançados. Agora, o desempenho principal cabe aos treinadores, com responsabilidades diferentes quanto às exigências que se lhes colocam. Mas todos com a incumbência de apontarem ao título.


Jogo e mercado

Colocado por mario.fernando em 31-08-2015 às 20h10

Com o mercado em contra-relógio, os clubes tentam encerrar assuntos pendentes, entre entradas e saídas de jogadores. No último dia de grandes e pequenos negócios, o Jogo Jogado da TSF centrou-se nas movimentações das derradeiras horas para os acertos nos plantéis dos três candidatos ao título.

Uma análise ao que já está garantido, ao que ainda poderá estar e ao que deveria estar, mas que razões - sobretudo financeiras - não possibilitam. A partir daqui começa uma nova fase da temporada. 


Repor a normalidade

Colocado por mario.fernando em 31-08-2015 às 00h48

No regresso ao campeonato, o Sporting voltou aos triunfos. Sem margem para dúvidas, até porque a diferença qualitativa entre esta equipa leonina e a atual Académica é demasiado grande para que o jogo pudesse acabar de outra forma. Depois dos duelos com o CSKA, que poderiam deixar marcas na componente física e, principalmente, psicológica, os leões aproveitaram bem esta deslocação a Coimbra. Impuseram-se cedo, lidaram com adversidades que não estavam nos planos e selaram a vitória com menos problemas do que a história do desafio indiciaria. Repuseram a normalidade.

Jesus, como era previsível, mudou algumas peças no onze inicial, sendo que a inclusão de Carlos Mané no lugar de Bryan Ruiz começou a render bastante cedo. Aquele golo aos cinco minutos constituiu exatamente o que o Sporting necessitava para não ser afetado por uma qualquer ansiedade que o decorrer do encontro pudesse trazer. Além de que a Académica, já de si frágil oponente (estou a reportar-me aos jogos no campeonato, todos eles elucidativos das debilidades dos estudantes), percebeu que o seu destino estava traçado. Não tinha capacidade de resposta para a atitude afirmativa do antagonista.

Veio o segundo golo, a que se somaram mais duas oportunidades (a desperdiçada por João Mário é quase impensável) e, do modo como o andamento se fazia, era de calcular que não ficasse por ali. Até porque a Académica não conseguia sair, uma única vez, minimamente organizada para o ataque. Não tinha armas para tal, nem o processo defensivo leonino o permitia.

No entretanto, os erros de Bruno Esteves (disse sim a uma grande penalidade inexistente e não a um penálti existente), segundo Jorge Jesus "trouxeram a Académica de novo ao jogo". Embora todos entendamos o que ele quer dizer, não creio que a equipa de José Viterbo tenha "voltado" propriamente ao jogo. Pode dizer-se, sim, que passou a admitir a possibilidade de tentar algo mais, mas como constatámos até final da partida não gerou uma única situação que fosse passível de concretização.

E, neste particular, também porque o técnico leonino - então já na bancada, por causa da sua expulsão - soube interpretar corretamente a mutação academista para 4x3x3 e respondeu ele próprio com algo próximo do 4x2x3x1. Aproveitando o desgaste inevitável de alguns elementos, tirou Gutierrez (o jogador que mais oportunidades falhou durante o desafio) para "repor" Bryan Ruiz e fez sair Carrillo para dar a Aquilani a missão de equilibrar o meio campo. Resultou.

Entretanto, Adrien cobrou uma grande penalidade ao poste - quando falava de adversidades incluía isto - , mas o médio italiano encarregar-se-ia do penálti seguinte e de colocar ponto final no assunto. Não que a Académica alguma vez tivesse sido uma ameaça, mas nada como jogar pelo seguro. Em conclusão, o Sporting ganhou naturalmente e vai para a pausa no campeonato com a vertente emocional recuperada. Só falta que o mercado feche para Jorge Jesus, finalmente, saber em rigor com quem conta.


