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09-02-2012 às 00h59
Acabou por se cumprir o mais plausível desde o sorteio das meias-finais : o Jamor vai mesmo ser palco de uma inédita final da Taça entre Sporting e Académica. Os leões, perante a inevitabilidade do "tudo ou nada" defendido por Domingos, foram à Madeira resgatar uma eliminatória que estava em perigo. E ganharam porque foram melhores em muitos aspectos, a começar por uma subida qualitativa protagonizada pelo regresso das peças que realmente contam.
O Sporting, como já aqui referi várias vezes, não tem propriamente um problema na constituição de um onze competitivo. A questão é o plantel que não fornece alternativas de valor semelhante quando se registam baixas nos titulares. Rinaudo é de tal maneira uma peça-chave nos leões que, durante a sua ausência, nenhuma das (múltiplas) hipóteses testadas correspondeu ao exigido. O facto é que voltou e ficou demonstrado até que ponto é crucial no meio-campo, não somente por aquilo que lhe compete fazer, mas porque potencia claramente Matias com a mais-valia que daqui deriva. Wolfswinkel já marca, Schaars brevemente virá, talvez então seja tempo do puzzle original emergir.
Xandão estreou-se, mas é bastante cedo para que honestamente se tirem conclusões. Tirando a óbvia apetência para lidar com o jogo aéreo, ter alinhado com Polga ao lado não é sinónimo de grande ajuda. Aliás, o eixo da defensiva leonina permanece como um "calcanhar de Aquiles" da equipa, como foi visível no golo do Nacional, um erro de palmatória que um jogador experiente como Polga não pode cometer. Domingos bem tenta, mas ainda não descobriu a dupla ideal. Pode ser que com o regresso de Onyewu seja possivel testar mais uma.
O Nacional teve o pássaro na mão e deixou-o fugir. Porque a infelicidade das lesões lhe bateu à porta (teve de "queimar" duas substituições na primeira parte, guarda-redes incluído, o que inviabilizou um maior leque de soluções face às necessidade da partida), mas também por opção estratégica. Calculava-se que entrasse no jogo em processo de gestão, mas de uma forma um pouco surpreendente Pedro Caixinha optou por dois pivôs defensivos e "libertou" quatro jogadores de perfil mais ofensivo. Ousado, mas perigoso, atendendo ao perfil do adversário. Seja como for, e honra lhe seja feita, o Nacional não abdicou - nem mesmo só com dez em campo - até ao segundo golo leonino que provocou a queda anímica dos madeirenses, à entrada do último quarto-de-hora.
Em rodagem para o Europeu, o ensaio de Pedro Proença correu abaixo do que seria exigível nesta altura. Os dois treinadores apontaram os erros da arbitragem que entendem tê-los prejudicado, o que não é bom indicador. Até porque, genericamente, têm razão.
Para o Sporting, o fundamental está assegurado, ou seja, a equipa não colapsou num momento decisivo. Se isto significa o retorno ao andamento anterior ao Natal é algo que só os próximos jogos podem comprovar. E o próximo é já com o Marítimo com o terceiro lugar no campeonato como alvo. De resto, a equipa de Alvalade deve entender que uma temporada aceitável para o investimento realizado, não se esgota na possível conquista de uma Taça de Portugal.
O Sporting tem a enorme tarefa de tentar recuperar o terceiro lugar no campeonato, pois é a única maneira (mesmo que indireta) de ainda poder chegar à Champions, algo indispensável a um grande clube e não apenas por razões desportivas.
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07-02-2012 às 23h45
1 - Luis Filipe Vieira deu a chamada "entrevista de conjuntura". Nada de verdadeiramente sonante, mas alguns dados a reter, além da convicção de que Aimar vai permanecer.
