Instituto de Medicina Legal

Histórias dos rostos da morte

"Histórias de Vida e Rostos da Morte" é o título da exposição que assinala os 15 anos do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses. 280 rostos, todos de pessoas que decidiram enforcar-se.

Cada rosto corresponde uma história de vida, máscaras em gesso com expressões muito realistas, do sorriso ao terror, e todas acompanhadas por documentos, fotografias e materiais como roupas, que permitem conhecer cada uma das faces.

Carlos Branco é o curador da exposição. "Esta é a história de um senhor que se enforcou na prisão, sentia-se injustiçado, estava a ser condenado por um crime que não cometeu e deixou uma nota de suicídio à família a pedir desculpa por ter decidido acabar com a vida".

Esta coleção deu os primeiros passos no início do século XX, com o primeiro presidente do Instituto de Medicina Legal, que queria provar uma teoria científica. "Se havia alguma ligação entre a expressão e a causa da morte. Pegou em indivíduos que se enforcaram e conclui que todos apresentavam expressões diferentes e rostos inexpressivos. Não havia uma relação direta".

A Exposição está dividida em cinco núcleos, num encontramos cerca de 20 máscaras suspensas, algumas com bigode ou pelos nas sobrancelhas. Estão ainda representadas quatro crianças estranguladas. Carlos Branco conta a história de uma menina de seis anos, estrangulada pelo pai, numa pensão da Rua Augusta, em Lisboa.

"Era uma criança pobre, o pai tinha várias dependências, não conseguia garantir o sustento da filha e decidiu estrangulá-la. Esta história está muito bem documentada, como fotografias, roupas, etc".

Entre os muitos documentos que contam a história de cada um dos 280 rostos expostos encontramos relatórios de autópsias, fotografias, cordas, correias, tecidos de roupas e pedaços de pele.

A exposição pode ser visitada até 27 de janeiro, na Reitoria da Universidade do Porto, de segunda-feira a sábado. A entrada é grátis.

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