Acertar agulhas

Colocado por mario.fernando em 30-08-2015 às 02h27

Benfica e FC Porto voltaram a somar três pontos. Por este lado, tudo bem para os interesses de ambos. Só que vamos para a primeira interrupção no campeonato, com o mercado a horas do fecho, e tanto águias como dragões continuam a mostrar que ainda estão longe de acertar agulhas. Dois triunfos, sem dúvida justificados em campo, mas várias interrogações a pairar. Isto é, pouco mudou desde a última semana quanto ao resto.

Na Luz, desta vez com o Moreirense, houve muito da partida com o Estoril. Com a agravante dos visitantes se terem adiantado no marcador, aliás, demonstrando que a consistência defensiva de outrora não está a ser replicada agora (é só rever o golo de Rafael Martins que facilmente se entende). Novamente os derradeiros 15 minutos a marcarem a diferença, num quase contraste com o que sucedera antes, (longo) período em que foi muito difícil descobrir uma ideia ou, se preferirem, uma lógica que permitisse resolver a partida sem ansiedades.

Rui Vitória não encontrou a solução para o meio campo que possibilite a ligação à linha da frente (Pizzi voltou a não dar conta do recado), da mesma forma que Gaitan é o único elemento atacante que "pensa" jogo, ou que Jonas e Mitroglou talvez nunca consigam ser Jonas e Lima. Por sinal, Jonas desperdiçou incrivelmente duas oportunidades de baliza aberta e Mitroglou atirou à figura de Stefanovic - e este para o ferro - quando a "receita" é cabecear para baixo, vincando o tal défice de concretização que, se não existisse, pouparia muita dor de cabeça ao treinador. Mas existe.

Somente quando Rui Vitória decidiu arriscar a sério, o Benfica "apareceu". A questão não é ter um número impressionante de jogadores no ataque, mas sim a forma como isto é feito. Foi uma enorme diferença para o desafio com o Arouca. Entra Jimenez, sai Eliseu, Gaitan torna-se um falso lateral esquerdo, Jonas e Mitroglou reposicionados. O efeito foi o que se sabe. E nem mesmo o segundo golo do Moreirense - embora irregular - impediu que os encarnados caminhassem para o triunfo. É verdade que o Benfica se salvou de mais um percalço, mas ou o treinador acerta rapidamente o que continua a não estar bem, ou habilita-se a outros sustos idênticos.

Já o FC Porto não passou por algo idêntico, mas o facto é que o funcionamento da equipa também permanece longe da clarificação. Lopetegui optou pela "linha dura" ao deixar Cissokho na bancada, depois do falhanço do lateral na Madeira, mas ainda não foi desta que José Angel teve qualquer hipótese (pelos vistos, nem terá) porque o técnico achou preferível adaptar Martins Indi, ainda que a posição não lhe seja estranha. Mas mais : Herrera ficou no banco, Brahimi saltou para "10" e as alas ficaram com Tello e Varela. Se lá atrás foi o possível, o resto nem por isso. 

Surpreendentemente, nem a excelente entrada dos dragões, com um golo logo no início, impediu que, passada a dezena de minutos, o FC Porto retomasse a sua vida habitual. Muita posse, pouco - ou nenhum - sumo. Que é como quem diz, muita troca de bola e nada de oportunidades para concretizar. Pelo contrário, o Estoril - que na Luz tinha sofrido uma goleada ilusória - quis deixar claro que não era aquele cenário que lhe negaria a vontade de ir mais longe. E se há duas semanas foi Júlio César quem teve de se aplicar, desta vez Casillas também não escapou (só à conta de Bonatini foram duas).

Uma vantagem tangencial é perigosa quando nada se faz para a ampliar. Lopetegui, uma vez mais sem contemplações, ainda antes do intervalo, coloca André André e retira um inconsequente Varela (se bem que Tello não estivesse melhor), para Brahimi transitar para a ala. E já com a segunda metade em andamento lá teve de trocar Imbula por Herrera. A verdade é que o FC Porto dependia integralmente dos lances de bola parada. Dois praticamente consecutivos : o de Brahimi foi quase, o de Maicon deu um grande golo. Daqui para a frente as dúvidas acabaram, até porque o Estoril esvaziou ao perceber que, com aquele resultado, só pontuaria por milagre. 