No final da época o Benfica estará vendedor. Mesmo uma entrada direta na futura Champions obrigará a que não haja distrações no equilíbrio financeiro. Falta saber quem sairá, mas também se percebeu que Vieira coloca vários jogadores na montra. É só esperar pela aplicação da lei da melhor oferta. Por outro lado, a "estrutura" benfiquista está praticamente montada, embora o líder da Luz não ponha as coisas desta forma tão explícita. Mas dizer que emendou o "erro" que ele próprio cometeu na época passada, assumindo em pleno a pasta das contratações, é elucidativo quando à secundarização de Rui Costa.
A renovação com a Olivedesportos está na calha, com o fumo branco previsto já para este mês. Fácil de concluir quando diz estar a pensar numa verba que agradará a ambas as partes. A alternativa seria apostar nas transmissões na Benfica TV. O que não é alternativa, como é evidente. De caminho, o recado para Mário Figueiredo: esqueça a ideia de uma negociação em bloco. E um segundo recado para o presidente da Liga: Vieira está contra o alargamento. Como se calculava.
Está iniciado o caminho para mais um mandato. Os indicadores estiveram lá todos.
2 - Se ainda havia alguém que duvidava que o jogo do Sporting com o Nacional é o mais crucial da época leonina, terá ficado convencido com a afirmação de Domingos Paciência. O técnico não quis falar aos jornalistas, mas escolheu o site do clube para declarar, preto no branco, que este é o jogo do "tudo ou nada" e que "a Taça de Portugal passou a ser o grande objetivo da época" para os leões.
É uma cartada, do ponto de vista anímico, de alto risco. O que ele está a dizer aos jogadores é que se falham na Madeira acabam com a temporada. Aguardemos para ver se o "tratamento de choque" resulta.
3 - Foi um interregno de 43 anos. Acabou agora. A Académica regressa a uma final no Jamor e com todo o mérito. Campanha brilhante da equipa de Pedro Emanuel que, entre outros, afastou de forma categórica o atual detentor do troféu. O que lhe confere legitimidade para tentar levar a Taça para casa, seja contra que adversário for.
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06-02-2012 às 20h22
Depois de contratados, subiram aos relvados. No Jogo Jogado desta semana, na TSF, espreitámos os desempenhos das novas caras de FC Porto e Benfica - Lucho, Janko e Djaló - e da forma como poderão influenciar o andamento de ambas as equipas. Mas também o papel que crescentemente podem assumir os "miúdos" Rodrigo, Nelson Oliveira e Danilo. Discretamente, águias e dragões vão aperfeiçoando as respetivas máquinas.
O Sporting esteve igualmente em análise. Será que o jogo com o Nacional é assim tão determinante para o futuro leonino? Resposta possível: depende de que futuro estamos a falar.
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06-02-2012 às 01h01
Como estava determinado pela pré-formatada estrutura da Taça da Liga, vamos ter novamente um dos grandes na final da prova. E só não teremos dois porque o Sporting "abdicou" de tentar essa hipótese não chegando sequer às meias-finais. Em paralelo ao Gil Vicente - Braga, vem aí um Benfica - FC Porto, naquele que constituirá o segundo frente-a-frente entre ambos durante o mês de Março. A confirmação veio dos jogos da Luz e do Dragão, com Marítimo e V.Setúbal, ganhos com naturalidade e sem grandes sobressaltos. Mas o que realmente importa destas partidas é o resto.
1 - No caso do Benfica, a opção passou por colocar Nelson Oliveira e Saviola na frente, com o jovem português mais descaído para a direita. Foi mais uma experiência de Jorge Jesus, bem sucedida, comprovando que os encarnados dispõem esta época de múltiplas soluções (no ataque e não só) que lhes dão a possibilidade de mudar o "chip" conforme as circunstâncias ou as necessidades. Nelson Oliveira é um jovem que precisa de mais rodagem e alguma aprendizagem ao nível da gestão das suas próprias características, mas não engana quanto ao potencial que encerra. Assinou vários lances que revelam uma intuição evidente, algo que, agora, só tem de "trabalhar". Neste capítulo, o papel do técnico será determinante.
