
Miguel Midões/ TSF
Tomar vai recriar durante os próximos dias, na 4ª edição da Festa Templária, um capítulo da história que marcou o país: o cerco ao castelo templário, feito pelos mouros, a 13 de julho de 1190.
O rei de Marrocos, Almançor, contra-atacou a expedição para sul encetada por D. Afonso Henriques, que já tinha chegado ao Algarve. Saqueou e conquistou castelos e povoações até ao rio Tejo.
Diz a história que os árabes eram consideravelmente em maior número, mas a valentia dos templários, comandados por D.Gualdim Pais, pôs fim ao cerco de seis dias.
"O espetáculo começa já o castelo está cercado há cinco dias. Há uma hoste moura que se aproxima das muralhas do castelo e promete tomá-lo aos templários. Diz-se que seriam cerca de meio milhão de mouros e muito poucos os templários dentro do castelo", conta Tiago Faustino, da companhia Magic Events, a quem foi lançado o desafio da recriação.
Tiago Faustino garante que a companhia não quis perder esta batalha e o primeiro passo foi estudar a história de Portugal neste período. Um trabalho possível também pelos professores universitários presentes na companhia e que permitiram "fazer a investigação histórica". E, depois, "junto de recriadores históricos de artes militares fomos construindo um espetáculo que procuramos que seja o máximo fiel possível ao que se passou", conta.
Na recriação, entre mouros e templários estão cerca de 70 atores e figurantes, 40 dos quais são nabantinos. Uma história que termina com a vitória dos cristãos, "com a valentia de D. Gualdim e a força de Deus, para bem de Tomar e de Portugal".
No cimo da Mata dos Sete Montes, D. Gualdim Pais, venceu os mouros... Junto à porta do sangue, à luz das estrelas, centenas de pessoas assistiram à recriação deste momento histórico para o país que, na altura ainda estava em processo de consolidação de fronteiras.
A autarquia de Tomar aliou a recriação do cerco de 1190 à Festa Templária com um objetivo pedagógico. "Para que as famílias venham com os filhos e conheçam um pouco da história de Portugal", explica a presidente, Anabela Freitas.
E se este ano já houve envolvência da população nas recriações históricas, a ideia é que passem a ser mais no futuro. "O que pretendemos é que fique o know-howe que a festa passe a ser feita única e exclusivamente por tomarenses".
No cerco ao castelo, os árabes chegaram a conseguir passar a porta Almedina e entrar na povoação, depois do confronto entre templários e mouros, esta porta passou a chamar-se "Porta de sangue".
Este fim de semana, o Terra a Terra da TSF está em Tomar, na 4ª edição da Festa Templária, que conta ainda, até domingo, com uma feira de artesanato e tasquinhas, um acampamento de lacube Almançor (acampamento mouro), um Festival de Cozinha Medieval, danças medievais, treino de homens de armas, entre outros.