Não são questionáveis os triunfos de Benfica e FC Porto, são questionáveis os problemas que ambos ainda apresentam. Em termos de conceito no caso das águias, em relação ao aproveitamento das peças no caso dos dragões. Por esta vez, passou. Mas o tempo não é eterno.


À porta da Champions

Colocado por mario.fernando em 27-08-2015 às 01h35

O Sporting tinha traçado uma linha de ação para o arranque da temporada que passava por dois objetivos centrais : conquistar a Supertaça, marcando posição do ponto de vista estritamente desportivo, e entrar na Champions, não apenas pela relevância da presença na competição, mas - sobretudo, não vale a pena disfarçar - porque os 14 milhões de euros à cabeça seriam fundamentais para reequilibrar o investimento feito esta época (leia-se, aumento da folha salarial). Tudo bem no primeiro caso, tudo mal no segundo. A derrota em Moscovo deixou os leões à porta da Liga milionária.

"O campeonato é o mais importante", diz agora Jesus, reeditando um discurso já conhecido em situações semelhantes. É verdade, só que já era antes da eliminação. O problema deste desvio para a Liga Europa é outro e, se não tiver consequências até ao fecho do atual mercado, terá em janeiro. Bruno de Carvalho, para que ninguém ficasse surpreendido, alertou antes de tudo isto acontecer. O facto é que o Sporting teve o pássaro na mão e deixou-o fugir. A questão da arbitragem voltará a gerar a contestação leonina, simplesmente também há o resto, aquilo que, para citar um termo do técnico, "é possível controlar". E neste particular o controlo não foi assim tão "controlado" quanto as circunstâncias exigiam.

Para começar, diga-se que a equipa leonina fez uma excelente primeira parte. A vantagem ao intervalo era justíssima (e colocava o CSKA numa posição muito delicada), depois de uma presença quase constante no meio campo adversário, mandando no jogo - Aquilani esteve impecável, salientando-se num coletivo taticamente disciplinado e com grande serenidade - , perante uma equipa russa totalmente previsível e sem (parecia...) ponta de ambição. Tirando uma oportunidade de Doumbia fica nada.

A questão é como se salta deste cenário idílico para aquilo que se viu na segunda parte. O golo dos moscovitas, logo a abrir a segunda metade, teve um efeito de detonador para o CSKA. Não é que a equipa se tivesse tornado numa máquina de jogar futebol, mas acordou claramente e, acima de tudo, fê-la acreditar que, afinal, a qualificação não estava perdida. Jesus, porque o resultado continuava a servir os seus interesses, troca Gutierrez por Slimani e mantém tudo a fucionar como dantes.

O pior é que a génese do primeiro golo - não me refiro ao cotovelo de Doumbia, mas à falha defensiva - repetiu-se no segundo e, mais tarde, no fatídico terceiro. Nestes dois casos veio à superfície a velha questão da defesa alinhada a movimentar-se sem falhas, sem zonas desprotegidas. Ou está tudo absolutamente afinado, ou as fatalidades acontecem.

O Sporting entrou nos últimos 20 minutos a pensar no prolongamento. Jesus, honestamente, admitiu-o no final. Aliás, a gestão das substituições visava esse eventual tempo complementar. Mas o CSKA não podia pensar desta forma, o risco era demasiado elevado e, portanto, prosseguiu a sua caminhada na busca da reviravolta absoluta. Foi um período de opções estratégicas distintas que, contudo, marcaram o destino da eliminatória.

No meio disto há o golo anulado a Slimani. Provavelmente, nunca se saberá se o auxiliar teve ou não razão ao considerar que o canto batido por Carrillo passou fora das quatro linhas, antes do argelino cabecear para dentro da baliza de Akinfeev. As imagens não esclarecem, mas é inquestionável que tem implicações opostas o estar certo ou estar errado. Seja como for, a dúvida vai permanecer. Aliás, entre certezas e dúvidas, foi muito mais claro o que se passou em Alvalade há uma semana.