Bastante mais sólido é Rodrigo. Ou, se quiserem, "já está" mais sólido. A sua entrada na derradeira meia-hora veio proporcionar o fôlego suplementar de que o Benfica precisava para dar a estocada final num Marítimo que acusou fortemente a expulsão de Pouga. Os madeirenses, até aí e dentro do que lhes era possível realizar, até condicionaram bem as ações do adversário, nunca desdenhando os "raids" à área encarnada que, diga-se, estiveram perto de provocar estragos.
Referência lateral (literalmente) também para Capdevila, titular por necessidade, mas que não complicou, nem se complicou. É um caso para seguir com atenção nos próximos tempos, pois a questão do lado esquerdo da defesa permanece sem solução inequívoca desde o início da temporada.
Duas notas adicionais. Djaló entrou na festa e foi ele próprio parte dela. Recuperar o ex-leão é um dos grandes desafios que Jesus assumiu e vai enfrentar até final da temporada. Sobre a expulsão de Pouga: Artur Soares Dias precipitou-se e transformou o lance naquilo que ele não era.
2 - Isto de estrear dois reforços de inverno e vê-los marcar os golos que resolvem o jogo é daquelas benesses que só acontecem quando o rei faz anos. Ou nem isso. Mas foi o que Lucho e Janko fizeram no Dragão o que, só por si , é revelador de alguma coisa. Por exemplo, de que o FC Porto precisava de um "comandante" dentro de campo e de um ponta-de-lança com mais vocação pela baliza. O primeiro está encontrado, o segundo talvez esteja.
Lucho seria sempre uma mais-valia (um golo daqueles é de mestre), mas os primeiros dados que esta partida lançou apontam para algo mais do que um simples acréscimo qualitativo. Com o argentino a gerir, o meio-campo portista parece, finalmente, ter uma lógica funcional, deixando Fernando com o papel abrangente que lhe compete e João Moutinho liberto para um vai-vém que ele sabe assumir como poucos. Pena que Fernando se tenha lesionado, porque prefiro ver este FC Porto com as peças do triângulo no sítio certo.
Janko, que não tem o estatuto de Lucho, mal chegou, atirou o titular Kléber para o banco. As coisas correram-lhe bem, não apenas por ter marcado (como se pede a um goleador), mas igualmente por demonstrar uma mobilidade e sentido de área que o brasileiro ainda não conseguiu comprovar. É cedo para se tirarem conclusões (ele tem o problema de "andar à procura" do pé esquerdo para rematar), contudo, será interessante verificar como reagirá o "pinheiro" com Hulk e James a servi-lo em condições, nomeadamente nas alturas.
Finalmente, os laterais. Danilo, creio, veio para ficar. E não estou a reportar-me unicamente ao investimento a que ele obrigou. Danilo é, em todo o plantel portista, o jogador com o perfil mais adequado à lateral-direita (aliás, ao corredor direito) e não optar por ele é algo que ninguém de bom senso conseguirá perceber. Por outro lado, torna-se claro que precisa de rotinar rapidamente, pois terá de se libertar de uma certa indolência que pode fazer todo o sentido no campeonato brasileiro, só que não é aceitável no contexto do futebol europeu. Já Alex Sandro terá a vida mais complicada para se afirmar: Álvaro Pereira é um jogador mais maduro e mais completo. E isto vale praticamente tudo.
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05-02-2012 às 00h50
A crucial semana e meia da temporada leonina começou mal. A tal única equipa que estava em "todas as frentes" (embora, realisticamente, já não estivesse na do título) deixa agora, formalmente, aquela condição. A Taça da Liga, enquanto objetivo estratégico da época, acabou. E terminou perante um Gil Vicente que se tem afirmado como poucos nos últimos tempos no futebol português. Obrigou o Benfica a suar as estopinhas, venceu o FC Porto e eliminou o Sporting.
