Cultura

Aos 90 anos, Cargaleiro continua a "trabalhar todos os dias"

Manuel Cargaleiro foi condecorado pelo Presidente da República, de surpresa, no dia em que completa 90 anos.

Manuel Cargaleiro foi condecorado, esta quinta-feira, pelo Presidente da República. O "artista completo" recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique, no Palácio de Belém.

A condecoração foi "uma surpresa" para o mestre Cargaleiro. O segredo foi guardado pela Presidência da República até esta quinta-feira, dia em que Manuel Cargaleiro completa 90 anos. O artista mostrou-se "muito feliz" com a homenagem.

"Foi um artista completo em tudo, e até no acesso da democracia às artes plásticas, com a aposta na gravura", declarou Marcelo Rebelo de Sousa, na sessão solene, sobre as múltiplas facetas artísticas de Cargaleiro, que se tem dedicado não só à pintura, mas também à cerâmica, gravura, desenho, azulejo e tapeçaria.

Nascido em Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, Manuel Cargaleiro executou vários trabalhos de arte pública, nomeadamente painéis cerâmicos para o Jardim Municipal de Almada, a fachada da Igreja de Moscavide, estação do Metro de Champs Elysées-Clémenceau, em Paris, o painel para a escola com o seu nome no Seixal, a fonte no Parque da Cidade de Castelo Branco, e a estação Colégio Militar do Metro de Lisboa.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que as cidades do país "têm a marca [de Cargaleiro], uma marca portuguesa, desta arte, da qual se tornou um dos expoentes", e comentou que era injusto, no entanto, que fosse conhecido sobretudo como ceramista, "tão vasta é a sua obra noutras disciplinas artísticas".

Para o Presidente da República, celebrar os 90 anos de Cargaleiro "é também revisitar uma parte importante das nossas memórias visuais e afetivas". Confessando-se "um grande admirador, de longas décadas" do artista, Marcelo Rebelo de Sousa agradeceu ainda a Cargaleiro ter deixado "a marca da portugalidade" em Paris, onde o artista tem residência, além de Lisboa.

"Tornou-se, e é, um dos nossos artistas fundamentais, por isso o Estado português o homenageia e condecora", justificou o Presidente da República, abraçando o artista no final do discurso, dizendo-lhe ainda: "Está ótimo. A inveja que eu tenho da sua forma". Em declarações aos jornalistas no final da sessão, Manuel Cargaleiro disse que continua a trabalhar "todos os dias" e a "dar uns passeios".

"Gosto muito de vir a Portugal e de viajar pelas cidades", disse o artista, acrescentando que a luz do país e outros motivos que encontra nas suas viagens são fonte de inspiração contínua nos seus trabalhos.

"Não estava nada à espera. Estou muito feliz por o Presidente da República me ter concedido esta homenagem", comentou ainda Manuel Cargaleiro, que iniciou os estudos em 1946, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, mas que abandonou para se dedicar às artes plásticas, iniciando-se como ceramista na Fábrica Sant'Anna, em Lisboa.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

  COMENTÁRIOS