Falhado o objetivo-Champions, veremos o que muda daqui para a frente. Em termos internos, pouco, seguramente. A não ser os reflexos que um desaire destes pode provocar na componente emocional de uma equipa que entrou em força na temporada e que, agora, é confrontada com esta realidade. Quanto ao percurso na UEFA é imprevisível o que pode suceder na Liga Europa. O Sporting tem a obrigação mínima de passar a fase de grupos e, depois, logo se verá se Jesus aposta - ou não - num novo objetivo da época. Entretanto, vem a Académica, mais prioritária do que nunca.


Jogo e surpresas

Colocado por mario.fernando em 24-08-2015 às 20h11

É raro, mas desta vez a surpresa sucedeu. À segunda jornada do campeonato há um líder isolado - Arouca - que não pertence ao grupo dos candidatos ao título. De resto, à derrota do Benfica juntaram-se os empates de FC Porto e Sporting determinando que os três, prematuramente na prova, não conseguissem vencer. O Jogo Jogado desta semana na TSF tentou perceber o que não está a bater certo nos grandes e quais as razões, diferentes, que para tal contribuem.

Depois, e porque este é um momento crucial da época leonina, a antevisão do que está em causa para o Sporting, desportiva e financeiramente, na segunda parte do duelo com o CSKA de Moscovo.  


O líder improvável

Colocado por mario.fernando em 24-08-2015 às 01h00

É pouco vulgar no campeonato português haver um líder isolado à segunda jornada. E, mesmo assim, quando tal sucede, é extremamente raro que ele não pertença à "troika" do costume. Desta vez a honra cabe a um improvável Arouca que teve o enorme mérito de aproveitar os empates de FC Porto e Sporting derrotando...o Benfica. Ou seja, fez aquilo que as águias pretendiam conseguir. As razões são várias e colocam como legítima a tese de que, esta época, os candidatos arriscam-se a perder mais pontos do que poderiam presumir. A pressão extra que se abate sobre os três pretendentes ao trono - a necessidade imperiosa de serem campeões, por motivos distintos - já começou a provocar estragos.

É verdade que, globalmente, o Benfica dominou mais, rematou ainda mais, procurou chegar ao triunfo o tempo todo - embora com melhor desempenho dos 25 minutos finais da primeira metade - , mas nada disto interessa quando há uma enorme distância entre a intenção e a execução. E, neste último capítulo, as águias falharam. Em mais do que um plano.

Aqueles 15 minutos iniciais foram desastrosos para a equipa de Rui Vitória, num desnorte defensivo que lhe saiu caro e, por pouco, saía ainda mais caro. Um golo e um quase-golo de Roberto - não fosse a primeira grande intervenção de Júlio César - puseram a nu uma insuficiência defensiva que, ao contrário de outras épocas, pode vir a constituir um problema de peso. De resto, na segunda parte, a história repetiu-se quando o mesmo Roberto falhou de baliza aberta entre (!) Luisão e Lisandro. Pior, obviamente, a ausência de eficácia na frente de ataque. Há uma grande quota de responsabilidade de Bracalli que assinou uma enorme exibição, mas falta o restante e não é pouco. 

Tinha aqui referido, após o desafio com o Estoril, que aquela goleada era algo ilusória, uma vez que o Benfica passara 70 minutos no "limbo" antes de despertar. Ora, é exatamente este o ponto : que aconteceria se não despertasse, se o nulo índice de concretização se arrastasse para lá do razoável? Rui Vitória tem razão quando se refere aos 30 remates efetuados, embora os números devam ser olhados com cautelas. Três dezenas com oito ao alvo, enquanto o Arouca, que nem rematou um terço , fez seis à baliza. É precisamente por isto que nas estatísticas da Champions a primeira coisa que costumo conferir são os remates "on target".