É pena que uma certa sobranceria dos grandes os impeça de reconhecer que Paulo Alves está a trabalhar muito bem. Jorge Jesus admitiu que o Gil "se bateu bem", Vitor Pereira que o Gil foi "digno" e Domingos nem disso falou. É muito curto, mas infelizmente habitual quando as coisas não correm completamente de feição àquelas equipas com "outro estatuto". Adiante. Para o caso , aquilo que interessa é que o conjunto de Barcelos tem ideias concretas sobre a forma como deve lidar com adversários mais fortes, aplicando uma lógica (reduzir os espaços aos antagonistas, impôr a cadência de jogo que lhe convém e contra-atacar com velocidade de ponta) que, quase sempre, resulta. Foi o que repetiu em Alvalade e com sucesso absoluto.
O Sporting nem fez uma má exibição. Sabia que a sobrevivência na prova passava obrigatoriamente por um triunfo e foi isso que tentou atingir. Simplesmente, este Sporting continua visivelmente condicionado pela ansiedade e com uma falta de confiança que lhe retira a lucidez para executar um plano com pés e cabeça. A criatividade de Matias, o desembaraço de Carrillo e o voluntarismo de Capel são contributos importantes para criar dinâmicas na manobra ofensiva. Mas ainda não são o suficiente para ir mais além, passar da intenção à concretização. Os leões de há uns meses (dos tempos do 6-1 a este mesmo adversário) mostravam outra crença e desenvoltura. Sobretudo, outra crença.
No último post referi que seria muito interessante acompanhar o discurso de Domingos, jogo após jogo, nesta fase vital para a equipa. Não é que fosse adivinho, mas calculava que iria valer a pena. Pois o técnico leonino resumiu a partida assim: o árbitro marcou um penálti contra o Sporting, não marcou outro contra o Gil Vicente, portanto, isto é que fez a diferença no desafio. Pondo de lado a evidente deselegância para com os gilistas (como se Adriano, Cláudio, Hugo Vieira e Richard não tivessem qualquer importância no desenrolar dos acontecimentos) e reconhecendo que Bruno Esteves deixou passar em claro a falta sobre Matias, querer resumir 90 minutos a duas decisões da arbitragem é, no mínimo, redutor.
O próximo passo é tentar atingir a final do Jamor. Por mais voltas que se dê, o Sporting ficou como o candidato "único" à conquista da Taça de Portugal, depois do afastamento de todos os outros. De resto , Domingos encarregou-se de nos lembrar que toda a concorrência já estava fora da corrida. Portanto, não há alternativa: ou os leões eliminam o Nacional ou esta temporada arrisca-se a ser um falhanço quanto a troféus. E isto é algo que já não seria propriamente aceitável na sequência da aposta na viragem que foi feita.
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03-02-2012 às 00h52
A tão esperada auditoria ao Sporting limitou-se a confirmar aquilo que já era admitido por toda a gente. Um projeto que nasceu como uma miraculosa solução para tornar o clube um "portento" no futebol português, falhou rotundamente. Está em falência técnica, mas convém perceber melhor o que isto quer dizer: significa, no caso do clube de Alvalade, que se vendesse tudo o que tem para anular o passivo , mesmo assim , ficaria a dever a brutalidade de 183 milhões de euros. É este o resultado de mais de uma década em que se criou uma ilusão que, na verdade, passou ao lado da realidade.
Seria fácil tentar "amenizar" a situação alegando que outros também estão em falência técnica. Acontece que não é exatamente a mesma coisa, pois atingir capitais negativos desta ordem é assustador. O Sporting, ao longo destes anos, foi-se alimentando do sustento proporcionado pela banca, acabando por fazer aumentar até ao impensável o "buraco" financeiro em que caiu. Só em 2007, o clube teve de pagar 17 milhões de euros em juros em encargos financeiros, quando as receitas não passaram dos 40 milhões. Além de que, no capítulo desportivo, o balanço está no mesmo nível desastroso. E não estou a reportar-me apenas à conquista de troféus.
