Desde
o dia em que saiu o primeiro iPhone eu quis experimentá-lo. Já há
alguns anos que uso um PDA portanto nada daquilo era novo para mim, mas
mesmo assim, nos iPhones sempre houve qualquer coisa que me atraiu.
Puz o dedo no ar para o testar e a Vodafone foi simpática ao ponto de dizer que me emprestava um durante duas semanas.
Como o texto é um pouco maior do que é
habitual por aqui, façam o favor de clicar em “Read More” se estiverem
interessados. Obrigado.
Facilidade de Utilização
Acho que a tal coisa que me chamava a
atenção e ainda hoje me parece ser a grande mais-valia do iPhone é a
facilidade com que se usa o dispositivo. Qualquer pessoa, nova ou mais
velha, consegue rapidamente perceber como circular por entre os botões
e isso acontece porque é intuitivo. A experiencia de se usar um iPhone
3G está muito longe de ser um choque ou uma tortura como para alguns
poderá ser usar um HTC ou outro PDA com ecrã sensível ao toque. Desta
forma a Apple conseguiu democratizar o uso de um ecrã assim, que num
ápice, deixou de ser um bicho papão.

E esta é, na minha opinião, a principal razão pela qual devemos dar os parabéns à Apple.
Entretanto, já as outras grandes marcas
produras de PDAs já apresentaram alternativas ao iPhone, o Samsung
Omnia e o HTC Touch Diamond, por exemplo. Já os conheço, e é um facto
que conseguem lançar algumas pontes em direcção ao utilizador comum,
mas mesmo assim não chegam ao iPhone.
Safari / World Wide Web
Outro ponto onde o iPhone 3G é espantoso é
na internet. É verdade que o Safari Mobile ainda não é perfeito, longe
disso, mas no campo dos PDAs nada se lhe compara. Tirando os sites em
flash, e até são bastantes, é uma maravilha navegar-se na net e, para
ser franco, se algum dia comprar algum é por causa deste programa. O
problema é que a navegação pela net é cara, mesmo nos tarifários mais
amigos do bolso.
Zona desmilitarizada
No campo mais neutral, estão programinhas
como os que, atrás de um clique nos deixam ficar a saber como é que
estão as acções na bolsa portuguesa, ou outras, noutros cantos do
mundo. A calculadora é gira e pode ser científica se usada na
horizontal (um belo truque), a previsão metereológica é sempre útil (e
tem acertado na caloraça que se tem feito sentir).


O YouTube e as Notas também se encontram
nesta zona de ninguém. Eu sei que o YouTube é uma maravilha e funciona
mito bem, mas há um limite para o tempo que podemos estar a olhar para
os vídeos dos outros, não há? Claro que para os telediscos não há
melhor, pena é a qualidade do som, mas aí a culpa já não é da Apple.
As Notas, são apenas notas. Nada de muito
valor. O que teria sido mesmo interessante era que a Apple tivesse
feito uma aplicação com listas e com vistos. Aí usava-o até na secção
de congelados do Feira Nova.

Tou sim?
O iPhone 3G tem tanta facilidade em
navegar pela net que até nos poderiamos esquecer que vem com um
telefone. Neste campo não vejo mesmo mácula nenhuma. É fácil de usar e
a qualidade de som é do melhor que por aí anda.
Os auriculares/earphones, como preferir,
são perfeitos. Parecem-se com uns simples auscultadores, mas permitem
atender chamadas muito facilmente. Basta apertar um pequeno plástico.
Se estiver a ouvir música, ele faz o fade out/in, consoante a chamada
esteja a começar ou a acabar.
Parece que alguém na Apple satisfez todas as minhas vontades e isso sabe bem.
Fotografias
Diz o aforismo que quem quer tirar
fotografias a sério deve usar uma máquina fotográfica a sério. Uma
daquelas que ainda são mais caras que o iPhone 3G. O que é chato é que
essa desculpa já começa a soar a velha e as fotografias do iPhone
continuam a ser fraquinhas. Tão fraquinhas como noutros PDAs que já têm
bem mais de um ano. E é por isso que fico triste com o iPhone neste
campo. A Samsung, por exemplo, acaba de apresentar o Omnia, um PDA que
tem uma câmara de 5MP!
E depois há outros dois grandes problemas
que orbitam à volta da máquina fotográfica. Problemas que toda a gente
parece querer-se esquecer, não percebo bem porquê.
1 - Esqueça os MMS porque o iPhone, ao contrário de toda a concorrência, não os envia nem recebe.
2 - Video-chamada? Isso é para a CNN! O iPhone também não vai por aí.
Agenda
Diz-me o meu apurado insensato comum que
quem comprar o iPhone, não o vai fazer por causa das capacidades da
agenda do bichinho. Mesmo assim, as coisas estão melhores graças ao
suporte para o Exchange da Microsoft (que permite receber emails no
iPhone quase ao mesmo que são enviados). Não usei este Exchange, por
isso não posso garantir que a agenda também é sincronizada, mas quero
acreditar que sim.


