Última emissão:30 de Junho de 2011
Lista de convidados 1ª temporada
Lista de convidados 2ª temporada
15h-16h: «Portugal é um país de odiadores. O ódio é a moeda de troca do nosso comércio emotivo. (...) A nossa alma colectiva, essa empoeirada cave metafísica, vive do ódio e para o ódio. E não estou a falar de um ódio contra os 'estrangeiros'. Não. Este ódio vai de português para português. (...) Portugal é um pretexto para o ódio que, não sei porquê, habita no peito dos portugueses. Vivemos consumidos por este ódio selectivo que apenas selecciona como alvo outros portugueses» - quem o escreveu foi Henrique Raposo, cronista do Expresso.
Henrique Raposo é um caso muito especial entre os cronistas do Expresso - são ou jornalistas do jornal ou figuras mediáticas. Mas quem conhece Henrique Raposo? Quem é Henrique Raposo? E o que pensa?
Vamos procurar respostas nesta conversa com o autor de «A Caipirinha de Aron, Crónicas de um Liberal Triste».
Etiquetas: Henrique Raposo, política
Ouvi o programa com o tema: Portugal País do Ódio. Discordo do convidado quando diz que os portugueses vivem em ódio entre si desde há séculos. Discordo ainda mais quando afirma que esse sentimento é exclusivo dos portugueses. A História europeia e mundial está cheia de exemplos de matanças fratricidas. Dou exemplos: a batalha mais sangrenta travada em solo inglês, a batalha de Towton, foi na guerra civil inglesa; foi uma autêntica chacina entre ingleses pela posse do trono. A guerra civil americana, no século XIX, foi um massacre constante de americanos por americanos ao ponto de dividir amigos e famílias e de se matarem uns aos outros. A guerra civil espanhola, no século XX, ficou famosa pela crueldade de parte a parte; todos os dias eram fuziladas pessoas pelos motivos mais fúteis ou por mera vingança pessoal. Balanço: 630.000 mortos! Na China de Mao terão sido deportadas, espoliadas e chacinadas mais de cem milhões de pessoas, causando sentimentos de desconfiança e ódio por todo e qualquer vizinho ou estranho. Na revolução romena de 1989 terão sido mortos cerca de oitenta mil romenos por outros romenos. No século XVI, em França, as populações católicas lançavam-se em massacres de outros franceses só porque eram cristãos protestantes ou vice versa (lembremo-nos do famoso Massacre da Noite de São Bartolomeu). Veja-se também o que aconteceu na União Soviética ou nas guerras mexicanas, atente-se ao que sucedeu em El Salvador ou na Nicarágua; enfim, há inúmeros exemplos de ódios fratricidas em todo o mundo. O convidado falou também da forma como os portugueses conduzem nas estradas. Eu pergunto se ele já conduziu em Paris; aí sim, há agressividade. Referiu também que nas páginas na Internet dos jornais os comentários dos leitores são apenas trocas de insultos em vez de se discutir os assuntos das notícias; nesse caso eu acho que a culpa é dos próprios jornais pois publicam comentários que são autenticas barbaridades, insultos soezes, palhaçadas despropositadas e imbecilidades completas. Se os jornais permitem tais abusos é natural que as pessoas tenham tendência para abusar. Não nos esqueçamos que sem controlo o abuso impera. Eu não acho que Portugal tenha excesso de ódio, penso é que tem excesso de impunidade.