A grande questão é saber como sair disto. Mesmo com o aumento de receitas, revisão dos contratos televisivos, publicidade, venda de passes (na íntegra ou parciais) a fundos, tudo somado , nada garante, principalmente quando nos lembramos que o Sporting tem um défice anual de tesouraria na ordem dos 20 milhões. Por tudo isto, cresce cada vez mais a convicção de que vai ser necessário recorrer a um investidor externo. É uma decisão tremenda para o universo leonino que, como se sabe, está profundamente dividido quanto a esta questão. Mas parece evidente que o Sporting já não tem hipótese de fugir ao momento em que terá de tomar uma decisão vital para o seu futuro. Se quiser garantir outro futuro.
PS : A equipa leonina tem uma semana e meia pela frente que constitui o teste mais duro da época para Domingos. Gil Vicente, para a Taça da Liga, numa partida em que só a vitória lhe garante o apuramento (em princípio) ; Nacional, para a Taça de Portugal, noutro desafio em que tem de vencer para seguir em frente; Marítimo, para o campeonato, em que só o triunfo lhe permite continuar na corrida pelo terceiro lugar; e Légia Varsóvia, para a Liga Europa, em que não pode derrapar para não comprometer a eliminatória. Acho que será de estar muito atento ao discurso do treinador jogo após jogo.
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01-02-2012 às 22h28
Tinha pensado inicialmente num tema para este post, mas desisti. Não me apetece falar de nada depois de ver as imagens e conferir os relatos que vinham de Port Said. Aquilo é de tal modo chocante, que ainda estou a tentar perceber como é possível existirem semelhantes atos de irracionalidade e de pura atuação animalesca. Matarem-se dezenas de pessoas num estádio de futebol, ouvir Pedro Barny dizer que viu adeptos do Al-Ahly morrerem no balneário da equipa, sem que técnicos e jogadores pudessem fazer alguma coisa para os salvar, é algo que escapa à compreensão de quem ainda acredita nos princípios básicos da civilização.
Há dias, a BBC apresentou uma reportagem sobre a criação de um partido político egípcio formado basicamente por jovens membros de grupos apoiantes de clubes de futebol, auto-intitulados de Ultras. A ideia, só por si, já era insólita e intrigante, mas refletia a realidade de uma sociedade que, depois de derrubar o ditador, entrou numa espiral de desorientação coletiva. Sobretudo por parte de uma juventude que não acredita mais nos líderes, sejam eles quais forem, decidindo ser ela própria a substitui-los.
Ignoro em absoluto se os tais Ultras têm alguma coisa a ver com o que aconteceu em Port Said, mas sei que o futebol, uma vez mais, foi aproveitado por radicais (da política ou de outra coisa qualquer) para provocarem uma tragédia de dimensões impensáveis. Aquela gente, que usou um estádio para um banho de sangue e que não tem o menor respeito pela vida humana, não quer saber do futebol para nada. Foi, sim, um simples pretexto para trazer a violência para a ribalta.
Não preciso - nem eu, nem a esmagadora maioria dos que gostam de futebol - de recorrer a exemplos extremos, como o do Egito, para insistir na necessidade de não dar tréguas à violência dentro e fora dos estádios. Mesmo que o enquadramento sociológico seja completamente distinto, nada nos deve permitir facilitismos quando se trata destas matérias em Portugal. Só espero que os responsáveis de clubes que, com grande naturalidade, condenam os atos selvagens dos apoiantes dos outros mas que relativizam sempre os deles, nunca se esqueçam que a violência não escolhe alvos. E que o caminho para a morte, às vezes, é bastante mais curto do que imaginamos.