Seja como for, e voltando a focar-me na
agenda, não sendo uma coisa extraordinária (nem podia, visto ser apenas
uma agenda), porta-se bastante bem. Gostava apenas que, no ecrã de
desbloqueio(?), aparecesse o próximo compromisso. Caso contrário
obriga-nos a ir, com a periodicidade que cada um se impõe, a clicar no
ícone da Agenda.
Mas volto ao meu ponto inicial. Não é
grave porque ninguém compra um iPhone por causa da agenda. E desde que
avise dos aniversários, já ninguém se vai chatear.
Emails
Ora aqui está mais um ponto bastante
importante. Cada vez mais os emails são reis no mundo dos negócios, mas
também na comunicação do dia-a-dia. Gostei de toda a experiencia
relacionada com o correio electrónico no iPhone. As novas contas são
fáceis de configurar, mais ainda se optar pelas mundialmente famosas.


Não testei, mas sei que o iPhone 3G pisca
o olho aos consumidores profissionais (seja lá o que isso for). Prova
disso é o suporte para o Microsoft Exchange. Na prática o que isto
permite é que, em empresas que tenham o Microsoft Exchange nos
servidores, um email que seja enviado para o email da empresa é
instantâneamente recambiado para o iPhone 3G. Assim, (uau, que sorte)
pode trabalhar em na empresa, em casa, em casa dos sogros, na praia, na
esplanada, de dia, de noite, durante o fim-de-semana, nas férias e em
todos os outros lugares e alturas.
Tenho tanta inveja de quem tem este serviço.

No Escritório
Na minha opinião se o iPhone quer ser
levado a sério entre os utilizadores dos PDAs baseados no Windows
Mobile ou por quem vive agarrado a um Blackberry, esta é toda uma área
a melhorar. A verdade é que lhe falta ainda muita coisa, e só o
Exchange (ver em cima), não chega.
Por exemplo, o iPhone permite que o seu
dono consulte folhas de cálculo Excel e documentos Word, mas e editar?
Aí já não lhe toca.
Portanto, a pergunta mais importante que tem a fazer é: “preciso de editar documentos ou folhas de cálculo no telefone“? Se a resposta for afirmativa, o melhor é procurar outros telemóveis (leia-se: Windows Mobile).
SMS
Tenho
sentimentos misturados em relação a este ponto. Como tudo no iPhone, as
mensagens são extremamente fáceis de usar e apresentadas de uma forma
ímpar. Mas… não gostei de duas coisas. Em primeiro lugar aparecem logo
no ecrã inicial, mesmo antes de se desbloquear o telemóvel. Ora, quem
recebe mensagens mais “privadas” do que a maioria dos monogamicos
mortais, por exemplo, não vai gostar de ter logo ali escarrapachada a
mensagem que acabou de receber. Depois, porque no iPhone as SMS são
agrupadas sob uma mesma conversa (como se estivessemos no messenger)
também não consegui apagar uma mensagem em particular, apenas as
conversas na totalidade.
Mas tirando estes dois pormenores, o sistema das mensagens é tão giro que dá vontade de trincar.
Apps
As Apps são mais uma novidade do 3G.
Confesso que não fiquei assim tão excitado com isto como ficou o resto
do mundo, mas isso (imagino) deve-se ao facto de eu ter um PDA Windows
Mobile e programas extra, gratuitos ou pagos, são o pão nosso de cada
dia. Gostei de alguns, embora a maioria não sirva para coisa nenhuma.
Perdoem-me se não destaco nenhum, mas todos os dias saem apps novos e tenho outra vida para além desta.
GPS
Segundo a Apple, o GPS que está integrado
no iPhone 3G é tão bom quanto o que pode ser encontrado noutros
telemóveis. Digo isto porque logo no início circulou uma notícia que
dizia que não era assim. Afinal o New York Times estava enganado.
Acontece.
Apesar
disso, o programa de navegação que vem incluido no iPhone não é grande
coisa. Chama-se Google Maps e é claro que ainda não está preparado para
ser usado num coisa tão portátil como um telemóvel. Serve para uma
brincadeira ou outra, mais não.
Espera-se que as empresas que fazem
software de navegação por GPS consigam fazer um programa para correr no
iPhone 3G. Até agora só há rumores.
Backups
Sempre que ligar o iPhone 3G ao iTunes,
ele vai sincronizar tudinho. Desde os contactos, até à agenda e claro,
os MP3. Até aqui tudo normal. O que achei verdadeiramente interessante
(e a copiar pela Microsoft para os PDAs Windows Mobile?) é que ele faz
a salvaguarda de tudo. Por tudo entenda-se até as palavras-passes das
redes WiFi que foi adicionando pelo caminho.
Assim, no dia em que tiver que apagar tudo
do iPhone 3G, logo na primeira sincronização estes dados são também
copiados e não terá que os voltar a introduzir. Nunca mais.