Depois, não é possível disfarçar que existem peças no tabuleiro encarnado que não estão no que seria exigível. Ola John é flagrante, de tal forma que Victor Andrade, mesmo com o muito que ainda tem para aprender, voltou a estar largos furos acima do holandês. Já Mitroglou mostra ter um longo caminho a percorrer para entender a lógica do seu enquadramento, confirmando-se que a articulação Samaris/Pizzi (com Fejsa/Pizzi tinha sido semelhante) necessita de afinação urgente. No meio disto sobra a capacidade superior de Gaitan e o voluntarismo de Jonas. Não significa que o valor real da equipa seja isto, mas foi isto que valeu nesta partida.

Rui Vitória acabou com sete elementos de vocação ofensiva em campo, mas o facto é que Lito Vidigal - como demonstrara no Belenenses na temporada anterior - sabe montar dispositivos defensivos tão eficazes a roubar espaços ao adversário que um batalhão de gente ao ataque pode nada conseguir. E não conseguiu mesmo.

Fez bem o técnico encarnado ao travar a tentação de trazer a arbitragem para o centro da discussão. Depois do Benfica não ter desempenhado corretamente a sua parte, como lhe competia, aludir ao derrube de Hugo Basto a Mitroglou não deixaria de soar a desculpa. Foi evidente que o campeão acusou a pressão da "obrigatoriedade" de vencer após os empates dos rivais e que ficou perturbado com aquele golo tão prematuro, algo que, definitivamente, jamais lhe passara pela cabeça.

Como disse antes, se o Benfica vencesse em Aveiro ficaria com uma curta vantagem sobre a concorrência que, nesta fase da prova, pouca relevância teria. Em vez de ficar à frente, ficou atrás, mas a essência da questão mantém-se em relação a FC Porto e Sporting. Ou seja, para estes o avanço sobre os encarnados também pouco conta nesta altura. A única certeza - e esta é a maior conclusão da jornada - é que todos os candidatos estão longe de serem tão afirmativos em relação às restantes equipas do campeonato como, eventualmente, julgariam. O que até pode tornar tudo isto bastante mais interessante daqui para a frente.


As derrapagens

Colocado por mario.fernando em 23-08-2015 às 01h43

Logo à segunda jornada dois dos candidatos ao título perderam pontos. Falta conferir o que faz o Benfica. Para já, FC Porto e Sporting não foram além de empates, com a particularidade de terem retomado duas referências que, supunha-se, teriam condições para contornar : os empates caseiros, no caso dos leões, e o síndrome da Madeira, no caso dos dragões (ou, para ser mais concreto, no de Lopetegui que não consegue vencer na ilha).

O Sporting não esteve num patamar exibicional comparável com o demonstardo perante o CSKA, nem - sequer - perto do que mostrara na primeira parte frente ao Tondela. Talvez houvesse, com o P.Ferreira, por causa da partida anterior e da próxima com os russos, a necessidade de dosear a intensidade aplicada ao desafio, o que é compreensível. Simplesmente, ao fazê-lo, a equipa leonina sabia que os riscos iriam existir.

Jesus teve de utilizar Montero, devido à indisponilidade de Gutiérrez, e apostou em Aquilani para não desgastar Adrien. Em teoria, faria sentido, não fosse o caso do colombiano ter passado ao lado do jogo - a entrada de Gelson, na segunda parte, deu uma cara totalmente diferente ao andamento - e dos pacenses terem colocado problemas na zona intermédia que, às tantas, obrigaram Jesus a deitar mão do médio que, atualmente, melhor desempenha aquele lugar. E viu-se novamente um Carrillo em grande nível, por contraponto a um Bryan Ruiz que não parece encontrar-se fisicamente em pleno. Aliás, não creio que o Sporting tenha ganho com a colocação do peruano na zona central, durante a segunda parte, deslocando Ruiz para a esquerda. Diminuiu a ação de um e de outro. 