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30-01-2012 às 20h18
Contagem acelerada para o fecho do mercado intercalar. Tema central no Jogo Jogado desta semana, na TSF, com destaque para o regresso de Lucho Gonzalez ao Dragão. Que contará também com Janko, mas que fica sem Belluschi. Como interpretar estas movimentações? Isto para lá de Yanick Djaló estar na mira do Benfica e de Ruben Amorim ter Braga no horizonte.
Também em análise o colapso portista em Barcelos, que deixa os dragões a cinco pontos do líder. E que reflexos internos (e externos) pode ter este cenário inesperado.
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30-01-2012 às 00h11
1 - Os dragões somaram a primeira derrota , provavelmente onde menos esperavam e em circunstâncias que, com toda a certeza, não lhes tinham passado pela cabeça. Vitor Pereira hierarquizou as razões: antes de elogiar a atitude competitiva do Gil Vicente e de arrasar o árbitro , reconheceu que o FC Porto não se comportou como um campeão que quer revalidar o título. Por muito que custe a alguns setores, a primeira causa do desaire em Barcelos está aqui.
Tinha aqui referido antes que não esperava grandes exibições de Benfica e FC Porto na contagem decrescente para o próximo jogo da Luz, pois a preocupação maior das duas equipas estaria em ganhar e não em brilhar. O Benfica foi por esta via frente ao Feirense. Esteve a perder e reagiu à procura de virar o resultado, empenhando-se seriamente na conquista dos três pontos, ou seja, teve a atitude correta de quem quer ser campeão e sabe que é preciso penar para lá chegar. Numa frase: fez pela vida. Num contraste visível , o FC Porto apresentou-se em Barcelos sem fulgor, sem ideias, mas , pior que tudo, sem vontade. O que fica da primeira parte do jogo é praticamente um deserto. Depois de sofrer um golo aos 15 minutos (em que toda a defesa, Helton incluído, fica muito mal na fotografia), o FC Porto pouco mais fez do que algumas vagas ameaças. O Gil Vicente foi muito melhor, porque soube ser mais equipa.
Na segunda parte, já com 2-0 e ainda sem tempo para testar as entradas de Danilo e Belluschi, sofreu um terceiro golo num lance de execução perfeita de André Cunha. Ficou a impressão de que os portistas se tinham esquecido do que a equipa de Paulo Alves fizera na Luz, quando discutiu o jogo com o Benfica sem quaisquer complexos. A sentença na partida estava dada, apesar de Belluschi ter injetado algum ânimo no meio-campo e de Danilo, muito subido no terreno (os dragões passaram a jogar com três defesas), terem tentado fazer o que já não era possível. De resto, Vitor Pereira começa a ter alguma dificuldade em comprovar que Maicon é preferível a Danilo, que Belluschi é descartável ou que Kléber ainda pode resolver alguma coisa. Para quem não podia ter Fernando e Hulk em campo era, no mínimo, exigível que as escolhas fossem mais assertivas.
Depois há Bruno Paixão. Como não quero repetir-me sobre ele pela milésima vez, digo apenas que aquela atuação não tem nada de surpreendente. Compreendo que é difícil escolher sempre os melhores árbitros para os desafios relevantes em cada jornada, até porque não temos mais de quatro ou cinco no quadro da arbitragem, mas já seria um bom princípio não nomear os mais incapazes. O chefe dos árbitros também tem a obrigação de salvaguardar o espetáculo.
O FC Porto está, agora, a cinco pontos do líder. O caminho começa a estreitar e, do modo como a equipa se comportou em Barcelos, torna-se imprevisível saber como sairá da situação em que mergulhou. Uma coisa foi notória: a atitude de águias e dragões perante a adversidade não foi idêntica.