O quê?! Também é um iPod?
É sim. Fixe, não?
Pontos Brilhantes
- Design.
- Fácil de usar.
- Navegação na internet e o 3G.
- É um iPod.
O Lado Negro
- Ainda não é muito amigo do escritório.
- MMS? Video-chamada? Um programa tipo messenger? Não tem.
- Pensava que eram favas contadas, mas não consegui engatar nenhuma moça bem parecida.
Conclusão Conclusões
O iPhone 3G é um telemóvel que tem recebido tanta cobertura
mediática que vai ficar debaixo de olho de todo o tipo de pessoas,
desde teenagers até homens de negócios. É por isto que é dificil chegar
apenas a uma conclusão.

Sendo assim, vou alargar o meu espectro de conclusões.
Se o que se anda à procura é de um bom telemóvel, com um excelente
leitor de MP3, um belo ecrã e com capacidades de ligação (e interacção)
com a net bastante acima da média, então não vejo como fugir ao iPhone
3G. Não grava vídeos, mas seja numa esplanada, na praia ou no comboio,
vai-se encontrar sempre uma forma de lhe dar uso. Semáforo verde, siga
a toda velocidade para a loja mais próxima.
Para quem precisa de um PDA enquanto ferramenta (ligeira) de
trabalho. Para enviar e receber e emails, para servir (muito)
esporadicamente de bússola e para fazer umas buscas na internet (uma
espécie de PDA para quem está de férias). Então pode seguir em frente,
mas com semáforo amarelo, não vá depois arrepender-se.

Para aqueles que, sejam homens de negócios, quadros de uma empresa
ou “simples” funcionários que andando na estrada precisam de se ligar
com frequencia à net, o iPhone 3G é das melhores propostas do mundo. O
problema é que, habitualmente, é preciso sempre mais qualquer coisa do
que o iPhone tem para dar. No domínio do GPS, por exemplo, falta-lhe um
bom programa de navegação. Mas neste caso, o que acho mais preocupante
é o facto de não se ser possível editar documentos do Word ou do Excel.
Claro que alguns dirão que vem aí um app que resolve isso tudo (tanto
os documentos como o navegador GPS) mas quando, pergunto eu?
Bom, tudo isto para dizer que o iPhone 3G não é um canivete suiço,
nem sequer o telefone do MacGuiver. Faz muita coisa, é verdade, mas há
outros PDAs que também o fazem. Mesmo assim, é melhor do mundo a fazer
uma coisa que, para mim, é importantíssima: navegar na net.
Gosto muito dele, é verdade que sim e até é verdade que pondero
comprá-lo. Mas antes de mais, vou ter que ter uma conversa muito séria
com a minha conta bancária. O iPhone 3G até pode ser muita coisa, mas
não é barato.
Nota a 11 de Agosto de 2009:
Este texto acaba de ser importado para este blogue (mundodigital.tsf.pt) até agora estava noutro local (www.omeumundodigital.com). Os problemas com a formatação vêm daí.
Publicado por ruitukayana em
19.07.2008
Etiquetas: Apple, iPhone, HTC, Samsung, Diamond, Omnia, Windows Mobile, RIM, 3G