
Sónia Santos Silva/ TSF
O espaço que encerrou no final do ano 2000 abre hoje portas e tenta recuperar o hábito de ir ao cinema ao centro da cidade.
Portugal era uma jovem república e o mundo estava mergulhado na primeira guerra mundial. No Porto, no ano de 1916, abria o Cinema Trindade. A sala com mil lugares era muito procurada. Os filmes e atividades eram um chamariz para inúmeras sessões com lotação esgotada.
Nos primeiros anos de democracia, foi palco de fitas proibidas pelo antigo regime. "O Último Tango em Paris" foi um dos filmes que aqui foi visto. Nos anos oitenta, perdeu-se a versão original. A sala grande fechou. Abriu uma de bingo e o Trindade passou a ter duas salas pequenas.
São essas duas salas, encerradas no ano 2000, que vão reabrir. Américo Santos, assume agora o papel de comando no Trindade. A ideia tem mais de dois anos e começou quando assistiu a uma mudança na baixa do Porto.
A localização também ajudou a empurrar a ideia para a frente. O Trindade fica em pleno centro e muito perto de uma estação de metro.
Américo Santos vive de filmes. É diretor-executivo de uma distribuidora -a Nitrato, organiza há mais de vinte anos um festival dedicado ao cinema luso-brasileiro. No renovado Trindade quer convidar o público para uma programação cruzada, onde possam conviver cinema de autor com propostas alternativas de grupos ou entidades.
Na agenda também já está marcado um festival, para 5 de fevereiro, dedicado ao aos mais novos, porque a ideia também passa por abrir as salas a um público heterogéneo.
A entrada do Cinema Trindade passa agora para a Rua do Almada, onde abunda pequeno comércio. Mas quase ali ao lado, o lojista Dilson Costa confessa que a reabertura lhe passou ao lado.
Rodeada de peças artesanais e lembranças da cidade, Cláudia Correia está a par de tudo, uma vizinha até lhe havia contado memórias de tempos idos onde ia ao cinema ali perto.
Do passado, nos anos 70 e 80 encontram-se memórias vagas. António Martins, na sua loja de chaves, lembra-se de pouco, viu lá "um ou dois filmes apenas".
Américo Santos recorda-se de ver filmes e de dançar no Trindade. A mulher, Judite Cardoso, lembra-se melhor de outras fitas, como "O Último Tango em Paris".