2 - O principal registo do jogo de Alvalade foi o regresso do Sporting às vitórias. Positivo, se nos lembrarmos que os leões não venciam desde o ano passado. Há ainda muito caminho a percorrer, até porque a segunda parte frente ao Beira Mar foi um exemplo de como as coisas estão ainda longe do que é necessário para recuperar terreno.
Seja como for, mesmo com as múltiplas baixas (qualitativas) que apresenta, o Sporting conseguiu uns 45 minutos iniciais interessantes, em que aproveitou bem dois lances de bola parada que levaram Onyewu a brilhar novamente nas alturas. Pelo menos, já se nota alguma eficácia que deriva do chamado "trabalho de laboratório". Embora falte acautelar o processo defensivo para evitar, por exemplo, ver a bola ir duas vezes aos ferros.
Colocado por mario.fernando em
29-01-2012 às 00h37
Entrámos naquela fase do campeonato em que não é de esperar grandes exibições por parte dos candidatos ao título. Com uma distância muito curta entre Benfica e FC Porto, à entrada para esta jornada, as duas equipas vão estar, até ao início de Março, muito mais preocupadas em ganhar jogos do que em ser brilhantes. Jorge Jesus já tinha avisado que a "nota artística" poderia ir para a gaveta em nome de valores mais relevantes. Confirmou-se na partida com o Feirense. Um triunfo mais "arrancado" do que "conquistado".
Pondo de lado a questão das dimensões do recinto (para mim, um debate com um interesse muito relativo), importa registar que Jesus deixou Gaitán e Nolito no banco. Segundo ele, foi uma opção propositada, sublinhando até que já tinha definido o timing de entrada de ambos na partida. Precisamente por isto, é bom sublinhar que tão negativa foi a escolha inicial como positiva a alteração operada.
Na verdade, o Benfica "não teve" alas durante mais de metade do jogo (Bruno César, sobretudo, ficou colado à linha e pouco mais) e Aimar não dispôs de espaço que se visse para orquestrar o que pretendia. Só por milagre o argentino conseguiria "tirar" algo de um raio de ação tão apertado. Além do mais, o Feirense soube gerir muito bem as áreas de atuação, cabendo aqui destacar o papel fundamental de Thiago Freitas, um médio-defensivo que esteve em muito bom plano. Tal como Diogo Cunha na primeira metade (Maxi e Emerson que o digam) e, acima de todos, o guarda-redes Paulo Lopes que, inclusivé, se deu ao luxo de "roubar" a bola a Rodrigo num lance de golo-quase-feito.
Foi, de facto , a dupla entrada de Gaitán e Nolito, com Rodrigo a jogar nas costas de Cardozo, que gerou uma alteração profunda no andamento da partida. O Benfica ganhou outra voltagem com destaque para Rodrigo que, após ter sido o mais inconformado antes, passou a ser a figura depois. É inegável que o Feirense quebrou a seguir ao segundo golo dos encarnados, mas isto é muito mais consequência da mutação benfiquista do que demérito da equipa da casa.
Sobre a arbitragem: mal. Há um ou dois lances que podem dividir opiniões e serem passíveis de decisões discutíveis. Simplesmente, quando é assinalado um fora-de-jogo a um jogador que está atrás da linha da bola não há matéria para qualquer debate. O lance em que Ludovic introduz a bola na baliza de Artur é legal. Não vou entrar em exercícios de futurologia sobre o que teria acontecido se o golo tivesse sido validado, porque me parece ridículo fazer afirmações peremptórias quando a história do jogo passaria a ser outra. Importa-me muito mais que Vitor Pereira, o chefe dos árbitros, avise os seus comandados que se concentrem realmente no que estão a fazer. É que estamos na segunda volta do campeonato, a luta vai ser mais cerrada que nunca, e o grau de exigência é ainda maior. Também para os árbitros.
PS: O Real Madrid já vai com sete pontos de avanço sobre o Barcelona. Agora, até Messi critica os árbitros. Como se previa, na hora do aperto, não há assim tantas diferenças.