Depois há o lance do penálti (com expulsão) e, embora a generalidade das pessoas não goste de ver as coisas nesta perspetiva, convirá dizer que um jogador experiente como João Pereira sabe que ao "encostar-se" a Cícero pode provocar o derrube e, consequentemente, arriscar a grande penalidade. Não é, de resto, a primeira vez que o internacional português comete imprudências destas na sua carreira. E quanto à afirmação de Jesus segundo a qual o Paços teve "zero" oportunidades para lá do penálti, é só perguntar a Rui Patrício que ele explicará que não foi bem assim.

Sabendo já o que sucedera em Alvalade, o FC Porto não fez melhor no Funchal. Claro que não se resiste à tentação de aludir à síndrome madeirense de Lopetegui, mas a realidade é a que é. Ainda por cima, a partida com o Marítimo teve vários pontos de contacto com outras realizadas pelos dragões na era do técnico espanhol na Madeira. Com uma nuance importante, a do golo sofrido logo aos cinco minutos, num erro crasso de Cissokho que não viu Édgar Costa atrás dele. Isto, por outro lado, vem acentuar a dúvida sobre o papel do lateral esquerdo, que seria inegavelmente um bom suplente de Alex Sandro, mas não necessariamente um bom titular para "este" FC Porto.

Falando de lacunas, regressaram-me as reservas que aqui tinha deixado em relação ao meio campo, depois da partida com o V.Guimarães. Lopetegui manteve Danilo/Imbula/Herrera, mas repetiu-se a boa presença "física" sem a obrigatória referência criativa. Não sei se o FC Porto avançará para "outro" Oliver no mercado, talvez não fosse má ideia se quiser ter um"ganho" que ainda não tem, mas - lá está - tudo depende do que o treinador quer fazer. Como sabemos, o técnico tem uma visão muito pessoal da gestão dos seus elementos. Por exemplo, quando, a precisar de vencer o jogo, em vez de juntar Osvaldo a Aboubakar põe Osvaldo no lugar de Aboubakar.

Uma vez mais com uma esmagadora posse de bola, a equipa portista poucas oportunidades gerou. Tirando o golo, sobram um remate de Aboubakar, na pequena área, a que Salin respondeu com uma enorme defesa, e o cabeceamento de Maxi, nos últimos segundos, que voou da barra para o risco e não entrou. Pouco adianta falar de "azar" no derradeiro lance, porque uma equipa deste calibre não pode entregar-se aos caprichos do destino num momento concreto. Como o próprio Lopetegui admitiu ao reconhecer que a segunda parte dos dragões esteve abaixo dos mínimos olímpicos.

A partir daqui, falta saber como lidará o Benfica com as derrapagens dos adversários diretos. No entanto, mesmo que ganhe e obtenha uma vantagem (curta e) relativa para FC Porto e Sporting, é muito prematuro para qualquer tipo de contas. Até porque, convenhamos, nenhum dos três candidatos tem já a casa completamente arrumada. Diria mesmo que se habilitam a várias "desarrumações" até final do mês.


A vantagem

Colocado por mario.fernando em 19-08-2015 às 02h01

Dos resultados mais traiçoeiros que existem numa eliminatória o 2-1 é um deles. Ganhar em casa por uma vantagem destas deixa tudo em aberto para os dois lados. O Sporting justificou plenamente o triunfo, beneficia logo de duas soluções para a segunda mão (vitória ou empate, há outras embora mais arriscadas), mas o CSKA sabe que em Moscovo não precisa de mais do que 1-0 para entrar na Champions. Jesus tinha razão quando dizia, antes do play-off, que era fundamental ganhar por qualquer resultado. Só que agora é vital marcar na Rússia.

Para trás fica um jogo em que a falta de eficácia (e outros factores, já lá iremos) não deram ao Sporting o que precisava. Ou seja, uma vantagem que lhe permitisse realizar a segunda mão com outra tranquilidade. Mas a Champions é assim e, quando duas equipas de nível semelhante se defrontam, todos os pormenores contam. E muito.

