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A arte de um "pescador de sons"

De microfone e gravador na mão há quem se dedique a gravar os ruidos do mundo. Seja o bulício das cidades ou a calmaria da natureza. A TSF ligou o gravador e foi atrás de um desses "pescadores de sons".

Luís Antero é caçador de sons desde 2008, ou como prefere chamar-se "pescador de sons". E assume-se pescador de sons porque a água é o som que mais gosta de caçar. "A minha região tem uma paisagem e rios muito interessantes e aquilo que gravo com abundância é a água, diferentes sons, diferentes dinâmicas acústicas. As rodas de água que ainda existem no rio Alva, por exemplo, são extremamente interessantes e ricas em termos de dinâmicas sonoras".

E foi a região onde vive, Alvoco das Várzeas, no concelho de Oliveira do Hospital, que o fez despertar para os sons: os sons que o fascinam, os sons que o rodeiam, os sons que ama, como "Os sons da Serra da Estrela", publicados recentemente numa netlabel russa, a Phonographic, um trabalho onde compila sons da montanha mais alta de Portugal continental, "desde o Sabugueiro, ao Covão da Ametade, ou ao Covão da Ponte, um trabalho sonoro com base em gravações de âmbito natural, mas também com gravações de pessoas e do gado".

O som, para Luís Antero, aparece como peça fundamental na identidade de um território. Por isso, não se prende apenas a sons ambiente e não descarta "gravar uma história de vida de um pastor ou de uma senhora que sabe ladainhas populares ou rezas populares".

A ideia é que o imaterial fique registado e perdure. E para captar o momento certo ou o som mais inusitado há que estar preparado, e "porque nunca sabemos quando somos surpreendidos com um som daqueles, o gravador anda sempre na mochila", muito embora confesse que "também há trabalhos planeados", como por exemplo o trabalho que fez nas aldeias de xisto, intitulado "Xisto Sonoro - paisagem sonora das aldeias de xisto", tendo gravado as paisagens sonoras de todas as aldeias de xisto.

Mas, estar preparado com o melhor material existente no mercado não chega, pois há muitas vezes que estar preparado para viver também uma aventura. "Já tive que me pendurar em árvores e já não tenho propriamente 16 anos e já tive que fugir de formigas. Estava a gravar no Piódão, uma gravação muito interessante, mas elas eram aos milhares e começaram a subir pelo fio e nos phones e tive que mandar tudo ao chão e ir embora", lembra com sorrisos.

O que nunca mais abandonou foi a arte de captar um bom som, criar ambientes e construir paisagens sonoras.

O que capta disponibiliza gratuitamente em luisantero.yolasite.com, para ouvir ou descarregar. É lá que encontramos também a alusão ao concerto de olhos vendados, que consiste na criação de "um momento de imersão para as pessoas se abstraírem de quase tudo o resto e prestarem atenção ao som, e por essa via potenciar uma viagem mais sensitiva".

Um dos trabalhos mais recentes de captação de sons, de Luís Antero, foi a paisagem sonora dos sons do centro histórico da cidade de Coimbra

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