A entrada leonina foi fortíssima, com 20 minutos que se assemelharam bastante ao carrossel que Jesus várias vezes mostrara no Benfica. Sob a batuta de João Mário e Adrien, desdobrando-se na primeira fase de construção, com Carrillo a meter no bolso Nababkin (cada vez me convenço mais que o peruano pode assinar uma grande época, se perceber o que o técnico quer dele), aliando tudo isto às diagonais de Bryan Ruiz e à articulação com Gutierrez e Slimani. Deu um golo e prometia. 

O problema foi quando o CSKA, catedrático em usar o contra-ataque, aproveitou pela primeira vez a defesa adiantada dos leões. Musa ganhou quase todos os duelos em velocidade com João Pereira, enquanto Tosic e Doumbia começaram a aparecer. A grande penalidade - superiormente defendida por Rui Patrício, um dos momentos cruciais da partida -  foi o aviso mais sério feito pelos russos sobre a sua real intenção : não sair de Alvalade sem "picar" o ponto.

Acontece que o Sporting teve uma daquelas noites em que desaproveitou uma quantidade anormal de oportunidades para voltar a faturar. Só Slimani dispôs de quatro, sendo que duas delas na pequena área, apenas com o guarda-redes pela frente. Estas foram para fora, Akinfeev tratou das outras. Ora, esta é uma questão determinante neste patamar de competição. Muitas vezes o número de hipóteses é pouca, pelo que falhar pode ser fatal. É fácil perceber que a situação pode complicar-se quando se falha dispondo de várias.

Quando Doumbia, aproveitando mais uma "aberta" na (subida) defesa leonina, restabeleceu a igualdade, o cenário passou de difícil a problemático. Jesus necessitava de fazer alguma. Acertou à segunda, mas leu bem o que se passava no tabuleiro, melhor do que o seu homólogo do outro banco. Primeiro colocou Aquilani e desviou João Mário para a esquerda. Nada a objectar ao trabalho do italiano, mas o internacional português perde fulgor quando deixa o habitat natural. Então sai a cartada decisiva com as entradas de Carlos Mané e Gelson Martins, levando a uma recomposição que acelerou tudo : as ideias e a execução.

Finalmente, Slimani "vingou-se" de si próprio e concretizou o golo que perseguia desde o início, uma vez mais com Carrillo a ter um rasgo de genialidade. Foi duro, muito duro, chegar ao triunfo, mas o Sporting já sabia que esta seria sempre uma prova de fogo. Conseguiu superá-la, o que é bom, simplesmente terá a consciência de que representou somente uma primeira etapa. Para usar a expressão velocipédica de Jesus, a próxima é de "montanha".

Confesso que nunca entendi a razão pela qual o senhor Çakir é considerado, nas altas esferas da arbitragem, como um grande árbitro. Estou à vontade, porque já o critiquei inúmeras vezes por atuações em jogos da Champions, Europeus e Mundias. Esta presença em Alvalade só reforça a minha opinião. Certíssimo na grande penalidade cometida por Jefferson, mas incompreensível na "barragem" de Berezutski a Bryan Ruiz e no ostensivo desvio com a mão, tirando a bola da cabeça de Slimani.

A realidade é que o tal traiçoeiro 2-1 é a única coisa que conta. Os 14 milhões que o Sporting procura - além da componente desportiva, claro - vão sair caros. Quer dizer, vão exigir um trabalho extra para o qual a equipa tem de estar emocionalmente preparada. Mais do que empenho, a partida de Moscovo obriga a muita lucidez.


Jogo de arranque

Colocado por mario.fernando em 17-08-2015 às 20h13

Está concluída a jornada que abriu o campeonato. Sem surpresas quanto aos três grandes no que respeita a triunfos. Mas Benfica, FC Porto e Sporting tiveram partidas e atuações distintas nesta estreia da Liga 2015/16. Foi este o grande tema em análise no Jogo Jogado desta semana na TSF.

Mas os leões foram avaliados também numa outra perspetiva. Perante o CSKA de Moscovo começam a discutir o acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões. Uma dupla frente de combate, desportiva e financeira.



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